Corte de gastos no Brasil está agravando desigualdades, dizem especialistas da ONU

Grupo condenou reduções em programas sociais e restrições orçamentárias; para o governo, críticas são ‘infundadas’.

“Pessoas em situação de pobreza e outros grupos marginalizados estão sofrendo desproporcionalmente por causa de medidas econômicas austeras num país que já foi considerado um exemplo de políticas progressistas para reduzir a pobreza e promover a inclusão social”, diz um comunicado assinado pelo grupo, divulgado pelo Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH).

Cortes em programas sociais

O comunicado dos especialistas da ONU diz que o Brasil já foi um “campeão na luta contra a fome e desnutrição”, mas está “dramaticamente revertendo suas políticas para segurança alimentar”. Cita ainda cortes no programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” e a redução de um terço nos investimentos previstos para 2018 nas áreas de saneamento básico e acesso à água.

O grupo critica a aprovação da Emenda Constitucional 95, uma das principais iniciativas econômicas da gestão Michel Temer, que limita o crescimento de gastos do governo por 20 anos.

O comunicado menciona dados recentemente divulgados que mostraram a primeira alta na mortalidade infantil no Brasil em 26 anos.

“Esse aumento, atribuído a vários fatores, incluindo a epidemia de zika e a crise econômica, é motivo de séria preocupação, especialmente com as restrições orçamentárias no sistema público de saúde e outras políticas sociais, que comprometem gravemente o compromisso do Estado com a garantia de direitos humanos a todos, especialmente crianças e mulheres.”

O grupo diz que algumas decisões econômicas do governo nos últimos anos estão prejudicando “o usufruto de direitos à moradia, comida, água, saneamento, educação, previdência e saúde, e estão agravando desigualdades preexistentes”.

Programa Minha Casa, Minha Vida foi mantido por Michel Temer, mas gastos foram reduzidos – AGÊNCIA CAIXA

Os especialistas afirmam que medidas anunciadas pelo governo para aliviar as consequências dos cortes têm sido insuficientes.

Mulheres e crianças mais vulneráveis

“Mulheres e crianças em situação de pobreza estão entre os mais impactados, assim como afro-brasileiros, populações rurais e pessoas morando em ocupações informais”, diz o grupo.

Segundo os analistas da ONU, é um erro acreditar que medidas de austeridade devam ser a única ou primeira solução para problemas econômicos.

“Medidas de austeridade devem ser adotadas somente após uma cuidadosa análise de seu impacto, especialmente porque afetam os indivíduos e grupos mais desfavorecidos.”

O grupo defendeu a adoção de “políticas alternativas menos nocivas, como ampliar os impostos sobre os mais ricos antes de pôr um peso ainda maior nos ombros dos mais pobres”.

Segundo os especialistas, o governo deve buscar não só a sustentabilidade financeira, mas também a sustentabilidade social.

“Atingir metas macroeconômicas e de crescimento não pode ocorrer às custas de direitos humanos: a economia é serva da sociedade, e não sua senhora”, diz o comunicado.

Assinam o texto Juan Pablo Bohoslavsky (Argentina), Léo Heller (Brasil), Ivana Radačić (Croácia), Hilal Elver (Turquia), Leilani Farha (Canadá), Dainius Pūras (Lituânia) e Koumbou Boly Barry (Burkina Faso).

Defesa do ajuste fiscal

O governo brasileiro rejeitou os argumentos do grupo e afirmou que os especialistas não deram “a devida consideração a informações prestadas pelo Brasil”.

Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo diz que “o ajuste das contas públicas tem-se mostrado fundamental para a manutenção e aprimoramento das políticas sociais, entre as quais o programa ‘Bolsa Família’, o Benefício de Prestação Continuada, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa Nacional de Apoio à Captação de Água da Chuva e outras Tecnologias Sociais e a Política de Microcrédito Produtivo Orientado”.

