Ex-sócio da Gafisa processa JBS alegando perdas depois da divulgação de conversa gravada entre Joesley e Michel Temer

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Gestora de recursos GWI entra com pedido de arbitragem contra empresa da família Batista, alegando perdas depois da divulgação de conversa gravada entre Joesley e Michel Temer; inédito, processo busca indenização por prejuízo sistêmico ao mercado

A gestora de recursos GWI, que pertence ao investidor coreano Mu Hak You, entrou com pedido de arbitragem contra a JBS, da família Batista, sob a alegação de que seus fundos tiveram pesados prejuízos após as delações de Joesley e Wesley virem à tona em maio de 2017, apurou o Estado. Ex-acionista da Gafisa, Mu Hak You, que teve sua gestão questionada na construtora, busca ressarcimentos pela forte desvalorização de seus fundos que tinham ações na JBS, maior companhia de carnes do mundo, há quase dois anos.

Protocolado há quase um mês, o processo ainda não teve definido o corpo de árbitros. O Estado apurou que a gestora de Mu Hak You busca ressarcimento não só pelos prejuízos pela queda das ações da JBS à época que os áudios de Joesley na casa do ex-presidente Michel Temer se tornaram públicos, mas também das perdas decorrentes da desvalorização das ações da carteira de outras empresas investidas pela GWI, que também foram impactadas.

No dia 18 de maio de 2017, um dia após as gravações terem se tornado públicas, a Bolsa registrou queda de quase 9% – maior recuo diária desde o dia 22 de outubro de 2008, quando o recuo foi de 10,18%, reagindo à crise financeira internacional.

Na tese apresentada pela GWI, a gestora busca ressarcimento pelo prejuízo sistêmico causado ao mercado financeiro, dias após as declarações dos Batistas virem à tona. O impacto negativo também foi estendido aos investimentos não só em ações, mas também afetou os mercados cambial e de opções futuras. Não há nenhum processo deste natureza no País. O argumento de prejuízo sistêmico tem como base os processos as ações conduzidas nos Estados Unidos após as quebras das empresas Enron e Worldcom, no início dos anos 2000.

O processo de arbitragem está sendo conduzido pelo escritório Almeida Advogados, comandado pelo advogado André de Almeida, responsável pelo processo contra a Petrobrás nos Estados Unidos. Procurada, a GWI disse que não tem nenhum porta-voz para comentar o assunto. O escritório Almeida Advogados e a JBS também não quiseram se manifestar.

Quem é Mu Hak You

Em outubro do ano passado, o sul-coreano Mu Hak You, dono da gestora GWI, cujo fundo principal tem R$ 5,3 bilhões em patrimônio, começou a comprar ações ordinárias da construtora Gafisa. Sem alarde, ele foi pouco a pouco ganhando posições até acumular um quarto do capital da companhia, conseguindo nomear dois membros de um total de sete no conselho de administração da empresa. No dia 2 de agosto, Mu Hak surpreendeu a todos. Com a justificativa de renovar a administração, ele pediu formalmente a troca de todos os membros do board da Gafisa.

Não se trata exatamente de uma surpresa quando o nome envolvido no conselho de administração é do de Mu Hak. Ele frequentemente se torna persona non grata nas companhias em que investe e já arrumou confusão na livraria Saraiva, na corretora Socopa e deixou a distribuidora de remédios Profarma sem maiores explicações. “Ele é considerado uma figura adversa no mercado e acaba levando essa sombra também para as empresas em que investe”, diz um gestor que prefere não se identificar. No caso da Gafisa, a tentativa de tomar de assalto a construtora, tal qual um ditador, não será uma missão fácil. O Conselho, presidido por Odair Senra, autorizou, na terça-feira 14, a diretoria a buscar alternativas estratégicas para impedir a empreitada do gestor da GWI. Uma das opções é aceitar novos sócios para equilibrar o controle da companhia. Isso não garante, no entanto, a preservação do atual quadro de executivos. A dissolução do Conselho será votada em assembleia extraordinária, marcada para 25 de setembro. Procuradas, a Gafisa e a GWI não quiseram se pronunciar.

