Com maior acervo do estado, Museu da Memória Rondoniense enfrenta problemas estruturais

Banheiro interditado e falta de acessibilidade foram alguns dos problemas encontrados no local. Museu funciona nas instalações do antigo Palácio Getúlio Vargas, em Porto Velho.

O Museu da Memória Rondoniense, que funciona desde setembro de 2015 nas instalações do antigo Palácio Getúlio Vargas, em Porto Velho, enfrenta problemas estruturais. O local reúne o maior acervo do estado. As dificuldades para aprovar uma licitação para adaptação estrutural do prédio têm contribuído para a degradação do espaço, que registra a história do estado.

Em meio a fósseis, rochas, artefatos e obras de arte, os visitantes se deparam com banheiro interditado, extintores vencidos, falta de acessibilidade e de iluminação em algumas salas.

O ambiente de exposição das obras da artista plástica Rita Queiroz está sem energia e com problemas no piso, mesmo assim, segundo visitantes, a arte resiste em meio a penumbra e falta de refrigeração do local.

Em outra sala, está a obra mais antiga do museu. Feita na década de 50, pelo artista plástico Afonso Ligório, a pintura Ostensório fica a alguns metros de uma das portas que pegou fogo, e não foi substituída.

Também é possível observar que poucos quadros estão com molduras, os elevadores estão em manutenção desde a entrega do prédio, e as portas são mantidas fechadas por bancos.

Bancos são usados para fechar portas (Foto: Cássia Firmino/ G1)

Segundo Ednair Nascimento, diretora do museu, o local recebeu na última semana de agosto cerca de 120 visitantes. O museu reúne peças históricas, documentais e de artes.

O acervo geológico está sob a tutela do estado há cerca de 20 anos. Em maio, o museu chegou a receber mais de 80 fósseis de cerca de 45 mil anos. Mesmo com a representação histórica do prédio, a estrutura do local é apontada como uma das propulsoras para a necessidade de uma rápida reestruturação.

“É necessária a construção de um projeto de museologia. Esse plano museológico, prevê todas as condições de segurança, luminosidade, manuseio, uso, empréstimos, todas as políticas de dentro de um museu. Esse é o projeto mais importante que precisamos ter”, explica a diretora.

De acordo com funcionários do museu, uma verba é destinada para a manutenção do local, mas por questões burocráticas, o dinheiro não teria sido repassado.

“Fazemos a solicitação para o uso desse recurso, mas quem faz a administração financeira é a Fundação [Cultural de Rondônia]”, explicou o funcionário.

A Fundação Cultural de Rondônia (Funcer), responsável pelo gerenciamento do museu, foi questionada sobre a adaptação do prédio em estrutura museológica, e os problemas encontrados durante a visita ao local. A pasta confirmou que foi realizada uma licitação, mas nenhuma empresa se interessou, por isso foi aberto outro processo licitatório que está em andamento.

.Museu funciona no antigo Palácio Getúlio Vargas (Foto: Cássia Firmino/ G1)

Ainda de acordo com a fundação, uma empresa de limpeza foi implantada para zelar do local. Os objetos que estão deteriorados são reparados pelos servidores do museu, com aptidão técnicas para as áreas de museologia, artes plásticas, paleontologia e áreas afim.

Fonte: g1

Lei publicada prorroga 187 contratos em ministérios

A nova lei é decorrente da Medida Provisória (MP) 829/2018, aprovada nesta terça-feira (7) pelo Senado.

Foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (9) a Lei 13.704/2018, que prorroga 187 contratos por tempo determinado nos ministérios da Cultura, do Desenvolvimento Social, e da Ciência e Tecnologia. De acordo com o texto, os servidores permanecerão até 15 de setembro de 2019.

A nova lei é decorrente da Medida Provisória (MP) 829/2018, aprovada nesta terça-feira (7) pelo Senado.

No Ministério da Cultura, o texto estende 108 contratos de servidores que analisam a prestação de contas de 28 mil ações do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) desde 2013.