A nota cita ainda a criação dos programas “Criança Feliz” e Plano “Progredir”, e diz que repasses federais na área de asssitência social para Estados e municípios em 2017 tiveram alta de 8% em relação a 2016.

“O necessário reequilíbrio da economia brasileira beneficia, diretamente, as populações de baixa renda e ajuda a reduzir as desigualdades, por meio de maior estabilidade, combate à inflação e saneamento da dívida pública”, diz a resposta do governo.

Fonte: bbc

Corte de bolsas da Capes afetará vacinas, energia, agricultura e até economia, diz presidente da SBPC

Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, afirma que cortes colocam em risco todo o progresso de pesquisa no Brasil.

O Conselho Superior da Capes publicou uma nota na quinta-feira alertando sobre o risco de paralisação nas atividades e pedindo ao governo federal que impeça a redução nas verbas. O conselho afirma que a diminuição no orçamento vai causar descontinuação de 200 mil bolsas de pesquisa científica, interromper projetos de formação e programas de cooperação internacional, prejudicando a imagem do Brasil no exterior.

Segundo a entidade, o corte é consequência da proposta orçamentária do governo de Michel Temer (MDB) para o ano que vem.

Muito compartilhado nas redes sociais ontem, o documento da Capes é assinado pelo presidente da entidade, Abilio Baeta Neves.

Para o presidente da SBPC (Sociedade Brasileira de Progresso da Ciência), Ildeu Moreira, isso demonstra a gravidade do problema. “A situação está tão crítica que as próprias pessoas que têm cargo importante no governo estão colocando a sua opinião, que pode até implicar em riscos de sobrevivência nos seus cargos. É uma atitude corajosa”, disse ele em entrevista à BBC News Brasil.

Moreira também afirma que os cortes causarão danos irrecuperáveis tanto à ciência quanto ao desenvolvimento do país. Segundo ele, a interrupção de projetos causa perda dos recursos investidos, gera fuga de cérebros e escassez de cientistas qualificados, com impactos de longo prazo para diversos setores, da saúde à economia.

Professor e pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Moreira trabalha nas áreas de Física Teórica e História da Ciência. Realizou estágios de pesquisa na École Polytechnique e na Universidade de Paris VII, ambas na França.

Moreira é presidente da SBPC desde o ano passado. A entidade, criada em 1948, dedica-se à defesa do avanço científico, tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do país. É uma das principais organizações científicas independentes do país, agregando 127 sociedades de diversas áreas do conhecimento.

O físico argumenta que os cortes são uma decisão política, não resultado da falta de dinheiro. “Estamos sendo escolhidos para sermos cortados. É uma questão de outros interesses que prevalecem em detrimento do desenvolvimento do país”, afirma.

O governo diz que a questão do orçamento ainda está em aberto e convocou para esta sexta-feira uma reunião de representantes dos ministérios da Educação e do Planejamento para debater o alerta feito pelo conselho da Capes.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC News Brasil – Qual o impacto dos cortes da Capes para a ciência brasileira?

Ildeu Moreira – É extremamente grave. Porque a maior parte da produção científica brasileira é produzida na pós-graduação. Isso é uma coisa essencial da ciência. A nossa produção cresceu muito por causa da Capes, que foi criada na década de 1950. Se há uma descontinuidade de recursos para bolsas, se esses cortes que estão programados se concretizam, é algo catastrófico.

BBC News Brasil – As pesquisas em andamento são totalmente perdidas? Há chance de esses projetos serem retomados quando a situação fiscal do país melhorar?

Moreira – Acontece uma desarticulação geral. A ciência descontinuada é muito difícil recuperar. Se você desmonta grupos de pesquisa, aquela experiência vai embora. Depois, você tem que começar do zero, falta gente formada, você tem laboratórios sucateados. Gastam-se anos, gasta muito mais recursos. Na prática, significa que uma parcela muito significativa dos recursos que o Brasil investiu nos últimos anos vai se perder. Estamos em um momento em que nosso corpo técnico está muito envelhecido, não tem mais renovação. Se você desmonta a formação, que é essencial para a renovação de quadros, aí acaba mesmo.

