Perícia revela que voz que liberou entrada de Élcio de Queiroz em condomínio não é de porteiro que citou Bolsonaro

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O documento, assinado por seis peritos, também atesta que o áudio da portaria não sofreu qualquer tipo de edição

Laudo da Polícia Civil obtido pelo EXTRA concluiu que a voz do porteiro que efetivamente liberou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no condomínio Vivendas da Barra, no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, não é a do funcionário que mencionou o presidente Jair Bolsonaro aos investigadores da Delegacia de Homicídios (DH).

O documento, assinado por seis peritos, também atesta que o áudio da portaria não sofreu qualquer tipo de edição e que a pessoa que autorizou a entrada de Élcio no condomínio foi o policial reformado Ronnie Lessa. Tanto Élcio quanto Lessa estão presos sob a acusação de terem cometido o crime.

Em depoimento, no ano passado, um dos porteiros disse que Bolsonaro havia liberado a entrada de Élcio no condomínio. Depois, ele voltou atrás. Agora, a perícia no áudio da portaria, iniciada em 13 de janeiro deste ano, confirmou que foi um outro funcionário que interfonou para Lessa, morador do condomínio e vizinho de Bolsonaro. O crime aconteceu em 14 de março de 2018, por volta das 21h15. A gravação foi feita no mesmo dia, às 17h07m42s, portanto, quatro horas antes da execução.

Foto: Editoria de Arte

Nos depoimentos que prestou nos dias 7 e 9 de outubro do ano passado, o porteiro pivô do caso relatou que “Seu Jair”, referindo-se a Bolsonaro, havia autorizado a entrada de Élcio no dia do assassinato. Ele também contou à polícia que o ex-PM havia pedido para ir à casa número 58, onde vivia o então deputado federal e atual presidente da República. Bolsonaro, no entanto, se encontrava em Brasília no dia, como mostrou a TV Globo. Na capa, Foto: Pablo Jacob / Agência O GLOBO

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NO JORNAL O GLOBO

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‘Se eu fico preso ou se for achado eu vou ser morto’, disse miliciano acusado de “rachadinha” com Flávio Bolsonaro

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Adriano Nóbrega era também um dos suspeitos do Caso Marielle Franco; ele foi morto na Bahia

Apontado como o chefe do Escritório do Crime, o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano, morreu em um confronto com policiais militares na manhã deste domingo (9), na zona rural da cidade de Esplanada (BA).

Foragido havia mais de um ano, ele era alvo de um mandado de prisão expedido em janeiro de 2019.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro passou a ser monitorado por equipes do órgão a partir de informações de que ele teria buscado esconderijo na Bahia. O advogado de Adriano disse que o miliciano temia ser alvo de uma “queima de arquivo”.

“Ele falou que estava temendo pela vida dele, porque ele tinha certeza, segundo ele me disse, que esta operação para prendê-lo não era para prendê-lo verdadeiramente, mas era para matá-lo”, disse o advogado. “Eu disse que não era bem assim, tentei ponderar, até tentei convencê-lo para que se apresentasse a prisão. Ele falou: ‘Doutor, se eu fico preso ou se for achado eu vou ser morto’.”

Paulo Emílio Cata Pretta – Advogado

Em nota, a SSP-BA afirmou que Adriano era suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. O nome do miliciano, no entanto, não consta do inquérito que investiga a morte da vereadora.

De acordo com a SSP-BA, Adriano Magalhães da Nóbrega foi localizado em um imóvel em Esplanada por equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Litoral Norte e da Superintendência de Inteligência (SI) da SSP-BA. O imóvel é um sítio de um vereador do PSL de Esplanada.

Caso Queiroz

Segundo investigações do Ministério Público, Adriano era amigo do ex-PM Fabrício Queiroz, ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro. A mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio.