Odair Senra: presidente do Conselho da Gafisa defende o atual controle da empresa (Crédito:Fabiano Cerchiari/Valor)

Mu Hak tem 66 anos e nasceu na Coreia do Sul. Veio para o Brasil com 18 anos e se instalou em São Paulo, no bairro central do Bom Retiro. Foi na capital paulista que começou a sua carreira na área de fusão e aquisição do Bankers Trust, e depois do Citi. Desde cedo, de acordo com um executivo do mercado que preferiu não se identificar, demonstrou uma personalidade controladora e autoritária. Com essa experiência, fundou a GWI em 1995, a princípio como uma factoring, com 13 sócios da comunidade coreana. Três anos depois, comprou as ações de todos os sócios e transformou a GWI em uma gestora ao inaugurar a nova sede em dois andares de um pequeno prédio comercial na rua Ribeiro de Lima, localizado no mesmo bairro em que morava, ao lado do Parque da Luz. Na época, contava com 25 funcionários.

A organização do escritório mostra sua maneira de pensar. Ele ordenou os analistas e operadores em estações de trabalho viradas para a mesma posição e instalou sua mesa no fundo da sala. Assim, poderia observar os monitores de todos os funcionários. Perfeccionista, não admitia desde o começo qualquer erro dos colaboradores. Discordância, então, nem pensar. “No trato pessoal, ele era agressivo e muito exigente. Diante de algum equívoco, ele costumava constranger os funcionários”, diz um analista que trabalhou dois meses na GWI em 2003. “O que me atraiu para lá foi a visão de longo prazo de Mu Hak, o que era raro naquela época”, afirma o analista. Sua postura sempre foi de manter distância dos funcionários. “O contato se dava sempre na sala de reunião.” Desconfiado, sempre contou com a presença da família por perto. O seu filho, Thiago You, batia ponto na empresa desde adolescente. A sua mulher e filha mais velha também trabalhavam na empresa.

Lojas Americanas: a primeira empresa que Mu Hak investiu, em 2004, com intuito de participar da administração (Crédito:Divulgação)

Nesse período, o sul-coreano já era famoso no mercado por gerir seus fundos de ações pesadamente alavancados e aplicando estratégias de alto risco. “Ele ganhou muito dinheiro com ações da siderúrgica Tubarão”, diz um gestor famoso por também operar alavancado, porém com menos obstinação. Grande parte desse lucro se deu com a venda da companhia capixaba para o conglomerado Arcelormittal, com sede em Luxemburgo, em 2005. Conhecido na Faria Lima, avenida que abriga hoje a sede da GWI, como “o rei do termo”, a sua estratégia visa à compra futura de ações dadas em garantia nas operações a termo. Na prática, ele detém os papéis, mas não paga por elas, apostando na sua valorização. A tática lhe rendeu muitos ganhos e permitiu que ele se tornasse, em 2004, um investidor ativista – que participa diretamente da gestão das empresas nas quais investe.

A sua primeira empreitada como investidor ativista foi na Lojas Americanas. Ele comprou 5,2% das ações com voto e chegou a elevar essa participação para 16,2% em 2007. Conquistou uma cadeira no conselho de administração e, ao lado de sócios de peso, como Carlos Alberto Sucupira, Marcel Telles e Jorge Paulo Lemann, queria contribuir para tornar a companhia global, uma espécie de InBev do varejo. “Jorge Paulo Lemann comprou a Brahma, depois a Antarctica. Partiu para a América Latina, se juntou com a belga Interbrew e depois com americana Budweiser. É exatamente assim que queremos fazer”, disse Mu Hak à DINHEIRO em setembro de 2008, em uma rara entrevista. Poucos dias depois, porém, a crise do subprime derreteu os mercados – e seus investimentos. A queda prejudicou os fundos, que foram fechados para captações e resgates depois de quatro anos seguidos de rentabilidade. Para evitar a falência, ele teve de se desfazer de parte do portfólio, o que incluiu as ações das Lojas Americanas.