BBC News Brasil – Qual o impacto disso na fuga de talentos brasileiros para o exterior?

Moreira – É muito grande. As pessoas querem sobreviver, vão buscar oportunidades em outros países. Se o país não acolhe, eles vão procurar quem oferece condições. E muitos vão para outras profissões também, desistem de trabalhar com pesquisa, com ciência e tecnologia. Eu estava esses dias na entrega do prêmio da Olimpíada de Matemática e você vários jovens empolgados. Mas se não tiver bolsa, se a ciência estiver desmontada, você desestimula esses jovens de ir para a carreira científica.

Pesquisas na área de saúde, como sobre o combate ao vírus da Zika e da Dangue, podem ser afetadas – ROBERTODAVID

BBC News Brasil – O governo tem justificado cortes na ciência como falta de recursos. Se faltam recursos, o que poderia ser sido feito? Que outros setores poderiam ter sido cortados para que a ciência fosse mantida?

Moreira – Essa história de não ter dinheiro é muito relativa. Nós estamos falando aqui de 0,25% do orçamento, que é o recurso todo para ciência, tecnologia e inovação. Tem também uma parte do MEC (Ministério da Educação), que pega a Capes, mas se você comparar o total com outros setores, o investimento em ciência no Brasil é diminuto. Compare com o recurso que vai para as bolsas de auxílio-moradia para juízes e promotores que já têm casa. E o dinheiro que pagamos de juros da dívida pública.

Enquanto nos países da Europa o que vai para ciência e tecnologia é 3% do PIB, no Brasil não chega a 1%. Em outros países, quando há crise, na China, por exemplo, aumentaram os recursos para ciência e tecnologia. Os EUA de (Donald) Trump tentaram cortar no ano passado o orçamento para ciência e tecnologia e os dois partidos (Republicano e Democrata) foram contra e aumentaram. A Alemanha também. Eles estão aumentando, é a chance de você sair da crise.

O próprio governo diz que o PIB está aumentando. Devagar, mas está, 1%, 2%. Esse argumento de falta de recursos não se justifica. E o corte para a ciência está em 20%. É uma contradição. Estamos sendo escolhidos para sermos cortados. É uma questão de outros interesses que prevalecem em detrimento do desenvolvimento do país.

BBC News Brasil – Muitas pessoas criticam as bolsas, veem a ciência como algo distante e acham que esse dinheiro deveria ser usado para outra coisa. Qual a consequência desse desmonte pro dia a dia das pessoas?

Moreira – Temos um impacto muito grande na economia, na saúde, em diversos setores que dependem da ciência para inovação. Afeta o desenvolvimento de vacinas, a produção de energia. A agricultura no Cerrado é algo que depende fortemente da ciência, que só foi possível graças à ciência. A gente vê que o recurso público investido em produção científica é algo que dá retorno. Temos aí Embraer e a Embrapa, exemplos de empresas baseadas fortemente em pesquisas.

O pré-sal, foi um corpo técnico de engenheiros, físicos e geólogos que descobriram e trabalharam nisso. Então, a formação de gente qualificada é essencial. Internacionalmente, a ciência é uma área em que existe uma competição muito séria, se você desmonta isso vai ter uma consequência muito sérias no futuro, até para a soberania nacional. Você vê que o Brasil tem um potencial imenso na Amazônia, que deveria estar sendo estudado cientificamente para, ao mesmo tempo, preservar a floresta e fazer uso dos recursos.

Corte de verbas afetas diversos setores da ciência, entre eles a área de pesquisa hidroceanográfica – DIVULGAÇÃO

BBC News Brasil – Falta um trabalho da academia de aproximação com a sociedade para explicar a importância da ciência?