Queiroz teria inclusive recebido repasses de duas pizzarias controladas por Adriano, de acordo com a investigação:

  • a Pizzaria Tatyara Ltda repassou R$ 45.330 mil
  • o Restaurante e Pizzaria Rio Cap Ltda enviou R$ 26.920 mil

O MP suspeita que Adriano seja sócio oculto dos dois estabelecimentos. Formalmente, contudo, o ex-policial não aparece no quadro societário das empresas. Quem aparece é a mãe dele, Raimunda.

Os promotores investigam se o saque de R$ 202 mil das contas de Danielle e Raimunda foram entregues em mãos a Fabrício Queiroz, evitando assim qualquer rastro dos repasses.

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Caso Marielle: polícia cumpre cinco mandados de prisão

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A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro cumprem hoje (3) cinco mandados de prisão em um desdobramento das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março do ano passado. Um dos mandados está sendo cumprido contra o policial reformado Ronnie Lessa, acusado de participar dos homicídios.

Os outros alvos são a mulher de Ronnie, Elaine Lessa, o cunhado dele, Bruno Figueiredo, Márcio Montavano e Josinaldo Freitas. Eles são acusados de obstrução de Justiça, porte de arma e associação criminosa.

Segundo a Polícia Civil, o grupo teria ocultado armas usadas pelo grupo de Ronnie, entre elas a submetralhadora HK MP5, que teria sido usada para matar Marielle e Anderson.

De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios (DH) da capital, em março deste ano, dois dias depois das prisões de Ronnie e do ex-policial Élcio de Queiroz, outro acusado de matar Marielle e Anderson, o grupo teria jogado as armas no mar. Sob o comando de Elaine Lessa, conforme a polícia, o armamento foi descartado próximo às ilhas Tijucas, na altura da Barra da Tijuca.

Para a DH, Montavano tirou uma caixa com armas de um apartamento no bairro da Pechincha, na zona oeste do Rio, levou-a até Freitas, que havia contratado o serviço de um taxista para transportá-la até o Quebra-Mar, de onde saiu o barco que levou o material até o oceano.

Já Bruno Figueiredo é acusado de ajudar Montavano na execução do plano. Com o auxílio de mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Marinha, foram realizadas buscas no local, mas nada foi encontrado. A profundidade e as águas muito turvas dificultaram o trabalho, segundo a Polícia Civil.

Fonte: Agência Brasil

Assassinos de Marielle são transferidos para prisão em Rondônia

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Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz estavam em uma penitenciária em Mossoró, Rio Grande do Norte, e foram transferidos no último dia 26 em uma operação sigilosa

O sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz foram transferidos para uma prisão federal em Porto Velho, Rondônia, em uma operação secreta no último dia 26. Eles estão presos acusados pelas mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março do ano passado.

Os dois estavam em uma penitenciária federal em Mossoró, Rio Grande do Norte. A transferência foi realizada pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) em sigilo, por motivo de segurança.

É a segunda vez que eles são transferidos de prisão, já que foram detidos inicialmente no Rio de Janeiro.

Os dois respondem também pela posse de 117 fuzis incompletos apreendidos em março na casa de um amigo de Lessa.

PM tentou atrapalhar investigações sobre o assassinato de Marielle, aponta relatório da PF

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Relatório de 600 páginas está com a procuradora-geral da República. Raquel Dodge pediu que a PF apurasse a conduta dos investigadores da Polícia Civil no caso após indícios de irregularidades

Um relatório da Polícia Federal (PF) da “investigação da investigação” da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes aponta um PM como responsável por atrapalhar os trabalhos da polícia.

A PF afirma que o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, criou uma história com a finalidade de confundir as autoridades – e aproveitou a trama para se vingar.

Dodge pediu que a PF apurasse a conduta de agentes das polícias Civil e Federal no caso após indícios de irregularidades. O relatório tem 600 páginas.

A informação foi inicialmente publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, e confirmada nesta quinta-feira (23) pela TV Globo.