Os 55 funcionários admitidos para liquidar o estoque de prestações de contas de convênios, transferências voluntárias, repasses de recursos e certificações de entidades beneficentes de assistência social no Ministério do Desenvolvimento Social, também tiveram seus contratos prorrogados.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações tem 24 contratos prorrogados. Esses servidores estão lotados na Secretaria de Radiodifusão e atuam na fiscalização de 8.457 emissoras de rádio e TV licenciadas. Desse total, 3 mil processos devem ser analisados em 2018 e outros 4 mil em 2019.

Fonte: agenciasenado

Restauração amadora de obra de arte histórica causa revolta na Espanha – de novo

Escultura de São Jorge acabou repintada por amador, em caso que faz lembrar o do ‘Ecce Homo’; representante de restauradores diz que dano pode ser ‘irreversível’ e desrespeita patrimônio cultural do país.

A escultura da Igreja de San Miguel de Estella, em Navarra, retratando São Jorge com armadura e lutando contra um dragão, foi repintada por um pároco que não pretendia restaurar a obra em si, mas apenas “arrumar um espaço que estava sujo”, disseram representantes do Arcebispado de Pamplona à agência Efe.

O resultado, porém, é que provavelmente se perdeu quase toda a pigmentação original da obra de 500 anos de idade, diz à BBC News Brasil Fernando Carrera, presidente da Associação Profissional de Conservadores-Restauradores da Espanha (Acre).

“Ainda não sabemos plenamente a gravidade do dano, mas a impressão é de que se eliminou a policromia antiga e de que o dano é irreversível”, explica Carrera, acrescentando que a associação pretende entrar na Justiça contra os “restauradores”.

Por conta da relevância histórica da escultura, Carrera avalia que o dano à obra de São Jorge talvez seja ainda mais grave que o causado ao Ecce Homo – afresco do século 19 que retrata Jesus e foi repintado por uma idosa espanhola que tinha boas intenções, mas nenhum conhecimento técnico em restauração.

“O que não queremos, porém, é que a história vire motivo de festa, piada e gozação, como foi com o Ecce Homo”, acrescenta Carrera. “Queremos que a sociedade perceba que se trata de um dano ao patrimônio cultural, que ele pertence a todos nós, que há leis a respeito disso e queremos que elas sejam aplicadas.”

Carrera afirma que restaurações amadoras ainda são comuns na Espanha e que muitos casos passam despercebidos do público por não terem grande apelo midiático.

Ecce Homo original, deteriorado pela passagem do tempo e ‘restaurado’; intervenções amadoras são muito comuns em patrimônio eclesiástico, diz especialista

“O patrimônio é tão amplo que não há controle sobre esse tipo de ações. É preciso sobretudo que a Igreja Católica melhore o controle sobre seu patrimônio, porque essas intervenções (amadoras) ocorrem principalmente com obras eclesiásticas.”

‘Professor de artesanato’

O episódio em San Miguel de Estella, que veio a público na semana passada por vídeos postados nas redes sociais, provocou reações na imprensa e na política espanholas.

O prefeito de Estella, Koldo Leoz, disse pelo Twitter que, “infelizmente para a antiquísisma escultura e para o patrimônio da cidade, um pároco decidiu por conta própria delegar a renovação (não seria justo chamar de restauração) a uma escola de artesanato local”.

“Não duvido da boa vontade tanto do pároco quanto da pessoa encarregada de profanar essa obra de arte mediante técnicas nada apropriadas, mas a negligência de ambos é muito grave e não pode ser justificada com a desculpa da boa vontade”, prosseguiu.

“Deveriam ter alertado tanto a prefeitura quanto o governo, e nós teríamos evitado a perda, com quase toda a certeza, da policromia original da escultura, assim como a estrutura original da armadura usada na época (no século 16). (…) Esperemos agora a avaliação da equipe técnica para ver se a escultura de São Jorge tem salvação.”

O governo de Navarra abriu uma investigação própria, disse à Efe o diretor do Serviço de Patrimônio estadual, Carlos Martínez Álava.

“Essa atuação foi realizada sobre bens que estão registrados como patrimônio cultural de Navarra, então é necessário haver um projeto (de restauração) com a nossa aprovação”, declarou.

