CPI do Boi em Rondônia encontrou irregularidades em frigoríficos…mas nada foi feito

Comissão investigou cartelização da JBS e irregularidades apontadas por produtores

Brasília – Em dezembro de 2015 os deputados estaduais de Rondônia instauraram a chamada “CPI do Boi”, com objetivo de apurar a possível formação de cartel dos frigoríficos de abate de bovinos em Rondônia. Durante todo o ano seguinte, eles se reuniram, conversaram com deputados do Mato Grosso, que também investigavam denúncias contra a JBS.

Na leitura do relatório, o deputado Lazinho da Fetagro (PT), disse que Rondônia tem um rebanho bovino de 13,4 milhões de cabeças, sendo o 6º maior do Brasil. O Frigorífico JBS é responsável por 47% dos abates e por 27% da exportação de carne. A empresa mantém cinco plantas frigoríficas fechadas, “pagando o preço que lhe convém”.

“O JBS influencia no preço, sendo seguido pelos demais frigoríficos. A compra de plantas mascaradas de arrendamento é uma prática criminosa”, detalhou o relatório.

Também se lamenta que enquanto o preço da carne baixa para o produtor o mesmo não ocorre com o valor que o consumidor paga, especialmente porque a exportação da carne bovina representa 27% da economia de Rondônia.

O relatório, segundo informou o deputado Adelino Folador, foi encaminhado ao Ministério Público do Estado para que fossem tomadas providências.

Para os produtores, entretanto, a CPI não resultou em avanços.

 

Para produtores, CPI do Boi que investigou JBS em Rondônia, não deu resultado algum

Pecuaristas afirmam que “tudo está igual, o cartel liderado pela gigante se mantém”

Os criadores de gado em Rondônia, região Norte do país, continuam reclamando, e muito, do preço da arroba do boi, que teve uma ligeira melhora durante a chamada “CPI do Boi”, realizada pela Assembleia Legislativa, mas o problema, segundo eles, continua, principalmente no que diz respeito ao cartel comandado pela empresa JBS Friboi, que além de receber investimentos à base de recursos públicos, via BNDES, também recebeu uma série de incentivos fiscais por parte do Estado.

A opinião deles, vai contra a do presidente da Assembleia, Maurão de Carvalho, que relata e comemora, “se não tivéssemos feito nada, estaríamos com um preço abaixo de R$ 120,00 na arroba. Estamos próximos dos R$ 130,00, enquanto na maior parte do País o preço caiu nos últimos meses”.

Para Maurão de Carvalho, CPI deu resultado, mas cartel continua
Para Maurão de Carvalho, CPI deu resultado, mas cartel continua

Porém o parlamentar reconhece que existe um cartel, liderado pela JBS, “a CPI comprovou que tem um cartel em Rondônia, controlado pelo Friboi. Parece que o JBS tem alguma birra com o Estado. E eles têm recursos públicos, através do BNDES, podendo fazer o que bem entendem. Não é fácil lutar contra um grupo tão poderoso, que tem isenção tributária ainda por cima”, afirmou.

E nessa linha de pensamento seguem os produtores, que continuam reféns dos preços impostos pela JBS. O frigorífico fechou três plantas em Rondônia alegando “dificuldades”, e mantém pelo menos outras 5 unidades, que foram compradas mas sequer foram colocadas em operação, como o frigorífico que foi construído em Abunã, que deveria atender toda a região da grande Porto Velho, mas nunca entrou em operação, a JBS comprou e fechou.

A JBS chega a ter 85% de isenção fiscal, enquanto os pequenos frigoríficos pagam na integralidade, gerando uma competição desleal. Mesmo o relatório da CPI tendo apontado todos esses problemas, a JBS continua operando sem nenhuma alteração em sua conduta. Exceto, é claro, a cortina de fumaça jogada com o ligeiro aumento no preço da arroba.

O gado de Rondônia, também conhecido como “boi verde” produz uma das melhores carnes do país. O Estado também detém a 7ª colocação nacional em produção (dados de 2013/2014). De acordo com a cotação desta quarta-feira, 29, o preço da arroba do boi gordo em Rondônia está cotado em R$ 126, no Mato Grosso, que também é dominado pela JBS, o preço está em R$ 134; No Mato Grosso do Sul o boi está sendo vendido a R$ 140 e em São Paulo, R$ 156. Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, eles não são tão generosos em termos de isenções para a JBS, e por lá, a concorrência é mais forte.

O resultado da CPI então, ao menos na avaliação dos produtores, é que foi feito muito barulho por nada.