Facebook está avaliando banir anúncios políticos na plataforma

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O Facebook está considerando banir anúncios de caráter políticos da rede social antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro deste ano. Segundo a agência de notícias Bloomberg, que antecipou a discussão na tarde desta sexta-feira, 10, existem conversas internas na empresa para proibir este tipo de anúncio, mas nada pode ser considerado concreto, já que o próprio presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, se mostrou pouco disposto a interferir em questões políticas na rede no passado.

Pensando na corrida eleitoral de 2020 nos EUA, o Facebook já tinha promovido uma atualização que permitia que usuários pudessem não receber mais propagandas políticas em seu feed de notícias. A medida veio, principalmente, depois de a rede social ter sido criticada por não se posicionar contra as publicações políticas que possam conter fake news ou outras informações prejudiciais ao eleitor, em especial, conteúdos relacionados ao atual presidente americano, Donald Trump. Em maio, Zuckerberg afirmou que não era seu papel ser “árbitro da verdade”.

A plataforma, porém, ainda não decidiu ativamente qual a sua posição nesse cenário. O Twitter, por exemplo, baniu no ano passado as publicidades políticas pagas na rede social, afirmando que os conteúdos podiam trazer riscos aos eleitores, uma vez que poderiam influenciar os votos dos americanos. Na época, Jack Dorsey, presidente e fundador do Twitter, rebateu as afirmações de Zuckerberg sobre o que disse ser liberdade de expressão, dizendo que as publicidades interferiam na infraestrutura democrática.

Desde então, críticos e apoiadores da ideia de banir as publicidades políticas pagas do Facebook se manifestam, sem que a empresa tivesse decidido rever a questão até agora. Quando o Twitter optou pelo banimento, por exemplo, Hillary Clinton, candidata democrata derrotada nas eleições de 2016, foi uma das apoiadoras da ideia.

Alex Stamos, ex-chefe de segurança do Facebook, no entanto, foi contra a proposta no ano passado e continuou manifestando suas críticas nesta sexta-feira, após o anúncio da Bloomberg. Segundo ele, em comentário no Twitter, “os anúncios políticos são apenas uma pequena parte da receita do Facebook” e “a proibição de anúncios políticos beneficia apenas aqueles com dinheiro, competência ou capacidade de obter cobertura da mídia”.

Ainda, segundo a Bloomberg, a proibição dos anúncios poderia se dar de forma estratégica pelo Facebook, retirando as publicidades alguns dias antes das eleições ou apenas por um período determinado.A discussão é mais um ponto que deixa o Facebook sob os holofotes no mês de julho. Nos últimos dias, a empresa vem sofrendo com um boicote liderado pela campanha Stop Hate For Profit, que pressiona a rede social a mudar suas políticas de remoção de conteúdo, relacionadas á publicações com discurso de ódio e desinformações, inclusive na área política nos Estados Unidos. Mais de 900 marcas integram o movimento, incluindo Adidas, Ben & Jerry’s, Best Buy, Coca-Cola, Ford, Honda, Microsoft, Puma, Starbucks, Unilever, Vans, Verizon e Volkswagen.

Veja o gráfico de funcionamento do esquema bolsonarista de fake news derrubado pelo Facebook

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O Facebook derrubou uma rede de perfis que promoviam o presidente Jair Bolsonaro, atacavam adversários e espalhavam notícias falsas indiscriminadamente. Veja abaixo o gráfico interativo, que mostra o funcionamento da rede.

O laboratório forense digital que fez a investigação que derrubou a rede de fake news bolsonarista no Facebook, DFRLab, define sua missão como 
“identificar, expor e explicar a desinformação onde e quando ocorre usando a pesquisa de código aberto; promover a verdade objetiva como fundamento do governo para e pelas pessoas; proteger instituições e normas democráticas daqueles que procurariam miná-las no espaço de engajamento digital”.

O laboratório é financiado pelo Atlantic Council, um think tank fundado em 1961 em Washington, que hoje é dirigido por John F. W. Rogers, um executivo da poderosa Goldman Sachs.

É uma entidade fortemente engajada na defesa do establishment dos Estados Unidos, que define parcialmente sua missão como “através dos documentos que publica, das idéias que gera, dos futuros líderes que desenvolve e das comunidades que constrói — molda as escolhas e estratégias de políticas para criar um mundo mais livre, seguro e próspero”.

Em sua investigação, o laboratório detalhou metodicamente o funcionamento da máquina de fake news de Bolsonaro, inclusive com um gráfico interativo sobre quem é quem.

A acusação mais grave: funcionários de gabinetes parlamentares, pagos com dinheiro público, atuavam em horário de trabalho.

O de mais alto escalão: Tercio Arnaud Tomaz, que no Palácio do Planalto fica no entorno de Jair Bolsonaro, depois de ter servido ao vereador Carlos Bolsonaro no Rio de Janeiro.

Abaixo, a íntegra da investigação, traduzida do site do DFRLab:

Operação de influência promoveu o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e atacou seus rivais

O Facebook anunciou em 8 de julho de 2020 que removeu uma rede de contas, páginas e um grupo intimamente ligado ao presidente brasileiro Jair Bolsonaro e ao partido que o levou ao cargo, o Partido Social Liberal de direita (PSL).

A empresa afirmou que a rede está vinculada a funcionários dos gabinetes de Bolsonaro e seus filhos Eduardo e Flávio Bolsonaro — que servem na Câmara dos Deputados e no Senado, respectivamente –, além de dois parlamentares do PSL, Alana Passos e Anderson Moraes. 