Moreira – Falta, falta sim. É uma coisa histórica. Temos um país com uma desigualdade enorme. As pessoas que têm oportunidade, acesso à academia são muito poucas. Então, as universidades e os setores ligados à pesquisa no Brasil são muito elitizados. As mulheres não entravam, os negros não entravam, e até hoje há dificuldade nisso. A ciência no Brasil não se desenvolveu como na Europa, onde ela cresceu com o capitalismo. Temos um processo de desconstrução de uma certa parcela da elite nacional, que não vê o desenvolvimento nacional como importante. E uma falta de formação científica básica.

BBC News Brasil – O setor privado poderia ser uma alternativa para suprir a falta de investimento do governo?

Moreira – A integração com o setor privado é importante, temos falado isso há muito tempo. O Brasil é um dos países onde a proporção de dinheiro privado para ciência é uma das mais baixas. Tem que mudar isso ao longo dos anos, é um processo de construção. Envolve trazer mais o empresariado, envolve ter política pública para isso, envolve educação, criação de uma cultura diferente. Outros países fizeram.

Mas isso não substitui o investimento público em ciência. O investimento de empresas pode ir para pesquisas de desenvolvimento de inovação tecnológica, por exemplo, mas o investimento privado não vai substituir o recurso público em ciência básica em nenhum país do mundo. Nem nos Estados Unidos, nem na Alemanha. É a produção de ciência básica que está sendo descontinuada aqui e é essencial para ter inovação depois.

Fonte: bbc

Lucro de R$ 10,07 bi da Petrobras no 2º trimestre é o maior desde 2011

No mesmo período, o endividamento líquido caiu 13% em relação a dezembro de 2017, indo para US$ 73,66 bilhões, o menor desde 2012

A Petrobras fechou o segundo trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 10,07 bilhões, alta de 45% em relação ao primeiro trimestre, quando o lucro foi de R$ 6,96 bilhões. É o melhor resultado desde 2011. No segundo trimestre do ano passado atingiu R$ 316 milhões.

Com o resultado, a Petrobras fechou o primeiro semestre do ano com um lucro líquido de R$ 17 bilhões. Segundo a empresa, o “resultado positivo foi influenciado principalmente pelo aumento das cotações internacionais do petróleo, associado à depreciação do real em relação ao dólar”.

No mesmo período, o endividamento líquido caiu 13% em relação a dezembro de 2017, indo para US$ 73,66 bilhões, o menor desde 2012.

A geração operacional e a entrada de caixa de US$ 5 bilhões com os desinvestimentos no semestre foram os principais fatores para a redução da dívida líquida, cujo total passou a corresponder a 3,23 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda ajustado), comparado a 3,67 no fim de 2017.

O desempenho das operações da empresa manteve tendência positiva que já vinha sendo registrada em trimestres anteriores, com um lucro operacional 18% maior que o do primeiro semestre de 2017, totalizando R$ 34,5 bilhões, com menores despesas gerais e administrativas e menores gastos com ociosidade de equipamentos.

A produção total de óleo e gás foi de 2,7 milhões barris de óleo equivalente por dia (boed) no semestre.

Fonte: agenciabrasil

Apple atinge marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado

É a primeira vez que uma empresa privada chega no patamar do trilhão; Apple vale mais que todas as companhias listadas na Bovespa.

Apple atingiu nesta quinta-feira (2) a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado – o valor somado de todas as suas ações – na bolsa de Nova York. É a primeira vez que uma empresa privada alcança tal feito. A marca foi atingida por volta das 13h, após a ação da Apple superar US$ 207,04 na Nasdaq. A empresa atingiu o pico de US$ 207,05 e, logo em seguida, passou a subir menos.

A estatal chinesa PetroChina tinha chegado rapidamente a essa cifra quando foi lançada na Bolsa, em 2007, mas caiu em seguida.

Avanço

Até a véspera, a Apple acumulava alta de 17,5% no ano, avaliada em US$ 988,4 bilhões, se firmando à frente de suas principais concorrentes no setor. A Amazon fechou o dia anterior avaliada em US$ 877,4 bilhões, a Alphabet, matriz do Google, em US$ 854,7 bilhões, e a Microsoft em US$ 811,1 bilhões.

