Assaltantes roubam caminhão com 29 toneladas de carne e levam motorista como refém

Três homens roubaram um caminhão com 29 toneladas de carne congelada em Araras (SP) na segunda-feira (2). O motorista foi levado como refém e libertado algumas horas depois do crime. Os suspeitos fugiram com a carga avaliada em R$ 370 mil.

O caminhão saiu de Ponta Porã (MT). O motorista foi abordado pelo trio armado no km 60 da Rodovia Wilson Funari (SP-191), que liga Araras a Rio Claro.

O caminhoneiro foi obrigado a parar e descer do veículo. Ele ficou refém com dois assaltantes no carro rodando por várias horas, até ser libertado em uma estrada de terra de Boituva (SP). A vítima teve que andar cerca de 5 km para chamar a policia. Ele não foi ferido.

A empresa de rastreamento do caminhão localizou o sinal do veículo às 17h20 e acionou a Polícia Militar, que localizou o caminhão na Rodovia Anhanguera (SP-330), no cruzamento da Avenida Maria V. Ometo, próximo a um canavial. A carreta e a mercadoria foram roubadas.

O caminhão foi devolvido ao proprietário. O caso será investigado pela Polícia Civil.

G1/SP

1º frigorífico legal de jacaré do MS vai pegar ovos, criar e vender a carne

primeiro frigorífico para abate de jacarés será inaugurado nesta quinta-feira (21) no Mato Grosso do Sul. O abatedouro é localizado na área do Pantanal, em uma fazenda de 154 hectares às margens da BR-262, a 30 km de Corumbá (MS).

De acordo com o UOL, a empresa tem autorização governamental do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para funcionar. O frigorífico faz parte do projeto Caimasul, um complexo industrial que engloba criação, engorda e abate desses animais.

A publicação destaca que é possível se aproveitar tudo do jacaré e a carne tem pouca gordura. Já as partes não comestíveis, cabeças e patas, são empalhadas e vendidas como artesanato. A pele do animal pode ser usada como chaveiro.

No primeiro mês, a produção deve chegar a sete toneladas de carne e 2.300 peles. A fazenda conta com 79 mil animais, sendo que 30 mil deles já estão prontos para o abate.

A previsão é de que, em 2019, o projeto terá 250 mil jacarés em cativeiro. A empresa estima abater 100 mil animais por ano, produzindo 350 toneladas de carne e 100 mil peles.

Fonte: 24horasnews

Por retaliação, Brasil devolve picanha importada dos EUA

Pouco mais de uma semana após os Estados Unidos anunciarem a suspensão da compra de carne bovina brasileira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, divulgou a informação de que o Brasil também vetou a entrada de lotes do produto importado daquele país. A JBS confirmou que teve “um lote” de carne importada pela companhia foi vetado, mas não informou qual o volume rechaçado.

Ontem, em discurso para agricultores e políticos no município de Campina Grande (PB), Maggi falou sobre o assunto. “Na semana passada, todos aqui receberam a notícia de que os Estados Unidos suspenderam a nossas plantas (…) de carne. Nós, esta semana, também embargamos mercadorias, carnes dos Estados Unidos (…), principalmente picanhas que chegaram aqui em desconformidade. O Ministério da Agricultura fiscalizou a falou: não está conforme, devolve.” De acordo com ele, 20 contêineres foram vetados.

Hoje Maggi confirmou que “de 32 contêineres de carne frescas e miúdos, 20 foram devolvidos por motivos de rotulagem, rastreabilidade e certificação”, mas mudou a versão dada sobre o período do veto. Segundo ele, a recusa de cargas ocorreu antes da suspensão da compra de carne pelos norte-americanos ao produto brasileiro.

“Significa que 62,5% do exportado pelos Estados Unidos para o Brasil teve que retornar àquele país. Vejam que antes do comércio vem a segurança e proteção dos consumidores de ambos os países”, relatou o ministro.