O DFRLab não pôde confirmar os links para Flávio Bolsonaro, mas descobriu que um membro da rede está conectado a um terceiro filho, Carlos Bolsonaro, e outro é empregado por Coronel Nishikawa, também legislador estadual do PSL. 

Os ativos removidos tinham um público combinado de mais de 2 milhões de contas.

Ao longo de sua campanha eleitoral de 2018, os rivais políticos de Jair Bolsonaro — incluindo ex-aliados e membros de seu governo — enfrentaram ataques e assédio online direcionados. 

Esses ataques não diminuíram quando Bolsonaro assumiu o cargo; se alguma coisa, eles receberam legitimidade institucional. 

De acordo com ex-apoiadores de Bolsonaro, um grupo de aliados apelidado de “Gabinete do Ódio” está atualmente envolvido na coordenação de campanhas de assédio e desinformação dirigidas a políticos, funcionários públicos e jornalistas críticos de Bolsonaro, com rumores de apoio institucional. 

A manipulação de informações, incluindo desinformação, é uma parte central dessa estratégia.

A Suprema Corte do Brasil investigou o financiamento de campanhas de desinformação e assédio contra a Corte e seus ministros. 

Em 27 de maio de 2020, a Polícia Federal realizou buscas para executar 29 mandados contra empresários e influenciadores, como parte do inquérito da Suprema Corte. 

A decisão da Suprema Corte mencionou uma conta no Twitter (@bolsoneas) que pertence a uma das pessoas responsáveis ​​por páginas e contas removidas posteriormente pelo Facebook. 

Enquanto membros de seu círculo interno enfrentam várias investigações abertas sobre suspeitas de irregularidades, Bolsonaro travou uma batalha política contra a Suprema Corte e o Congresso. 

Ataques online contra essas instituições e seus membros foram traduzidos offline, com os apoiadores do presidente participando de protestos agressivos nas ruas, pedindo o fechamento do Congresso e do STF.

De acordo com o Facebook, o conjunto de 88 ativos — 14 páginas do Facebook, 35 contas pessoais, 38 páginas do Instagram e um grupo — estavam envolvidos em um comportamento não autêntico, coordenado, executando uma rede que trabalhava para enganar o público doméstico sistematicamente, ocultando a identidade dos operadores. 

Em seu anúncio oficial, o Facebook declarou:

Essa rede consistia em vários clusters de atividades conectadas que contavam com uma combinação de contas duplicadas e falsas — algumas das quais foram detectadas e desativadas por nossos sistemas automatizados — para evitar a fiscalização, criar personas fictícias se passando por repórteres, publicar conteúdo e gerenciar páginas disfarçadas de veículos de notícias. Publicavam notícias sobre eventos locais, inclusive sobre política e eleições domésticas, memes políticos, críticas à oposição, a organizações de mídia e jornalistas e, mais recentemente, publicaram sobre a pandemia de coronavírus. Parte do conteúdo publicado por esta rede já havia sido retirado por violações dos Padrões da Comunidade, incluindo discurso de ódio.

Encontramos essa atividade como parte de nossa investigação sobre suspeita de comportamento inautêntico coordenado no Brasil, relatado pela imprensa e referenciado em recentes depoimentos no Congresso no Brasil.

Embora as pessoas por trás dessa atividade tentassem ocultar suas identidades e coordenação, nossa investigação encontrou links para indivíduos associados ao Partido Liberal Social e a alguns dos funcionários dos gabinetes de Anderson Moraes, Alana Passos, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro.

O DFRLab teve acesso a um subconjunto de 80 ativos antes de serem removidos da plataforma, como resultado de sua parceria com o Facebook que monitora interferência eleitoral. 

Entre os ativos estavam contas duplicadas e falsas que promoveram Bolsonaro e seus aliados em vários grupos do Facebook, além de páginas com centenas de milhares de seguidores que publicaram memes pró-Bolsonaro e outros conteúdos que depreciam seus críticos. 

Embora as páginas não declarassem abertamente que estavam ligadas a Bolsonaro e seus aliados, várias estavam ligadas a políticos pró-Bolsonaro. 

Notavelmente, o envolvimento dos funcionários na operação pode indicar um possível uso indevido de fundos públicos, pois muitas das postagens foram publicadas durante o horário de trabalho.

Parte da rede foi criada antes das eleições de 2018 e atuou para promover Bolsonaro e atacar seus oponentes durante a campanha, às vezes empregando meios de comunicação hiperpartidários. 

Esse comportamento é consistente com os relatos de como o suposto Gabinete de Ódio opera. 

Mais recentemente, algumas das contas atacaram o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e foram, assim como Bolsonaro, pressionando a idéia de que a COVID-19 não era uma ameaça séria, sugerindo que o Brasil não deveria adotar medidas de distanciamento social. 

Em 7 de julho de 2020, o Brasil registrou mais de 66.800 mortes e 1,67 milhão de casos de COVID-19, incluindo o próprio Jair Bolsonaro.

Os jogadores

O DFRLab conseguiu recriar a rede de ativos observando propriedade comum, seguidores e padrões semelhantes entre eles.

Os ativos da rede pertenciam a vários clusters, divididos pelo DFRLab pelas cidades em que os funcionários que os operavam estavam baseados: Brasília, Rio de Janeiro e São Bernardo do Campo. 

O maior subconjunto da rede parecia estar conectado à operação do Rio de Janeiro, vinculada aos congressistas do Rio Alana Passos e Anderson Moraes. 