O gigantismo da Apple fica evidente quando se observa o tamanho da empresa com o das empresas que têm ações na bolsa de valores do Brasil, a B3.

A companhia norte-americana vale mais que a soma do valor de mercado de todas as mais de 360 empresas brasileiras listadas na B3, segundo dados da Economatica. No final de julho, as companhias brasileiras valiam, somadas, US$ 847 bilhões nesta quinta-feira, segundo dados da Economatica.

As ações da Apple têm subido porque os investidores reagiram bem ao resultado do último trimestre da empresa. A companhia registrou uma alta de 32% no lucro, a US$ 11,5 bilhões graças ao aumento do preço de venda do iPhone.

O volume de negócios da companhia cresceu 17%, a US$ 53,3 bilhões, em relação ao mesmo período do ano passado, devido especialmente à venda de iPhones, serviços on-line e acessórios.

A empresa vendeu 41,3 milhões de unidades, abaixo das expectativas de 41,8 milhões de aparelhos, mas o preço médio de venda do iPhone atingiu US$ 724, superando previsões de analistas de US$ 694 dólares, segundo dados da FactSet.

Esse desempenho foi atribuído ao lançamento em 2017 do iPhone 8 e do iPhone X, cujo preço inicial de venda ao público era de quase mil dólares.

Preço médio de venda do iPhone atingiu US$ 724 (Foto: Divulgação)

“Ficamos felizes em anunciar o melhor trimestre concluído em junho da Apple e o quarto trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos na receita”, disse seu CEO, Tim Cook.

Os resultados positivos da Apple aparecem em um momento em que as ações das companhias de tecnologia estão em dificuldades – especialmente após os resultados decepcionantes da rede social Facebook, cujas ações caíram 20% desde que revelou seus dados trimestrais.

Empresa busca diversificação

A empresa, que busca se diversificar para não depender tanto do iPhone, teve um aumento de 31%, a US$ 11,5 bilhões, nas receitas provenientes de serviços como iTunes Store, Apple Music, Apple Pay, entre outros.

Os mercados estavam muito atentos à possibilidade de encontrar prejuízos na Apple por causa da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China – um dos principais mercados da empresa da maçã, do qual depende muito.

Além de fornecer uma receita de US$ 9,5 bilhões no trimestre, a Apple monta na China a maioria de seus aparelhos.

Cook disse que até agora os produtos da Apple não se viram diretamente afetados, e que a companhia está avaliando as medidas tomadas por Trump.

“Nossa opinião sobre as tarifas é de que se mostram como um imposto sobre o consumidor e geram menor crescimento econômico e, em algumas ocasiões, podem gerar um risco significativo de consequências não desejadas”, disse o chefe da companhia.

Fonte: g1

Analistas refazem contas e preveem menos vagas com carteira assinada em 2018

A Tendências Consultoria começou 2018 estimando a criação de 800 mil vagas até dezembro, número que foi reduzido para 350 mil

Criação de vagas com carteira assinada menor do que se projetava inicialmente e piora na composição do mercado de trabalho, com mais informais e menos formais. Esse é o cenário que economistas passaram a projetar para 2018 após a greve dos caminhoneiros e um início de ano mais fraco do que se esperava.

A Tendências Consultoria começou 2018 estimando a criação de 800 mil vagas até dezembro, número que foi reduzido para 350 mil. “Já estávamos vendo o mercado de trabalho perder força com as incertezas domésticas e internacionais. A greve acentuou a perda de dinamismo”, afirma Thiago Xavier, economista da consultoria.

A projeção inicial do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, era de 600 mil novos postos neste ano. O número caiu para 460 mil. “Os resultados de criação de emprego, principalmente no segundo trimestre, vieram bem mais fracos do que o esperado. E o principal motivo é a greve”, diz o consultor do Ibre Tiago Barreira.