Saraiva: A GWI tentou derrubar o presidente da empresa em 2016 e acabou perdendo a queda de braço para a família controladora (Crédito:Fabiana Schreiner e Fernando Raphael)

O investidor sul-coreano enfrentou situação semelhante em agosto de 2011, quando em outro tropeço do mercado, o seu fundo Private, igualmente alavancado, perdeu 273% em um só dia e ficou com patrimônio negativo de R$ 25 milhões. Nos fundos muito alavancados, erros dos gestores podem, sim, provocar perdas superiores ao total de ativos. As perdas se deveram, em grande parte, à queda dos papéis da Marfrig, que despencaram 92% entre abril e agosto de 2011. Isso rendeu à Mu Hak mais um desafeto, a corretora Socopa. O gestor havia comprado 5% das ações do frigorífico em uma operação a termo, custodiada pela corretora. Nesses casos, se as cotações caírem antes da conclusão do negócio, o prejuízo fica com o comprador.

Para azar de Mu Hak, a queda ocorreu antes do pagamento, o que lhe custou caro. O gestor acusou a Socopa de ter vendido os papéis em apenas cinco dias, amplificando as perdas em 30%. A corretora reagiu dizendo que havia sido obrigada a vender os papéis para cobrir os prejuízos. A Bolsa avaliou que os fundos da GWI haviam feito operações acima do permitido. A CVM considerou a gestora culpada e lhe aplicou uma multa de R$ 7,6 milhões, além de suspender, por cinco anos, a autorização de Mu Hak para administração de carteira de valores mobiliários. A GWI entrou com recurso e a decisão está sendo discutida em segunda instância. Até a palavra final da autarquia, a penalidade está suspensa.

O caso mais ruidoso envolvendo Mu Hak aconteceu em junho de 2016, quando o sul-coreano tentou tomar o controle da Saraiva. À época, ele tinha 38,6% das ações preferenciais com voto restrito da companhia, cujos fundamentos frágeis refletiam na perda de 30% do valor de mercado no primeiro semestre daquele ano. Diante do cenário, Mu Hak engrossou o coro dos minoritários para retirar o comando das mãos de Jorge Saraiva Neto. A família Saraiva reagiu de maneira contundente e entrou com uma representação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para investigar abuso de direito de acionista, entre outras infrações. Mu Hak foi acusado de invadir a sede da empresa no feriado de Corpus Christi para verificar documentos. A Saraiva venceu a queda de braço e a GWI reduziu aos poucos a sua participação na empresa até zerar posição em abril de 2017. Agora, com a briga com a Gafisa, Mu Hak tenta mais uma vez assumir o protagonismo em um conselho. Será que terá mais sorte que nas outras ocasiões?

Com informações da Istoé e Terra

Joesley e Wesley pedem depoimento de Janot em rescisão da delação

O donos da J&F ainda solicitam documentos relacionados ao ex-procurador Macello Miller

A defesa do empresário Joesley Batista, da J&F, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para o ex-procurador-Geral da República Rodrigo Janot, integrantes e ex-integrantes do escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe (TRW) serem ouvidos no processo cujo objetivo é discutir a rescisão dos acordos de delação da J&F.

O mesmo pedido foi feito pelo irmão de Joesley, o empresário Wesley Batista, líder do Grupo J&F. Wesley também pediu para apresentar pareceres técnicos que foram anexados no processo que tramita na Justiça Federal em São Paulo, que investiga os irmãos Batista pelo crime de insider trading.

Na ação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicita que o STF homologue a rescisão dos acordos assinados por Joesley, o irmão Wesley Batista, Ricardo Saud e Francisco de Assis e Silva.

A manifestação do empresário responde a pedido feito pelo ministro Edson Fachin, relator do caso. Em junho, o ministro determinou para a defesa dos colaboradores especificar provas que pretendem produzir no caso. Na ocasião, Fachin também decidiu que, quando for concluída a fase de coleta de provas, caberá ao plenário da Corte decidir se homologa ou não a rescisão pedida pela PGR.