O presidente Bolsonaro morava no Rio e foi um congressista representante do estado por quase 30 anos.

Esses subconjuntos empregavam estratégias únicas que os distinguiam. 

Enquanto os conjuntos Rio e São Bernardo fizeram uso proeminente de contas duplicadas e falsas, o DFRLab identificou poucos perfis falsos no cluster de Brasília. 

Além disso, os clusters Rio e São Bernardo operavam meios de comunicação externos, hiperpartidários, o que não era o caso de Brasília.

O gráfico mostra as conexões entre contas e páginas; os nós com imagens representam funcionários, funcionários e ex-funcionários identificados pelo DFRLab. 

Contas da família Bolsonaro não foram removidas. Uma versão interativa do gráfico pode ser encontrada no topo.

Ao todo, os atuais e ex-funcionários de cinco apoiadores do governo foram identificados pelo DFRLab como conectados à operação, incluindo funcionários do presidente Jair Bolsonaro; dois de seus filhos, Eduardo e Carlos Bolsonaro; Alana Passos e Anderson Moraes, membros da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; e Coronel Nishikawa, um legislador do Estado de São Paulo. 

O Facebook também mencionou funcionários de Flávio Bolsonaro, mas essa descoberta não pôde ser corroborada pelo DFRLab, pois os ativos conectados a ele não estavam mais na plataforma e, portanto, não faziam parte do conjunto analisado.

Enquanto isso, o Facebook não mencionou Carlos Bolsonaro em sua declaração oficial, mas o DFRLab descobriu que um dos funcionários envolvidos na operação trabalhava para ele. 

Coronel Nishikawa também não foi mencionado pelo Facebook.

Nenhuma dessas autoridades teve suas contas pessoais removidas e o Facebook não encontrou evidências na plataforma que as conectassem diretamente às contas não autênticas. 

Os operadores do esquema, no entanto, incluem membros de suas equipes atual e antiga, alguns dos quais tiveram suas contas removidas pelo Facebook.

O único operador diretamente empregado por Bolsonaro foi Tercio Arnaud Tomaz, consultor do gabinete do presidente. 

Arnaud é mais conhecido como gerente da popular página do Facebook “Bolsonaro Oppressor 2.0”, uma página pró-Bolsonaro no Facebook que tinha cerca de 1 milhão de seguidores, mas atualmente está offline. 

Em 2019, os meios de comunicação revelaram que, apesar de ser listado como funcionário de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, Arnaud estava trabalhando com a equipe de comunicação digital da campanha presidencial de Bolsonaro.

Arnaud atualmente trabalha em um escritório a alguns metros do gabinete presidencial de Bolsonaro, de acordo com relatos da mídia, e tem um salário mensal de R$ 13.600,00. 

Segundo ex-aliados de Bolsonaro, o chamado Gabinete do Ódio é supostamente dirigido por Arnaud, ao lado de outros dois funcionários: José Matheus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz.

Um funcionário de Eduardo Bolsonaro, Paulo Eduardo Lopes, mais conhecido como Paulo Chuchu, aparece como um dos principais operadores de rede. 

Paulo Chuchu é o líder da Aliança para o Brasil na cidade de São Bernardo do Campo, na região da grande São Paulo. 

Chuchu é empregado de Eduardo Bolsonaro e recebe um salário de R$ 7.800 por mês. 

Em sua página oficial do Facebook, que não foi removida, Chuchu afirma que trabalha para a família Bolsonaro há cinco anos.

Duas contas que levavam o nome de Eduardo Guimarães — outro funcionário de Eduardo Bolsonaro — também foram removidas. 

Como nenhuma dessas contas incluía imagens de Guimarães ou outras informações de identificação, o DFRLab não pôde confirmar que as contas estavam conectadas a ele. 

De acordo com um documento discutido durante a investigação do Congresso, Guimarães costumava dirigir uma conhecida e extinta página do Instagram chamada “Bolsofeios”, que publicava conteúdo semelhante ao das páginas desta rede.

Dois operadoras da rede estão conectadas a legisladores do Estado do Rio, Alana Passos e Anderson Moraes. 

Enquanto isso, Leonardo Rodrigues de Barros Neto, também conhecido como Leonardo Bolsoneas, criou as páginas “Bolsoneas” no Facebook e Instagram. 

Bolsoneas é uma junção entre o nome de Bolsonaro e o primeiro nome de Enéas Ferreira Carneiro, um ex-político conservador no Brasil já morto.

Até abril de 2020, Leonardo trabalhou para o congressista Passos, que pertence ao ex-partido de Bolsonaro, PSL. 

Enquanto funcionário de Passos, recebia um salário de cerca de R$ 5.000 mês.

Enquanto isso, Vanessa Navarro, namorada de Leonardo, trabalha para Anderson Moraes na Assembléia Estadual do Rio. Ela recebe um salário mensal de cerca de R$ 2.000. 

Bolsonaro parece ter conexões pessoais com o casal, pois enviou vídeos elogiando Leonardo pela página Bolsoneas e outro parabenizando Vanessa pelo aniversário dela, que a página postou mais tarde. 

A página do Twitter de Bolsoneas aparece na investigação de “notícias falsas” da Suprema Corte. 

Leonardo não estava entre as pessoas alvo de buscas policiais em 27 de maio, mas o tribunal exigiu que o Twitter desse detalhes sobre o registro da página. 

