PF e Interpol investigam caso de canadense desaparecido no DF após retiro em GO

Cooperação foi confirmada à família pelo governo canadense. Ele fez compras entre Santa Maria e Gama, dizem testemunhas

A Polícia Federal e o escritório da Interpol no Brasil passaram a investigar, nesta semana, o desaparecimento do canadense Paul Manhas no Distrito Federal. O estrangeiro veio ao Brasil para um retiro espiritual em Goiás, tentou voltar para casa antes do fim do processo e, desde o último dia 12, não faz contato com a família.

A apuração da PF e da Interpol foi confirmada à família de Paul pelo Ministério de Relações Exteriores do Canadá – o G1 teve acesso ao e-mail com exclusividade. No texto, a agência afirma que a investigação está em andamento, e que o contato dos familiares foi informado, novamente, a autoridades brasileiras.

“O policial com quem conversamos afirmou que eles verificam até os fragmentos de informação recebidos, no local ou por telefone, mostram fotos do seu irmão às pessoas que podem tê-lo visto, e que estão checando câmeras”, diz o e-mail do governo canadense, em tradução livre.

“Segundo a polícia, parece que seu irmão ainda está na região de Santa Maria, em Brasília.”

Desde a manhã desta quinta-feira (19), o G1 tenta confirmar a abertura de um inquérito com a Polícia Federal e o escritório brasileiro da Interpol, em Brasília. Até as 21h, as instituições não tinham prestado informações.

A Polícia Civil do Distrito Federal informou não ter qualquer novidade desde a quarta-feira (18), quando o caso veio a público.

Em nota, a Embaixada do Canadá no Brasil disse estar “ciente” do desaparecimento, mas informou que “o Governo do Canadá não comenta sobre cidadãos canadenses devido a questões de privacidade”.

Ao G1, Angela disse que foi preciso “convencer” as autoridades do Canadá sobre a gravidade do caso. A saúde mental frágil do irmão deixa ela ainda mais preocupada com o sumiço.

“Vou te dizer, eu estive no Departamento de Assuntos Estrangeiros do Canadá e insisti na gravidade da situação. Meu irmão está em um estado mental complicado, ele precisa de atenção médica.”

Mais pistas

Também nesta quinta, a família de Paul no Canadá recebeu e-mails indicando que ele continuava no Distrito Federal – pelo menos, até a tarde desta quarta-feira (18).

Testemunhas dizem ter visto o estrangeiro entre Santa Maria e Gama (regiões vizinhas do DF), fazendo compras e/ou vagando pelas ruas. O último registro oficial de Paul está na 33ª DP (Santa Maria), onde ele foi detido no sábado (14) e liberado, horas depois.

“Ontem [quarta, 18], por volta das 16h10, vi Paul fazendo compras no mercado próximo ao terminal de ônibus de Santa Maria Sul. Ele tentou passar o cartão, mas não conseguiu e pagou em dinheiro”, diz um dos relatos enviados à irmã de Paul Manhas, Angela.

“Não consegui acionar a polícia. Acho que ele está atrás do terminal, em uma área de mata. Com as mesmas roupas da foto. Boa sorte nas buscas.”

A família acredita que Paul pode ter se refugiado em alguma área de mata próxima da delegacia – o Núcleo Rural Alagado, entre Santa Maria e Gama, por exemplo. Nesta quinta, o G1 foi à região e conversou com moradores.

À reportagem, várias pessoas disseram ter visto alguém com características parecidas, caminhando pelas ruas do núcleo rural na última semana. O problema, neste caso, é o idioma: Paul não fala português, e os moradores da área não falam inglês ou francês (línguas oficiais do Canadá).

Outro fator que complica o resgate de Paul é a “instabilidade emocional” informada pela própria família. Nos pôsteres divulgados pela web, consta que o estrangeiro não está bem, e pode apresentar quadros de delírio ou sensação de perseguição.

Angela mora em Vancouver, a 4 mil km de distância da casa de Paul, em Toronto. Ao longo da semana, a família fez buscas no Google Maps para identificar possíveis “esconderijos” do irmão – parques ou igrejas, principalmente.

“Ele deve estar de roupas brancas, foi o que ele levou. Tinha um celular, mas perdeu contato com toda a família no dia 12. Não sabemos se a polícia pegou, se foi roubado”, diz Angela.

“Ele é uma pessoa muito gentil. O estado mental piorou desde que ele chegou ao Brasil. Pode parecer bem confuso, com algum delírio, com medo de pessoas ou paranóico.”

Segundo Angela, ele chegou ao Brasil no dia 4 de abril para passar um mês na Casa de Dom Ignácio – entidade em Abadiânia (GO) ligada ao médium João de Deus. Ele desistiu da “internação” e voltou para Brasília no dia 12, quando informou à família que embarcaria de volta para Toronto. O nome dele não estava no voo e, desde então, os irmãos não conseguiriam retomar contato.

Ao G1, a Casa de Dom Ignácio informou que não há registro de entrada do canadense, mas que se dispôs a ajudar na busca.

Fonte: g1

Canadense desaparece em Brasília após retiro espiritual em GO; família busca pistas

Paul Manhas adiantou passagem de volta ao Canadá, mas não embarcou. Família fala em ‘instabilidade emocional’, e diz que ele foi detido no sábado

Um canadense de 42 anos desapareceu em Brasília, no último fim de semana, após retornar de um retiro espiritual no interior de Goiás. Segundo familiares, Paul Manhas passa por um período de “instabilidade mental” – que pode ter piorado desde a chegada ao Brasil.