Martínez Álava agregou que o aspecto desgastado da escultura de madeira “poderia indicar que lhe faria bem uma limpeza, mas a impressão é de que a atuação (do restaurador) foi um tanto excessiva”. Ele acredita, porém, que a escultura de São Jorge talvez ainda seja “recuperável”.

Fonte: bbc

Proibição de acesso à Lei Rouanet para projetos que ‘atentem contra a moral’ será tema de debate

A audiência, ainda a ser agendada, foi proposta pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA), crítica do projeto

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) fará uma audiência pública para ouvir produtores culturais e artistas sobre proposta que proíbe a concessão de incentivos da Lei Rouanet (Lei 8.313/1991) a projetos culturais que incitem a prática de crimes ou atentem contra a moral pública. Requerimento com esse objetivo foi aprovado nesta terça-feira (3) pelo colegiado.

O projeto (PLS 367/2017) foi apresentado pelo senador Lasier Martins (PSD-RS) em razão de duas exposições que geraram polêmica. Uma delas foi a “Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira”, que reuniu no museu de Porto Alegre algumas obras acusadas de incitar a prática da pedofilia e da zoofilia e o desrespeito a valores religiosos. A outra foi a performance de um artista nu no Museu de Arte Moderna (MAM) em São Paulo, que interagia com crianças.

A proposta de Lasier recebeu o apoio do relator, senador José Medeiros (Pode-MT), e estava na pauta da reunião desta terça-feira (3), mas teve sua votação adiada.

A audiência, ainda a ser agendada, foi proposta pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA), crítica do projeto.

— O que é que define o que é moral e o que não é? Esse projeto é uma grave ameaça para o retorno da censura no Brasil – advertiu Lídice.

Para o debate, serão convidados representantes dos ministérios da Cultura e da Justiça, além de produtores culturais como Paula Lavigne, que está a frente da campanha “#342 artes — Contra a censura e a difamação”; e o curador da mostra Queermuseu”, Gaudêncio Fidélis.

Lucro
A proposta em análise na CAE também modifica o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), instituído pela Lei Rouanet, e proíbe a concessão do incentivo fiscal a projetos que possuam viabilidade comercial. O texto, no entanto, abre a possibilidade de que os recursos sejam empregados em projetos culturais com viabilidade comercial, desde que seja na forma de financiamentos reembolsáveis.

Fonte: agenciasenado

Estatuto do Cigano é aprovado na Comissão de Educação

 O texto também determina que as línguas ciganas passam a constituir um bem cultural de natureza imaterial, ficando assegurada a continuação destes povos como formadores da nossa história

A criação do Estatuto do Cigano (PLS 248/2015) foi aprovada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) nesta terça-feira (27). Apresentado originalmente pela Associação Nacional das Etnias Ciganas (Anec), o texto foi adotado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que tornou-se seu autor.

O relator da proposta na CE foi Hélio José (Pros-DF), que, durante a discussão nesta terça apontou dados da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), em especial sobre as três etnias ciganas conhecidas como Calon, Rom e Sinti:

— Os ciganos estão hoje em 291 cidades, em 21 estados. Calcula-se que a população de ciganos já ultrapassou os 500 mil, ou seja, eles são numericamente expressivos e extremamente ricos culturalmente — reforçou.

Inclusão social

Pelo texto aprovado, passa a ser identificada como “população cigana” o conjunto de indivíduos de origem e ascendência cigana que se identificam e são identificados como pertencentes a um grupo étnico, cujas características culturais o distinguem da sociedade nacional.

Na área da educação, o Estatuto garante aos ciganos o direito à educação básica, proíbe a discriminação quanto ao fato de meninas não poderem estudar, e prevê a criação de espaços visando a disseminação de suas culturas. O texto também determina que as línguas ciganas passam a constituir um bem cultural de natureza imaterial, ficando assegurada a continuação destes povos como formadores da nossa história.

Ainda de acordo com o texto, caberá ao poder público a adoção de estratégias voltadas à inclusão dos ciganos nos campos econômico e social, e por meio de políticas afirmativas. Também é obrigação do Estado desenvolver políticas de atendimento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo, entre outros direitos fundamentais, o acesso aos medicamentos.