O Twitter suspendeu a conta Bolsoneas em 7 de julho.

Por fim, um operador do esquema estava conectado ao deputado estadual de São Paulo Coronel Nishikawa, também do partido PSL, que tem seu principal eleitorado na região de São Bernardo do Campo. 

Um de seus funcionários, Jonathan William Benetti, usou contas falsas para impulsionar o conteúdo que apoia Bolsonaro e Nishikawa. 

Duas das contas de Benetti incluem pôsteres de Bolsonaro, um dos quais é uma imagem que mostra o presidente com Nishikawa.

Imagens adicionais indicam que Benetti estava executando contas duplicadas no Facebook. 

Em uma das contas, ele afirma trabalhar para o governo do Estado de São Paulo, mas ele realmente trabalha para a casa legislativa estadual. Muitas das contas duplicadas são amigas umas das outras. 

Leonardo Bolsoneas e Vanessa Navarro usaram uma estratégia semelhante de contas falsas e parecem estar conectados a 13 contas que usam variações de seus nomes. 

Essas contas foram usadas para postar conteúdo pró-Bolsonaro em diferentes grupos e páginas.

Algumas das contas falsas da rede foram usadas para postar mensagens positivas sobre Bolsonaro e seus aliados em vários grupos do Facebook, incluindo grupos não dedicados à política. 

Além disso, uma conta não autêntica era administradora de um grupo e uma página que trabalhava para promover Bolsonaro; todos os três ativos foram removidos pelo Facebook.

Memes e ataques direcionados

Muitas páginas do conjunto foram dedicadas à publicação de memes e conteúdo pró-Bolsonaro enquanto atacavam rivais políticos.

Uma dessas páginas foi a página do Instagram @bolsonaronewsss. A página é anônima, mas as informações de registro encontradas no código-fonte da página confirmam que pertencem a Tercio Arnaud. O @bolsonaronewsss tinha 492.000 seguidores e mais de 11.000 posts.

O conteúdo era enganoso em muitos casos, empregando uma mistura de meias-verdades para chegar a conclusões falsas. 

Um relato alegou que a reação à pandemia de COVID-19 foi exagerada e que a hidroxicloroquina, um medicamento fortemente promovido por Bolsonaro como uma cura para o coronavírus, poderia matar o vírus. 

Para apoiar essas alegações, as contas citaram a declaração inicial da Organização Mundial da Saúde de que a disseminação assintomática do COVID-19 era “muito rara,” sem incluir o esclarecimento subsequente de que os cientistas ainda precisam determinar a frequência da transmissão assintomática. 

A página também destacou a retração de um grande estudo da revista médica Lancet que levantou preocupações de segurança e eficácia sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19, mas não explicou que ainda não há evidências científicas conclusivas de que o medicamento seja um tratamento eficaz ou seguro para o vírus.

Uma página complementar do Facebook, também chamada “Bolsonaro News”, compartilhava o mesmo conteúdo que a página do Instagram.

As páginas do Bolsonaro News, principalmente no Instagram, também usavam memes para atacar ex-aliados de Bolsonaro, uma tática do suposto Gabinete do Ódio revelado no decorrer da investigação do Congresso. 

Esse comportamento persistiu durante a campanha eleitoral de 2018 e continuou depois que Bolsonaro assumiu o cargo.

Muitas dessas postagens foram publicadas durante o horário de trabalho, o que pode ser uma indicação de que Tercio Arnaud estava postando neste site — que não está oficialmente conectado à Presidência — durante o horário oficial de seu escritório.

Algumas páginas removidas pelo Facebook também usaram memes e imagens para atacar a Suprema Corte. 

A página do Facebook “Bolsoneas”, por exemplo, publicou um artigo citando a ex-secretária de Cultura Regina Duarte como dizendo que o Supremo Tribunal deveria ser fechado; a página sugeria que essa afirmação era uma das razões pelas quais apoiava Duarte. 

Além disso, uma página do Instagram chamada “Direita Zona Norte RJ”, conectada ao cluster do Rio de Janeiro, usou a hashtag #STFVergonhaNacional (“Supremo Tribunal Federal, vergonha nacional”), enquanto Vanessa Navarro usou a hashtag # STFEscritóriodoCrime (“STF Crime Office”) 

As duas hashtags estavam entre os termos de pesquisa que o Supremo Tribunal Federal incluiu em sua investigação e no mapeamento de ataques coordenados online contra a instituição.

Ampliando sites hiperpartidários

Dois dos maiores ativos da rede, como as páginas “Bolsoneas” no Instagram e no Facebook criadas por Leonardo Rodrigues de Barros Neto, também publicavam ataques contra os rivais políticos de Bolsonaro. 

Mas, diferentemente dos ativos do Bolsonaro News, as contas usavam manchetes e sites hiperpartidários, caracterizados como meios de comunicação, além de postar memes.

A contagem combinada de seguidores de ambas as páginas foi superior a 1 milhão de pessoas. 

Enquanto isso, no Twitter, uma conta com o mesmo nome que postou o mesmo conteúdo tem mais de 200.000 seguidores. 

Em 27 de maio de 2020, a Suprema Corte exigiu que o Twitter divulgasse informações sobre o proprietário da conta.

A maior parte dos sites pertencia a pessoas familiares ao ecossistema hiperpartidário de mídia do Brasil, com exceção de um: Jogo Político.

Jogo Político se descreve como uma “página digital independente formada por autores que têm acesso às notícias nos bastidores”. 

