Quadrilha tira R$ 5 milhões de mulher em esquema com sede falsa da PF

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Tratava-se de mais uma das supostas trapaças sofridas por ela em esquema que envolveu ao menos oito pessoas (entre policiais, advogados e empresários)

O coração da empresária Sueli Maluta, 69, acelerou ao ver o símbolo da Polícia Federal fixado no lugar ao qual foi levada para uma reunião, no início de 2016, em Piracicaba (SP). Passava mal só de pensar na hipótese de ser presa e, por isso, aceitou pagar os R$ 800 mil solicitados para que fossem resolvidas pendências criminais contra ela.

Só tempos depois ela viria a descobrir que o cenário era falso. Tratava-se de mais uma das supostas trapaças sofridas por ela em esquema que envolveu ao menos oito pessoas (entre policiais, advogados e empresários), durou cerca de três anos e conseguiu tirar dela cerca de R$ 5 milhões.

Seis pessoas foram condenadas pela Justiça em setembro por participação no esquema. As penas variam de 2 a 28 anos de prisão. Todos se declaram inocentes e recorrem em liberdade da decisão de primeira instância. A Promotoria também recorre para aumentar a pena.

O imbróglio vivido pela empresária de Rio Claro (SP) teve início, conforme ela contou à Justiça em um acordo de delação premiada, em julho de 2014, quando recebeu visita do investigador de polícia André Luís Barbalho de Toledo.

O policial disse que o delegado Marcos Garcia Fuentes, então integrante da cúpula da Polícia Civil da cidade e que conduzia inquéritos contra Sueli, investigada por sonegação fiscal, solicitava R$ 100 mil para beneficiá-la.

Sueli disse à Justiça que acredita ter pago, em 12 meses, algo próximo de R$ 400 mil a Fuentes. Tornou-se íntima do delegado e aceitou dele indicação para contratar o advogado Marcelo Aith e, também, para receber conselhos do empresário Cristiano Sorano, dono de lojas de veículos.

Em setembro de 2015, ela também conheceu outras pessoas indicadas por essas novas amizades, o também advogado Alcyr Menna Barreto de Araújo Filho, ex-promotor de Justiça (exonerado), e os “abridores de portas” Carlos Eduardo Guimarães Marques e Almir Aparecido dos Santos.

Segundo a sentença, Aith e outro investigado no processo (Mário Rogério dos Santos, absolvido) disseram a Sueli que um rapaz a levaria à sede da Polícia Federal em Piracicaba, onde “as coisas poderiam ser ajeitadas”.

“Foi levada em um local em que havia um brasão da Polícia Federal, mas posteriormente soube que não era a Polícia Federal”, disse Sueli à Justiça. “Nessa ocasião, Carlos Eduardo pediu R$ 800 mil para ‘resolver tudo’.”

Sueli continuou realizando outros pagamentos ao longo do tempo até que, no início de 2017, foi levada a um hotel com a promessa de que iria conversar pessoalmente com um promotor, primo de Carlos Eduardo. Era outro engodo. Ela acabou assinando um contrato no valor de R$ 3,8 milhões, que incluía imóveis da família estimados em R$ 2,5 milhões.

As supostas extorsões sofridas por Sueli só foram descobertas porque em 17 de julho de 2017 ela foi, de fato, alvo de uma operação do Gaeco por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Na busca e apreensão, os promotores encontrariam indícios da extorsão. Presa, Sueli fez o acordo de delação premiada.

De acordo com a sentença de Caio Cesar Ginez Almeida Bueno, há provas que corroboram a versão de Sueli. “Verifica-se que Sueli não pode ser definida apenas como uma velhinha indefesa, tampouco apenas como uma criminosa astuta. Sueli é uma pessoa complexa, com seus próprios traços de personalidade e peculiaridades”, escreveu o juiz.

O promotor André Camilo Castro Jardim, integrante do grupo que investigou o esquema, afirma nunca ter visto algo parecido com que foi descoberto em Rio Claro, dada “a estrutura e sofisticação do esquema, envolvendo agentes públicos, advogados, empresários.”

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Fraudes na internet atingem 12 milhões no Brasil

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Atriz mirim foi mais uma vítima de golpe. Veja dicas sobre como se proteger

Golpes de falsas vendas na internet ainda são comuns e, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mais de 12 milhões de consumidores sofreram alguma fraude financeira nos últimos 12 meses.