A JBS informou que a devolução de sua carne ocorreu por problemas na rotulagem do produto. Segundo a companhia, não há qualquer problema de sanidade com a picanha importada nem qualquer vínculo entre o veto e a proibição de importação dos Estados Unidos, anunciada em 22 de junho. “A JBS confirma que, por questões técnicas de rotulagem do produto, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento suspendeu a entrada de um lote de carne bovina in natura oriundo dos EUA. A companhia ressalta ainda que o ocorrido não possui nenhuma relação com a qualidade do produto”, relatou, em nota.

União Europeia acena com bloqueio à carne brasileira

Carne bovina vai levar um ano para entrar no Japão, diz ministro

Uma auditoria da União Europeia descobriu mais de cem casos de contaminação da carne brasileira e Bruxelas ameaça impor novas restrições aos produtos nacionais. O resultado da auditoria foi apresentado na segunda-feira (12/6) para os ministros de Agricultura da Europa que, em uma reunião em Luxemburgo, deixaram claro que estão preocupados com a situação sanitária das exportações brasileiras.

Mas os europeus ainda insinuam que, diante do caso de corrupção envolvendo integrantes do governo e a JBS, é a credibilidade das promessas do Brasil que hoje está afetada no que se refere às medidas de controle.

A auditoria, realizada em maio em fazendas e frigoríficos brasileiros, concluiu que o controle é “insatisfatório” e que, mesmo depois da Operação Carne Fraca, o governo não implementou o que havia prometido. Em uma carta direcionada ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, os europeus ainda indicam que tal situação “joga sérias dúvidas sobre a credibilidade do sistema de controle e mina a confiança” entre Bruxelas e as autoridades brasileiras.

Queixando-se abertamente das promessas não respeitadas pelo Brasil, os europeus apontam que qualquer garantia atualmente dada pelo governo de Michel Temer (PMDB) tem problemas para ser recebida de forma positiva.

“As notícias de corrupção no Brasil, com o setor de carne em seu centro, também colocam em questão a credibilidade das garantias oficiais dadas e a confiança da Europa nessas garantias”, alertou, numa referência ao escândalo das propinas da JBS.

Maggi, para quem a carta foi direcionada, faz parte ainda da lista de autoridades sob investigação pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é suspeito de ser o destinatário de um pagamento de R$ 12 milhões durante sua campanha à reeleição em 2006. O ministro negou qualquer doações da Odebrecht.

Para os europeus, a falta de uma resposta do governo de depois da eclosão da Operação Carne Fraca, em março e que revelou corrupção no controle sanitário no Brasil, é o que pode levar a um novo bloqueio das vendas.

“Como o resultado da auditoria não foi considerado como satisfatório, a Comissão indicou que novas ações eram necessárias por parte das autoridades brasileiras”, indicou a UE.

Na carta a Maggi, os europeus insistem que o governo não tomou as medidas que havia prometido, ainda em março. Num tom direto e duro, os europeus alertam que a “credibilidade” dos controles no País foi colocado em dúvida e que, mesmo depois do escândalo, as ações não foram implementadas.

Bloqueio
Diante da situação, a Europa quer agora que o Brasil interrompa toda a exportação de carne de cavalo para o mercado europeu. Nesse setor, Bruxelas indica que a ausência de registros de tratamento de cavalos com remédios.

Outro problema é a existência de medidas “deficientes” sobre a situação de higiene dos estabelecimentos. Assim ainda, a carne produzida naqueles estabelecimentos recebe certificados como se estivessem dentro das regras da Europa.

Bruxelas também exige que nenhuma nova empresa seja solicitada a entrar na lista de exportadores de frango ou carne bovina. Daquelas empresas que ainda tem o direito de vender, a Europa vai exigir testes microbiais em 100% das exportações. Todos os containers terão de ser acompanhados por certificados de saúde antes mesmo de deixar o Brasil.

Durante a auditoria, realizada no começo de maio, mais de cem casos de salmonella e E. Coli foram registrados nas carnes brasileiras.

Irritação
Assinado pelo comissário de Saúde da Europa, Vytenis Andriukaitis, a carta foge do tom cauteloso de Bruxelas ao tratar com o Brasil, considerado como um parceiro estratégico. Os europeus não escondem a irritação com promessas não cumpridas e proliferam ameaças.