Os dados do WHOIS, no entanto, listam Leonardo Rodrigues como seu proprietário, indicando que, além das páginas “Bolsonéas”, Leonardo também está por trás das páginas do Instagram e do Facebook Jogo Político, que o Facebook removeu agora.

A página de Bolsonéas amplificava as histórias de Jogo Político.

O site Jogo Político começou a ser publicado em 23 de abril de 2020, mas a página do Facebook relacionada a ele foi criada vários dias antes, em 17 de abril. 

Por serem relativamente novos, esses ativos não foram capazes de reunir um número significativo de seguidores antes de serem retirados do ar, mas as evidências demonstram que essa rede se expandiu além do Facebook.

Ativos fora da plataforma também apareceram no cluster da rede conectada a Eduardo Bolsonaro. 

Paulo Chuchu é dono de um site chamado The Brazilian Post, que também teve suas páginas do Facebook e Instagram removidas. 

As páginas, assim como o site, promoveram a Aliança para o Brasil na cidade de São Bernardo do Campo, bem como atacaram os rivais do partido e a imprensa local. 

No Facebook,  The Brazilian Post também foi responsável por criar um grupo público chamado “Notícias de São Bernardo do Campo”.

O grupo, no entanto, não declarou publicamente que estava conectado à família Bolsonaro.

Jair Bolsonaro invocou muitas vezes o espectro das “notícias falsas” como um golpe político, acusando seus oponentes de realizar campanhas de desinformação em um esforço para minar seu governo. 

Esse dispositivo retórico é o favorito dos autoritários modernos porque serve a um objetivo duplo, agrupando ao mesmo tempo a base política e silenciando oponentes e os cães de guarda que trabalham para expor a corrupção do governo.

Vários membros do círculo interno de Bolsonaro estão atualmente sob investigação pelo Supremo Tribunal por supostas irregularidades, incluindo a orquestração de campanhas de assédio político contra os juízes do tribunal. 

Essas investigações apenas levaram Bolsonaro a intensificar seus ataques políticos à Corte, uma medida que muitos brasileiros consideram uma afronta à independência judicial.

Os aliados de Bolsonaro já foram acusados ​​de executar operações de informação, mas é a primeira vez que seus funcionários são conectados a contas não autênticas. 

Essa rede conduziu uma operação significativa e duradoura, que remonta a pelo menos a campanha presidencial de 2018 e acumulou uma audiência de milhões de pessoas, que fundiu spin político e desinformação com assédio online direcionado — uma receita aparentemente aperfeiçoada pelo suposto Gabinete do Ódio e detalhada no inquérito parlamentar em andamento.

Luiza Bandeira é pesquisadora associada, América Latina, do Digital Forensic Research Lab.

Esteban Ponce de León é assistente de pesquisa da América Latina no Laboratório de Pesquisa Digital Forense.

Zarine Kharazian é editora assistente do @DFRLab e está sediada em Washington, DC.

Jean le Roux é pesquisador associado, na África Subsaariana, do Digital Forensic Research Lab.

CPI das Fake News quer investigar contas derrubadas pelo Facebook

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A CPI das Fake News vai  investigar se a rede de 88 contas, páginas e grupos ligados a funcionários dos gabinetes do presidente Jair Bolsonaro e aliados derrubada pelo Facebook nesta quarta-feira (08) foi usada para  disseminar conteúdo criminoso . O presidente do colegiado, Angelo Coronel (PSD-BA), quer acesso às mensagens dessa rede.

“Não vamos fazer um pré-julgamento. As contas foram retiradas do ar por serem consideradas inautênticas. Agora, é importante  ter acesso ao conteúdo para investigar se elas disseminaram mensagens difamatórias”, diz o senador.

Entre os perfis derrubados, estão  contas ligadas a funcionários dos gabinetes do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e dos deputados estaduais Alana Passos e Anderson Moraes, ambos do PSL no Rio de Janeiro. Para o Facebook, o conjunto removido agia para  enganar sistematicamente o público, sem informar a verdadeira identidade dos administradores, desde as eleições de 2018.

A mensagem divulgada pela plataforma afirma que a investigação sucedeu reportagens nas quais foi relatada a existência de uma  estrutura virtual montada por bolsonaristas — chamada por opositores “Gabinete do Ódio” — e depoimentos sobre o tema colhidos no Congresso durante a CPI das Fake News.

O  acesso ao conteúdo dessas contas derrubadas vai ser pedido por Coronel via CPI das Fake News. Os trabalhos do colegiado estão suspensos em função da pandemia do coronavírus. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), acolheu pedido de Angelo Coronel para que o prazo de trabalho da comissão não seja contado enquanto o Congresso não consegue se reunir presencialmente. Apenas sessões plenárias têm ocorrido de forma remota.

Assim, eventuais requerimentos sobre a decisão do Facebook devem ser  analisados no retorno dos trabalhos da CPI.

Para Angelo Coronel, a decisão do Facebook está em “consonância” com a proposta que pretende combater fake news aprovada pelo Senado há duas semanas. O texto está na Câmara agora. “Pela proposta, a retirada de contas falsas fica por conta das plataformas. O Facebook agiu dentro do que aprovamos no Senado. Espero que se aprove na Câmara também e que as outras plataformas consigam meios para descobrir o autor de contas falsas e de depreciações”.

Relatora da CPI das Fake News, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA) diz que a  eliminação das contas “não chega a causar espanto para nós que temos trabalhado na CPI das Fake News desde o ano passado”.

