Roraima volta a pedir ao STF limite de entrada de venezuelanos

Além da cota, o governo estadual também cobra que as autoridades federais estabeleçam barreiras sanitárias na fronteira.

O governo de Roraima voltou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão temporária de entrada de imigrantes em território brasileiro para tentar conter o perigo de conflitos e o “eventual derramamento de sangue entre brasileiros e venezuelanos”.

A ação foi protocolada na manhã de hoje (20), pela Procuradoria-Geral estadual, um dia após os conflitos entre brasileiros e venezuelanos registrados em Pacaraima (RR) motivarem cerca de 1,2 mil estrangeiros a deixar o Brasil às pressas, segundo o Exército.

Na ação cautelar, o governo estadual sugere o estabelecimento de uma “cota para refugiados”. A medida condicionaria o ingresso em território brasileiro à execução de um plano de interiorização dos imigrantes, a ser coordenado pelo governo federal.

Além da cota, o governo estadual também cobra que as autoridades federais estabeleçam barreiras sanitárias na fronteira. A proposta é exigir dos imigrantes a apresentação dos atestados de vacinas obrigatórias a fim de impedir a propagação de doenças sob controle ou já erradicadas no Brasil, como o sarampo.

O pedido reforça a Ação Civil Originária (ACO) 3121, que já pedia o fechamento da fronteira entre Roraima e a Venezuela. No último dia 6, a ministra Rosa Weber, relatora da ação no STF, indeferiu o pedido. Em sua sentença, a ministra apontou que, além de ausência dos pressupostos legais para emissão de liminar, o pedido do governo de Roraima contraria “os fundamentos da Constituição Federal, às leis brasileiras e aos tratados ratificados pelo Brasil”.

Após o conflito do último fim de semana, o governo federal decidiu enviar para Roraima mais 120 agentes da Força Nacional de Segurança Pública para reforçar a vigilância. Segundo o Ministério da Segurança Pública, 60 agentes já embarcaram em Brasília, esta manhã, com destino à Boa Vista, de onde partirão para Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Desde o ano passado, 31 agentes da Força Nacional atuam na cidade em apoio à Polícia Federal.

Além dos agentes da Força Nacional, o governo federal promete enviar, no próximo domingo (26), 36 voluntários da área da saúde para atendimento aos imigrantes venezuelanos, em parceria com hospitais universitários. Em nota, a Presidência da República disse que governo federal “está comprometido com a proteção da integridade de brasileiros e venezuelanos”, e que o Itamaraty está em contato com as autoridades venezuelanas.

O estopim da mais recente crise ocorreu no sábado (18), quando moradores da cidade atacaram barracas dos imigrantes venezuelanos, ateando fogo aos pertences dos imigrantes. De acordo com as autoridades locais, não há registro de feridos entre os venezuelanos Os ataques aconteceram depois que um comerciante local foi assaltado e espancado. Há suspeita de que o assalto tenha sido praticado por um grupo de venezuelanos.

Fonte: agenciabrasil

Em busca de alternativas para os venezuelanos, Temer reúne ministros

Reunião está marcada para as 15h no Palácio do Planalto

O presidente Michel Temer promove nesta segunda-feira (20), a partir das 15h, no Palácio do Planalto, mais uma etapa de reuniões no esforço de buscar soluções para a crise envolvendo os imigrantes venezuelanos em Roraima. Foram chamados sete ministros. Raul Jungmann, da Segurança Pública, viaja hoje para a Colômbia, onde vai discutir segurança nas fronteiras.

Ontem (19), outra reunião foi convocada por Temer, no Palácio da Alvorada. Durante cinco horas,o presidente e ministros discutiram a situação em Roraima, depois dos confrontos entre brasileiros e venezuelanos no município de Pacaraima.

Para a reunião de hoje são esperados os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Joaquim Silva e Luna (Defesa), Moreira Franco (Minas e Energia), Edson Duarte (Meio Ambiente), Gustavo Rocha (Direitos Humanos), Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), e Grace Maria Fernandes Mendonça (Advocacia-Geral da União).