“O escândalo no Brasil colocou em questão a credibilidade do controle prestado pelas autoridades brasileiras”, disse. “Há uma perda de confiança na Europa em relação à segurança dessas exportações e existem demandas de que elas devam ser restringidas e até banidas”, alertou o comissário.

Ele conta que medidas foram adotadas, mas aguardando que ações de correção fossem adotadas no Brasil. Ao escrever para Maggi, o comissário diz que a auditoria “era uma oportunidade para avaliar as medidas de correção e restabelecer confiança”. “Infelizmente, sou obrigado a escrever para expressão minha preocupação muito séria sofre os resultados”, disse.

De acordo com ele, desde a Operação Carne Fraca, as medidas de correção foram adotadas apenas para os 21 estabelecimentos pegos no escândalo. “Seus serviços consideraram que nenhuma nova investigação era necessária em outros estabelecimentos e tampouco nenhuma outra medida planejada para fortalecer o sistema de controle para prevenir situações similares no futuro”, alertou o comissário.

Mas, segundo ele, a auditoria identificou “várias falhas sistêmicas no controle” e que poderiam ser evitadas se novas ações tivessem sido tomadas. “A estratégia limitada adotada até hoje não da confiança suficiente que eventos similares (ao que foi descoberto na Carne Fraca) sejam detetados no futuro”, disse.

Outra crítica se refere às “deficiências críticas identificadas na maioria dos setores cobertos pela auditoria, algumas das quais sérias”. Elas se referem à segurança alimentar e certificação.

Os europeus ainda alertam que problemas detetados por eles já há seis anos até hoje não foram corrigidos. “É em especial preocupante para mim que, apesar de garantias repetidas da parte de autoridades de que medidas foram tomadas para retificar as deficiências, muitas ainda estão presentes e não teriam sido descobertas se não fosse pela auditoria”, criticou o comissário.

Para completar, a acusação é de que certificados de saúde foram dados apontando que o produto estava dentro do padrão europeu, mesmo quando não era o caso. “Isso só pode ser descrito como inaceitável”, alertou Andriukaitis.

Ameaças
Bruxelas deixou claro que uma nova missão será enviada em seis meses ao Brasil. Os europeus, porém, pedem que o governo mande um plano completo de como vai fazer para colocar em ação a resposta. Além disso, a UE quer que se apresente relatórios regulares sobre o que tem sido feito.

“Se a evolução da situação assim exigir, serei obrigado a considerar novas medidas de segurança”, ameaçou o comissário. “Peço que tomem todas as medidas necessárias para restabelecer a confiança no Brasil”, completou.

Durante a reunião nesta semana, delegações expressaram suas preocupações sobre a fraude. Alguns, porém, pediram uma atitude ainda mais dura por parte da Comissão em relação às autoridades brasileiras.

Em resposta aos países, a Comissão indicou que vai “monitorar de perto a situação”. Num relato publicado sobre o encontro, Bruxelas também indicou que “se o Brasil fracassar em cumprir os pedidos da Europa, ações mais decisivas poderiam ser consideradas”.

Estadão Conteúdo

Preço da carne e embutidos pode subir até 6,5% em SP já em abril

Preço da carne e embutidos pode subir até 6,5% em SP já em abril

Associação Paulista de Supermercados calcula que a cobrança do ICMS no estado para os produtos, que eram isentos desde 2009, será repassada ao consumidor.

O preço da carne e de embutidos pode subir de 6% a 6,5% a mais no Estado de São Paulo. O aumento é reflexo da volta da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o produto a partir de sábado (1º) no Estado. Os cálculos são do presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Pedro Celso Gonçalves, que representa mais de 3.000 lojas.

Gonçalves calcula que, dependendo do estoque e da concorrência, o consumidor deve sentir o impacto já em abril.

Desde 2009, a carne era isenta de ICMS em São Paulo. Na virada do ano passado, o governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB), extinguiu o benefício por meio de decreto. De acordo com a nova regra, o varejista que comprar a carne dos frigoríficos receberá um crédito de 7% de ICMS sobre o valor do produto.

