Cabeleireiro brasileiro é assassinado pela irmã após discussão na Espanha, diz família

Wellington Alves tinha 27 anos e foi morto com facada no tórax, enquanto dormia. Jovem era de Barra do Garças e morava na Espanha com a irmã há alguns anos.

Um cabeleireiro de 27 anos, de Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, foi morto no último final de semana pela irmã dele, de 18 anos, na cidade de Águilas, região de Múrcia, na Espanha. Eles moravam na cidade espanhola há alguns anos, segundo a família.

Wellington Alves, que era chamado de Ton, foi esfaqueado no tórax pela irmã, Hágatha Alves, enquanto dormia, no último sábado (14). Ela foi presa pela Guarda Civil e encaminhada para a cadeia, onde aguarda julgamento pelo crime de homicídio.

Familiares informaram que a jovem tem depressão e cometeu o crime horas após discutir com o irmão. O motivo do desentendimento não foi informado.

Após ser esfaqueado, o cabeleireiro chegou a ser socorrido e levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

O corpo de Ton Alves, como era conhecido, foi sepultado nessa quarta-feira (18), na Espanha (Foto: Facebook/Reprodução)

Familiares de Ton Alves, que moram no Bairro Nova Barra, em Barra do Garças, chegaram a fazer uma campanha no início da semana para arrecadar dinheiro e fazer o translado do corpo ou cremar o corpo dele na Espanha.

Eles precisavam arrecadar R$ 60 mil para arcar com as despesas, mas informaram que o corpo do rapaz foi sepultado nessa quarta-feira (18), na Espanha.

Fonte: g1

Mais de 30 anos após matar namorada no DF, brasileiro é preso na Alemanha

Homem vai cumprir no país europeu a pena imposta para Justiça do Distrito Federal pelo homicídio qualificado cometido em 1987 contra a ex-namorada Thaís Muniz Mendonça

O Ministério Público Federal (MPF) recebeu a informação oficial de que Marcelo Bauer foi preso, na Alemanha, onde será executada a pena de 14 anos de reclusão. Ele ingressou no Centro Penitenciário de Bayreuth em 25 de abril deste ano, com previsão de libertação somente em 24 de abril de 2032. Bauer foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) a 14 anos de prisão pelo homicídio qualificado cometido em 1987 contra a ex-namorada Thaís Muniz Mendonça.

Com a ajuda do pai – o coronel Rudi Ernesto Bauer, que atuava no Serviço de Inteligência da Polícia Militar do DF –, Marcelo Bauer fugiu do Brasil logo após cometer o crime. A efetivação da prisão foi informada em reunião entre integrantes da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI/MPF) e da adidância policial alemã, esta semana.

Por ter cidadania alemã, Marcelo Bauer cumprirá a pena naquele país. Para o secretário adjunto da SCI Carlos Bruno Ferreira, o desfecho do caso é significativo: “É uma grande vitória da Justiça e da cooperação internacional que, após mais de 31 anos do brutal homicídio de Thaís Mendonça, tenhamos conseguido na Alemanha a execução da pena para o assassino. É uma demonstração de que as distâncias físicas e de tempo não diminuem a persistência do Ministério Público em buscar a aplicação da lei penal aos culpados”, comentou, completando que a SCI acompanha o processo desde 2013.

Entenda o caso

Marcelo Bauer foi condenado à revelia pelo TJDFT, em abril de 2012, a 18 anos de prisão pelo sequestro, asfixia por substância tóxica e assassinato – com 19 facadas e um tiro na cabeça da estudante, que tinha 19 anos. Após o julgamento de apelação criminal, a pena foi reduzida para 14 anos de reclusão.

A prisão preventiva de Marcelo Bauer foi decretada em 1987, mas o então estudante fugiu do Brasil, com o auxílio do pai, o coronel Rudi Ernesto Bauer, que integrava o Serviço de Inteligência da Polícia Militar do Distrito Federal. Bauer foi encontrado 13 anos depois do crime, em Aarhus, na Dinamarca. Ele chegou a ser preso naquele país, em 2000, pela Interpol, que encontrou com o brasileiro passaportes falsos em nome de Sinval Davi Mendes.

O Ministério da Justiça solicitou a extradição de Bauer à Dinamarca, mas ele entrou com pedido de cidadania alemã e seguiu para aquele país. Desde 2002, o condenado mora em Flensburg. O Brasil também pediu a extradição à Alemanha, que foi negada em função da cidadania.

Pedido de prisão

Em 2016, a Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio da SCI, enviou à Alemanha um reforço ao pedido de condenação de Marcelo Bauer. A solicitação inicial foi feita em 2011, quando o Brasil enviou a cópia do processo e a transmissão do caso para a Justiça alemã, diante da inviabilidade da extradição de Bauer, que tem dupla nacionalidade. Foi solicitada a localização e a oitiva de testemunhas, além de ter sido remetido o perfil do DNA da vítima. A partir do pedido alemão, o juízo da Vara de Execuções Penais do DF autorizou a transmissão do caso ao país europeu e solicitou, alternativamente, a homologação da decisão condenatória.

O pedido inicial alemão foi encaminhado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça à PGR, que submeteu o caso ao Superior Tribunal de Justiça. A documentação foi encaminhada à SCI em 2013, quando foi feita a tradução dos documentos para o alemão, e transmitida ao país europeu. Desde então, houve constantes contatos entre as autoridades dos dois países, que culminaram no início da execução da pena na Alemanha.