Também são aguardados o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (MDB-RR),  os secretários executivos do Ministério da Justiça, Gilson Libório de Oliveira Mendes, e da Segurança Pública, Luís Carlos Cazetta, o diretor de Saneamento da Caixa, Antônio Gil da Silveira, e os presidentes do Ibama, Suely Araújo, da Funai, Wallace Moreira Bastos, e da Eletrobrás, Wilson Ferreira Junior.

Medidas

Na reunião de ontem, Temer e os ministros definiram medidas emergenciais para a região de Roraima, onde está uma grande concentração de imigrantes venezuelanos. De forma imediata, serão enviados 120 homens para a Força Nacional e 36 voluntários da área da saúde, que atuarão em parceria com hospitais universitários.

Os homens irão para Roraima em duas etapas: inicialmente, 60 e depois mais 60, ainda sem data definida, o que totaliza 151 homens da Força Nacional em Pacaraima, com os 31 que já se encontram no estado.

Paralelamente será realizado o ordenamento da fronteira, com controle e triagem adequados, e com a ampliação da presença da União nas áreas social e de segurança.

Há ainda a previsão de construir dez abrigos para os imigrantes. Segundo as autoridades, dois estão em fase de conclusão. Também haverá um esforço para encaminhar os imigrantes para outras regiões do país – a chamada interiorização.

Outra medida é a manutenção de um abrigo de transição, entre Boa Vista e Pacaraima, para atendimento humanitário dos migrantes que aguardam o processo de interiorização, de forma a reduzir o número de pessoas nas ruas.

Serão intensificadas as negociações para o início das obras do “linhão”, que permitirá a integração do estado de Roraima com o sistema elétrico nacional.

Estopim

O estopim da crise em Roraima ocorreu há dois dias, no  sábado (18), em Pacaraima, em Roraima. Moradores da cidade atacaram barracas dos imigrantes venezuelanos, inclusive ateando fogo, depois que um comerciante local foi assaltado e espancado. De acordo com as autoridades locais, não há registro de feridos entre os venezuelanos. Há suspeita de que o assalto tenha sido praticado por um grupo de venezuelanos.

Depois do episódio, o Exército confirmou que 1,2 mil venezuelanos cruzaram de volta a fronteira do país com o Brasil.

Em nota, a Presidência da República disse que governo federal “está comprometido com a proteção da integridade de brasileiros e venezuelanos”, e que o Itamaraty está em contato com as autoridades venezuelanas.

Fonte: agenciabrasil

Após ataques de brasileiros, 1,2 mil venezuelanos deixaram o Brasil, diz Exército

No sábado (18), imigrantes tiveram acampamentos queimados e foram expulsos de Pacaraima (RR), na fronteira com o país vizinho, após assalto e agressão a comerciante. Cidade amanheceu com ruas desertas.

Pelo menos 1,2 mil venezuelanos cruzaram a fronteira e deixaram o Brasil após o tumulto registrado nesse sábado (18) em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, informou neste domingo (19) a Operação Acolhida, que atende imigrantes que entram no país.

Segundo o comandante da Operação Acolhida, Hilel Zanatta, cerca de 1,2 mil imigrantes deixaram a cidade fronteiriça e retornaram a Venezuela. Parte deles estava no Centro de Triagem, que suspendeu os atendimentos no sábado, mas retomou os trabalhos neste domingo (19).

“Cerca de 1,2 mil cruzaram a fronteira de volta. Aqui de dentro do posto [de atendimento aos imigrantes] a gente contabilizou 500 pessoas em atendimento, e acreditamos que o restante eram venezuelanos moradores [de Pacaraima] que regressaram a Venezuela por questões de segurança”, afirmou o comandante.

O tumulto começou na manhã de sábado após a família do comerciante Raimundo Nonato de Oliveira, de 55 anos, relatar à Polícia Militar que ele havia sido assaltado e agredido por um grupo de venezuelanos. Raimundo está internado em Boa Vista.