No entanto, na venda da carne ao consumidor, o comerciante estará sujeito a uma tributação de ICMS equivalente a 11% do valor. A expectativa da Apas é que a diferença de quatro pontos porcentuais na alíquota do imposto entre a compra e a venda do produto será repassada para o preço ao consumidor.

Fonte: veja.com

Suspensão da compra de carne por Hong Kong atinge mercado de RO

Suspensão da compra de carne por Hong Kong atinge mercado de RO

Escalas de abate já foram reduzidas em 40% no estado, dizem frigoríficos.
Hong Kong é um dos principais compradores do estado de Rondônia.

A suspensão da compra da carne bovina brasileira por Hong Kong já atingiu o mercado de Rondônia (RO). A suspensão foi anunciada na terça-feira (21), após problemas apontados na Operação Carne Fraca, deflagrada na sexta-feira (17) pela Polícia Federal (PF). Segundo os frigoríficos de Rondônia, Hong Kong era o maior comprador da carne do estado e, com a interrupção da exportação, as escalas de abate já foram reduzidas em 40%.

Hong Kong suspendeu temporariamente a importação de carne bovina brasileira, nesta semana devido aos indícios de irregularidades encontradas nos produtos e venda de carne vencida e estragada, durante operação da PF.

Conforme o governo do estado, Hong Kong é o maior comprador do estado, seguido da Rússia e Egito. A média é de 200 mil animais abatidos por mês em Rondônia, mas as escalas de abate de gado já foram reduzidas em 40% por causa da suspensão na exportação.

Em entrevista à Rede Amazônica, o secretário de agricultura, Evandro Padovani, disse que a carne bovina é importante para a economia do país.

“Toda a economia não só de Rondônia, mas de todo o Brasil. Nós precisamos do agronegócio e a cadeia produtiva da carne a nível de estado e a nível Brasil é o que puxa a alavanca comercial. E é o recurso que gira dentro do estado, dentro dos municípios”, disse.

As autoridades já se reuniram e estão em campanha com o objetivo de mostrar aos consumidores do estado e para os 40 países importadores, que a carne é de origem tem sanidade garantida.

Segundo o presidente da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), Anselmo de Jesus, a qualidade do rebanho já está sendo comprovada com qualidade.

“Hoje nós exportamos carne in natura, e se você for ver nós não tivemos nenhum problema. Nós estamos passando pelo crível do Polícia Federal (PF) e pelo crível do Ministério Público (MP-RO) e está tudo comprovando a qualidade que tem hoje a inspeção do nosso rebanho”, declara Anselmo.

A Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero) também defende o consumo interno e externo no estado. O superintendente da Fiero, Gilberto Baptista, diz que os principais problemas foram encontrados em produtos embutidos.

“O que aconteceu nos frigoríficos do país são a questão de carne processadas, aquela carne que recebe algum condimento com conservantes que não é o caso de Rondônia. O estado não trabalha com esse tipo de alimento. A nossa carne sai daqui tanto para o mercado interno como para o mercado externo, in natura, os seja, congelado mas sem nenhum conservante. Então quer seja aqui em Rondônia, quer seja em qualquer lugar do Brasil ou do Mundo, a carne de Rondônia tem qualidade, isso nós podemos atestar sem dúvida nenhuma”, relata Gilberto.

A carne bovina está em primeiro lugar na exportação no estado de Rondônia e em segundo vem a soja. No mês de janeiro e fevereiro deste ano, metade de tudo o que foi exportado no estado foi de carne bovina.

Fonte: g1/ro

Para exportar, Brasil pode ter de reduzir preço da carne

Fiscal que denunciou 'Carne Fraca' diz que descobriu crimes após retaliação

O resultado seria um corte de 20% em relação aos preços que eram praticados pelo setor em mercados internacionais antes da operação Carne Fraca

A operação da Polícia Federal (PF) que revelou a violação de regras sanitárias por frigoríficos brasileiros deve causar duplo impacto nas exportações de carnes, segundo avaliação da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), entidade que abriga empresas exportadoras a importadoras. A instituição acredita que as restrições que outros mercados devem ter ao País poderá reduzir os volumes vendidos entre 10% e 15%.