Um caso recente foi o da atriz mirim da Record Myrella Victória. Acreditando que estava realizando uma parceria com uma suposta loja de eletrônicos, no Instagram, em troca da compra de um celular com 50% de desconto, a mãe da menina, Paula Oliveira, perdeu R$ 2 mil ao efetuar o pagamento do produto, na última quinta-feira.

Mãe da atriz Myrella Victória foi enganada ao tentar fechar parceria – Reprodução Instagram

O professor de Direito Civil da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) explicou que a relação de compra e venda através de redes sociais tem a ver com a confiança estabelecida entre quem está negociando. O especialista ainda explicou o que fazer para evitar cair num golpe na internet.

“Na rede social, as vendas são feitas sem intermediação de uma rede. É importante estabelecer o mínimo de contato com o vendedor, pedir documentos, pesquisar se tem amigos em comum, se algum amigo já conhece ou negociou com a marca. E uma dica importantíssima é não comprar por impulso e pesquisar bastante antes de fechar o negócio”, disse.

A rede de comércio eletrônico mais indicada ainda são os sites. O Procon do Rio também deu dicas: “A primeira coisa é ficar atento na hora de uma compra pelo site e verificar se tem o certificado de segurança, emitido por empresas autorizadas, além de observar se o endereço do site começa com ‘https’ e ver se tem um cadeado fechado.

Indicamos que evitem fazer compras usando computadores e redes de wifi que não sejam de uso pessoal. O consumidor deve sempre verificar em redes sociais o que outros estão falando sobre o site, verificar CNPJ, razão social e opções de contato”.

Por Thuany Dossares – O Dia

Conheça 5 grandes farsas na história do Vale do Silício

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O Vale do Silício é berço de algumas das empresas mais inovadoras do mundo. Startups que apostam no futuro da tecnologia e até os maiores pensadores da revolução digital que vivemos hoje fizeram história neste canto dos Estados Unidos ao longo dos anos.

Mas talvez menos famosos sejam os fracassos do Vale do Silício: as histórias de startups que arrecadaram milhões em investimentos, chamaram a atenção da imprensa e do mundo, mas acabaram falindo por não conseguir realizar suas promessas.

Confira a seguir algumas das ideias geradas no berço da inovação dos Estados Unidos, mas que acabaram se mostrando fraudes.

  • Theranos e o revolucionário exame de sangue que não existia
Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos. Foto: AP/Jeff Chiu
Elizabeth Holmes, fundadora da Theranos. Foto: AP/Jeff Chiu

A Theranos surgiu com uma promessa de revolucionar o setor da saúde. A empresa dizia ter desenvolvido um sensor capaz de detectar qualquer alteração no sangue de um paciente com apenas uma amostra bem menor do que qualquer exame comum de sangue: uma simples gota.

Após receber mais de US$ 1 bilhão em investimentos mentindo a respeito da capacidade do seu produto, falsificando testes clínicos e prometendo o impossível para investidores e jornalistas, a Theranos perdeu tudo após uma investigação da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos.

  • Juicero e a máquina de fazer sucos que não servia de nada
A máquina de fazer sucos da Juicero. Foto: Michael Kovac/Getty
A máquina de fazer sucos da Juicero. Foto: Michael Kovac/Getty

A Juicero não tinha pretensão de revolucionar o mercado, mas apenas a vontade de vender uma máquina de sucos conectada à internet. O dispositivo exigia pacotes de frutas picadas vendidos pela mesma empresa, que eram pressionados pela máquina e, assim, produziam as bebidas naturais.

Cerca de um ano após o lançamento da Juicero, a imprensa norte-americana descobriu que os pacotes poderiam ser pressionados com as mãos para produzir o suco, de modo que a máquina de US$ 700 não tinha qualquer utilidade. A notícia foi desastrosa para a imagem da startup, que acabou fechando as portas meses depois.

  • Honest Company, a empresa que não era tão honesta assim
Jessica Alba e os produtos da Honest Company. Foto: AP
Jessica Alba e os produtos da Honest Company. Foto: AP

Mesmo com o “atrevido” nome de Honest Company (“empresa honesta” ou “empresa sincera” em tradução livre), tudo o que esta startup não foi com seus clientes e investidores foi honesta. A empresa foi fundada pela atriz Jessica Alba em 2011 com a proposta de vender produtos domésticos com ingredientes naturais.