Em retaliação, moradores de Pacaraima se organizaram por redes sociais e atacaram acampamentos de venezuelanos. Os locais foram destruídos e queimados.

Venezuelanos reagiram à expulsão atacando carros brasileiros que estavam do lado venezuelano da fronteira, segundo os relatos moradores. O comércio de Pacaraima ficou fechado durante todo o sábado, mas reabriu as portas nesta manhã.

Fronteira de Roraima vive sábado de confrontos entre brasileiros e venezuelanos

Moradores de Pacaraima queimaram tendas e objetos pessoais dos imigrantes para obrigá-los a voltar a seu país

A cidade fronteiriça de Pacaraima, em Roraima, viveu momentos de tensão neste sábado, com confrontos entre moradores locais e imigrantes venezuelanos, cujos acampamentos improvisados foram incendiados e destruídos. O tumulto começou durante a manhã, depois de que um comerciante ficasse ferido em um assalto na madrugada e que sua família culpasse um grupo de venezuelanos pelo ataque.

Em retaliação, dezenas de brasileiros atacaram os dois principais acampamentos improvisados dos imigrantes —que há dois anos intensificaram o fluxo migratório no norte do Brasil— e queimaram seus objetos pessoais.

A força-tarefa que opera na região para lidar com o fluxo migratório confirmou a informação e disse que o comerciante ferido foi socorrido e encontra-se estável em um hospital de Boa Vista, capital do estado.

Um morador de Pacaraima, que não quis identificar-se, contou à AFP que o confronto começou cedo, depois que a notícia do assalto ao comerciante se espalhou pela cidade. “Ele é um vizinho muito conhecido na região e houve indignação quando se soube do roubo. As pessoas começaram a expulsar os venezuelanos que estavam no centro, forçando-os a voltar ao seu país”, disse. Outro vizinho brasileiro, que também pediu anonimato, disse que os moradores locais temem que os venezuelanos “voltem para se vingar” pelo ataque.

Vídeos publicados nas redes sociais por moradores da pequena cidade mostram episódios do confronto, que terminou antes do meio dia. As ruas que margeavam a fronteira estavam cheias de escombros e sem transeuntes. As lojas permaneceram fechadas durante todo o sábado. (veja vídeo).

“Foi terrível, queimaram as tendas e tudo o que estava lá dentro”, conta Carol Marcano, uma  venezuelana que trabalha em Boa Vista e que estava na fronteira voltando de uma visita ao seu país. “Houve tiros, queimaram pneus”. Marcano disse que alguns venezuelanos reagiram ao ataque e destruíram carros com placas brasileiras. Ela, seus companheiros e outras pessoas se refugiaram nos postos de controle do lado venezuelano.

Apesar do confronto, a fronteira permaneceu aberta. A força-tarefa composta pelas Forças Armadas brasileiras e organizações civis e não-governamentais repudiou os atos de violência em um comunicado.

Há três anos, milhares de venezuelanos cruzam a fronteira com o Brasil para fugir da crise econômica, política e social em seu país. Segundo as autoridades regionais, em Pacaraima, com cerca de 12 mil habitantes, aproximadamente mil venezuelanos vivem em situação de rua. Os vizinhos relataram aumento do número de roubos e incidentes violentos, atribuindo o problema aos venezuelanos, enquanto o governo local alega falta de recursos para solucionar a situação e pede o fechamento da fronteira. 

A cidade brasileira mais próxima da fronteira é Boa Vista, a cerca de 215 km de distância, onde, de acordo com dados oficiais, vivem cerca de 25.000 venezuelanos. A Polícia Federal estima que cerca de 500 venezuelanos atravessem para o Brasil todos os dias. Até o momento, onze abrigos que operam em Boa Vista e Pacaraima servem de lar para mais de mais de 4.000 venezuelanos, incluindo mais mil índios Warao, uma comunidade originária do norte da Venezuela. 