Além disso, o episódio pode reduzir a reputação da carne brasileira de categoria no mercado internacional, algo que forçaria seus produtores a cobrar menos do que os concorrentes. O resultado, conforme as previsões da AEB, seria um corte de 20% em relação aos preços que eram praticados pelo setor em mercados internacionais antes da operação Carne Fraca, deflagrada pela PF na sexta-feira.

No saldo final, com a queda tanto de volume como de preços, o Brasil pode perder neste ano entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões em exportações do produto. No ano passado, os embarques de carne chegaram a US$ 12,7 bilhões. “É um impacto grande”, afirma o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

O executivo diz que o choque chega num momento em que os frigoríficos brasileiros vinham conseguindo aumentar preços, com valorização de 40% da carne suína, de 10% da carne bovina e de 20% do frango nos últimos 12 meses.

Mesmo que os embargos contra o Brasil possam, pela redução de oferta, pressionar para cima os preços internacionais, os produtores brasileiros terão que vender a preços mais baixos para voltar ao mercado, diz o titular da AEB.

“O preço no mercado internacional pode subir, mas o Brasil terá de vender mais barato. A alegação dos compradores para pagar menos será de que a carne brasileira é de segunda”, comenta Castro.

Ele também diz que a operação da PF deve frustrar planos de produtores brasileiros de frango de ocupar espaços da concorrência americana após a descoberta recente de mais um foco de gripe aviária no Estado do Tennessee. “Na sexta-feira, mudou tudo. Quem suspendeu a compra do Brasil terá que importar dos Estados Unidos ou ficar sem frango”, diz Castro.

Acompanhamento

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) diz se preocupar com a Operação Carne Fraca, mas acredita que o problema é pontual. O farelo de soja é usado na alimentação de animais no Brasil. “Vemos com preocupação, mas temos um entendimento bastante semelhante ao expressado pelo governo brasileiro de que se trata de um problema localizado e pequeno”, disse o secretário geral da Abiove, Fábio Trigueirinho.

A associação acha cedo para projetar se haverá queda no consumo de farelo caso a operação reduza a venda de carnes. “A gente ainda não conseguiu avaliar isso, mas não acreditamos que deva ter tanto impacto. O governo está sinalizando no sentido de que não há preocupação e que o consumidor não deve se desesperar”. Com informações do Estadão Conteúdo.

Consumidor deve ficar atento ao aspecto da carne, dizem especialistas

Consumidor deve ficar atento ao aspecto da carne, dizem especialistas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprova a utilização dos produtos, a maioria com um limite máximo permitido.

O cuidado com a temperatura na conservação de alimentos frescos e perecíveis como a carne é a principal dica de especialistas para os consumidores após a deflagração da Operação Carne Fraca, pela Polícia Federal, na última sexta-feira (17). Doutor em Tecnologia de Alimentos, o professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp,(Universidade de Campinas), Sérgio Pflanzer, afirma que os conservantes utilizados pelas indústrias da carne, mencionados nos relatórios da Polícia Federal, são autorizados pelas autoridades sanitárias brasileiras e não são capazes de modificar a essência dos produtos.

Apesar de sugerir recomendações aos consumidores sobre o aspecto dos alimentos, a Proteste – Associação de Consumidores – adotou uma posição mais rigorosa: orienta os cidadãos a não comprarem produtos das empresas envolvidas nas irregularidades. A operação da Polícia Federal bloqueou R$ 1 bilhão de empresas suspeitas de subornar fiscais para que carnes vencidas fossem reembaladas e liberadas para comercialização.

Algumas das maiores empresas do ramo alimentício do país estão na mira das investigações, entre as quais a JBS, dona do Big Frango e Seara, e a BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão.