“Nossas investigações sempre  apontaram para uma rede de desinformação que pode sim ter influenciado o pleito eleitoral de 2018 e que continua atuante com fortes suspeitas de amplo apoio da família Bolsonaro. Neste momento, entendemos que as plataformas se juntam a todos aqueles e aquelas que lutam por liberdade de expressão, mas também por responsabilidade nas redes e pelo combate à desinformação e contra qualquer prática de discursos caluniosos e que espalham o ódio por todo o nosso país”, disse, em nota.

Moro comemora suspensão de contas, “rede de mentiras”

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública,  Sergio Moro, utilizou suas redes sociais para comemorar a remoção de perfis e páginas ligadas ao PSL e a funcionários dos gabinetes da família Bolsonaro. As postagens foram feitas pelo magistrado no fim da tarde desta quarta-feira (8).

Na postagem, Moro diz ter sido vítima do que ele chamou de “rede de mentiras” e afirmou que as pessoas “perderam qualquer senso de decência”.

Facebook derruba perfis de fake news ligados ao PSL e à família Bolsonaro

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O Facebook derrubou nesta quarta-feira, 8, uma rede com 88 contas, páginas e grupos ligados a funcionários dos gabinetes de Jair Bolsonaro e aliados, informa O Globo.

Entre esses aliados estão, além de Flávio e Eduardo Bolsonaro, os deputados estaduais Alana Passos e Anderson Moraes, ambos do PSL do Rio.

De acordo com a rede social, todos os perfis removidos –tanto no Facebook como no Instagram– agiam para enganar sistematicamente o público, sem informar a verdadeira identidade dos administradores, desde as eleições de 2018. Eles mobilizavam uma audiência de mais de 2 milhões de pessoas.

Os dados foram analisados por pesquisadores americanos do Digital Forensic Research Lab, especializados no combate à desinformação, às fake news e à violação de direitos humanos em ambientes on-line.

A nota em que o Facebook explica a remoção dos conteúdos diz que o esquema envolvia a combinação de contas duplicadas e falsas, cujo objetivo era evitar a fiscalização da plataforma.

Os perfis representavam pessoas fictícias, que publicavam conteúdos em páginas simulando a atividade de veículos de imprensa.

Após saída de Unilever, Coca-Cola e Ford, Facebook diz que vai se submeter a auditoria

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O Facebook disse na segunda-feira (29) que se submeterá a uma auditoria que vai avaliar a atual política de anúncios, conteúdo pago e controles de segurança de marca. 

A medida é uma tentativa de apaziguar o crescente boicote publicitário à plataforma, enquanto se prepara para se dirigir a um grupo de anunciantes nesta terça-feira (30). Deixaram a plataforma nesta semana a Coca-Cola, Ford, Unilever e Starbucks que assinarem a campanha “Stop Hate for Profit”(“Dê um Basta no Ódio por Lucro”, em tradução livre), iniciada por grupos de direitos civis dos EUA, que pedem que as marcas interrompam seus anúncios no Facebook em julho para pressionar a gigante de mídia social para fazer mais para acabar com o discurso de ódio. Os organizadores do movimento pretendem conquistar apoio global.

O que o Facebook tem feito

Na sexta-feira (26), o Facebook anunciou que começaria a rotular publicações com potencial de causar dano ou desinformação. 

O fundador da empresa, Mark Zuckerberg, também disse que vai proibir anúncios que digam que “pessoas de raças, etnias, nacionalidades, religiões, castas, orientações sexuais, identidades sexuais ou status de imigração específicos” são uma ameaça aos demais. 

Com uma perda de US$ 56 bilhões (R$ 306,8 bilhões) do valor de mercado do Facebook na última sexta, quando as ações caíram 8% na bolsa de Nova York, Zuckerberg viu sua fortuna diminuiu em US$ 7,2 bilhões (R$ 39,4 bilhões), segundo a agência Bloomberg.

Zuckerberg, do Facebook, critica Twitter por ter desmentido Trump; Twitter rebate, “informações falsas serão contestadas”

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Declarações do fundador do Facebook foram dadas em entrevista a Fox News; Trump ameaça medidas contra redes sociais

O presidente americano Donald Trump, conhecido por postar informações distorcidas, ataques sem provas a adversários e posicionamentos polêmicos não gostou de ter seus tuítes marcados como ‘incorretos’ no início desta semana.

A confusão começou quando o  Twitter divulgou na terça-feira, 26, um rótulo de checagem de fatos nos tuítes do presidente americano, uma resposta a críticas de longa data de que a empresa é muito negligente quando se trata de policiar desinformação e falsidades propagadas por líderes mundiais.

A medida foi feita em resposta a dois tuítes de Trump em 24 horas. Os tuítes alegaram falsamente que as cédulas por correio são fraudulentas. A tarja do Twitter diz: “Conheça os fatos sobre as cédulas por correspondência” e redireciona os usuários para artigos de notícias sobre a alegação infundada de Trump. 

Os tuítes, disse a porta-voz do Twitter Katie Rosborough, “contêm informações potencialmente enganosas sobre os processos de votação e foram rotulados para fornecer um contexto adicional em torno das cédulas por correio”.

O fundador do Facebook, outra rede conhecida por permitir a disseminação indiscriminada de notícias falsas pelo mundo, Mark Zukerberg em entrevista a Fox News, disse que “não é o lugar das empresas privadas interferir no que as pessoas dizem online”. Vale lembrar que o Facebook no Brasil também tem um serviço de checagem de fatos e marca as postagens falsas.