Na manifestação enviada nesta segunda-feira (6/8), os advogados de Joesley também querem que o Trench Rossi Watanabe forneça várias documentações relacionadas ao ex-procurador Macello Miller, apontado pela PGR de ter atuado pelos interesses do grupo J&F para dar orientações na colaboração premiada dos executivos enquanto ainda era integrante do MPF, por meio do Trench Rossi Watanabe.

Entre os requerimentos estão relação de passagens aéreas e despesas pagas em favor Miller, relação de horas de trabalho do ex-procurador, atas de reunião e cópias de emails trocados entre os sócios do escritório, entre outubro de 2016 e abril de 2017, “cujo assunto ou teor envolvam Marcelo Miller, JBS, J&F, Projeto Wings, Embraer, Caviar e Stryker”, detalha a petição.

No pedido dos advogados do executivo consta ainda concessão de prazo para que a defesa informe todos os inquéritos nos quais Joesley já prestou depoimentos como delator para a polícia “esclarecer se a colaboração foi efetiva” e se os depoimentos auxiliaram nas investigações.

Na semana passada, Miller pediu a Fachin para participar do processo de rescisão, já que sua suposta atuação seria um dos motivos para a PGR pedir a rescisão dos acordos da J&F. No pedido formulado ao STF, Miller destacou ser réu na Justiça Federal por esse suposto auxílio ilícito ao grupo.

Em junho, a 15ª Vara do Distrito Federal aceitou denúncia no caso contra ele, Joesley, Francisco Assis e Silva e a advogada Esther Flesch, ex-sócia do escritório Trench Rossi e Watanabe. Os depoimentos de Flesch e Miller também foram pedidos pela defesa de Joesley.

Acusação
Segundo a denúncia, haveria uma promessa de pagamento indevido de R$ 700 mil dos executivos a Miller. Para o ex-procurador, é essencial que ele possa se manifestar na ação em andamento no STF, já que o processo no qual é réu na primeira instância trata do mesmo assunto.

Na última semana, a PGR pediu a Fachin cópia de processos que colaboradores da J&F respondem na 1ª instância a fim de incluir no processo sobre a rescisão. Joesley também é réu, na Justiça Federal em São Paulo, junto com o irmão Wesley, pelo crime de insider trading.

Rescisão
Os acordos de executivos da J&F foram homologados pelo STF em 11 de maio do ano passado. À época, Joesley envolveu o presidente Michel Temer, ao gravar conversa entre os dois em encontro no Palácio do Jaburu.

Em 14 de setembro de 2017, o então procurador-geral da República, Janot, informou que decidiu rescindir os acordos de colaboração premiada firmados por Joesley e Saud.

Em fevereiro deste ano, foi a vez da sucessora de Janot, a procuradora-geral da República Raquel Dodge rescindir os acordos de Wesley e Francisco de Assis e Silva.

Na ocasião na qual Janot ainda chefiava a PGR, o ex-procurador apontou que os Joesley e Saud agiram de má fé ao omitirem suposto fato criminoso envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além do suposto envolvimento de Miller.

Fonte: metropoles

Joesley Batista e ex-procurador Marcello Miller viram réus por corrupção

Ex-procurador da República, Miller é suspeito de aceitar oferta R$ 700 mil para ajudar grupo J&F, de Batista, a obter informações para fechar delação premiada.

A Justiça Federal do Distrito Federal aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o ex-procurador da República Marcello Miller e o empresário Joesley Batista.

Com isso, eles se tornam réus na Justiça Federal em Brasília. Nesse caso, Miller é acusado receber oferta de vantagem indevida de R$ 700 mil para ajudar o J&F (grupo do qual a JBS faz parte e que tem entre os donos Joesley Batista) a obter informações para fechar acordo de delação premiada.

Também se tornaram réus no processo a advogada Esther Flesch e o ex-diretor jurídico da JBS Francisco de Assis e Silva.

Antes de sair da Procuradoria-Geral da República, Miller atuou na Operação Lava Jato, que tem o grupo J&F entre os investigados.

Conforme a acusação do MPF, “Joesley Batista e Francisco de Assis ofereceram promessa de vantagem indevida a Marcello Miller e Ester Flesch, para que o primeiro, ainda que potencialmente, praticasse atos de ofícios em seu favor”.