O acesso à terra

Caberá ainda ao poder público elaborar políticas visando à promoção de acesso dos ciganos à terra e às atividades produtivas. No que se refere aos ranchos e acampamentos, passam a ser considerados parte da cultura e tradição destas comunidades, definindo-os como asilos invioláveis.

Na área do trabalho, o incentivo à contratação de ciganos recém-formados deve ser uma política pública.

Fonte: agenciasenado

Ministério da Cultura publica novas regras da lei Rouanet

Ministério da Cultura publica novas regras da lei Rouanet

Objetivo é desburocratizar a lei e atrair investimento à área da cultura.

Foi publicada na última sexta-feira, 1º, no DOU, a instrução normativa 4/17, que estabelece uma série de mudanças na utilização dos benefícios fiscais culturais no âmbito da lei Rouanet. De acordo com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, as mudanças visam desburocratizar a lei. “Ela ficará mais simples, transparente, adequada à realidade do mercado e com controles mais eficientes.”

A lei foi criada em 1991 para incentivar a produção cultural por meio de incentivos fiscais. Dos 136 artigos iniciais, ficarão apenas 73. Entre as mudanças mais significativas está o ajuste de teto da remuneração do proponente, que antes era limitado a 20% do valor total do custo do projeto e agora será limitado a 50%. Os serviços realizados por cônjuge, companheiro, parentes em linha direta ou colateral até o segundo grau, parentes com vínculo de afinidade com o proponente e em empresa coligada que tenha sócio em comum estarão inseridos nesse teto.

Dentre as novidades também está a possibilidade de o incentivador do projeto promover sua marca com ações de marketing, o que antes era considerado vantagem indevida. Serão permitidas as práticas, como veiculação de logo ou nome do incentivador em peças de divulgação e fornecimento de produtos ou serviços do incentivador ao projeto cultural, desde que realizadas de comum acordo entre incentivadores e proponentes.

As novas regras permitem ainda o incentivo ao investimento em regiões estados com histórico de poucos projetos culturais. Além das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que já estão contempladas na norma anterior, passarão a ser contempladas a Região Sul e os estados de Minas Gerais, que terão os valores aumentados em relação a São Paulo e Rio de Janeiro.

A Instrução Normativa atende a um pleito do mercado cultural, decorrente da excessiva limitação da Instrução Normativa 1/17, publicada no início do ano, e deve atrair mais investimentos à área cultural.

Veja a íntegra da IN 4/17.

Como o mundo amava a suástica, até os nazistas se apropriarem do símbolo

Na linguagem antiga do sânscrito, suástica significa “bem-estar”. A figura foi usada por hindus, budistas e jainistas por milênios, e é normalmente considerado indiano.

Viajantes do Ocidente para a Ásia foram inspirados por suas associações positivas e começaram a usá-lo em seus países. No início do século 20, houve uma moda de suástica como símbolo de sorte.

Em seu livro The Swastika: Symbol Beyond Redemption? (As Suástica: símbolo além da redenção?, em tradução livre), o escritor e designer Steven Heller mostra como a figura foi adotada com entusiasmo na Europa na arquitetura, na propaganda e no design de produtos.

Diversos produtos antes dos anos 1930 nos EUA eram chamados de suástica ou tinham o símbolo, até a Coca-Cola | Foto: Steven Heller

“A Coca-Cola usou. A Carlsberg usou em suas garrafas de cerveja. Os Escoteiros-mirins também adoraram e o Clube de Meninas da América chamava sua revista de Suástica. Eles mandavam até distintivos de suástica para seus leitores como prêmio por vender revistas”, diz.

O ícone oriental também foi usado por unidades do Exército americano durante a Primeira Guerra Mundial e era visto nos aviões da Força Aérea Britânica até 1939. A maior parte desses usos “benignos” parou de ocorrer nos anos 1930, quando o partido nazista chegou ao poder na Alemanha.

O uso nazista da suástica tem origem no trabalho de acadêmicos alemães do século 19 que traduziam antigos textos indianos, e notaram semelhanças entre o alemão e o sânscrito. Eles concluíram que indianos e alemães deveriam ter os mesmos ancestrais – uma raça de guerreiros chamada ariana.