Só no primeiro semestre de 2018, 56.740 venezuelanos procuraram legalizar sua situação no Brasil, solicitando refúgio ou residência temporária.

Fonte: elpais

Governo autoriza residência para 6,8 mil imigrantes

As concessões ocorreram entre abril e junho. Filipinos, japoneses e norte-americanos são maioria. Venezuelanos somam 71 vistos

No segundo trimestre deste ano, o Ministério do Trabalho concedeu 6.865 autorizações de residência para imigrantes trabalharem no país, volume 23,34% maior que no mesmo período do ano passado, quando foram liberadas 5.566 concessões. Os dados foram informados pela pasta ao Conselho Nacional de Imigração (CNIg), em Brasília.

Homens são maioria entre os imigrantes. O principal objetivo é a busca de trabalho. Foram autorizados vistos para 6.339 homens e 526 mulheres – uma proporção de 12 pessoas do sexo masculino para cada pessoa do sexo feminino. No mesmo período do ano passado, foram 4.772 homens e 794 mulheres, uma proporção de seis para um.

A maior parte dos estrangeiros que receberam autorização neste segundo trimestre tem entre 20 e 49 anos (veja na tabela 1). Do total de concessões, 5.651 foram para esse grupo de trabalhadores (82,31%). De todos os imigrantes, 59,35% têm ensino superior completo (tabela 2). O número de pessoas que fizeram apenas o ensino fundamental, ou parte dele, representa 0,49%.

A nacionalidade com maior número de autorizações no segundo trimestre de 2018 foi a filipina (tabela 3), seguidas da japonesa e norte-americana. Em abril, maio e junho de 2017 o principal país na lista de concessões havia sido os Estados Unidos, seguido da China. Filipinas ficou em terceiro lugar no ano passado.

REPRODUÇÃO/ MINISTÉRIO DO TRABALHO

Entre os países do Mercosul, 71 venezuelanos foram autorizados, número menor que no mesmo período do ano passado, quando o governo concedeu 75 vistos. Ainda assim, entre países do Mercosul, a maioria das concessões foram para imigrantes da Venezuela.

Nessas concessões de residência para fins de trabalho. Não estão incluídos os venezuelanos que têm entrado no país com pedido de refúgio ou na condição especificada pela política migratória especial. Estes casos são monitorados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério da Justiça (MJ).

Neste levantamento, não está incluído parte significativa de trabalhadores da América do Sul amparados pelo Acordo de Residência do Mercosul e Países Associados. Por meio dele, moradores do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador podem trabalhar em qualquer um dos países signatários por até dois anos sem necessidade de solicitar autorização. Depois de dois anos, se eles comprovarem meios de subsistência, poderão conseguir a autorização de permanência definitiva.

Fonte: metropoles

Pela 1ª vez Brasília recebe Venezuelanos vindos de Roraima

Entre abril e julho deste ano, o processo de interiorização dos migrantes que pediram refúgio ou residência no Brasil, já envolveu 690 venezuelanos que foram levados de Roraima, por onde a maioria chega ao país, para outras cidades

Cinquenta imigrantes serão recebidos hoje às 13h30 pela organização Aldeias Infantis SOS, em Brasília, que atende prioritariamente famílias com crianças. Outros 36 venezuelanos, incluindo mulheres e crianças, estão sendo levados para a Casa de Acolhida Papa Francisco, administrada pelo Programa de Atendimento a Refugiados da Cáritas, no Rio de Janeiro. Mais 131 venezuelanos deixam Roraima no processo de interiorização.