Na semana passada, a Polícia Federal concluiu que Marcello Miller ajudou na delação, mas não interferiu na produção de provas, nem orientou Joesley Batista durante as gravações espontâneas realizadas pelo empresário.

Informações privilegiadas

De acordo com a acusação, Marcello Miller usou conhecimentos e acesso que tinha à Procuradoria Geral da República para obter informações privilegiadas.

Ele teria começado a receber pelo trabalho em fevereiro de 2017, mas só deixou o cargo oficialmente em abril. O valor de R$ 700 mil, conforme o MP, foi caculado pelo pagamento das estratégias de negociação e revisão dos anexos. Para o MP, Marcello Miller foi o “estrategista” da delação da J&F.

“O preço desse auxílio, calculado pelo escritório TRW (R$ 700.000,00), abrangeu aconselhamentos acerca de estratégias de negociação e revisão dos anexos, além da redação final da proposta que foi apresentada, sob a ótica de um Procurador da República que atuava, justamente, nessa atividade de assessoria do PGR e, portanto, tinha nas suas atribuições a celebração de minutas e outros atos no âmbito das tratativas para celebração de acordo de colaboração premiada”.

Versões dos denunciados

  • Marcello Muller – A defesa do ex-procurador Marcello Miller divulgou a seguinte nota: “A defesa de Marcello Miller esclarece que: 1. A denúncia não consegue especificar que vantagem financeira teria sido oferecida a Miller. Não consegue porque essa oferta simplesmente não existiu. 2. O que Miller recebeu da J&F foi uma oferta de emprego, sem quantificação de valores, e mesmo assim não a aceitou, conforme evidenciado em mensagens de áudio entre Wesley e Joesley Batista, as quais são de domínio público. Miller estranha que esse diálogo não seja mencionado na denúncia. 3. A denúncia não consegue descrever um único ato de solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por Miller. Não consegue porque isso simplesmente não aconteceu. 4. Miller nunca determinou a emissão de nenhuma fatura e não foi sequer informado da emissão de fatura de 700 mil reais à empresa J&F. 5. A denúncia tenta qualificar como relativos à função pública atos que qualquer advogado com alguma experiência poderia praticar. E desconsidera a prova dos autos, que aponta em uma única direção: Miller não utilizou a função pública, da qual já estava em notório desligamento, para nenhuma finalidade privada”.
  • Joesley Batista – Em nota divulgada nesta quinta-feira (25), a defesa de Joesley afirma que o empresário não praticou o crime a ele imputado. “O empresário nunca ofereceu qualquer vantagem indevida a Marcello Miller e reitera que eventual irregularidade na contratação de um sócio pelo maior escritório de compliance do mundo deve recair única e exclusivamente sobre essa banca de advogados. Nem mesmo a advogada criminalista contratada, à época, para conduzir a colaboração premiada alertou acerca de qualquer irregularidade.”
  • Esther Flesh – Em setembro de 2017, a advogada Ester Flesch declarou que sempre se pautou pelos mais altos padrões de ética e transparência e que sempre seguiu as orientações do escritório onde trabalhava.
  • Francisco de Assis – A defesa do advogado Francisco de Assis divulgou nota nesta quinta em que afirma que: “a J&F contratou o escritório Trench, Rossi e Watanabe – banca até então referência em integridade – para assessorá-la no acordo de leniência. Francisco de Assis não tinha motivos, portanto, para suspeitar de qualquer irregularidade na atuação de Marcelo Miller, sócio do escritório. Francisco de Assis colaborou com a investigação, deixando claro que jamais procurou obter qualquer vantagem indevida no MPF por meio de Marcello Miller ou qualquer outra pessoa.”

Fonte: g1

Plenário do STF decidirá sobre anulação das delações de Joesley e Saud

Ministro Edson Fachin remeteu pedido da Procuradoria-Geral da República à análise dos onze ministros. Decisão será tomada só depois do recesso do Judiciário

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou nesta quarta-feira, 27, que o plenário do STF deve decidir sobre o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para homologar a rescisão do acordo de colaboração do empresário Joesley Batista, um dos sócios do Grupo J&F, e do ex-diretor de relações institucionais da empresa Ricardo Saud.