Hindus desenhavam o símbolo nos corpos e budistas o utilizavam na decoração | Foto: Alamy

Essa ideia foi utilizada por grupos nacionalistas antissemitas dentro do movimento, que se apropriaram da suástica como um símbolo ariano, para espalhar entre os alemães o sentimento de que pertenciam a uma linhagem antiga.

hakenkreuz (cruz com ganchos, em alemão) negra dentro de um círculo branco e o fundo vermelho da bandeira nazista se tornariam o emblema mais odiado do século 20, para sempre conectado às atrocidades cometidas no Terceiro Reich.

“Para os judeus, a suástica é sinônimo de medo, de repressão e de extermínio. É algo que nunca poderemos mudar”, diz o sobrevivente do Holocausto Freddie Knoller, de 96 anos. “Colocar a suástica em lápides ou em sinagogas nos causa medo. Não deveria acontecer.”

O símbolo foi proibido na Alemanha no fim da Segunda Guerra Mundial e o país tentou, sem sucesso, proibi-lo em toda a Europa em 2007.

Contra o mal

A ironia é que a suástica tem uma origem mais europeia do que a maior parte das pessoas pensa. Descobertas arqueológicas já demonstraram que ela é muito antiga, mas que seus exemplos não são limitados à Índia. Ela também foi usada pelos antigos gregos, pelos celtas, pelos anglo-saxões e até – em alguns dos artefatos mais antigos – no leste da Europa, do mar Báltico até os Bálcãs.

Um bom lugar para conhecer esta história é o Museu Nacional de História da Ucrânia, na capital Kiev.

Registro mais antigo de padrão de suástica data de 15 mil anos atrás | Foto: Mukti Jain Campion

Entre os principais tesouros do museu está uma figura pequena de marfim que mostra um pássaro fêmea. Feito da presa de um mamute, a figura foi encontrada em 1908 no assentamento paleolítico de Mezin, perto da fronteira da Ucrânia com a Rússia.

No peito do pássaro está gravado um padrão complexo de suásticas. É o padrão de suásticas mais antigo identificado no mundo. Segundo a datação de carbono, ele tem impressionantes 15 mil anos. O pássaro foi encontrado junto com uma série de objetos fálicos, o que dá a entender que o padrão era usado como símbolo de fertilidade.

Em 1965, a paleontóloga Valentina Bibikova descobriu que o padrão no pássaro é muito semelhante ao padrão que ocorre naturalmente no marfim. Será que as marcas na pequena figura paleolítica estavam só refletindo o que os homens viam na natureza – o mamute que eles associavam com bem-estar e fertilidade?

Suásticas “solitárias” começaram a aparecer na cultura neolítica Vinca no sudeste da Europa há cerca de 7 mil anos. Mas foi na Era de Bronze que elas se espalharam pela Europa. Na coleção do museu em Kiev há vasos de cerâmica que têm suásticas circulando sua metade superior e datam de 4 mil anos atrás.

Quando os nazistas ocuparam Kiev na Segunda Guerra Mundial, eles estavam tão convencidos de que esses vasos eram provas de seus ancestrais arianos que os levaram para a Alemanha (eles foram devolvidos à Ucrânia depois da guerra).

Na coleção grega do museu, a suástica aparece no ornamento da arquitetura que se tornou conhecido como padrão grego, usado em azulejos e tecidos aré hoje.

Os antigos gregos também usavam motivos de suástica para decorar seus vasos e vasilhas. Um fragmento da coleção, que data do século 7 D.C., mostra uma suástica com membros como se fossem tentáculos pintada sob a barriga de um bode.

Mas talvez os artefatos mais surpreendentes no museu sejam os fragmentos de tecido que sobreviveram do século 12 D.C. Acredita-se que eles pertenceram ao colarinho do vestido de uma princessa eslava. Eles são bordados com cruzes e suásticas douradas, para afastar o mal.

A suástica continuou sendo um motivo popular no bordado do leste da Europa e da Rússia até a Segunda Guerra Mundial. Um autor russo chamado Pavel Kutenkov identificou cerca de 200 variações na região. Mas o símbolo continua controverso. Em 1941, Kiev foi o local do pior assassinato em massa do Holocausto, quando quase 34 mil judeus foram reunidos e mortos em Babi Yar.