Mas testes feito por laboratórios independentes mostraram que, ao contrário do que diziam na embalagem, muitos produtos da Honest Company possuíam, sim, químicos sintéticos. A empresa negou todas as acusações, mas concordou em pagar US$ 7,3 milhões para encerrar um processo movido por clientes que se sentiram enganados.

  • Virgin Hyperloop One e o transporte do futuro que descarrilou
Campo de testes da Virgin Hyperloop One próximo de Las Vegas, nos EUA. Foto: Getty
Campo de testes da Virgin Hyperloop One próximo de Las Vegas, nos EUA. Foto: Getty

Quando Elon Musk tornou pública sua ideia futurista de um sistema de transporte por tubos, várias empresas resolveram comercializar o projeto. Uma delas é a Virgin Hyperloop One, que chegou a levantar mais de US$ 472 milhões em financiamento antes de ficar mal vista no mercado.

O que houve foi que ex-funcionários e até o ox-CEO da empresa abriram uma série de processos contra a startup, relatando episódios de abuso moral e sexual e infrações a leis trabalhistas. Além disso, um dos executivos do alto escalão da empresa foi preso na Rússia por um esquema de corrupção sem ligação com a Hyperloop, mas que manchou a imagem da empresa assim mesmo.

  • Pixelon, o ‘pré-YouTube’ que não conseguia exibir vídeos
Pixelon
Pixelon

Muito antes da era dos aplicativos, o movimento que chacoalhou o Vale do Silício no início do século 21 foi o das “ponto-cons” – empresas baseadas em serviços online que formaram uma bolha de investimentos nos anos 2000. Uma das startups atingidas pelo estouro da bolha foi o Pixelon.

Antes mesmo da criação do YouTube, o Pixelon prometia ser uma plataforma de vídeo online e transmissões ao vivo. Mas a tecnologia do site não ficou pronta e nenhuma transmissão foi feita pelo serviço. Além disso, o fundador da empresa foi preso por ter enganado idosos quando usava outro nome.

Ex-gerente do Banco do Brasil é alvo de ação da PF que apura desvio de R$ 12 milhões em linhas de crédito

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Chamada de Sine Causa, a operação cumpre 25 mandados de busca e apreensão em seis cidades goianas

A Polícia Federal em Goiás realiza, nesta quarta-feira (26), a Operação Sine Causa, que pretende recolher provas do desvio de R$ 12 milhões do Banco do Brasil por meio de linhas de créditos a empresários e laranjas. Segundo a PF, um dos investigados é ex-gerente do banco e trabalhou na agência de Crixás, no norte goiano, – uma das seis cidades onde são cumpridos mandados de busca e apreensão.

Banco do Brasil ainda não se manifestou sobre a operação.

As investigações apontam que o grupo, junto com esse ex-gerente, fraudavam os financiamentos de três linhas de crédito no banco:

  • Financiamento de Desenvolvimento Rural (FCO Rural)
  • Financiamento para Investimento dos Médios Produtores Rurais (Pronamp Custeio)
  • Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)

A PF disse que os desvios só foram possíveis por causa da participação do funcionário do banco. Segundo a corporação, ele facilitava a abertura de contas e aprovava os créditos em “prazos meteóricos” – uma delas foi aprovada no mesmo dia em que foi pedida.

No total, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. Além de Crixás, onde o ex-gerente trabalhou, também há alvos em Anápolis, Goiânia, Nova América, Nova Crixás e Rubiataba.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, a operação foi batizada de Sine Causa, do latim, por causa dos valores que o grupo desviou “sem causa legítima”.

Com G1/GO

Polícia do DF deflagra operação em oito estados por desvios no Banco do Brasil

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Alvos são ex-funcionários da estatal e donos de empresas terceirizadas. Investigação cumpre 17 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão

A Polícia Civil do Distrito Federal deu início, na manhã desta quinta-feira (9), a uma megaoperação em oito estados e no DF para prender suspeitos de desviar quase R$ 30 milhões do Banco do Brasil entre 2017 e 2018.