Em Cuiabá, 24 pessoas ficarão no Centro Pastoral do Migrante. Os demais 21 venezuelanos têm como destino São Paulo, onde serão abrigados na Casa do Migrante Missão Paz. Um total de 130 venezuelanos embarcam em Boa Vista, Roraima, – onde estão alojados desde que chegaram ao Brasil em busca de novas oportunidades de vida – com destino a abrigos distribuídos em quatro capitais do país. O transporte dos migrantes está sendo feito em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Entre abril e julho deste ano, o processo de interiorização dos migrantes que pediram refúgio ou residência no Brasil, já envolveu 690 venezuelanos que foram levados de Roraima, por onde a maioria chega ao país, para outras cidades. A maioria deles (267) foi para São Paulo, outros 165 para Manaus (AM), 95 para Cuiabá, 69 para Igarassu (PE), 44 para Conde (PB) e 50 ao Rio de Janeiro (RJ). O acolhimento depende do interesse das cidades de destino em participar do processo e da existência de vagas em abrigos.

Em nota, a Casa Civil da Presidência da República informou que, antes do acolhimento, são feitas reuniões com autoridades locais e coordenação dos abrigos para definição de detalhes sobre atendimento de saúde, matrícula de crianças em escolas, ensino da Língua Portuguesa e cursos profissionalizantes.

Fonte: agenciabrasil

Crianças brasileiras tiveram de lavar banheiros em abrigo nos EUA

Artigo do The New York Times revelou rotina de algumas crianças que foram separadas dos pais e enviadas a abrigos em outros locais do país

As crianças separadas dos pais nos Estados Unidos, após tentativa deles entrarem ilegalmente em território americano, vivem uma rotina dura, em abrigos espalhados pelo país.

Alguns oferecem mesas de piqueniques e até piscinas, segundo artigo do The New York Times, feito por Dan Barry, Miriam Jordan, Annie Correal e Manny Fernandez. Em outros, a infraestrutura não é tão boa.

Mas, independentemente das condições materiais, há um drama inerente a todas as crianças. Trata-se de um verdadeiro pesadelo estar em um local que muitas vezes fica a milhares de quilômetros de onde estão os pais.

A incerteza é dolorosa. A vida nestes locais, pelo que contou a reportagem, mais se assemelha à rotina dos mais severos colégios internos.

Às crianças são impostas regras rígidas. As normas são concretas e frias. Há determinação para tudo. Em muitos casos, proibição, de mau comportamento, de se sentar no chão, de dividir comida. É proibido até usar apelidos. E chorar.

Um menino chamado Adonias, da Guatemala, recebia injeções para dormir e parar de ficar agitado. Ele jogava tudo ao seu redor.

Quem contou isso à reportagem foi outro menino, o brasileiro Diego Magalhães, de 10 anos, que, percebendo as consequências de qualquer tipo de insubordinação, buscou se comportar bem.

Ele permaneceu 43 dias em um abrigo em Chicago, até a semana passada, quando reencontrou seus parentes.

Na última semana, o governo devolveu, ainda, pouco mais da metade das 103 crianças com menos de 5 anos aos pais migrantes. Mais mais de 2.800, de acordo com o jornal, continuam nestes locais.

Diego conheceu outros dois brasileiros no abrigo: Diogo, 9, e Leonardo, 10. Ficaram amigos, mas, mesmo com algumas “regalias”, sentiam dificuldades em lidar com as objeções que lhes eram impostas.

Frequentaram as aulas juntos e até tiveram acesso ao videogame por causa do bom comportamento. Mas tinham de manter a ordem, quase como se fossem adultos.

Despediram-se sem abraço, porque outra regra é a proibição de as crianças se tocarem. Diego comentou sobre uma das obrigações deles no abrigo.

“Você tinha que limpar o banheiro. Eu esfreguei o banheiro. Nós tivemos que remover o saco de lixo cheio de papel higiênico sujo. Todo mundo tinha que fazer isso.”

Sobre essa situação imposta a estas crianças, nestas condições de fragilidade emocional, a advogada Karina Quintanilla, especializada em direitos humanos, afirma que se trata de uma violação a mais nos direitos humanos destas famílias.