Na Europa ocidental, o uso das antigas suásticas parou gradualmente muito antes da era moderna, mas é possível encontrar exemplos da Era do Bronze, como a Pedra da Suástica em Yorkshire, na Inglaterra.

Roupas eslavas tinham suásticas bordadas para afastar o mal | Foto: Mukti Jain Campion

Relembrando o passado

Algumas pessoas acham que essa longa história pode ajudar a reviver a suástica como algo positivo na Europa. Um tatuador famoso em Copenhagen afirma que o símbolo é um elemento da mitologia nórdica que continua sendo atraente para muitos escandinavos.

Ele é um dos fundadores do Dia de Aprender a Amar a Suástica, que ocorreu em 13 de novembro de 2013, quando tatuadores de todo o mundo se ofereceram para tatuar suásticas de graça, para relembrar o passado multicultural do símbolo.

“A suástica é um símbolo de amor e Hitler abusou dela. Não estamos tentando trazer a hakenkreuz de volta. Isso seria impossível. E também não é algo que queremos que as pessoas esqueçam”, afirma.

Movimento de tatuadores quer “educar público” sobre passado da suástica | Foto: Mukti Jain Campion

“Só queremos que as pessoas saibam que a suástica aparece de muitas outras maneiras, e nenhuma delas foi usada para nada ruim. Também queremos mostrar aos fascistas da direita que é errado usar esse símbolo. Se pudermos educar o público sobre o verdadeiro significado da suástica, talvez possamos tirá-las dos fascistas.”

Mas para pessoas como Freddie Knoller, que experimentaram os horrores do fascismo, a ideia de aprender a amar a suástica não é assim tão fácil.

“Nós que passamos pelo Holocausto sempre vamos lembrar do que a suástica foi nas nossas vidas – um símbolo do mais puro mal”, diz.

“Não sabíamos que ele já existia há tantos milhares de anos. Mas acho interessante que as pessoas saibam que nem sempre foi um ícone do fascismo.”

As fotos do avião americano, dos produtos pré-guerra e da Academia de Música de Brooklyn são da coleção de Steven Heller.

Fonte: bbc.com

Guarda municipal chama SAMU ao confundir performance artística com “surto” e bailarino é sedado

A jornalista Paula Sperb, da Veja, relata um caso curioso que aconteceu no Rio Grande do Sul no fim de semana. ela conta que uma performance artística inspirada na brutalidade do cotidiano acabou com a internação do bailarino em um posto de saúde por suposto surto psiquiátrico. Em Caxias do Sul, na serra gaúcha, o bailarino Igor Cavalcante Medina, de 26 anos, apresentava sozinho o espetáculo “Fim” em uma praça no centro da cidade na manhã do último sábado quando guardas municipais e socorristas do Samu o abordaram.

O artista foi sedado e levado para o Pronto-Atendimento 24h, o Postão, conforme apuração de VEJA. O bailarino só foi liberado oito horas depois quando “acordou”, segundo um integrante da equipe enfermagem do Postão. A médica psiquiatra que atendeu o bailarino constatou que o artista não apresentava sinais de surto psicótico e o liberou.

“Cheguei no lugar (da apresentação) e a guarda municipal me abordou junto com o Samu.  Foram invadindo sem me perguntar nada, já foram chegando. Eu falei que tinha autorização da prefeitura para estar ali, mas não quiseram me escutar. Disseram que eu tinha um surto psicótico. Me amarraram na maca e me colocaram na ambulância. Me deram uma injeção de tranquilizante e fiquei oito horas amarrados no Postão aguardando um psiquiatra atestar que eu estava lúcido”, disse Medina a VEJA.

“Falei que estava no meio de uma apresentação e não quiseram me escutar. Quando me abordaram eu estava declamando um poema. Se tivessem parado para me ouvir, isso não tinha acontecido. Eu não tinha como reagir porque eram cinco pessoas me segurando. Tentei conversar porque não dava conta de reagir. Na ambulância, um deles pressionou o punho cerrado no meu peito para eu ficar sem fôlego e parar de falar”, relatou o artista à reportagem.