O CEO do Twitter, Jack Dorsey, imediatamente reagiu dizendo que o site continuaria a chamar ‘informações incorretas ou contestadas’ sobre as eleições compartilhadas pelos usuários.

A briga entre Zuckerberg e Dorsey veio depois que Trump disse que assinará algum tipo de ordem executiva focada em ‘mídias sociais’ na quinta-feira em meio à brecha com o Twitter sobre as verificações de fatos em seus tweets.

Na entrevista à Fox, Zuckerberg disse que não era o lugar da empresa agir como um ‘árbitro da verdade’.

“Temos uma política diferente do que eu acho, no Twitter”, disse ele.

“Eu acredito firmemente que o Facebook não deve ser o árbitro da verdade de tudo o que as pessoas dizem online”, acrescentou.

“As empresas privadas provavelmente não deveriam estar, especialmente essas empresas de plataforma, não deveriam estar em posição de fazer isso”.

Dorsey, do Twitter, imediatamente contestou os comentários, afirmando que a decisão de verificar os fatos ‘não nos torna um “árbitro da verdade” “.

Checar a veracidade dos fatos: existe alguém responsável por nossas ações como empresa, e esse sou eu. Por favor, deixe nossos funcionários fora disso. Continuaremos apontando informações incorretas ou contestadas sobre as eleições em todo o mundo. E admitiremos e possuiremos os erros que cometemos ‘, escreveu ele.

‘Isso não nos torna um“ árbitro da verdade ”. Nossa intenção é conectar os pontos de declarações conflitantes e mostrar as informações em disputa para que as pessoas possam julgar por si mesmas. Maior transparência nossa é fundamental para que as pessoas possam ver claramente o porquê de nossas ações.

“De acordo com nossa política de integridade cívica, os tweets de ontem (terça-feira) podem induzir as pessoas a pensar que não precisam se registrar para obter uma votação (apenas os eleitores registrados recebem votação)”, acrescentou.

“Estamos atualizando o link no tweet de @ RealDonaldTrump para deixar isso mais claro”.

O racha entre os fundadores do Facebook e do Twitter ocorreu depois que o presidente Trump disse que ele assinaria algum tipo de ordem executiva focada nas ‘mídias sociais’ na quinta-feira.

No início da quarta-feira, Trump exigiu que as plataformas de mídia social ‘limpem seu ato’, pois ele alertou que seu governo começará a regular e até fechar esses sites depois que o Twitter, pela primeira vez, verificou seus tweets.

“Eu tenho que entender o que eles realmente pretendem fazer”, disse Zuckerberg à Fox em resposta ao aviso do presidente.

“Mas, em geral, acho que um governo que escolhe censurar uma plataforma porque está preocupado com a censura não me parece exatamente o reflexo certo lá.”

Trump emitiu o aviso depois de reagir com fúria a ter dois de seus tweets rotulados como enganosos na terça-feira, com links para artigos de notícias sugerindo que eles eram falsos.

Os tweets duvidosos do presidente sugeriram que a iniciativa de votação por correio da Califórnia levaria a uma substancial fraude eleitoral nas eleições gerais de novembro.

O Twitter rotulou os tweets com um ponto de exclamação azul, levando os usuários a ‘obter os fatos sobre as cédulas por correio’.

Outra página no site de mídia social chamou os tweets de Trump de “sem fundamento”, de acordo com verificadores da CNN, Washington Post e outros veículos de notícias.

“Esses tweets contêm informações potencialmente enganosas sobre os processos de votação e foram rotulados para fornecer um contexto adicional sobre as cédulas por correio”, dizia um comunicado do Twitter.

Por outro lado, no mesmo dia, Jack Dorsey, do Twitter, recusou-se a derrubar os tweets do presidente, onde divulgou uma teoria da conspiração de que o apresentador do MSNBC Joe Scarborough estava envolvido na morte de um funcionário quando ele era um congressista republicano dos EUA na Flórida.

O Facebook já havia enfrentado uma reação de usuários que consideram o site insuficiente para combater a disseminação de informações erradas.

O gigante da mídia social deixou o post de Trump sobre as cédulas por correio na terça-feira, intocado.

Painel Político com informações da Fox News e Estadão

Zuckerberg cita exclusão de post de Bolsonaro como exemplo de que Facebook age contra informações falsas

Painel Político - https://revista.painelpolitico.com

Rede social removeu publicação do presidente brasileiro por violação das regras. Zuckerberg disse que todo o conteúdo que cause “dano imediato” será apagado

Mark Zuckerberg disse nesta quinta-feira (21) que o Facebook está removendo informações falsas sobre o coronavírus e deu o exemplo sobre a exclusão de publicação do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. 

O Facebook retirou uma alegação do presidente brasileiro Jair Bolsonaro de que os cientistas “mostraram” que havia uma cura para o coronavírus. 

“Isso obviamente não é verdade e é por isso que a removemos. Não importa quem diga isso”, disse Zuckerberg, em entrevista à rádio pública britânica BBC. 

O Facebook removerá da plataforma todo o conteúdo que cause “dano imediato” a qualquer usuário, acrescentou Zuckerberg. 

No final de março, Facebook e Instagram removeram vídeo publicado por Bolsonaro por violação das regras das redes sociais.

Via France Press

Facebook anuncia exclusão de mais de 50 milhões de postagens falsas

Painel Político - https://revista.painelpolitico.com

Conteúdos eram relativos ao coronavírus e foram considerados nocivos.