Ainda não há data marcada para o julgamento, mas os onze ministros do Supremo devem analisar o caso somente a partir de agosto, quando se encerra o período de recesso do Judiciário.

No despacho em que encaminhou o caso ao plenário, Fachin concedeu prazo de cinco dias para que as partes no processo indiquem as provas que pretendem produzir.

Em setembro do ano passado, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu ao STF a rescisão dos acordo de colaboração de Joesley e Saud. Desde então, Edson Fachin, relator do caso, analisa a questão.

Segundo a PGR, os acusados omitiram da delação a participação do ex-procurador da República Marcelo Miller a favor dos interesses do grupo J&F e uma suposta conta bancária de Saud no Paraguai. Para a procuradoria, as provas obtidas no acordo de colaboração, que baseiam investigações, devem ser mantidas.

Após pedido de rescisão das delações premiadas de Joesley Batista e Ricardo Saud, Fachin decretou as prisões de ambos, mas eles conseguiram liberdade provisória a partir de uma decisão da Justiça Federal em Brasília.

Fonte: veja

MPF denuncia Joesley e ex-procurador por corrupção

Segundo a acusação, documentos trocados entre Miller e integrantes do escritório de advocacia que o contratou comprovariam o “jogo duplo” no caso.

O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília denunciou hoje (25) à Justiça o empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa e do grupo J&F, e o ex-procurador da República Marcelo Miller pelo crime de corrupção.

De acordo com a denúncia, na gestão do ex-procurador da República Rodrigo Janot, Marcelo Miller atuou em favor da J&F durante o processo de assinatura do acordo de delação. Segundo a acusação, documentos trocados entre Miller e integrantes do escritório de advocacia que o contratou comprovariam o “jogo duplo” no caso.

A defesa do ex-procurador sustentou no processo que ele “nunca atuou como intermediário entre o grupo J&F ou qualquer empresa e o procurador-geral da República Rodrigo Janot ou qualquer outro membro do Ministério Público Federal”.

Fonte: agenciabrasil

Cármen Lúcia arquiva investigação contra ministros do STF

Presidente do STF determinou a investigação em setembro do ano passado, quando a PGR informou que gravações feitas por Joesley Batista citavam ministros

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, anunciou nesta quinta-feira (21) o arquivamento de uma investigação aberta no ano passado para apurar menções a ministros da Corte em gravações de executivos da JBS.

Numa conversa entregue à Procuradoria-geral da República (PGR), em acordo de delação premiada, o empresário Joesley Batista e o diretor Ricardo Saud falaram sobre possível tentativa de gravarem o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo para que ele “entregar” ministros da Corte.

Após a revelação da conversa, a ministra Cármen Lúcia mandou a Polícia Federal abrir investigação sobre as menções. Nesta quinta, a presidente do STF informou que o relatório final da investigação não apontou nenhum indício de participação de ministros em atos ilícitos.

“Não houve, não há qualquer dúvida que tenha sido extraída de qualquer documento sobre qualquer conduta de qualquer ministro”, afirmou, na abertura da sessão de julgamentos.

Cármen Lúcia determinou a investigação em setembro do ano passado, depois que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot informou que gravações feitas por Joesley Batista citavam ministros do Supremo.

No diálogo entre Joesley e Saud, ocorrido em março de 2017, segundo a PGR, eles também discutem uma forma de se aproximarem de Janot, por intermédio do ex-procurador Marcello Miller.

A suposta orientação prestada por Miller aos executivos levaram a PGR a rescindir o acordo de delação, por suposta omissão da ajuda, sujeitando os delatores a punições – a perda dos benefícios ainda não foi decidida pelo STF.

Na sessão, Cármen Lúcia disse que a investigação sobre a menção aos ministros se fazia necessária porque, segundo ela, “não poderia pender qualquer tipo de a mais leve dúvida sobre a conduta daqueles que compõem e integram esse Supremo Tribunal Federal”.