Quando foi abordado, Medina fazia movimentos com o corpo e declamava uma poesia sobre questões de discriminação racial e social. “Mata, espanca, xinga , mutila, esquarteja, destrói, sangra, mas isso é só se for pobre, preto e sofredor”, dizia um trecho do texto decorado.

O bailarino é integrante da Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul e apresentava performance da programação da 8ª edição do “Caxias em Movimento”, evento com dezenas de apresentações agendadas até o dia 5 de novembro. Procurada por VEJA, a prefeitura da cidade, responsável tanto pela Guarda Municipal, Cia. De Dança e Postão, disse por meio de nota que “está apurando as informações sobre a abordagem ao bailarino”. Os funcionários da prefeitura não estão mais autorizados a falar com a imprensa.

O diretor da Guarda Municipal disse ao Pioneiro, jornal de Caxias do Sul que o departamento foi acionado para verificar o que estava acontecendo com o “homem parado” na praça. “O que chamou a atenção é que ele usava umas roupas da performance e tinha um arame farpado no pescoço. A equipe tentou falar com ele, mas o bailarino ficava mudo. Olhava para o céu, para cima e para baixo. De repente, começou a soltar frases filosóficas, citava a Somália a todo momento. Os guardas entenderam que poderia ter algum problema de saúde e acionaram o Samu”, disse ao jornal.

No material de divulgação do “Caxias em Movimento”, o espetáculo “Fim” é descrito como um “trabalho que aborda a violência e põe o corpo em evidência para trazer à tona as diversas formas de brutalidade do cotidiano, sejam elas físicas ou psicológicas. Os corpos vão sendo envenenados até a total desumanização. Será que já não somos nada mais além de um mero pedaço de carne incapaz de sentir, incapaz de resistir, incapaz de se rebelar?”.

A prefeitura disse ainda que “partir desta segunda-feira (30/10), a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Proteção Social (SMSPPS) começará a ouvir os relatos dos envolvidos para esclarecer a situação e dar os encaminhamentos necessários. Logo os fatos sejam esclarecidos, a prefeitura voltará a se manifestar oficialmente sobre o caso”.

Senado aprova acordos internacionais nas áreas de saúde e cultura

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (11), três acordos internacionais: o Estatuto do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, no âmbito da União das Nações Sul-Americanas (Unasul); e cooperações na área cultural com o Catar e São Vicente e Granadinas. As propostas seguem para promulgação.

O Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 15/2017 referenda a criação do Estatuto do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, no âmbito do Conselho de Saúde Sul-Americano, aprovada pelos governos sul-americanos em 2012, durante a Cúpula de Lima.

O Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (Isags) é um organismo intergovernamental de caráter público vinculado ao Conselho de Saúde da União de Nações Sul-Americanas. Como centro de altos estudos e debate de políticas públicas, o instituto tem por atribuição, entre outras, difundir e transmitir informação técnico-científica, capacitar recursos humanos e colaborar para a melhora da gestão da saúde nos países do grupo.

Cultura

Já o PDS 34/2017 firma o acordo de cooperação cultural entre Brasil e Catar, com o objetivo de promover valores culturais e estreitar os vínculos de amizade, entendimento e cooperação entre os dois países. Os governos de Brasil e Catar entendem que a cooperação contribuirá tanto para o progresso quanto para o conhecimento, com o intuito de fortalecer e incrementar suas relações no campo cultural.

Os países se comprometem a investir no intercâmbio de experiências nos campos das artes visuais, música, teatro, dança e arquivos, e até mesmo da proteção e conservação do patrimônio cultural. Também deverão adotar medidas para prevenir a importação, a exportação e a transferência ilegal de bens de seus patrimônios culturais. Além disso, o acordo incentiva a promoção de produções literárias por meio do apoio a projetos de tradução de livros, a programas de intercâmbio para autores e a participações em feiras de livros, entre outros pontos.

PDS 116/2017 também prevê a cooperação  na área cultural entre Brasil e São Vicente e Granadinas, ilha localizada no mar do Caribe, de colonização britânica. O acordo busca estimular ações que aumentem o nível de conhecimento e o ensino da cultura em geral de cada um dos países, levando em conta os conceitos de diversidade cultural, étnica e linguística.