Ao todo, a investigação deve cumprir 17 mandados de prisão temporária e 28 de busca e apreensão em Pernambuco, Goiás, Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e no DF até o fim do dia.

Entre os alvos estão dois ex-funcionários do banco estatal e empresários de 11 empresas terceirizadas que tinham contrato com a instituição financeira para cobrar dívidas de clientes.

Segundo a polícia, quando o cliente do banco quitava a dívida após contato com a terceirizada, o Banco do Brasil, automaticamente, pagava uma comissão. Só que, em alguns casos, o sistema apresentava inconsistência – uma espécie de erro técnico – e o pagamento tinha que ser feito manualmente por um servidor.

Dessa forma, o banco pagava um valor a mais para a prestadora de serviços e “recebia de volta um valor de propina”, apontou a investigação.

Os policiais civis identificaram que um dos responsáveis por esse pagamento, à época, chegou a receber R$ 4 milhões em créditos ao longo de dois anos. O suspeito foi demitido pelo próprio banco em janeiro. Um outro ex-funcionário também teria recebido R$ 900 mil na conta. A operação foi batizada de Crédito Viciado.

A operação é feita pela Coordenação de Combate ao Crime Organizado (Cecor) e envolve 140 agentes da unidade e de outras delegacias no país.

Denúncia

Foi o Banco do Brasil quem denunciou o esquema para a polícia após uma auditoria interna que descobriu o rombo. Com a investigação, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 16 milhões das contas dos suspeitos.

A prisão é temporária e vale por cinco dias. O grupo vai responder pelos crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

G1

Operação tenta prender 128 pessoas envolvidas em fraude ambiental de R$ 150 milhões em MT

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A operação é resultado de uma investigação da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) que observava a atuação de uma organização criminosa que atuava na Sema, fraudando o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora)

Uma operação para prender 128 pessoas suspeitas de envolvimento em uma fraude ambiental que ultrapassa R$ 150 milhões foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (13), pela Polícia Civil de Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, além das prisões, devem ser cumpridos 12 mandados de buscas e apreensão. A Operação foi intitulada de ‘Terra à vista’.

Os alvos são representantes legais e operacionais, engenheiros florestais e ex-servidores da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

A operação é resultado de uma investigação da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) que observava a atuação de uma organização criminosa que atuava na Sema, fraudando o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora).

Os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, expedidos pela Juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Ana Cristina Mendes, são cumpridos em vários municípios: Cuiabá, Várzea Grande, Alta Floresta, Nova Monte Verde, Apiacás, Paranaíta, Nova Bandeirantes, Peixoto de Azevedo, Guarantã do Norte, Itaúba, Matupá, Marcelândia, Cláudia, Santa Carmem, Ipiranga do Norte, Feliz Natal, Sorriso, Sinop, Juara, Aripuanã, Porto dos Gaúchos, Castanheira, Arenápolis.

O trabalho de apuração começou em 2014 com o auxílio de uma auditoria realizada pela própria Sema, que descobriu um esquema de fraude no sistema na criação de créditos florestais, beneficiando diversas empresas do ramo madeireiro e terceiros. O grupo colocava dados falsos no sistema.

Muitos créditos circularam para outras empresas gerando guias florestais que podem ter sido usadas para acobertar operações ilegais, promovendo, em tese, tanto a circulação de produto florestal de origem ilícita, quanto à lavagem dos valores correspondentes a essas mercadorias ilegais (madeiras extraídas ilegalmente, lavagem de dinheiro).

Mandados cumpridos

Cuiabá:

  • Theophilo Nelson Cunha
  • Juliana Aguiar da Silva

Várzea Grande:

  • Edmilson Rodrigues da Silva
  • Alex Sandro de Medeiros Nascimento

Itaúba:

  • Edvaldo Luiz Dambros
  • Guarantã do Norte:
  • Jonas Moreira Ribeiro

Sinop:

  • César Farias
  • Fernando Bruno Crestani
  • Getúlio da Silva Pinto
  • Antenor Baldono dos Santos
  • Artêmio Afonso Pontello
  • Byron Robaldino Félix
  • Juarez Didone
  • Leonardo Crestani
  • Luiz Derli Xavier Martins
  • Michel Douglas de Paula Rocha
  • Paulo Menegazzo

Alta Floresta:

  • Ricardo Gonçalves Dias
  • Flávio Luiz Rosa
  • Paulo de Souza Peres

Nova Bandeirantes:

  • Jaqueline Ortega Inácio

Arenápolis:

  • Cláudia Regina Faganelo

Como fraudes de madeireiras ameaçam a sobrevivência do ipê na Amazônia

Segundo autores de pesquisa publicada na revista científica “Science Advances”, madeireiras superestimam volume de madeira extraída legalmente para acobertar origem de ipês retirados de áreas protegidas.