Fonte: em.com

Na Rússia, brasileiro pede que menino repita frases ofensivas: ‘Eu sou um filho da p*’

Em seu perfil do Twitter, o autor do vídeo, que o apagou depois de ter começado a repercutir negativamente, reclamou que outras pessoas salvaram as imagens para publicá-las nas redes sociais, sem demonstrar qualquer tipo de arrependimento

Mais um vídeo ofensivo feito por um brasileiro na Rússia vem movimentando as redes sociais. O autor das imagens apagou a publicação original, mas isso não impediu que internautas salvassem seu conteúdo e compartilhassem na web, visando criticar a atitude.

Assim como Diego Valença Jatobá, Eduardo Nunes, Luciano Gil Mendes Coelho e Felipe Wilson, o jovem Lucas Marcelo Andrade também está gerando revolta. Diferentemente dos compatriotas, porém, Lucas gravou um vídeo em que pede para um menino repetir frases de cunho ofensivo e inapropriado. O adolescente não fala português, mas obedece as sugestões do brasileiro e repete: “Eu sou um filho da p*”, “Eu sou viado” e “Eu dou para o Neymar”.

Em seu perfil do Twitter, o autor do vídeo, que o apagou depois de ter começado a repercutir negativamente, reclamou que outras pessoas salvaram as imagens para publicá-las nas redes sociais, sem demonstrar qualquer tipo de arrependimento.

Autor de vídeo ofensivo reclamou de internautas replicando as imagens Foto: Twitter/Reprodução

Depois de passar pela Rússia, durante a Copa do Mundo, o brasileiro publicou que estava de partida para a Noruega. Além de ter afirmado que achou a Rússia “sem sal”, ainda reclamou de fazer tantas viagens de avião.

Após passar pela Rússia, Lucas disse que estava tudo pronto para ir à Noruega Foto: Twitter/Reprodução

 

Antes de seguir viagem, internauta chamou a Rússia de ‘sem sal’ Foto: Twitter/Reprodução
Brasileiro pediu para menino repetir frases ofensivas em português mesmo sem entender o idioma Foto: Twitter/Reprodução

Procurado pelo EXTRA por meio de seus perfis em redes sociais, o jovem ainda não retornou as mensagens. Pelo Twitter, ele gravou um novo vídeo pedindo desculpas pela “brincadeira”.

“Meu nome é Lucas Maciel e estou gravando esse vídeo para pedir desculpas para o menino e toda a nação russa pela brincadeira que eu fiz, por ter gravado o vídeo com ele. Foi um vídeo infantil da minha parte, que eu achei que não foi certo e quero também esclarecer que esse tipo de brincadeira não faz parte da nossa nação brasileira, do Brasil, e que eu estou completamente arrependido de ter feito essa brincadeira. Peço mais uma vez desculpas para todo mundo, é isso”, diz Luca no vídeo.

Fonte: extra

 

Diplomata brasileiro morre em Roma durante “jogo erótico”

Polícia suspeita de homicídio culposo por asfixia erótica

Um funcionário da embaixada brasileira, em Roma, foi encontrado morto em sua casa, na capital da Itália, com um cinto de couro em volta do pescoço. A polícia suspeita de homicídio culposo por asfixia erótica, conforme noticiou a imprensa italiana.

A morte ocorreu na segunda-feira (9/4), mas repercutiu somente a partir de sábado (14). De acordo com o jornal “Il Messaggero”, o homem de 40 anos foi identificado como Alexandre Siqueira Gonçalves, adido cultural do Brasil em Roma.

As autoridades locais ainda desconhecem as causas da morte, contudo a suposição é de que Gonçalves participava de uma sessão de escravidão sexual. O corpo foi encontrado pela esposa do diplomata: ela não havia passado o fim de semana em casa.

Segundo o “La Repubblica”, a mulher disse à polícia romana que o marido tinha um relacionamento extraconjugal com um homem. Uma investigação sobre o crime foi aberta. A autópsia deve ficar pronta em até 60 dias.

Fonte: metropoles

Universidade nos EUA onde brasileiro foi assassinado teve outra morte em março

Nas redes sociais da comunidade universitária, alunos pedem segurança e relembram que este foi o segundo caso de homicídio em menos de um mês

A Universidade de Binghamton, estado de Nova York, divulgou na noite dessa segunda-feira (16) um comunicado em que lamenta a morte do estudante brasileiro João Souza, 19 anos, que foi esfaqueado e morto no domingo (15) no interior do campus. Além disso, a universidade informou que o suspeito, cujas fotos foram compartilhadas na própria página institucional do campus – já está sob custódia policial.

Nas redes sociais da comunidade universitária, alunos pedem segurança e relembram que este foi o segundo caso de homicídio em menos de um mês. Em março, outra aluna, de 22 anos, foi encontrada morta em seu quarto.

No texto publicado na página do Facebook da instituição, o reitor presidente da universidade, Harvey Stenger, relembra a morte da outra estudante e afirma que este ano tem sido difícil para a universidade, mas reafirmou o compromisso de fornecer um ambiente seguro para a comunidade estudantil.

“Infelizmente, vivemos em uma época em que a violência faz parte da sociedade e, com um campus de mais de 17.000 alunos e vários milhares de professores e funcionários, há ocasiões em que a violência se intromete em nosso campus”, escreveu.

Na nota, o reitor presidente diz ainda “estar profundamente triste” em escrever sobre o esfaqueamento e morte do estudante, calouro de engenharia. Ele também afirma que houve uma rápida ação por parte da segurança da universidade e polícia. O suspeito sob custódia seria o estudante Michael Roque, 20 anos, que foi filmado pelas câmeras de segurança saindo do quarto de João Souza.