“A própria situação de criminalizar a migração dessas pessoas sem documentos necessários já é uma violação de direitos humanos. Ainda mais separar os filhos da família e estas crianças ficarem presas, sem contato com os pais, sem saber quando vão sair, sem informações. É um estado completo de violação dos direitos humanos.”

A advogada completa:

“Esses trabalhos impostos às crianças encarceradas são trabalhos forçados que se equiparam à tortura. A política de separação e encarceramento de famílias migrantes é uma política de tratamento degradante, gerando traumas que podem ser irreversíveis para o desenvolvimento destas crianças.”

Fonte: r7

Mulher de Trump usa casaco com frase ‘eu realmente não me importo’ ao viajar para visitar crianças

Primeira-dama foi fotografada com a peça ao embarcar em avião presidencial. Porta-voz disse que ‘é apenas um casaco. Não havia nenhuma mensagem oculta’

A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, está sendo criticada por ter usado um casaco com a frase “eu realmente não me importo, você se importa?” estampada nas costas ao embarcar para uma visita a crianças detidas na fronteira com o México nesta quinta-feira (21).

Melania esteve em um dos centros que abrigam crianças que foram separadas de seus pais na fronteira, conversou com profissionais que trabalham no local e, segundo a imprensa americana, perguntou a eles o que poderia fazer para ajudar na reunião das famílias separadas.

Durante a visita ela não estava usando o casaco, visto apenas enquanto ela subia as escadas para embarcar no avião que a levou para a visita não anunciada ao centro, na base aérea de Andrews.

Casaco da Zara com a frase ‘eu realmente não me importo, você se importa’ estampada nas costas (Foto: Reprodução/Pinterest/Zara)

Questionada por repórteres sobre a escolha da peça, a porta-voz da primeira dama, Stephanie Grisham, respondeu que “é um casaco. Não havia nenhuma mensagem oculta. Após a importante visita de hoje ao Texas, espero que a imprensa não escolha focar isso”.

Segundo o Daily Mail, o casaco usado por Melania Trump é da Zara, custa US$ 39 (cerca de R$ 150) e está esgotado.

G1

Trump assina ordem para suspender separação de famílias de imigrantes

Ainda assim, ele continuará política de ‘tolerância zero’ com imigrantes que atravessarem ilegalmente a fronteira com o México

O presidente americano Donald Trump assinou nesta quarta-feira (20) uma ordem para evitar a separação das famílias de imigrantes que cruzarem a fronteira com o México.

Segundo a ordem, imigrantes que entrarem ilegalmente nos EUA serão detidas juntas, informou uma autoridade do governo norte-americano à Reuters.

O decreto também dará prioridade a essas famílias no que diz respeito aos procedimentos de imigração, mas não acabará com a política de tolerância zero do governo sobre a imigração ilegal, afirmou a autoridade.

“Vamos manter as famílias juntas”, explicou Trump na Casa Branca, mais cedo.

O governo americano está sendo muito criticado, internamente e internacionalmente, por sua política de tolerância zero que fez com que mais de 2.300 menores de idades fossem separados de suas famílias em cinco semanas.

Crianças imigrantes, mmuitas delas separadas dos pais sob a política de tolerância zero do governo Trump, caminham em fila entre barracas de composto perto da fronteira mexicana em Tornillo, no Texas, EUA (Foto: Mike Blake/Reuters)

Oito crianças brasileiras foram separadas dos responsáveis ao entrar nos EUA, diz diplomata

Elas estão entre as cerca de 2000 crianças vítimas da política de ‘tolerância zero’ aplicada contra os imigrantes ilegais que foi colocada em prática pelo governo Trump.

Oito crianças brasileiras foram separadas de seus responsáveis após cruzarem a fronteira com o México neste ano, de acordo com um balanço divulgado pelo Consulado do Brasil em Houston nesta quarta-feira (20). Elas estão entre as cerca de 2000 crianças vítimas da política de “tolerância zero” aos imigrantes ilegais colocada em prática pelo governo de Donald Trump.