O trabalho foi publicado em um artigo na revista científica Science Advances. A partir dele espera-se identificar e coibir as empresas e os técnicos de manejo florestal envolvidos nas fraudes.

“Os madeireiros estão superestimando os volumes de madeira que alegam existir nas áreas que desejam explorar, especialmente de ipê, que é a madeira mais cara e a mais procurada”, afirma o engenheiro agrônomo Pedro Brancalion, pesquisador na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba.

Seu colega na Esalq, o também engenheiro agrônomo Edson Vidal, vai além: “Alguns poucos engenheiros agrônomos responsáveis pela vistoria das áreas de mata a ser explorada inflam o volume das espécies mais valiosas. Fazem isso para poder incluir nos carregamentos legais de madeira troncos de ipê extraídos ilegalmente de reservas indígenas, de áreas de conservação ou nas reservas obrigatórias de mata nativa que cada fazenda é obrigada a manter”. Brancalion e Vidal pesquisam o manejo florestal de espécies nativas tropicais.

Para entender como e por que os planos de manejo estão sendo fraudados, é preciso conhecer o processo legal de exploração de madeira na Amazônia. Cada fazenda na região é obrigada a manter uma reserva florestal que corresponde a 80% da área total da propriedade, conhecida como reserva legal.

A extração controlada de madeira nas áreas de reserva legal é permitida, desde que siga certos critérios. Deve-se contratar um engenheiro agrônomo para fazer o plano de manejo e acompanhar o trabalho das madeireiras. Esse profissional deve contar todas as árvores de cada espécie que existem na área que se quer explorar. Ao fazê-lo, ele coloca plaquinhas de identificação nos troncos.

Existe um volume máximo de cada espécie comercial, como ipê, jatobá ou cumaru, que pode ser derrubada em cada área. As árvores devem ter um tronco com diâmetro superior a 60 centímetros, ou seja, são árvores maiores e mais antigas. Mas nem todas elas podem vir abaixo. “No caso do ipê, é preciso manter um mínimo de três árvores por hectare, para garantir o repovoamento da área,” diz Brancalion.

É a partir da contagem das árvores que o agrônomo tem condições de estimar a quantidade em metros cúbicos de madeira de cada espécie que pode ser extraída naquele local. Essas quantidades fazem parte do plano de manejo, que é submetido à aprovação de fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do Pará.

Uma vez aprovado o plano de manejo, é emitida uma licença (ou Autorização de Exploração Florestal). Só aí podem ser derrubadas, mas apenas aquelas indicadas no plano de manejo e dentro do volume máximo previsto. O agrônomo responsável deve acompanhar o manejo e colocar placas de identificação, especificando a espécie de cada tora retirada, assim como especificando o toco ao qual pertence cada madeira removida.

“Apenas troncos certificados podem circular pelas rodovias, para envio aos centros consumidores no Sudeste do país. Se houver toras sem certificação, o caminhão é barrado pela polícia na estrada,” explica Vidal.

“Nos casos que parecem estar sendo fraudados, os madeireiros alegam ter extraído, por exemplo, aquelas dez toras de ipê constantes no plano de manejo aprovado (mas que, na verdade, não existiam na região de exploração)”, diz Vidal.

“Mas não é isso que de fato fazem. Os madeireiros derrubam dez árvores, mas talvez metade delas seja ipê, cujos troncos são identificados e carregados nos caminhões. As outras cinco árvores abatidas pertencem, na verdade, a espécies de menor valor comercial, e mesmo espécies não comerciais.”

Somente troncos certificados estão autorizados a circular pelas rodovias brasileiras – MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

“Os madeireiros ganham duas vezes. Eles cortam e arrastam as árvores de menor valor no lugar de ipês nas áreas legalizadas, e cortam e arrastam ipês de áreas proibidas,” diz o biólogo Saulo de Souza, da Esalq, que também participou da pesquisa. Quanto aos troncos das espécies não comerciais, são simplesmente abandonados na mata para apodrecer.