Testemunha

O estudante Wen Zhong Xun, que dividia um apartamento estudantil com João na universidade, prestou depoimento à polícia e fez relatos nas redes sociais. Ele afirmou que João entrou em seu quarto para pedir ajuda, enquanto tentava fugir, quando o suspeito entrou com a faca para continuar a atacar o estudante brasileiro.

Wen Zhong Xun afirmou que “João era gentil e atencioso” e que não merecia isso. O brasileiro chegou a pedir ajuda do rapaz, que estava acompanhado da namorada.

“Minha namorada e eu testemunhamos meu companheiro de quarto sendo impiedosamente e brutalmente esfaqueado e assassinado em nosso dormitório por um atacante mascarado”.

O estudante escreveu ter ouvido os gritos de João, mas quando ele e a namorada abriram a porta, João já veio ferido, perseguido pelo autor dos golpes. “Tentei fechar a porta, mas o agressor me dominou e entrou em nosso quarto”, concluiu.

Consulado

O Consulado brasileiro em Nova York informou à Agência Brasil que está prestando assistência à família de João Souza. No entanto, a pedido dos próprios familiares, não serão repassadas à imprensa maiores informações sobre os procedimentos ou contatos pessoais de pessoas ligadas ao estudante.

Fonte: diariodepernambuco

Brasileiro desaparecido é encontrado morto no subúrbio de Dublin

Caíque Trindade de Oliveira estava desaparecido desde o dia 6. A mãe, Valclecia Trindade, publicou um post nas redes sociais

O corpo do brasileiro Caique Trindade de Oliveira, de 24 anos, foi encontrado no subúrbio de Dublin, na Irlanda, na noite desta segunda-feira (26). Desaparecido desde o último dia 6 de março, Caíque foi visto pela última vez por amigos que, após seu desaparecimento, entraram em contato com a mãe do estudante, Valclecia Trindade.

Segundo Valclecia Trindade, Caíque estaria “desorientado” há alguns dias, motivo pelo qual ela viajou para a cidade irlandesa e fez vários apelos públicos pelas redes sociais. Nas redes sociais, ela postou nesta segunda-feira uma nota em que agracede às mensagens e ao apoio recebido de amigos e conhecidos de Caíque. “Gostaria de agradecer a todos que contribuíram de alguma forma, e gostaria de pedir que respeitassem nesse momento a minha dor e a dor da minha família”.

No mesmo post, centenas de pessoas publicaram mensagens de condolências pela morte do estudante e apoio à família. O corpo de Caíque foi encontrado em um paque, Corkagh Park, localizado em Clondalkin, subúrbio de Dublin. A causa da morte e detalhes de como o corpo foi encontrado não foram divulgados.

Foto: Reprodução/Facebook

Fonte: diariodepernambuco

Polícia da Irlanda procura brasileiro desaparecido há uma semana

Um brasileiro está desaparecido desde o dia 06 de março, em Dublin, na Irlanda. De acordo com site de notícias Dublin Live, Caíque De Oliveira Trindade, 24, foi visto pela última vez no bairro de Clondalkin, subúrbio da capital irlandesa.

Em uma rede social, a mãe do estudante, Valcleia Trindade, postou algumas informações da última vez em que ele foi visto. “Sua carteira com dinheiro, cartão de crédito e Leap Card (bilhete de transporte público) foram encontrados no dia 7/3 em um mercado da rede Tesco próximo à casa em que estava morando”.

Caíque ficaria apenas seis meses no país para estudar inglês e depois retornaria ao Brasil. Ao portal brasileiro G1, Valcleia disse que chegou à Irlanda na quarta-feira (08) e só então constatou o desaparecimento. Ela comunicou à Garda (polícia local) e as autoridades têm prestado ajuda à família.

Ao portal Irish Times, a mãe do garoto informou que decidiu visitar o filho na Europa depois que seus colegas contaram que Caíque estava com um comportamento estranho. “Eles me disseram que ele estava meio desorientado, que dava risada em um momento, mas que ficava chateado no outro. Foi quando eu decidi pegar um voo e trazer ele de volta ao Brasil comigo”, disse Valcleia.

Cartazes e fotos foram espalhados pelo centro de Dublin, mas, até o momento, o estudante não foi localizado. A embaixada brasileira já foi notificada e acompanha as investigações conduzidas pela polícia irlandesa.

Fonte: istoé

Empreendimento imobiliário liga Ivanka Trump a brasileiro fugitivo do Panamá

Na primeira metade de 2007, um grupo de estrangeiros, a maioria da Rússia, chegou ao aeroporto da Cidade do Panamá e foi recebido por um chofer que os levou em um Cadillac branco com o logotipo de Donald Trump na lateral.

A limusine pertencia a uma empresa administrada pelo ex-vendedor de automóveis brasileiro Alexandre Ventura Nogueira, que oferecia aos visitantes a chance de investir no mais recente projeto de Trump — uma torre de 70 andares chamada Trump Ocean Club International Hotel and Tower. Tratava-se do primeiro empreendimento hoteleiro internacional do futuro presidente dos Estados Unidos, um complexo que incluiria apartamentos residenciais e um cassino em um edifício à beira-mar na forma de uma vela de barco.

“O senhor Nogueira era um jovem extrovertido e animado”, disse Justine Pasek, que foi coroada Miss Universo por Donald Trump em 2002, e em 2007 atuava como porta-voz da empresa de Nogueira, a Homes Real Estate Investment & Services. “Todos ficaram muito impressionados com a Homes, porque parecia estar na crista da onda do boom imobiliário na época”, disse.