De testemunha-chave a investigado

O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha — Foto: Reprodução

O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha — Foto: Reprodução

Durante meses, Ferreirinha foi considerado a principal testemunha do Caso Marielle. O PM apontou o miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, e o vereador Marcello Siciliano como mandantes das mortes. Os dois sempre negaram qualquer envolvimento no crime.

Em março, a TV Globo mostrou com exclusividade o depoimento da advogada de Ferreirinha à PF. Camila Nogueira disse que desconfiava da versão apresentada pelo cliente e que se sentiu usada.

Os delegados da PF que apresentaram Ferreirinha como testemunha também foram investigados, assim como alguns policiais civis. O relatório não aponta nada contra eles.

A vereadora Marielle Franco foi morta a tiros no dia 14 de março de 2018 no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, quando voltava de um evento na Lapa. O motorista do veículo, Anderson Gomes, também foi atingido e morreu.

Ronnie Lessa e Élcio Queiroz — Foto: Reprodução/TV Globo

Ronnie Lessa e Élcio Queiroz — Foto: Reprodução/TV Globo

No dia 12 de março deste ano, o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz foram presos por suspeita de envolvimento no crime. Para os investigadores, Ronnie teria sido o autor dos disparos e Élcio dirigia o carro usado no dia do crime.Ambos estão em um presídio federal fora do Rio. As investigações se concentram na busca pelo mandante.

Em maio deste ano, a Justiça do RJ negou o pedido de liberdade feito pela defesa de Élcio Queiroz. Ficou marcada para o dia 7 de junho a data de instrução e julgamento do caso.

Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos no dia 14 de março, no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/ TV Globo

Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos no dia 14 de março, no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/ TV Globo

Moro não “segue o dinheiro” nos casos de Queiroz e Marielle

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Ex-juiz sempre defendeu tese que “para achar o chefe, basta seguir o dinheiro”, mas ele ignora esse princípio nos casos mais emblemáticos

O ex-juiz federal e atual ministro da Justiça Sérgio Moro não está aplicando sua principal tese de combate à corrupção que é o “siga o dinheiro para encontrar o chefe“, conforme ele próprio ensinava a seus alunos em cursos e eventos públicos.

Dois casos emblemáticos se alternam na mídia atualmente e chamam a atenção pela demora em soluciona-los, o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e o escândalo envolvendo o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, quando este era deputado estadual, Fabrício Queiroz, que movimentou mais de R$ 7 milhões em suas contas, foi operado no Hospital Albert Einstein, um dos mais caros do país e atualmente está em ‘local incerto’.

E em ambos os casos, o dinheiro aparece de forma gritante. No último dia 10, veio à público a revelação que o sargento reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Ronnie Lessa, 48, comprou um lote de 3.400 metros quadrados em um condomínio de luxo em Angra dos Reis (RJ). Em julho de 2015, o PM pagou R$ 600 mil à vista pelo terreno no condomínio Portogalo, de acordo com documentos obtidos pelo UOL em cartórios no Rio e em Angra. Corrigido pela inflação, o valor chega a R$ 718 mil. De acordo com dados da PM, ele recebe R$ 7.400 mensais de aposentadoria. Ronnie era um conhecido ‘armeiro’ entre a bandidagem carioca e os milicianos e movimentava vultosas quantias em dinheiro. Uma boa pista a ser seguida, mas que vem sendo ignorada pelas autoridades, que não devem ter feito curso com o ex-juiz.

Já no caso de Fabrício Queiroz, foi autorizada pela justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal tanto do ex-assessor quanto do senador Flávio Bolsonaro, que se diz empresário e que “todas suas movimentações já foram mostradas na TV”. O Ministério Público do Rio discorda dessa afirmação. Em nota, o Parquet afirmou inclusive que o senador estaria “direcionando esforços para interromper as investigações” que em bom português quer dizer “obstruindo a justiça”.