Uma vez que as árvores pouco comerciais são retiradas, o agrônomo responsável pela fraude coloca uma placa em seus tocos indicando que se trata de um ipê. “Mas a outra placa, aquela que deveria ser afixada no tronco de madeira de menor valor correspondente, é na realidade afixado num tronco de ipê, tronco este que foi abatido de forma ilegal, como por exemplo na margem dos rios, onde a extração é proibida,” explica Vidal. “Com a placa indicando que aquele tronco de ipê foi extraído legalmente, a madeira ilegal pode ser transportada normalmente pelas rodovias.”

Um outro estratagema é afirmar no plano de manejo que as árvores são maiores do que realmente são. Segundo Vidal, o volume fictício de madeira legal resultante passa a ser preenchido com madeira ilegal. “É basicamente assim que os madeireiros fazem para esquentar a madeira retirada de forma clandestina.”

Como foi que o estudo chegou a tais conclusões? Os pesquisadores resolveram confrontar os dados referentes ao número de espécies e ao volume de madeira das licenças de extração aprovadas, com uma estimativa científica do volume de madeira, por espécie, que deveria existir originalmente nas áreas que foram manejadas. Tal estimativa pode ser feita a partir de imagens de satélite da floresta, registradas pelo governo federal nos anos 1970.

Os pesquisadores investigaram 427 licenças de manejo constantes no sistema da Secretaria de Meio Ambiente, e que foram aprovadas pelos fiscais do governo. Agindo desse modo, obteve-se o levantamento da quantidade de árvores de cada espécie e do volume de madeira indicado em cada licença.

O passo seguinte foi estimar o volume de madeira existente em cada hectare de floresta registrado nas fotos de satélite. As licenças mencionavam a existência de 80 espécies diferentes. Os pesquisadores estudaram as onze espécies mais abundantes. Chegou-se assim numa estimativa científica do volume de madeira de cada espécie que existia nos locais explorados.

Ao confrontar os dados das licenças com as estimativas feitas dos registros de satélite, os pesquisadores verificaram que muitos números não batiam. “Havia licenças alegando um volume de ipê até quatro vezes superior ao volume por nós estimado,” afirma Brancalion.

“Em média, naqueles planos de manejo que parecem ter sido fraudados, os volumes indicados são o dobro do verdadeiro. Especificamente com relação à extração de ipê, 77% dos planos foram aparentemente fraudados,” revela Souza.

Por fim, em outubro de 2017, acompanhado de membros da organização não governamental Greenpeace e da Força Nacional, Souza realizou uma vistoria em algumas áreas onde a extração ilegal de ipê parecia ter sido elevada. “Havia nos locais dezenas de ‘árvores imaginárias'”, comenta Souza.

A partir da identificação dos planos de manejo em teoria fraudados, foi possível descobrir os nomes dos agrônomos responsáveis por cada um deles. Na região, há 97 profissionais que trabalham para as madeireiras elaborando planos de manejo.

“As fraudes parecem estar relacionadas a uma minoria entre os técnicos”, diz Brancalion. De acordo com os pesquisadores, cerca de 15% deles são os responsáveis por todos os planos supostamente fraudados.

A BBC News Brasil procurou a área de fiscalização da Secretária de Meio Ambiente do Pará e representantes da Associação Indústria Exportadoras de Madeiras do Pará (Aimex) – as empresas madeireiras Amazônia Florestal, sediada em Belém, Advantage Florestal, de Ananindeua (PA), e Ipex Comércio de Madeiras, de Marituba (PA) -, mas não obteve retorno.

“Estou muito preocupado com o futuro do ipê”, diz o pesquisador Edson Vidal. “Ele pode seguir o caminho do mogno, que foi extraído até o desaparecimento no Pará.” O mogno era a madeira mais nobre até os anos 1990. Quando suas reservas se exauriram, as madeireiras partiram para a segunda espécie de maior valor comercial, o ipê.