Para o economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, além da deterioração nas estimativas de geração de emprego, a composição do mercado de trabalho também piorou. “Esperávamos uma composição mais positiva e achávamos que quem tinha entrado no mercado informal tinha chance de se formalizar.” No acumulado do ano até maio, porém, enquanto houve uma queda de 1,6% nas vagas com carteira assinada do setor privado, o número de trabalhadores sem carteira avançou 5,6%.

A arquiteta Aline Fidalgo, de 38 anos, é uma dos milhares de trabalhadores brasileiros que tentam deixar o mercado informal. “Quero ter direitos como trabalhadora, décimo terceiro salário, férias e uma renda fixa que entra todo mês”, diz.

Desde 2013, por opção, a arquiteta deixou seu trabalho na área de orçamento e gerenciamento de obras para ser professora particular de inglês. Em 2015 e 2016, com a recessão, o número de alunos caiu e, há oito meses, ela começou a procurar vagas formais no segmento em que atuava anteriormente.

“Tenho uma experiência de oito anos com orçamento de contratos de empreiteiras, supervisão de planejamento e cronograma de obra, mas, nessa área, quase não há mais vagas e, quando há, exigem muitos certificados e cursos que eu não precisava ter antes, quando trabalhava na área.

Fonte: bandab

Ações do Facebook tem maior queda diária em valor de mercado da história do mercado dos EUA

Papéis caíam quase 20%, o que corresponde a uma perda de cerca de US$ 124 bilhões em valor de mercado; Zuckerberg perde cerca de US$ 16 bilhões em seu patrimônio.

As ações do Facebook desabavam quase 20% nesta quinta-feira (26) no mercado acionário dos Estados Unidos e caminhavam para registrar a maior queda diária em valor de mercado da história do mercado norte-americano. Os papéis eram afetados pelo resultado financeiro da empresa e pelas previsões para os próximos meses, que frustraram os investidores.

A empresa informou que sua margem de lucro cairá por muitos anos devido aos custos para melhorar a privacidade e reduzir o uso de seus maiores mercados de publicidade.

Às 17h40, as ações do Facebook tinham queda de quase 20%, um tombo que reduziu o valor de mercado da companhia na bolsa em cerca de US$ 124 bilhões, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Angola ou quase quatro vezes o valor de mercado da rival Twitter, que tinha queda de 3%, segundo a Reuters.

Com o resultado desta quinta-feira, o presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, sofreu uma perda de cerca de US$ 16 bilhões em seu patrimônio nesta quinta, destaca a Reuters. O valor é equivalente à fortuna da 81ª pessoa mais rica do mundo, o empresário japonês Takemitsu Takizaki, segundo ranking da revista Forbes.

Aumento de custos

Na véspera, o Facebook anunciou um lucro líquido 31% maior no segundo trimestre, de US$ 5,1 bilhões, enquanto a receita subiu 42%, para US$ 13,2 bilhões. Por outro lado, a gigante da internet alertou para a desaceleração no crescimento de suas receitas no 2º semestre.

A gigante da internet também alertou os investidores para esperarem um grande crescimento nos custos por causa de esforços para resolver preocupações em torno de questões de privacidade dos usuários e para melhor monitoramento sobre o que os usuários publicam na rede social.

As despesas totais no segundo trimestre subiram para US$ 7,4 bilhões, um crescimento de 50% sobre um ano antes.

Alguns analistas afirmaram que os problemas do Facebook não serão facilmente resolvidos. “Diferente da Netflix, cuja queda de resultado trimestral foi considerada como temporária, vemos aqui uma evolução na história, embora uma parte dela já esperávamos”, disse Daniel Salmon, analista da BMO Capital Markets.

Outros, porém, avaliaram que a ênfase do Facebook em conteúdo de maior engajamento e conteúdos promocionais no histórico de notícias dos usuários vai apoiar a receita da companhia no longo prazo.

As bolsas de Nova York operavam com resultados mistos nesta quinta, afetadas pela queda do Facebook. Perto das 13h, o índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,81%.