“Foi falado em alguns momentos que a indústria maquiava a carne para comercializar. Essa é uma interpretação errada, no meu entendimento. Com as substâncias aprovadas, isso não é possível. Você não consegue utilizar [aditivos] para mascarar uma carne deteriorada. Visualmente, quando você adiciona algum produto, a carne fica pior do que estava antes”, explicou o professor Sérgio Pflanzer, mencionando conservantes como nitrito, fosfato e os ácidos sórbico e ascórbico [vitamina C]. “Nenhuma dessas substâncias aprovadas consegue mascarar uma carne fresca deteriorada”, afirma.

Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo o especialista, aprova a utilização dos produtos, a maioria com um limite máximo permitido. “Se eu usar em excesso, o produto vai ficar caro, porque os ingredientes são caros, e vão desenvolver características indesejáveis ao produto. Se eu colocar demais, por exemplo, o ácido ascórbico, que foi falado muito nos últimos dias, a percepção sensorial vai ficar comprometida. O consumidor estará seguro, ela não causa mal, mas ninguém vai conseguir consumir o produto, então a indústria não vai fazer isso”, argumenta.

Já a temperatura, de acordo com Sérgio, precisa de um “controle rigoroso”, tanto na aquisição por frigoríficos como no armazenamento em supermercados e açougues. O professor alerta, contudo, para a importância dos fiscais agropecuários ao analisar as características de refrigeração e de validade da carne.

“Cabe à fiscalização liberar ou não. Não é porque chegou um carregamento que deveria estar armazenado a 7ºC e estava a 8ºC [que obrigatoriamente deve ser descartado]. Existem outros dados que indicam que a carne não pode ser comercializada, como a cor e o aroma”, avalia. No caso de alguma carne vencida, Sérgio explica que o congelamento inibe o crescimento de bactérias, o que pode manter a segurança do alimento.

“Ela deveria também ser descartada, mas se for utilizada, não vai oferecer risco. Na maioria dos casos, eles não são autorizados. Mas dependendo da condição, o fiscal pode liberar. Cabe a ele avaliar lote a lote, peça por peça, se podem ser utilizados”, sugeriu.

Não recomendado

Segundo Sonia Amaro, advogada e representante da Proteste, o posicionamento da entidade é que os consumidores deixem de comprar carnes que têm como origem os frigoríficos alvo da operação. Ela explica que a orientação tem como objetivo evitar malefícios à saúde dos consumidores, que, como leigos no assunto, não têm condições de garantir a qualidade dos produtos.

“Com tudo que foi divulgado nessa operação, o nosso posicionamento, diante da gravidade do assunto, é dizer para o consumidor: não compre produtos dessas empresas. O consumidor, que é a parte vulnerável, não pode ter a certeza de que a carne não vai fazer mal à sua saúde. Como ele vai se proteger? Não tem como. Por isso, a Proteste adotou essa postura”, disse Sonia.

Cuidados

Apesar da contraindicação, Sonia e o professor de Qualidade de Carne dão dicas gerais para o consumidor ficar atento na hora de ir ao supermercado. Para as peças vendidas em bandejas de isopor e embaladas com plástico, a atenção à cor e ao aroma são as principais orientações. Em geral, alertam os especialistas, o prazo de conservação aceitável desse tipo de alimentos em refrigeradores é de no máximo três dias.

“Como entidades de proteção ao consumidor, nós sempre recomendamos que seja observada minimamente a higiene do local. Checar se os funcionários que estão em contato com alimento usam luvas e toucas. Em segundo lugar, o aspecto do produto, verificar se a embalagem não está violada, e o cheiro do alimento”, aconselha Sonia Amaro.

A representante do Proteste sugere também que os consumidores analisem se não há água escorrendo dos refrigeradores, porque isso pode ser um sinal de que foram desligados à noite. A preferência por carnes que possuem embalagens originais também é recomendada, pois nelas é possível saber a origem do produto e se ele possui selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF).