Uma das pessoas que Nogueira procurou impressionar foi Ivanka, uma das filhas de Trump. Em uma entrevista à Reuters, Nogueira contou que se encontrou e conversou com Ivanka “muitas vezes” quando ela cuidava do envolvimento da Organização Trump no empreendimento panamenho. “Ela se lembraria de mim”, disse.

O edifício Trump Ocean Club (edifício ao centro com a lateral curva) (Foto: Carlos Lemos/Reuters)

Ivanka ficou tão convencida de seu talento para as vendas, disse Nogueira, que o ajudou a se tornar um corretor de destaque para o empreendimento, e ele apareceu em um vídeo ao seu lado divulgando o projeto.

Uma investigação da Reuters sobre o financiamento do Trump Ocean Club descobriu que Nogueira foi responsável por entre um terço e metade da pré-venda do projeto. Também revelou que ele fez negócios com um colombiano que mais tarde foi condenado por lavagem de dinheiro e hoje está detido nos EUA; um investidor russo do projeto de Trump que foi preso em Israel nos anos 1990 por sequestro e ameaças de morte; e um investidor ucraniano preso por suposto tráfico de pessoas quando trabalhava com Nogueira e mais tarde condenado por um tribunal de Kiev.

Alexandre Ventura posa para foto em local não divulgado, durante entrevista à Reuters (Foto: Stephen Grey)

Três anos depois de se envolver com o Trump Ocean Club, Nogueira foi preso pelas autoridades panamenhas acusado de fraude e falsificação não relacionadas ao projeto de Trump. Libertado mediante uma fiança de US$ 1,4 milhão, ele fugiu do país mais tarde.

Deixou para trás uma série de pessoas que alegam que ele as enganou, inclusive a respeito de apartamentos do projeto de Trump, o que resultou em ao menos quatro casos criminais que oito anos depois ainda aguardam julgamento. 

Nogueira, de 43 anos, nascido no Recife, nega as acusações e disse à Reuters em um email: “Não sou nenhum santo, mas também não sou o diabo”.

Ivanka Trump não quis comentar seus negócios com Nogueira. Um porta-voz da Casa Branca encaminhou as perguntas à Organização Trump. Alan Garten, principal autoridade jurídica da entidade, disse: “Ninguém da Organização Trump, incluindo a família Trump, tem qualquer lembrança de ter conhecido ou conversado com este indivíduo”.

Trump colocou seu nome no empreendimento e previa lucrar mais de US$ 75 milhões de dólares com ele, de acordo com um prospecto de título do projeto. Ele não exerceu controle gerencial sobre a construção e não esteve sujeito a nenhuma obrigação legal direta de realizar a devida verificação de outras pessoas envolvidas.

Mas alguns especialistas legais dizem que o episódio desperta dúvidas sobre as medidas que Trump adotou para verificar a fonte de qualquer lucro vindo do local. Arthur Middlemiss, ex-procurador-geral-assistente de Manhattan e ex-diretor do programa global anticorrupção do J.P. Morgan, disse que, como o Panamá era “visto como altamente corrupto”, qualquer pessoa fazendo negócios no país deveria realizar a devida verificação de outros participantes de seus empreendimentos. Se não o fizessem, disse, havia um risco em potencial de a lei dos EUA os responsabilizar por fazerem vista grossa a irregularidades.

Ivanka Trump durante visita a Roma (Foto: REUTERS/Yara Nardi)

Jimmy Gurule, professor de Direito da Universidade de Notre Dame, em Indiana, e ex-subsecretário de aplicação da lei do Departamento do Tesouro dos EUA, concordou, dizendo ainda que qualquer empresário deveria evitar trabalhar com “qualquer um com uma ligação em potencial com a criminalidade” simplesmente por questão de ética.

A Reuters não conseguiu determinar qual verificação Trump realizou em reação ao projeto Ocean Club.

Garten, da Organização Trump, disse que o papel desta no projeto “sempre se limitou a licenciar sua marca e providenciar serviços administrativos. Como a empresa não era proprietária ou incorporadora, não teve envolvimento na venda de quaisquer unidades da propriedade”.

Segundo Garten, a Organização Trump “nunca teve nenhum relacionamento contratual nem negociações significativas” com Nogueira.
Nove ex-parceiros comerciais ou empregados de Nogueira entrevistados pela Reuters o acusaram de enganá-los e a seus clientes, e dois deles o processaram. Os casos ainda não foram julgados.
Alexandre Ventura Nogueira chega ao escritório do advogado-geral do Panamá em abril de 2009 (Foto: Jorge Fernandez/La Prensa via Reuters)

Ao ser abordado pela primeira vez pela Reuters, Nogueira não quis responder perguntas. Escrevendo no dia 4 de outubro, ele disse em um email: “Qualquer coisa que eu dissesse também poderia prejudicar muitas pessoas importantes e poderosas. Não sei se deveria fazê-lo”.

Mais tarde ele concordou com um encontro. Em uma longa entrevista, descreveu seus contatos com a família Trump e seu papel no projeto Ocean Club. Ele afirmou que só soube depois que o projeto estava quase pronto que alguns de seus parceiros e investidores eram criminosos, inclusive alguns que descreveu como tendo ligações com a “máfia russa”.

Ele disse não ter lavado nenhum dinheiro ilícito conscientemente por meio do projeto de Trump, mas admitiu ter lavado dinheiro de outros esquemas para autoridades panamenhas corruptas.

Não era sua função checar a fonte do dinheiro que os investidores usaram para adquirir unidades do Trump Ocean Club, argumentou Nogueira. “Não sabia que o dinheiro vinha de algo ilegal. Como eles estavam fazendo transferências eletrônicas, e não em dinheiro, não me preocupei com a fonte”.