Mantega assume encontro com Joesley, mas nega favorecimento à JBS

O ex-ministro da Fazenda é investigado na Operação Bullish, que apura supostos benefícios da empresa no BNDES

O ex-ministro Guido Mantega admitiu à Polícia Federal (PF) que se encontrou com o empresário Joesley Batista no Ministério da Fazenda, quando comandava a pasta, mas negou que fosse para tratar de ilegalidades ou favorecimento à JBS. A informação é da GloboNews.

O político prestou depoimento à PF em São Paulo, no dia 29 de maio, sobre suposto benefício da empresa de Joesley Batista no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mantega propôs atuar como uma espécie de colaborador das investigações que apuram suspeitas de irregularidades em negócios bilionários do BNDES com empresas.

Antes de ser ministro da Fazenda, Mantega foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento de novembro de 2004 a março de 2006.

No depoimento de Mantega consta “que, como ministro da Fazenda, o declarante participou de reuniões com o empresário Joesley, nas dependências do ministério, em Brasília , assim como no prédio do Banco do Brasil em São Paulo, pois eram os locais onde o declarante atendia os empresários.”

Joesley Batista
As investigações têm base na delação de Joesley Batista, quando afirmou que o ex-ministro da Fazenda interferia para que o BNDES concedesse empréstimos à JBS, e que o então presidente do banco, Luciano Coutinho, era contra a liberação do dinheiro.

Fonte: metropoles

Joesley diz à PF que deu R$ 500 mil para senador “na garagem de casa”

Ciro Nogueira foi alvo da Operação Lava Jato. Os agentes da Polícia Federal fizeram buscas no gabinete e na residência do parlamentar

O empresário Joesley Batista, acionista do grupo J&F, prestou depoimento à Polícia Federal no qual confirma ter repassado R$ 500 mil em espécie ao senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Partido Progressista (PP). As informações foram prestadas ao delegado Cleyber Malta Lopes no último dia 6 de abril, em relato dentro da investigação aberta para apurar se o ex-procurador Marcelo Miller auxiliou os delatores da J&F quando estava na Procuradoria-Geral da República (PGR).

A informação sobre o novo depoimento de Joesley foi dada pela repórter Camila Bomfim, da TV Globo. O jornal O Estado de S. Paulo confirmou os dados e teve acesso ao relato de Joesley.

Nessa terça-feira (24/4), Ciro foi alvo da Operação Lava Jato. Os agentes da Polícia Federal fizeram buscas no gabinete e na residência do senador, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). As buscas se estenderam também ao deputado Dudu da Fonte (PP/PE). Os dois negam envolvimento em propinas.

O empresário revelou os detalhes do repasse ao senador quando explicava ao delegado o conteúdo e o motivo de ter feito uma gravação chamada “Piauí Ricardo 3”.

O áudio dessa gravação é o mesmo que resultou no pedido do então procurador-geral da República Rodrigo Janot para que fosse aberta uma apuração sobre possíveis omissões no acordo dos executivos da J&F.

“O objetivo de tais gravações era registrar os diálogos durante as tratativas e entrega de R$ 500 mil para Ciro Nogueira”, disse Joesley no seu depoimento. De acordo com o empresário, a entrega dos valores foi efetuada pelo então diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud, na garagem da residência de Batista, na capital paulista, em 17 de março de 2017.

O empresário disse ainda que a “gravação ocorreu por acidente” e que não se recorda exatamente em poder de quem estava o gravador. “No momento da gravação Piauí Ricardo 3, o depoente e Ricardo Saud não sabiam que o equipamento estava ligado e, somente no dia seguinte, quando Demilton, colaborador e funcionário da J&F, percebeu que o arquivo era muito grande e avisou o depoente sobre tal gravação”, diz o relato de Joesley.

Na versão do empresário, embora o conteúdo dos áudios tenha “por acidente conversas de cunho pessoal e sobre intimidade de terceiros”, a possibilidade de edição do material foi descartada.