Sérgio Moro vem passando por uma fase complicada à frente do Ministério da Justiça. Uma das principais medidas tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro foi feita sem sequer passar por ele, o Decreto das Armas, que o próprio Moro havia apontado inconstitucionalidades. Para complicar ainda mais a vida do ministro, o presidente declarou no fim de semana que ‘tem um compromisso de nomear Moro ao STF’ tão logo surja uma vaga. Moro desmentiu o presidente no dia seguinte, afirmando que ‘não impôs nenhum condicionante para ser ministro’.

O ex-juiz precisa tomar as rédeas de sua pasta, a começar por investigar de uma vez o senador Flávio Bolsonaro. Como a própria família gosta de repetir, ‘quem não deve não teme’, ou ‘a verdade vos libertará’. Esse caso de Fabrício Queiroz precisa ser esclarecido de uma vez por todas, e cá entre nós, em qualquer outro cenário ele já estaria preso e teria que provar sua ‘inocência’ atrás das grades. Já no caso de Marielle, achar os executores não basta, tem que encontrar o mandante. E Ronnie Lessa pode ser qualquer coisa, menos um ideólogo de direita que queria matar a vereadora esquerdista. De direita ele até pode ser, mas ‘fazer serviço de graça’ é querer demais.

Segue o dinheiro Moro, e salve o que resta de sua biografia.

Foto de capa: O Globo

CNN no Chile diz que “todas as pistas do caso Marielle levam à Bolsonaro”

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Publicação afirma que “há várias pistas que apontam para uma figura altamente conhecida: o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro”

A imprensa internacional vem repercutindo o caso Marielle e ao menos a CNN no Chile afirma que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro seria o principal culpado pelo crime. Reportagem publicada no último dia 15 no site da CNN Chile, aponta o mandatário brasileiro como “mandante da morte da vereadora”.

Matéria publicada na CNN chilena acusa Bolsonaro

Assim a publicação faz referência ao caso:

“Dois dias antes do primeiro aniversário, na terça-feira 12 de março de polícia brasileira capturou dois policiais militares que seriam os supostos assassinos: Ronnie Lessa, 48, que disparou 13 tiros contra o veículo, e Élcio Vieira de Queiroz, 46 , que estava dirigindo o carro em que seu parceiro estava.

Ambos faziam parte do Escritório de Crime, um grupo de homens armados ligados a um bairro milícia das Pedras Rio, no oeste do Rio de Janeiro, de acordo com investigadores do Ministério Público, o ataque foi planejado em detalhes por três meses e foi motivado pelo desempenho político do conselho, que era conhecido por confrontar e denunciar o desempenho de tais grupos paramilitares nas favelas.

A polícia assegurou que a autoria material do crime é esclarecida, mas, em contraste, não há provas para orientar quem eu mando matar. No entanto, há várias pistas que apontam para uma figura altamente conhecida: o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.”

CLIQUE AQUI PARA LER A REPORTAGEM NA CNN DO CHILE

A publicação elenca cinco motivos para tal afirmação precipitada – 1 – o fato do ex-PM Ronnie Lessa morar no mesmo condomínio que o presidente; 2 – o filho de Jair Bolsonaro ter namorado a filha de Lessa; 3 – a foto em que Elcio Queiroz, motorista do carro usado no assassinato da vereadora, aparece ao lado de Jair Bolsonaro; 4 – o fato do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega ter trabalhado no gabinete de Flávio Bolsonaro e; 5 – o fato do presidente e seus filhos terem saído em defesa de milícias e milicianos por diversas vezes, em situações distintas.

Em outra postagem, publicada nesta segunda-feira, a CNN do Chile informa que protestos contra Jair Bolsonaro estão sendo organizados no país. O presidente tem uma visita agendada ao Chile na próxima quinta-feira, 21.

Foto da capa – Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

Em Brasília, ponte Costa e Silva amanheceu como “Ponte Marielle”; movimento assumiu autoria

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Movimento de Mulheres Olga Benario assumiu autoria do adesivo que cobriu o nome oficial da ponte

Em Brasília, a ponte Costa e Silva amanheceu hoje com um adesivo com o nome de Marielle Franco.