O problema com o ipê talvez venha a ser ainda mais sério do que com o mogno, árvore de crescimento mais rápido do que o ipê. De acordo com Vidal, “o ipê cresce muito lentamente. Dados de que dispomos indicam que seriam necessários cem anos de preservação intocada para repovoar uma área devastada com apenas 10% dos indivíduos da população original de ipês.”

Fonte: bbc

Carlinhos Cachoeira é preso em GO por fraudes na loteria carioca

Bicheiro foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão, em segunda instância. Defesa alega inocência

O bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso nesta quinta-feira (10) por fraudes na loteria carioca. Policiais civis chegaram à casa onde um irmão dele mora em Goiânia, no Alphaville Ipê, por volta das 17h10. De lá, de acordo com as primeiras informações da corporação, o contraventor deve ser levado para o Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito.

A assessoria da Polícia Civil não sabia dizer, até as 17h35, se houve algum tipo de acordo para que a prisão ocorresse na casa do irmão. Cachoeira cumpria prisão domiciliar por condenações anteriores. A defesa dele não atendeu às ligações.

A defesa de Cachoeira defende que ele é inocente e que vai provar isto no julgamento do mérito. O bicheiro foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão, em segunda instância, pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

A prisão foi determinada, em caráter “imediato” pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nefi Cordeiro na sexta-feira (4), a partir de pedido do Ministério Público. O órgão tomou como base a permissão para prisão após condenação em segunda instância.

Advogado de Cachoeira, Cléber Lopes informou ao G1 que chegou a pedir que o cliente cumprisse pena em Goiânia, pois não apresenta risco de fuga por já estar em domiciliar e por ser onde a família dele mora. Na terça (8), a juíza Simone Rolim, da 29ª Vara Criminal do Rio, expediu o mandado de prisão e vetou o uso de algemas.

No documento, ela pede que o TJ de Goiás aguarde “providências de praxe” para fazer o recambiamento – transferência do preso de uma cidade para a outra. Além disso, alegou que a competência para determinar a manutenção de Cachoeira na capital goiana é da Vara de Execuções Penais (VEP).

Problemas com documentação
A carta precatória da juíza Simone Rolim com a expedição do mandado de prisão chegou a Goiânia nesta quarta (9). A juíza responsável por acatá-la, Cláudia de Castro Fróes, percebeu a falta de alguns documentos e por isso não oficial a Polícia Civil no mesmo dia para que a prisão ocorresse.

Os documentos faltantes não foram informados. O TJ-GO explicou, porém, que, além da carta precatória, peças como o mandado de prisão e a sentença que a determina precisam ser enviadas.

Fraudes na Loteria
Em 2012, Cachoeira e Waldomiro Diniz, ex-assessor do Palácio do Planalto, foram condenados a 8 e a 12 anos de prisão, respectivamente, pela 29ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, por corrupção e fraude em uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio, Waldomiro Diniz pediu R$ 1,7 milhão ao empresário como propina – o dinheiro também teria sido usado para abastecer campanha eleitoral de políticos.

Em troca, acrescenta o MP do Rio, Cachoeira obteve a alteração de um edital de licitação para se favorecer.

Na mesma decisão em que pediu a prisão imediata de Cachoeira, o ministro Nefi Cordeiro rejeitou um outro pedido do Ministério Público, para execução da pena de Waldomiro, por entender que ainda há recurso pendente de análise na Justiça.

Prisão anterior
Cachoeira foi preso no dia 30 de junho de 2016, no condomínio de luxo onde mora em Goiânia, pela Operação Saqueador, da Polícia Federal (PM) e do Ministério Público Federal (MPF). A ação apurava lavagem de dinheiro e desvio de verbas em obras públicas. A investigação apontou um esquema que desviou R$ 370 milhões de cofres públicos.

Conforme o MPF, na época, Cachoeira era responsável por criar empresas e contratos fictícios com a construtora Delta. O valor era sacado e usado para pagamento de propinas. Logo após a deflagração da operação, o MPF informou que pedia a condenação dos envolvidos por lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de solicitar a reparação dos danos causados.

Após a prisão, ele foi levado para o Rio de Janeiro, onde ficou por pouco mais de um mês. No dia 17 de agosto, ele teve a prisão preventiva convertida em domiciliar e foi levado de volta para a capital goiana. O pedido de habeas corpus da defesa do contraventor já havia sido feito ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, que javia negado a solicitação.