Inquérito

Por conta de citações nas delações dos executivos da J&F, a PGR já pediu ao STF a instauração de novo inquérito contra o senador Ciro Nogueira por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

As acusações giram em torno do suposto recebimento de vantagens indevidas pelo PP para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014 e não agir contra a ex-presidente no processo de impeachment instaurado no Congresso Nacional.

O pedido de instauração de inquérito, feito em dezembro de 2017, é baseado na colaboração premiada feita pela JBS em maio, que, segundo a PGR, revelam o pagamento de vantagens ilícitas a Ciro Nogueira.

Defesa

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, se manifestou em nota: “O senador nega peremptoriamente que tenha recebido este dinheiro. Sempre manteve relação com vários empresários, sempre de maneira republicana.”

Fonte: metropoles

Justiça de SP ouve testemunhas em processo que envolve Joesley e Wesley Batista

Amanhã cedo, também devem ocorrer depoimentos de mais algumas testemunhas de defesa do caso

Uma testemunha de acusação, técnico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi ouvido na manhã de hoje (9) pela Justiça Federal em processo que apura se os irmãos Joesley e Wesley Batista teriam usado informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro [insider trading].

O depoimento da testemunha já havia ocorrido na semana passada, mas teve que ser refeito depois que houve um problema técnico na gravação do áudio.

O depoimento dessa testemunha durou, segundo a procuradora Thaméa Danelon, do Ministério Público Federal, cerca de três horas. Após a audiência da primeira testemunha, foi feito um intervalo para o almoço.

Amanhã cedo, também devem ocorrer depoimentos de mais algumas testemunhas de defesa do caso.

Fonte: agenciabrasil

MPF recorre de soltura de Joesley e pede que processo volte a juiz Vallisney

No entendimento dos investigadores, ainda não é possível afirmar que cenário mudou e que o empresário não tem condições de interferir nas apurações em andamento

A Procuradoria da República no Distrito Federal recorreu da decisão do juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal em Brasília, que soltou no início do mês o empresário Joesley Batista, acionista da JBS. No mesmo pedido, os procuradores solicitam que o caso volte para o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília.

O pedido dos procuradores confronta a posição do juiz da 12ª Vara, exposta em sua decisão, de que a suposta “prática criminosa foi interrompida com as medidas já adotadas”. No entendimento dos investigadores, ainda não é possível afirmar que cenário mudou e que o empresário não tem condições de interferir nas apurações em andamento.

“A suposta prática criminosa foi interrompida com as medidas já adotadas pelo dominus litis, nos acordos de colaboração e leniência do grupo empresarial que administra. O risco à aplicação da lei penal há de ser afastado pela retenção de seu passaporte a proibição de ausentar-se do país, medidas suficientes, razoáveis e proporcionais à situação pessoal do Requerente”, disse o juiz na decisão de soltura de Batista.

No entendimento dos procuradores, a conexão foi apontada pelo próprio juiz Vallisney de Souza Oliveira, em decisão de 14 de dezembro, ao deferir o compartilhamento de informações da Sépsis e Cui Bono? com a investigação de Joesley Batista.

O caso de Batista está relacionado com a operação Patmos, desdobramento do acordo de colaboração dos executivos do Grupo J&F, que investiga o pagamento de propina a mais de 1 mil políticos.

A Sépsis, deflagrada em julho de 2015, investiga a atuação da suposta organização criminosa formada por integrantes do MDB da Câmara na vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa. Responsável por administrar o fundo de investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), a vice-presidência era comandada por Fabio Cleto, indicado pelo ex-deputado Eduardo Cunha. Após ser alvo da Lava Jato, Cleto virou delator e entregou à Justiça detalhes sobre o pagamento de propina feito por grandes empresas para conseguir investimentos do FI-FGTS.

A Cui Bono?, por sua vez, também tem como alvo uma vice-presidência da Caixa, a de Pessoa Jurídica, comandada à época do governo de Dilma Rousseff (PT) por Geddel Vieira Lima. De acordo com o MPF, o grupo político do MDB da Câmara, do qual o presidente Michel Temer faz parte, cobrava propina de grandes empresas para liberar empréstimos milionários.

Fonte: istoé