Nas redes sociais, um movimento chamado Olga Benário assumiu a ação e a justificou assim:

PM reformado e ex-PM são presos por participação nos assassinatos de Marielle e Anderson

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Força-tarefa afirma que o policial reformado Ronnie Lessa atirou contra a vereadora e que o ex-militar Élcio Vieira de Queiroz dirigia o carro que perseguiu Marielle. Crimes completam um ano nesta quinta-feira (14)

Policiais da Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam, por volta das 4h30 desta terça-feira (12), o policial militar reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. A força-tarefa que levou à Operação Lume diz que eles participaram dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Os crimes completam um ano nesta semana.

O que diz a denúncia

  • Ronnie Lessa é o autor dos 13 disparos que mataram Marielle e Anderson; ele estava no banco de trás do Cobalt que perseguiu o carro da vereadora.
  • Élcio Vieira de Queiroz dirigiu o Cobalt.

“É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia”, diz a denúncia, acrescentando que a barbárie praticada na noite de 14 de março do ano passado foi um golpe ao Estado Democrático de Direito.

A investigação ainda tenta esclarecer quem foram os mandantes do crime e a motivação.

Prisões

Segundo informações obtidas pelo G1, Ronnie e Élcio estavam saindo de casa quando foram presos. Eles não resistiram à prisão e nada disseram aos policiais.

Ronnie estava em sua casa em um condomínio na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, o mesmo onde o presidente Jair Bolsonaro tem residência. Écio estava em casa, na Rua Eulina Ribeiro, no Engenho de Dentro.

A Operação Lume realiza ainda 32 mandados de busca e apreensão contra os denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munição e outros objetos. Durante todo o dia, haverá buscas em dezenas de endereços de outros suspeitos.

Após a prisão de Ronnie, agentes fizeram varredura no terreno da casa dele e encontraram armas e facas. Detectores de metais vasculhavam o solo, e até uma caixa d’água foi vistoriada.

‘A mando de quem?’, questiona Freixo

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) disse que, apesar das duas prisões, o caso “não está resolvido”. Amigo de longa data, ex-chefe e correligionário de Marielle, Freixo questionou: “A mando de quem?”.

“São prisões importantes, são tardias. É inaceitável que a gente demore um ano para ter alguma resposta. Então, evidente que isso vai ser visto com calma, mas a gente acha um passo decisivo. Mas o caso não está resolvido. Ele tem um primeiro passo de saber quem executou. Mas a gente não aceita a versão de ódio ou de motivação passional dessas pessoas que sequer sabiam quem era Marielle direito”, disse em entrevista.

Três meses de pesquisas

Ronnie foi levado para a Divisão de Homicídios do Rio por volta das 4h30. De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o crime foi meticulosamente planejado durante três meses. O atentado completa um ano nesta quinta-feira (14).

A investigação aponta que Ronnie fez pesquisas na internet sobre locais que a vereadora frequentava. Os investigadores sabem também que, desde outubro de 2017, o policial também pesquisava a vida de Freixo.

Ronnie teria feito pesquisas sobre o então interventor na segurança pública do Rio, general Braga Netto, além de buscas sobre a submetralhadora MP5, que pode ter sido usada no crime.

A polícia afirma ainda que Ronnie usou uma espécie de “segunda pele” no dia do atentado. A malha que cobria os braços serviria, segundo as investigações, para dificultar um possível reconhecimento.

Nome da operação

A Operação Lume foi batizada em referência a uma praça no Centro do Rio, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista. No local, ela também costumava se reunir com outros defensores dos direitos humanos e integrantes do PSOL.

Além de significar qualquer tipo de luz ou claridade, a palavra lume compõe a expressão “trazer a lume”, que significa trazer ao conhecimento público, vir à luz.