Nogueira disse que ninguém o indagou sobre a origem dos fundos.

“Ninguém nunca me perguntou. Os bancos não perguntaram. As incorporadoras não perguntaram. A Organização Trump não me perguntou. Ninguém me perguntou: ‘Quem são os clientes? De onde veio o dinheiro?'”

Não ficou claro se algum dinheiro lavado, ou quanto, foi para o projeto de Trump.

Placa do Trump Ocean Club na Cidade do Panamá (Foto: Carlos Lemos/Reuters)

As fontes do dinheiro de outros empreendimentos imobiliários de Trump nos quais o magnata licenciou seu nome foram alvo de inquéritos neste ano. Em março, uma análise da Reuters mostrou que ao menos 63 indivíduos com passaportes russos compraram US$ 98,4 milhões de dólares em propriedades em sete torres de luxo da marca Trump no sul do Estado da Flórida.

Entre os compradores havia empresários com conexões políticas e pessoas dos segundo e terceiro escalões do poder na Rússia. Respondendo à reportagem, Garten, conselheiro da Organização Trump, disse que a apuração dos laços comerciais de Trump com a Rússia foi mal direcionada e que a reportagem foi “exagerada”.

Alto luxo

O envolvimento de Donald Trump no Ocean Club começou em 2005, quando o empreiteiro local Roger Khafif foi à Trump Tower em Nova York para apresentar a ideia de um projeto para Trump no Panamá. Khafif disse ter explicado ao bilionário norte-americano que ele só precisaria licenciar seu nome e oferecer gerenciamento hoteleiro. Esta maneira de negociar liberou Trump da responsabilidade de entrar como acionista ou dar uma garantia pessoal.

Em uma entrevista à Reuters, Khafif lembrou que Trump queria usar o projeto panamenho como um “bebê” para Ivanka, que havia acabado de entrar na Organização Trump, dar seus primeiros passos no ramo imobiliário.

O plano era que a Newland International Properties Corp, companhia da qual Khafif era presidente e que era dona do empreendimento, financiasse a construção com um título subscrito pelo banco de investimento norte-americano Bear Stearns. O banco, que faliu em 2008, foi comprado pela J.P. Morgan, que não quis comentar.

Para vender o título, a incorporadora precisava provar que era capaz de vender os apartamentos. Foi aí que Nogueira entrou. O brasileiro chegou ao Panamá em meados dos anos 2000 vindo da Espanha, onde trabalhou como vendedor de automóveis.

Ele já havia tido problemas com a lei. Em setembro de 2005, em um comunicado oficial publicado na internet, o Ministério da Economia espanhol disse ter aberto um processo para multar Nogueira pela suspeita de uma “violação grave” das leis antilavagem de dinheiro do país. O processo foi encerrado cerca de nove meses depois porque as autoridades não conseguiram determinar o paradeiro do acusado.

Nogueira disse ter sido um incidente trivial, cuja causa foi ter passado com muito dinheiro pessoal por um aeroporto.

Uma vez no Panamá, Nogueira ficou famoso por sua amizade com políticos e seu amor pelo luxo.

Ele contou ter se envolvido com o projeto do Ocean Club em uma reunião inicial de vendas em 2006 no Panamá organizada por Khafif, que ele já conhecia. Ivanka e outros corretores estavam presentes, afirmou, lembrando ter ouvido que se debateu um preço mínimo de US$ 120 mil para os apartamentos.

Nogueira disse que se levantou e disse que o preço estava no nível de empreendimentos comuns. “Escutem, é Trump vendendo. Vocês têm que pôr um preço nesse nome. Peçam US$ 220 mil!”

Ele disse que Ivanka perguntou: “Você consegue vender?”

Nogueira disse ter pedido uma semana para provar que sim, e dentro deste prazo conseguiu obter depósitos para mais de 100 apartamentos. Depois disso, Khafif fez dele um corretor de destaque e lhe concedeu uma comissão de 5% sobre o valor bruto das vendas, afirmou.

Indagado sobre a versão de Nogueira deste encontro, Khafif disse que “a maior parte do que ele disse é verdade”, e que lembra que o brasileiro se encontrou com Ivanka “algumas vezes”.

Nogueira disse que nos meses seguintes debateu a promoção e as vendas com Ivanka no Panamá, em Miami e Nova York, e que também conheceu Donald Jr. e Eric Trump.

Ivanka não respondeu a pedidos de comentário sobre Nogueira. Garten descreveu o contato entre Nogueira e os Trump como “insignificante” — “só uma de literalmente centenas de aparições públicas que foram solicitados a fazer naquele ano”.

Ivanka e os filhos de Trump compareceram a eventos de lançamento da torre, gravaram vídeos promocionais para o projeto e administraram o envolvimento de Trump.

Trump Ocean Club na Cidade do Panamá (Foto: Carlos Lemos/Reuters)

Quando o canal de TV Univisión publicou uma reportagem em 2001 ressaltando o papel de Nogueira no projeto, Eric Trump respondeu que Nogueira era um vendedor independente.

Questionada neste mês sobre o comentário de Eric em resposta à reportagem da Univisión, a Organização Trump disse que a empresa nunca teve qualquer ligação com Nogueira ou conhecimento a seu respeito.

Eleanora Michailov, uma russa que se estabeleceu no Canadá, era a diretora internacional de vendas de Nogueira, e lembrou que o corretor lidou com a venda de um terço do edifício — cerca de 200 apartamentos.

A empresa de Nogueira encontrou um mercado pronto na Rússia. “Os russos gostam de se exibir”, disse Khafif, que fez várias viagens de negócios a Moscou. “Para eles, Trump era o Bentley” das marcas do ramo imobiliário.