A política estabelece que todo adulto que for pego atravessando a fronteira ilegalmente deve ser criminalmente processado. Se for capturado, o indivíduo é levado a um centro federal de detenção de imigrantes até que se apresente a um juiz.

A política não fala em separação das famílias, porém isso acaba sendo inevitável na prática já que as crianças não podem ser mantidas nestes centros de detenção.

O cônsul Felipe Costi Santarosa, responsável pelos estados do Texas e do Novo México, afirmou que o aumento nos casos de separação de famílias é “nítido” e que a nova política pode “aumentar esse número de forma preocupante”.

No governo de Barack Obama, só se escutava de casos, por exemplo, de adultos detidos que estariam acompanhados por crianças novas demais ou com algum problema físico, segundo Santarosa. Nesses casos específicos, o “atendimento” em prisões ficaria difícil porque elas não possuem estrutura para receber esses acompanhantes de detentos.

As autoridades brasileiras nos Estados Unidos observaram outra diferença: as crianças separadas de suas famílias são de diferentes faixas etárias e, muitas vezes, estão sendo mandadas para estados distantes de seus familiares.

Santarosa afirma que existe um abrigo em Kerens, no Texas, que ainda funciona à forma antiga, como no governo Obama, sem separar famílias. Mais de 20 brasileiras estão nesse abrigo com os seus filhos e estão angustiadas com a possibilidade de se separar a qualquer momento das crianças em função da nova política migratória.

Como funcionava antes da nova política?

Antes da nova política, as famílias que chegavam à fronteira sem autorização e alegavam medo de voltar para a casa eram autorizadas a entrar e pedir refúgio no território americano.

Durante o processo de solicitação de refúgio o imigrante podia ou não ser detido, dependendo de uma série de fatores, inclusive a disponibilidade de vaga nos centros de detenção. Também eram realizadas audiências na fronteira, e a família toda poderia ser deportada.

O que acontece com as crianças?

Ao serem separadas de seus pais, as crianças são designadas pelo governo como “crianças imigrantes desacompanhadas” e, por isso, são levadas para abrigos sob custódia do governo, sem saber para onde seus pais foram. Imagens mostram crianças dentro de grades, dormindo em colchões no chão com cobertores de alumínio.

Um áudio divulgado nesta segunda mostra crianças chorando ao serem separadas dos pais acirrando ainda mais os ânimos.

De acordo com o governo americano, 1.995 menores de idade foram separados de 1.940 adultos que os acompanhavam na travessia entre os dias 19 de abril e 31 de maio.

A administração Trump está sendo alvo de várias críticas tanto de republicanos como democratas. Trump diz considerar a política “horrível” e defende uma reforma nas leis de imigração. Ele atribui o problema aos democratas.

“Detesto que essas crianças sejam separadas (de suas famílias). Os democratas têm que mudar a lei. É a lei deles”, afirmou na semana passada. O presidente americano busca o apoio democrata para mudar a lei já que os republicanos têm uma maioria de apenas um voto no Senado.

Internacionalmente, a política recebe críticas da Organização das Nações Unidas (ONU), do México e do Reino Unido.

A política é nova?

Sim. Mas de acordo com uma entrevista à rede CNN de Doris Meissner, diretor do programa de política imigratória dos EUA do Instituto de Política Migratória, ela se baseia em esforços das administrações de George Bush e Barack Obama. Em 2005, Bush lançou uma operação em uma seção da fronteira no estado do Texas que estabelecia o processo criminal aos imigrante ilegais que atravessassem. A operação foi estendida a outros pontos da fronteira e continuou durante a administração Obama.

“Ainda assim, o fenômeno das famílias que chegam juntas à fronteira dos Estados Unidos com o México data apenas dos últimos anos, e não foi um [fenômeno] que as administrações de Bush ou do início de Obama enfrentaram em números significativos”, observou Meissner na entrevista.

“Poucas crianças foram separadas de suas famílias durante as gestões anteriores, como resultado do processo criminal dos pais”, disse.

Fonte: g1