“Essa é a maior garantia de que a carne foi inspecionada. Vamos imaginar que, quase na totalidade, o sistema funciona muito bem, salvo algumas exceções que a Polícia Federal mostrou que existem falhas de fiscalização. São pontuais, mas existem. Então, a gente parte do princípio de que o serviço de inspeção federal é o melhor. Depois, a gente tem o estadual, o municipal, que sou honesto em dizer que nem sempre funciona da mesma maneira”, finaliza o professor.

Carne bovina vai levar um ano para entrar no Japão, diz ministro

Carne bovina vai levar um ano para entrar no Japão, diz ministro

O produto não pode ser exportado por causa da febre aftosa. O Brasil é livre da doença com vacinação, condição que não é suficiente para os padrões de importação japonesa

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que deve levar pelo menos um ano para que o Japão abra seu mercado para a carne bovina in natura.

O produto não pode ser exportado por causa da febre aftosa. O Brasil é livre da doença com vacinação, condição que não é suficiente para os padrões de importação japonesa.

Havia a expectativa de que, assim como ocorreu com a carne suína, houvesse um movimento favorável do Japão em sequência à aprovação concedida pelas autoridades sanitárias norte-americanas (que recentemente liberaram a carne de boi).

Maggi reconheceu que a aprovação do Tratado Transpacífico “preocupa muito”, já que vai baratear produtos dos Estados Unidos, que concorrem com o Brasil.

“Infelizmente ficamos nos últimos anos muito parados por causa do Mercosul, precisamos ver como fazer uma entrada mais rápida para não ficar fora da Ásia, que concentra boa parte do consumo”.

Segundo ele, o ideal seria que, por ser o maior país do bloco sul-americano, o Brasil pudesse liderar. “Se o Brasil negociar algo fora do Mercosul, os outros países devem nos seguir, e não o contrário”.

Segundo Maggi, as liberações mais eminentes devem ser de frutas, principalmente manga, abacate e melão.

Segundo ele, há no momento 450 casos de restrição a produtos brasileiros em negociação hoje no ministério. O ministro reconheceu que exportadores brasileiros são também prejudicados por atraso do próprio governo.

Em viagem recente, disse ter ouvido de representante da Tailândia que tratativas para importar produtos agrícolas brasileiros estão paradas no Brasil há sete anos.

BARREIRAS

Embora 4 dos 10 produtos do comércio exterior entre Brasil e Japão sejam alimentos e representem 41% do total exportado, eles estão entre os mais taxados pelo governo japonês.

Tarifas superiores a 10% (mais que o dobro da tarifa média de importação japonesa, de 4,2%) atingem 306 produtos do agronegócio brasileiro e provocam prejuízos em pelo menos 46, nos quais a competitividade do Brasil é alta.

Entre os exemplos estão o suco de laranja (em que tarifas podem chegar a 25%), café (24%), frango congelado (12%), álcool (10%) e frutas, principalmente banana, laranja e maçã (32%).

Além das tarifas, há outras restrições às exportações brasileiras, que punem a competitividade. Por exemplo, a vantagem do café produzido no Brasil fez com que o produto nacional conquistasse mais de 50% das importações japonesas na média dos últimos três anos. Essa supremacia detona um gatilho que limita a importação, o que derrubou em 24% as vendas brasileiras.

OUTROS PORCOS

Outro problema pode ser o da qualidade. No caso dos suínos, por exemplo, o Brasil não conseguiu ainda avançar no mercado japonês porque o tipo de carne que produz é mais voltado para presuntos, enquanto o Japão prefere um produto com mais gordura marmorizada (entranhada nos músculos).

Isso fez com que o país perdesse a vantagem alcançada após a abertura de mercado, em 2014, quando o produto brasileiro viu suas vendas se multiplicarem 53 vezes.

De janeiro a setembro deste ano, foram 1.277 toneladas, 20% menos que no mesmo período de 2015 e 50% menos que no de 2014.

Francisco Turra, presidente da ABPA (associação de proteína animal, que reúne produtores de carne de porco e de frango), afirma que a criação de raças mais adequadas ao tipo de carne de porco valorizada no Japão deve permitir não só que os volumes exportados voltem a subir, mas também que o valor por tonelada seja maior. Com informações da Folhapress.