O homem identificado como diretor de quatro companhias de investimento da Trump Ocean era Igor Anopolskiy, que em 2007 era o representante da Homes Real Estate em Kiev. Registros policiais mostram que ele foi preso em março daquele ano devido à suspeita de tráfico de pessoas. Solto um ano depois sob fiança, ele foi detido novamente em 2013, e no ano seguinte uma corte da Ucrânia lhe impôs uma pena suspensa de 5 anos de prisão com 3 anos de condicional por delitos como tráfico de pessoas e falsificação, sem relação com o projeto de Trump.

Entrevistado em Kiev, Anopolskiy atribui o caso à corrupção policial e negou ter cometido qualquer crime.

Foi o empresário colombiano David Murcia Guzmán que desencadeou a queda de Nogueira. Murcia foi indiciado em novembro de 2008 por lavagem de dinheiro, primeiro na Colômbia e depois nos EUA. Ele foi condenado a 9 anos de prisão nos EUA por conspiração para lavar dinheiro de drogas. Depois de cumprir 6 anos ele deve voltar a seu país, segundo seu advogado, Robert Abreu. O governo colombiano comunicou que Murcia cumprirá uma pena de 22 anos de prisão quando retornar devido a delitos que incluem lavagem de dinheiro.

Murcia não teve autorização das autoridades norte-americanas para responder perguntas da Reuters.

Dias depois do indiciamento de Murcia as atenções se voltaram para Nogueira. Roniel Ortiz, ex-advogado de ambos, relatou que o brasileiro se ofereceu para lavar o dinheiro de Murcia comprando apartamentos em seu nome. Murcia “não podia levar seu dinheiro a um banco”, explicou Ortiz, por isso Nogueira “se ofereceu para ver como poderia ajudar”.

Ortiz disse não saber se algum, ou quanto, dinheiro de Murcia foi usado no empreendimento de Trump. Nogueira disse que Murcia lhe deu US$ 1 milhão para investir na propriedade do Panamá, que ele usou para pagar o depósito de até 10 apartamentos, entre outros investimentos.

Em 2013, Nogueira, em conversas gravadas secretamente por um ex-parceiro de negócios, disse ter lavado dinheiro como um serviço, movimentando dezenas de milhões de dólares principalmente por meio de contatos em Miami e nas Bahamas. “Mais importante do que o dinheiro de imóveis era poder lavar o dinheiro das drogas — havia quantias muito maiores envolvidas”, disse ele na gravação.

“Quando eu estava no Panamá, lavava dinheiro frequentemente para mais de uma dúzia de empresas”.

As gravações foram ouvidas pela Reuters e autenticadas por cinco pessoas que conhecem Nogueira.

Falando à Reuters, Nogueira afirmou que não lembra de ter feito tais afirmações e negou ter lavado dinheiro por meio do projeto de Trump ou ter lidado com dinheiro de drogas. Ele disse que, mais tarde, depois do colapso de seu negócio imobiliário em 2009, passou a lidar com dinheiro de autoridades e políticos corruptos e que se envolveu em esquemas de corrupção para vender vistos panamenhos.

Ligação Russa

Na história do Trump Ocean Club do Panamá, um ponto alto é uma festa realizada em uma noite do início de 2007 em um resort de Trump. Nogueira disse que foi à festa e que lá esteve com Donald Trump “pela primeira e única vez”.

Além de Nogueira havia convidados envolvidos no projeto, como investidores ou vendedores, alguns de origem russa ou da antiga União Soviética. Entre eles estava Alexander Altshoul, nascido em Belarus.

Altshoul, que tem cidadania canadense, aparecia no site da empresa naquele ano como “parceiro” e “proprietário”, e investiu com familiares e amigos no projeto de Trump, fazendo depósitos para 10 apartamentos e uma unidade de um hotel.

Entre seus parceiros estava o moscovita Arkady Vodovosov. Em 1998, Vodovosov foi condenado a 5 anos de prisão em Israel por sequestro e ameaças de morte, segundo registros de tribunais.

Contactado por telefone, Vodovosov disse que os questionamentos sobre sua ligação com o projeto não fazem sentido.

“Estivemos no Panamá durante um período muito curto e saímos de lá muito tempo atrás”, afirmou, recusando-se a responder outras perguntas.

Altshoul compareceu à festa com outro parceiro da Homes, Stanislau Kavalenka, como recordaram pessoas presentes. Kavalenka também era um emigrado da antiga União Soviética residente no Canadá.

Altshoul e Kavalenka enfrentaram acusações de ligação com o crime organizado em épocas diferentes, mas as acusações foram retiradas. No caso de Altshoul, a polícia de Toronto as apresentou em abril de 2007, quando ele promovia o projeto de Trump. Ele foi acusado de ligação com um esquema de fraude de hipotecas sem relação com o empreendimento panamenho, e o caso foi descartado um ano depois.

Vendido como ‘pão quente’

Trump disse em um vídeo promocional que o projeto no Panamá vendeu “como pão quente” (Foto: Bullit Marquez/Pool/AFP)

Nos meses seguintes à festa, as perspectivas para todos os envolvidos no Trump Ocean Club eram promissoras. Graças ao boom imobiliário global e a uma divulgação bem-sucedida, as vendas haviam ultrapassado todas as expectativas.

Um prospecto de título foi emitido em novembro de 2007 liberando a arrecadação de fundos para a construção. No final de junho daquele ano, declarava o prospecto, o projeto já havia “vendido aproximadamente 64% do condomínio e das unidades comerciais do edifício”, garantindo o recebimento de ao menos US$ 278,7 milhões na conclusão do projeto.