A ideia do acordo é favorecer o intercâmbio de experiências no campo das artes visuais, da música, da dança e da educação cultural, encorajando a participação de artistas do Brasil e de São Vicente e Granadinas em festivais, oficinas, exposições e eventos internacionais a serem realizados em qualquer um dos dois países.

Pelo acordo, também deverá ser incentivado o contato direto entre os respectivos museus, para a difusão e o intercâmbio temporário de seus acervos. É reconhecida ainda a importância do patrimônio cultural, com o fomento do intercâmbio de experiências e a cooperação em matéria de restauração, proteção e conservação. Serão encorajadas iniciativas que visem promover a literatura, por meio do estímulo a projetos de tradução. O acordo prevê, ainda, a cooperação na área de radiodifusão, cinema e televisão, visando disseminar informações sobre as respectivas produções.

Fonte: agenciasenado

Passageiros, filme com Jennifer Lawrence e Chris Pratt chega aos cinemas.

Roteiro sem surpresas e sem muito diferencial, mas que soube explorar o gênero ficção científica unificando com outros gêneros.

Na direção de Morten Tyldum (***) e roteiro de Jon Spaihts, o filme ´Passageiros` é um filme aparentemente simples sem muitas complicações, mas ao decorrer da trama vai evoluindo alguns pontos sem sair da zona de conforto, um fato interessante deste filme é que o seu roteiro foi criado à muitos anos atrás mas ficou arquivados durante todo esse tempo, com certeza sofreu algumas mudanças para adaptar agora, mas acredito que não ficou muito distante do roteiro original, um ponto inteligente na produção foi escalar 2 grandes atores para serem os protagonistas, Jennifer Lawrence e Chris Pratt que por conta de recentes projetos, ambos estão bem famosos e que possuem um grande público de fãs, já na escala de atores coadjuvantes, trouxeram Michael Sheen (Saga Crepúsculo e Anjos Da Noite) e Laurence Fishburne (A Cor Púrpura e trilogia Matrix) que também são atores com nome de peso no cinema atual.

Durante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são despertados 90 anos antes do tempo programado, por causa de um mal funcionamento de suas cabines, sozinhos, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) começam a estreitar o seu relacionamento, entretanto, a paz é ameaçada quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os mais de cinco mil passageiros que ainda hibernando em suas cápsulas.

O filme tem 3 momentos diferentes que depois vão se unificando, começando com um ambiente totalmente futurista explorando bem o gênero de ficção científica, depois passa para drama por parte dos  protagonistas e aos poucos o filme vai se tornando um romance, no meio tempo tudo vai se juntando de acordo com o que vai sendo descoberto na trama, observei em alguns momentos, algumas referências ao clássico 2001 – Uma Odisséia no Espaço, união dos três gêneros que citei acima fizeram de forma bem inteligente, contudo, o filme se perde alguns momentos tornando a trama um pouco cansativa, mas um ponto interessante a ser observado e questionado é que como duas pessoas podem conseguir ocupar suas vidas inteiras longe de qualquer sociedade, já que os dois estão completamente isolados de qualquer outro ser humano acordado dentro da nave? Infelizmente o filme não responde bem isto, mas não deixa de ser algo interessante a ser mostrado na trama, o filme consegue usar de forma satisfatória efeitos especiais e cenários muito bem detalhados, sua trilha sonora também muito bem feita por Thomas Newman.

O filme é bom, mas deixa a desejar na sua narrativa que é um pouco lenta e pelo fato da ausência de um conflito realmente grande na trama e deixa alguns pontos não esclarecidos que prefiro não citá-los aqui porque seria um grande spoiler que não gostaria que você prezado leitor,  lesse antes de assistir ao filme, todo o elenco se sai muito bem no filme, mesmo com um roteiro apressado com poucos elementos fortes ou fora de uma zona de conforto que o gênero de ficção científica costuma limitar, ainda sim é um bom filme a ser assistido e é uma boa opção para uma visita ao cinema no final de semana.

Passageiros estreou no dia 05 de Janeiro de 2017, confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=yn3YT0abbGk