Até a noite desta terça-feira (17), a família tinha poucas informações confirmadas sobre a estadia de Paul em Brasília. Segundo a irmã, Angela, ele chegou ao Brasil no dia 4 de abril para passar um mês na Casa de Dom Ignácio – entidade em Abadiânia (GO) ligada ao médium João de Deus.

Ao G1, a instituição informou que não há registro de entrada do canadense, mas que a Casa de Dom Ignácio se dispôs a ajudar na busca. Fotos de Paul foram ampliadas e impressas para tentar buscar pistas caso ele tenha passado pela região.

“Ele estava ficando desorientado e frágil, e adiantou a passagem para retornar a Toronto no dia 12. O voo deveria ter feito conexão no Panamá. Ele não estava no avião quando fomos buscá-lo, na noite do dia 13, e a companhia não registrava o nome dele como passageiro”, diz um relato da família.

No texto, consta que Paul mandou as últimas mensagens de celular do aeroporto. Ele disse que estava sendo escoltado por seguranças e, depois, que estava no estacionamento do terminal.

“Nesse ponto, as mensagens ficam incoerentes e confusas, então não temos certeza se ele foi expulso, se entrou no avião ou não. Ele estava sozinho, apesar dos nossos esforços para evitar que isso acontecesse.”

Pela internet, a família divulgou pôsteres – em inglês e português – com as principais informações de Paul Manhas. Segundo o informe, ele tem 1,65 m de altura, “porte magro” e traços indianos.

“Paul não fala português, não tem conhecidos no Brasil, e sua família no Canadá não consegue entrar em contato com ele”, diz a versão brasileira do pôster. O texto informa que ele “tem problemas psiquiátricos e deve ser aproximado de forma gentil”.

O comunicado inclui uma foto tirada no Brasil, logo após o desembarque. A mala azul que aparece na imagem é um dos objetos que podem ajudar na identificação de Paul.

Informações sobre o paradeiro de Paul – ou o trajeto dele nas andanças por Brasília – podem ser passadas diretamente à família pelo email [email protected], ou à Polícia Civil do DF pelo 197.

Pôster em português com informações sobre o canadense desaparecido em Brasília (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)

Família pede ajuda
O G1 conversou nesta terça com a irmã de Paul, Angela. Ela mora em Vancouver, a 4 mil km de distância da casa de Paul, em Toronto. No momento da conversa, ela fazia buscas no Google Maps para identificar possíveis “esconderijos” do irmão – parques ou igrejas, principalmente.

“Ele deve estar de roupas brancas, foi o que ele levou. Tinha um celular, mas perdeu contato com toda a família no dia 12. Não sabemos se a polícia pegou, se foi roubado”, diz Angela.

“Ele é uma pessoa muito gentil. O estado mental piorou desde que ele chegou ao Brasil. Pode parecer bem confuso, com algum delírio, com medo de pessoas ou paranóico.”

A referência à polícia não é gratuita. Segundo informações obtidas pela família até o momento, depois de sumir no aeroporto, Paul se hospedou em um hotel nos dias 12 e 13. No sábado (14), ele teria sido detido em Santa Maria – região do DF a 25 km de distância do Aeroporto JK –, por estar vagando pelas ruas e aparentando estar bêbado.

A família “descobriu” que ele foi solto mas, a partir daí, não tem informações mais recentes. Em contato com a 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), o G1 ouviu que ele passou pelo local no sábado, mas “não houve registro de ocorrência”.

A Divisão de Comunicação da Polícia Civil afirmou que ele foi levado à delegacia por volta das 22h de sábado por policiais militares. “Na circunscricional, o estrangeiro informou que estava hospedado em uma pousada em Abadiânia, que veio para Brasília a passeio e que seus pertences estavam na pousada. Ele trazia consigo o passaporte e uma pochete”.

“Em consulta ao sistema, não foi localizada nenhuma ocorrência envolvendo o canadense e ele também não narrou que teria sido vítima de algum crime. Os policiais da delegacia tentaram contato com a Embaixada do Canadá, mas não conseguiram. Diante da situação, pediram para que ele permanecesse na DP até o dia seguinte para que fosse tentado novo contato com a embaixada.”

Segundo a corporação, ele saiu da delegacia às 2h de domingo (15), quando decidiu ir embora. Os policiais disseram que ele aparentava tranquilidade e, por isso, “não havia motivos para impedi-lo ou de restringir sua liberdade”.

Instabilidade
As informações coincidem com as obtidas por Angela, que indicaram que ele teria sido solto às 2h de domingo, sem qualquer encaminhamento. A irmã defende que a aparente embriaguez de Paul é decorrente da instabilidade mental, não do álcool.

“O Consulado do Canadá diz que eles deveriam ter sido informados da prisão. A polícia diz que tentou ligar, mas eu não acredito, porque tem um número de emergência. Sempre tem alguém lá [no consulado].”

Em razão da proximidade, a família acredita que Paul pode ter se refugiado em alguma área de mata próxima a Santa Maria – o Núcleo Rural Alagado, por exemplo. A irmã disse que tenta monitorar presídios e hospitais do DF em busca de possíveis atualizações.

Fonte: g1