Trump disse mais tarde, em um vídeo promocional divulgado antes da inauguração de 2011, que o projetou vendeu “como pão quente”.

Mas nem todo o dinheiro arrecadado na pré-venda foi para o financiamento do projeto. Nove ex-parceiros de negócio ou funcionários de Nogueira entrevistados pela Reuters alegaram que, no Ocean Club e em outros empreendimentos, Nogueira ou não repassou todos os depósitos que recebeu às incorporadoras do projeto ou vendeu o mesmo apartamento a mais de um cliente em certas ocasiões.

As queixas contra Nogueira, incluindo alegações de fraude nas vendas do Trump Ocean Club, resultaram em quatro casos criminais contra o brasileiro no Panamá e culminaram em sua prisão por acusações de fraude em maio de 2009.

Ele alegou que a venda duplicada ocorreu por causa de mudanças nas especificações do edifício ou erros de registro, e negou ter vendido qualquer apartamento duas vezes intencionalmente.

Alexandre Ventura Nogueira durante entrevista com a agência Reuters em local não determinado (Foto: Stephen Grey/Reuters)

Libertado com uma fiança de US$ 1,4 milhão, ele continuou morando no Panamá até 2012, quando, apesar de estar proibido de deixar o país, fugiu para o Brasil, mudando-se novamente mais tarde. Karen Kahn, procuradora federal de São Paulo, revelou que Nogueira é alvo de uma investigação federal em andamento por lavagem de dinheiro internacional, um inquérito desencadeado por várias transferências bancárias grandes que chegaram às suas contas vindas do Panamá.

Recusando-se a contar onde mora atualmente, Nogueira concordou em conversar pessoalmente com a Reuters e a NBC News no dia 13 de novembro em um local neutro, contanto que este não fosse revelado, e disse que existe um mandado de prisão contra ele no Panamá.

Não foi só a alegação de fraude que prejudicou os investidores. Depois da crise imobiliária mundial de 2008, qualquer chance de um lucro rápido no empreendimento panamenho de Trump virou fumaça.

Só Trump ganhou, já que o acordo de licenciamento lhe garantiu entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões por emprestar seu nome ao projeto.

(Reportagem adicional de Nathan Layne, em Nova York e Toronto; Elida Moreno, na Cidade do Panamá; Angus Berwick, em Madri; Tom Bergin, em Londres; e Denis Dyomkin e Anna Mehler Paperny, em Toronto. Esta reportagem foi feita em parceria com o Projeto de Reportagem sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP, na sigla em inglês), um grupo jornalístico sem fins lucrativos: Roman Anin, em Moscou e Tel Aviv; e Anna Babinets e Elena Loginova, em Kiev)

 

Justiça da Ucrânia anula condenação por terrorismo de brasileiro preso há um ano

A Justiça da Ucrânia anulou o julgamento que, no início deste ano, havia condenado o ex-combatente Rafael Marques Lusvarghi a 13 anos de prisão por terrorismo no país. Apesar disso, determinou que o brasileiro continue preso em Kiev e seja julgado novamente pelo mesmo crime até o dia 15 deste mês. Se isso não ocorrer até lá, ele poderá ser solto, segundo sua defesa.

Nesta sexta-feira (6), o paulista de 32 anos completa um ano detido na capital da Ucrânia acusado de ser terrorista. “Sou inocente de qualquer crime”, rebate Rafael numa das cartas escritas recentemente na prisão. Elas foram enviadas aos seus advogados, parentes e amigos no Brasil. O G1 teve acesso às missivas (veja uma delas acima).

Nos manuscritos, Rafael admite que, entre setembro de 2014 a outubro de 2015, lutou contra o exército ucraniano ao lado das tropas militares rebeldes que queriam a independência política de dois territórios do país. Pretendiam criar a República Popular de Donetsk (RPD) e a República Popular de Lugansk (RPL).

Pela lei ucraniana, no entanto, isso caracteriza terrorismo e Rafael foi acusado pela polícia local de ser “mercenário” e “assassino profissional”.

Com o cessar fogo no país europeu, o conflito acabou. Rafael voltou a Jundiaí, no interior de São Paulo, onde nasceu e mora sua família. Mas como não conseguiu emprego, aceitou proposta de trabalho como segurança de navios ucranianos no Chipre, país no leste do Mar Mediterrâneo. Porém, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Kiev-Borispol, na Ucrânia, foi preso pelo serviço secreto ucraniano.

Rafael considerou que sua prisão foi uma emboscada. “Me enganaram com uma proposta de serviço naval”, escreve Rafael numa das cartas.

Vídeo do Serviço de Segurança da Ucrânia mostra a prisão de Rafael Lusvarghi (Foto: Reprodução/Youtube/Serviço de Segurança da Ucrânia)

Condenação

Em 25 de janeiro deste ano, Rafael foi condenado pelo Tribunal do Distrito Petcherski por ações terroristas. Seus advogados recorreram da decisão alegando ter ocorrido irregularidades durante o processo. O Tribunal de Apelação de Kiev concordou e decidiu anular a sentença em 17 de agosto.

Três juízes entenderam que a condenação foi “ilegítima e infundamentada”, conforme tradução do ucraniano para o português do documento que anulou a sentença e que foi obtido pelo G1 (veja abaixo). Reconheceram violações, como, por exemplo, ausência de tradutor para a língua portuguesa, falta de comunicação da detenção do réu aos seus parentes e até suspeitas de maus tratos contra ele.