A rede social Facebook publicou nesta terça-feira (12) relatório sobre as ações tomadas para prevenir a disseminação de conteúdos falsos ou duvidosos na internet. Segundo o Relatório de Aplicação dos Padrões da Comunidade, cerca de 50 milhões de postagens relacionadas ao novo coronavírus, publicadas tanto no Facebook quanto no Instagram, foram consideradas incompatíveis com as políticas da empresa.

“Passamos os últimos anos construindo ferramentas, equipes e tecnologias para ajudar a proteger as eleições de interferências, evitar a disseminação de desinformação em nossos aplicativos e manter as pessoas protegidas de conteúdos nocivos”, afirma o vice-presidente de Integridade do Facebook, Guy Rosen, em comunicado.

O relatório do Facebook diz também que a maior parte do trabalho de filtragem de conteúdo é feito por algoritmos de inteligência artificial que identificam conteúdos abusivos com expressões de discurso de ódio, nudez adulta e atividades sexuais, violência e conteúdo explícito, bullying e assédio.

Apenas uma parte da filtragem é reavaliada por revisores de conteúdo, enquanto a maior parte é excluída automaticamente. “Trabalhamos com mais de 60 organizações de verificação de fatos que revisam e classificam conteúdos em mais de 50 idiomas ao redor do mundo. No mês passado, continuamos a expandir nosso programa para adicionar mais parceiros e idiomas. Desde o início de março, adicionamos oito novos parceiros e expandimos nossa cobertura para mais de uma dúzia de novos países”, revela Rosen.

As postagens removidas que continham desinformação sobre o novo coronavírus foram avaliadas com base em 7.500 artigos científicos usados para comparar fatos entre os textos publicados nas redes sociais e o entendimento médico-científico atual sobre a doença.

O levantamento também marca a primeira vez que o Facebook e Instagram divulgam informações sobre apelações feitas por usuários de ambas as plataformas. De janeiro a março de 2020, das 2,3 milhões de postagens excluídas por violação dos termos de uso, 613 mil foram restauradas após análise de avaliadores.

Fake news

O relatório destaca ainda o esforço da empresa para conter o avanço e a disseminação de notícias falsas.

O Facebook anunciou parceria com a International Fact-Checking Network (IFCN) em um contrato de US$ 1 milhão que inclui os serviços de 13 organizações de verificação de fatos em todo o mundo.

Foto: Pixabay

Facebook apaga página de Sikera Júnior por violar políticas da rede

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Apresentador tinha 2,6 milhões de seguidores

O apresentador do programa ‘Alerta Nacional’, Sikera Júnior, alega que teve sua página no Facebook apagada pela empresa americana nesta quarta-feira por violar as condutas da rede social.

A mensagem que aparece no endereço diz que “O link que você seguiu pode ter expirado, ou a página pode estar visível apenas para um público no qual você não está incluído”.

A informação sobre a página foi postada pelo próprio apresentador em sua conta do Instagram, nesta quarta-feira.

Sikera Júnior ficou nacionalmente conhecido por suas opiniões controversas a respeito de diversos temas. Ele também tem apoiado publicamente as políticas do presidente Jair Bolsonaro, inclusive as de quebrar as medidas de isolamento recomendas pela Organização Mundial de Saúde.

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Valeu Facebook pela censura!

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Facebook escapa de indenizar família de mulher linchada após ‘fakenews’

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Juiz de Primeiro Grau disse que a empresa americana não tem culpa por propagar notícias falsas

Um juiz de primeiro Grau da justiça paulista abriu um perigoso precedente ao livrar o Facebook de indenizar a família de Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, que morreu na manhã no dia 5 de maio de 2014, dois dias após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo.

A agressão ocorreu no bairro Morrinhos, após a um boato gerado por uma página em uma rede social que afirmava que a dona de casa sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra.

O marido e os filhos de Fabiane ingressaram na justiça em 2019 pedindo uma indenização de R$ 36 milhões do Facebook, a quem eles atribuem a culpa pelo assassinato na mulher.

O advogado Airton José Sinto Júnior contou que apresentou como tese para a indenização o fato de esse ter sido o primeiro caso de fake news que ocasionou uma morte e que teve repercussão internacional, além de juntar falas do criador da plataforma, Mark Zuckerberg, admitindo que não havia uma ferramenta para poder evitar a veiculação de notícias falsas.

Segundo Airton, na ação, o juiz Chistopher Alexandre Roisin, da 3º Vara Cível do Foro Central de São Paulo, entendeu que o Facebook não é culpado pelo crime e a empresa não tinha obrigação de tirar a postagem do ar e, por isso, julgou improcedente o pedido de indenização. Além disso, na sentença, o magistrado reconheceu que o prazo para o pedido de indenização prescreveu para o marido da vítima, já que é previsto por lei que o processo indenizatório seja aberto em até três anos após o reconhecimento do crime por parte da Justiça.

Para o defensor da família, a decisão de isentar a empresa é um absurdo e cria um precedente perigosíssimo. “A pessoa pode criar um perfil apócrifo, lançar o que quiser na rede, criar um tumulto na sociedade, como foi o caso, e o Facebook, que é quem veicula e permite que seja patrocinado, é absolutamente isento de qualquer responsabilidade. Essa decisão é terrível e perigosa” finaliza Airton.

Como a decisão cabe recurso, pois foi julgada em 1ª instância, o advogado afirmou que recorrerá a respeito da sentença e tentará reverter o quadro. 

Com informações do G1

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