A Operação Saqueador foi um desdobramento da Operação Monte Carlo, que desarticulou exploração de máquinas caça-níqueis em Goiás e levou a uma CPI, que por sua vez, cassou o mandato do então senador Demóstenes Torres.

Justiça condena administrador por fraude em plano dos Correios

O caso é parte de um suposto esquema criminoso na gerência de saúde dos Correios do Rio de Janeiro, que desviou mais de R$ 7 milhões

São Paulo – A Justiça Federal condenou Luís Henrique Barcelos Martins de Oliveira a 11 anos, um mês e 22 dias de reclusão em regime fechado, além do ressarcimento do dano causado à Empresa de Correios e Telégrafo (ECT) no valor de R$ 840 mil, pelos crimes de peculato e lavagem de ativos.

O caso é parte de um suposto esquema criminoso na gerência de saúde dos Correios do Rio de Janeiro, que desviou mais de R$ 7 milhões e foi desarticulado com a deflagração da Operação Titanium.

As informações foram divulgadas pela Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público Federal no Rio.

A operação foi deflagrada em 2013 pela Procuradoria e pela Polícia Federal, “revelando o esquema criminoso que operou entre agosto de 2011 e abril de 2013”.

A Justiça também condenou o ex-gerente dos Correios Marcos da Silva Esteves a três anos, dez meses e 15 dias de reclusão por lavagem de dinheiro.

Esteves, em sentença de fevereiro de 2017, já havia sido condenado por peculato a 14 anos, 9 meses e 27 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e pagamento de multa e “ressarcimento do valor subtraído”.

Segundo a Procuradoria, Luís Henrique Barcelos Martins de Oliveira teria desviado valores dos Correios, por meio de pagamentos ilícitos, que teriam beneficiado um hospital, integrante da rede credenciada do plano de saúde.

Os pagamentos foram realizados através de três notas fiscais, com datas de junho de 2011, setembro de 2011 e fevereiro de 2012, e teriam totalizado cerca de R$ 840 mil.

Luís Henrique, segundo a acusação, “emitiu ainda notas fraudulentas que não correspondiam a serviços prestados”. A Procuradoria sustenta que ele “prometeu vantagens indevidas” ao então gerente dos Correios Marcos da Silva.

Os réus ainda podem recorrer da sentença.

A reportagem tenta localizar a defesa de Luís Henrique Barcelos e a de Marcos da Silva Esteves.

Fonte: exame

Operação investiga esquema de fraude em aposentadorias rurais de AL

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (12) a Operação Terra Prometida, que investiga um esquema de fraude de aposentadorias de trabalhadores rurais. Pela manhã, mais de 80 policiais federais cumprem 24 mandados judiciais, sendo três de prisões temporárias e 21 de busca e apreensão, nos municípios alagoanos de Delmiro Gouveia, Água Branca e Canapi.

A ação é um trabalho conjunto com a Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda e o Ministério Público Federal. Os crimes atingem, segundo nota da PF, benefícios relacionados a aposentadorias concedidas por idade, pensões por morte e salário-maternidade.

As investigações foram iniciadas há dois anos, a partir de denúncias recebidas pela Coordenação-Geral de Inteligência Previdenciária (Coinp), da Secretaria de Previdência, que realizou um levantamento das irregularidades desde 2012. Na avaliação preliminar, descobriu-se que o grupo criminoso vinha atuando há pelo menos cinco anos,  formado por dois servidores públicos, dirigentes sindicais e intermediários.

O grupo criminoso teria acarretado um prejuízo de mais de R$ 500 mil aos cofres públicos por meio de 21 benefícios obtidos de maneira fraudulenta. A estimativa é que esse valor chegue a mais de R$ 2 milhões quando acrescido do material apreendido na manhã de hoje. A desarticulação da quadrilha, complementou o comunicado da PF, proporcionará uma economia de mais de R$ 3 milhões em valores que seriam pagos futuramente aos supostos beneficiários.

A PF informou que os suspeitos presos serão encaminhados para a sede da corporação em Maceió, onde serão indiciadas por estelionato cometido contra entidade de direito público, inserção de dados falsos no sistema de informações e formação de quadrilha, cujas penas somadas chegam a 14 anos de reclusão.

Fonte: agenciabrasil