Nas cartas, Rafael revelou ter sofrido tortura na prisão:

Fisicamente torturado, forçado a fazer declarações falsas contra minha vontade, julgado rapidamente e sentenciado.

Os magistrados determinaram ainda que o brasileiro fosse submetido a exame médico urgente e isolado dos demais presos como medida de segurança.

“Entramos com apelação porque Rafael teve os direitos de defesa violados, como, por exemplo, ausência de intérprete, indícios de que sofreu maus tratos e tortura para confessar crimes que não cometeu e sequer foi informado sobre a totalidade dessas acusações”, disse o advogado Daniel Eduardo Cândido.

O brasileiro atua na defesa jurídica de Rafael juntamente com o advogado ucraniano Rybin Valentin Vladimirovitch. Para eles, o paulista tem de ganhar a liberdade caso o novo julgamento não ocorra no prazo estabelecido pela Justiça ucraniana. “É o que vamos pleitear”, afirmou Daniel.

“O fato de ele ter abandonado voluntariamente as tropas separatistas configura, até pelas leis ucranianas, que teria de ser anistiado e libertado”, concluiu o advogado brasileiro.

Tribunal de Apelação de Kiev anulou condenação de Rafael Lusvarghi por terrorismo (Foto: Reprodução)

Cartas

Veja abaixo alguns dos comentários que Rafael fez nas cartas sobre estar preso na Ucrânia:

Dentro da lei, às vezes me animo com a previsão de liberdade

Meu futuro é sombrio

O fim é um só: cadeia. Depois esquecimento, e depois a noite eterna

Já tremi e quase chorei

Por causa da prisão de Rafael, algumas pessoas criararam páginas no Facebook pedindo a libertação dele.

Em 14 de outubro de 2016, o Itamaraty divulgou nota informando que “o serviço consular do Brasil entrou em contato com Rafael e ele estava bem”, sem sinais de que tenha sido maltratado na cadeia.

Nas cartas, Rafael critica algumas autoridades brasileiras, as acusando de abandoná-lo em Kiev:

Estou completamente abandonado em um país estranho e hostil

Prisão no Brasil

Essa não é a primeira vez que Rafael é mantido preso na cadeia. Em 12 de junho de 2014, ele ficou conhecido publicamente ao ser detido no protesto contra a Copa do Mundo na capital de São Paulo. Naquela ocasião, enfrentou a Polícia Militar (PM) sem camisa e levou tiros de bala de borracha. Aparece ainda em vídeo sendo contido por diversos policiais e levando um jato de spray de pimenta no rosto.

Acusado de ser adepto da tática black bloc (que consiste em destruir patrimônios públicos para protestar), Rafael ficou 45 dias preso. A Justiça de São Paulo, no entanto, o absolveu das acusações de incitação ao crime, associação criminosa, resistência, desobediência e porte de material explosivo.

Depois de solto, em setembro de 2014, Rafael viajou à Ucrânia. Ele foi o primeiro brasileiro a se alinhar às tropas separatistas. Outros 12 brasileiros seguiriam depois. Enquanto esteve combatendo nas forças separatistas, chegou a ser ferido.

Desde o início da guerra na Ucrânia, em abril de 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) registrou 9.640 mortos e 22.431 feridos entre membros das Forças Ucranianas, civis e de grupos armados. A Ucrânia e outros países do Ocidente acusam a Rússia de enviar tropas e apoio aos rebeldes, o que o presidente russo, Vladimir Putin, sempre negou.

Rafael Lusvarghi quando foi preso em São Paulo durante portesto contra a Copa, em 12 de junho de 2014 (Foto: Robson Fernandes/Arquivo Estadão Conteúdo – 12/06/2014)

Perfil

Mais velho de quatro irmãos nascidos numa família de origem húngara e de classe média, Rafael é jundiaiense. A mãe professora é separada do pai, empresário em Minas Gerais. Na adolescência, ele fez curso de técnico de agronomia.

Aos 18, Rafael se alistou na Legião Estrangeira, na França, onde serviu por três anos. Na volta ao Brasil, foi soldado da Polícia Militar de São Paulo, entre 2006 e 2007. Depois tentou a carreira de oficial na PM no Pará, mas abandonou em 2009.

Em 2010, ele seguiu para a Rússia para estudar medicina. Tentou entrar para o exército russo, mas não conseguiu e voltou à América do Sul. Afirmou ter entrado no território colombiano, onde ingressou nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)

Descontente, retornou ao Brasil. Começou a dar aulas de inglês e trabalhar numa empresa de informática em Indaiatuba, interior paulista. Mas após ter sido preso pela PM em junho de 2014 durante os atos anti-Copa, perdeu os empregos.

Rafael (acima à esquerda) segura bandeira brasileira ao lado de combatentes no leste da Ucrânia (Foto: Reprodução/ Facebook/ Rafael Lusvarghi)

Fonte: g1.com

Brasileiro é encontrado morto em prisão na Suíça

Um brasileiro mantido em uma prisão em Zurique (Suíça) foi encontrado morto em sua cela. Um comunicado do Ministério Público de Zurique indicou que uma investigação foi aberta para determinar as causas da morte.

Suspeito de ter cometido um assassinato, o brasileiro teria 36 anos, mas seu nome não foi revelado pelas autoridades suíças.

A prisão onde ele estava sendo mantido era a do aeroporto de Zurique, normalmente usada por detentos que serão extraditados ou pegos no próprio aeroporto, um dos maiores do continente europeu.

Considerado como um dos países que mantém as melhores prisões da Europa, o número de mortes no sistema carcerário suíço está entre os mais baixos do mundo.

Fonte: metropoles.com