Na véspera, Wall Street teve forte alta estimulada por um acordo comercial entre o presidente americano Donald Trump e o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Entrada de usuários desacelerou

O crescimento de novos usuários ativos do principal aplicativo do Facebook desacelerou para 11% no segundo trimestre, ante 13% no primeiro trimestre.

“Nossas taxas de crescimento de receitas totais vai continuar a desacelerar no segundo semestre e esperamos que a taxa de expansão de nosso faturamento caia para um dígito alto no terceiro e quarto trimestres”, disse na quarta-feira o vice-presidente financeiro da rede social, David Wehner.

A receita do Facebook cresceu no ritmo mais lento em quase três anos, avançando 14% sobre um ano antes, para US$ 13,2 bilhões no segundo trimestre.
O crescimento nos usuários diários do Facebook caiu em seis trimestres consecutivos, atingindo 1,47 bilhão no segundo trimestre ante 1,23 bilhão no final de 2016.

Instagram, Whatsapp e Messenger

Enquanto isso, o Instagram avançou para 1 bilhão de usuários mensais ante 600 milhões no final de 2016. Já os dois aplicativos de mensagens do Facebook, WhatsApp e Messenger, tiveram cada um mais de 1 bilhão de usuários mensais no segundo trimestre.

Cerca de 2,5 bilhões de pessoas usam pelo menos um dos aplicativos da companhia a cada mês, informaram executivos do Facebook a analistas.

O Instagram deverá ser responsável por 18% da receita do Facebook este ano e 23 por cento em 2019, segundo a empresa de pesquisa de mercado EMarketer.

Fonte: g1

Com greve dos caminhoneiros, atividade econômica recua 3,34% em maio

O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda o BC a tomar suas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic.

A atividade econômica recuou em maio. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), dessazonalizado (ajustado para o período), apresentou queda de 3,34%, na comparação com abril, de acordo com dados divulgados hoje (16). O recuo veio após crescimento de 0,5%, em abril comparado a março, de acordo com dados revisados.

Em maio, o país foi afetado pela crise de desabastecimento gerada pela greve dos caminhoneiros no final do mês.Na comparação com o mesmo mês de 2017 (sem ajuste para o período), houve queda de 2,9%. No ano, foi registrado crescimento de 0,73%. Em 12 meses, a expansão chegou a 1,13%.

O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda o BC a tomar suas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic.

O índice incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária, além do volume de impostos.

O indicador foi criado pelo BC para tentar antecipar, por aproximação, a evolução da atividade econômica. Mas o indicador oficial é o Produto Interno Bruto (PIB – a soma de todas as riquezas produzidas no país), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Para instituições financeiras consultadas pelo BC, o PIB deve crescer 1,5%, neste ano.

Fonte: agenciabrasil

Com greve dos caminhoneiros, prévia da inflação acelera para 1,11% em junho

A alta da taxa foi puxada principalmente pelos alimentos e pelos transportes

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, registrou taxa de 1,11% em junho, ou seja, uma forte alta em relação às prévias de maio (0,14%) e de junho (0,16%). Essa foi a maior taxa do IPCA-15 para um mês de junho desde 1996, quando foi registrado o mesmo índice.

O IPCA-15 acumulado no trimestre ficou em 1,46%, acima da taxa de 0,61% registrada no mesmo período de 2017. Com isso, o acumulado no ano está em 2,35%, acima do 1,62% registrado em 2017. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula taxa de inflação de 3,68%, acima dos 2,7% registrados nos 12 meses anteriores.

A alta da taxa foi puxada principalmente pelos alimentos e pelos transportes. O grupo alimentação teve alta de preços de 1,57% no mês, impulsionado por alimentos como batata-inglesa (45,12%), cebola (19,95%) e tomate (14,15%).

Já os transportes tiveram inflação de 1,95%, puxada pela alta de preços da gasolina (0,81%), que teve o maior impacto individual na prévia do IPCA, do etanol (2,36%) e do óleo diesel (3,06%).

O grupo habitação também teve impacto importante no índice, com taxa de 1,74%, devido principalmente a reajustes de tarifas de energia elétrica (5,44%), que aumentou nas cidades de Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador.

O IPCA-15 foi calculado com base em preços coletados entre os dias 16 de maio e 13 de junho, portanto durante a greve nacional dos caminhoneiros, que provocou desabastecimento em várias cidades do país.

Fonte: agenciabrasil

ANP vende três blocos do pré-sal por R$ 3,15 bilhões

A previsão do governo era arrecadar R$ 3,2 bilhões com a venda. Das quatro áreas ofertadas, apenas uma não recebeu proposta de compra

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vendeu três dos quatro blocos ofertados nesta 4ª Rodada de Partilha e arrecadou R$ 3,15 bilhões em bônus, garantindo investimento mínimo de R$ 738 milhões ao país. A previsão era arrecadar R$ 3,2 bilhões com bônus de assinatura.

Das quatro áreas ofertadas, apenas o bloco de Itaimbezinho, no pré-sal da Bacia de Campos, não recebeu oferta. Já o bloco mais cobiçado e o primeiro a ser licitado, o de Uraipuru, foi arrematado pelo consórcio formado pela portuguesa Petrogal, a norueguesa Statoil e a ExxonMobil que ofereceram 75,49% de óleo-lucro à União – oferta bem superior ao mínimo de 22,18%, com ágio de 240,3%.

A Petrobras exerceu o direito de preferência e vai integrar o consórcio vencedor. O investimento previsto é de R$ 246 milhões. Também foram arrematados no leilão de hoje os blocos Dois Irmãos, no pré-sal de campos e Três Marias, na Bacia de Santos.

O Bloco Três Marias recebeu duas ofertas: uma do consórcio formado pela Petrobras, Total E&P e BP Energy e a outro do consórcio entre a Chevron e a Shell. O vencedor foi o consórcio Chevron e Shell, que ofereceu 49,95% do óleo excedente.

De acordo com a ANP, 16 empresas estavam habilitadas a participar deste leilão, um número de inscrição alto, o que demonstra a importância do leilão. Entre elas estão as maiores do setor de petróleo e gás no mundo, sendo duas brasileiras. Das habilitadas, duas (DEA Deutsche Erdoel AG e Petronas Carigali SDN BHD) não têm contratos para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil.

Fonte: metropoles

Entidades pedem à ANP volta da mistura de 10% do biodiesel ao diesel

Segundo associações, é urgente a retomada para que as cadeias produtivas de proteínas animais não sejam prejudicadas

As principais entidades do setor de biodiesel do Brasil encaminharam à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pedido para que a mistura obrigatória de 10% do combustível ao diesel de petróleo seja retomada no país. A liberação da mistura e do uso do diesel 100% mineral para o abastecimento em postos foi autorizada pela ANP em 24 de maio para minimizar a crise de abastecimento de veículos causada pela greve de caminhoneiros.

No documento, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) dizem compreender “que as paralisações de caminhoneiros e as dificuldades de abastecimento de combustíveis produziram grandes dificuldades para a continuidade das retiradas de biodiesel das usinas”.

No entanto, as associações sustentam que o movimento nas rodovias terminou “e as condições para o restabelecimento das retiradas pelas distribuidoras já estão presentes, pois as vias de acesso estão liberadas desde o dia 31 de maio de 2018”.

As três entidades relatam perdas diárias de R$ 43 milhões só com o biodiesel não entregue para a mistura obrigatória e informa que a não retirada de biodiesel “também interrompe a produção de farelo e de óleo de soja com a limitação da capacidade de armazenagem desses produtos”.

“Portanto, é urgente a retomada da mistura obrigatória de biodiesel e as retiradas de produto das usinas para que as cadeias produtivas de proteínas animais não sejam prejudicadas com a falta de farelo de soja, ingrediente essencial para a formulação de rações”, dizem as entidades.

Fonte: metropoles