‘Marielle incomodava’, diz assessora

Assessora que estava ao lado de Marielle Franco quando a vereadora foi executada, Fernanda Chaves afirmou que a chefe incomodava. Mas ela não soube identificar uma situação específica para justificar o atentado. “Era um conjunto de coisas, a Marielle incomodava”, afirmou.

Neste domingo (10), Fernanda falou pela primeira vez sem esconder o rosto. “Ela era obviamente crítica à ação das milícias, não tinha as milícias como alvo. Institucionalmente, ela tinha uma limitação como vereadora. O mandato dela estava muito mais voltado para questões de gênero, de violência contra a mulher”, emendou Fernanda.

A assessora acrescenta que Marielle não tinha se indisposto com ninguém na época. “Ela não teve um problema específico que pudesse ter engatilhado uma situação que culminasse com o assassinato dela”, afirmou.

Linhas de investigação

A DELAÇÃO

Quase dois meses após o crime, em maio, uma publicação do jornal “O Globo” deu indícios do que pode ter sido a articulação para matar Marielle. A reportagem mostrou que uma testemunha deu à polícia informações que implicaram no crime o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando Curicica.

A testemunha – que integrava uma milícia na Zona Oeste do Rio e foi aliado de Orlando – contou à polícia ter testemunhado uma conversa entre Siciliano e o miliciano na qual os dois arquitetaram a morte da vereadora. A motivação para o crime, segundo a testemunha, seria a disputa por áreas de interesse na região de domínio de Orlando.

“Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois [o miliciano e Marielle] chegaram a travar uma briga por meio de associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo”, revelou a testemunha, de acordo com o jornal.

Tanto Siciliano quanto Orlando negam ter planejado a morte da vereadora. No mês seguinte, o miliciano foi, a pedido da Segurança Pública do RJ, transferido para uma unidade prisional de segurança máxima.

PONTOS DA DELAÇÃO

  • Testemunha diz que Marcello Siciliano (PHS) e Orlando de Curicica queriam Marielle morta
  • Motivação seria avanço de ações comunitárias da vereadora na Zona Oeste
  • Conversas sobre o crime teriam começado em junho de 2017
  • Ex-aliado de Orlando citou, além de Siciliano e o miliciano, outras quatro pessoas
  • Um homem chamado “Thiago Macaco” teria levantado informações sobre Marielle

VINGANÇA

Outra linha de investigação surgiu em agosto: Marielle, que trabalhou com o então deputado estadual Marcelo Freixo, teria sido morta por vingança.

“Tudo o que eu construí no Rio de Janeiro, ela construiu comigo. Então é claro que, quando alguém mata a Marielle, me atinge de forma muito forte, de forma muito brutal. Não sei se essa era a intenção de quem matou a Marielle”, disse o hoje deputado federal.

Os deputados do MDB fluminense Paulo Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi, adversários políticos de Freixo, passaram a ser investigados. Presos por corrupção, os parlamentares negaram envolvimento no crime.

Também em agosto, foi noticiada a descoberta de um grupo que ficou conhecido como “Escritório do Crime”, uma quadrilha formada por policiais e ex-policiais. O envolvimento desse grupo nos assassinatos de Marielle e Anderson explicaria a dificuldade de esclarecer o caso.

INVESTIGAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO

A Polícia Federal começa a apurar a possibilidade de haver fraudes na investigação do caso. Em 21 de fevereiro, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão para apurar tentativas de dificultar os trabalhos dos investigadores.

G1


Justiça determina multa de R$ 100 mil a Facebook por posts falsos sobre Marielle

Tribunal reduziu multa estipulada em primeira instância, de R$ 500 mil; empresa deve retirar do ar publicações ofensivas sobre a ex-vereadora

A 25ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou multa de R$ 100 mil ao Facebook, caso a empresa não retire do ar publicações ofensivas contra a ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (Psol). A decisão foi publicada nesta quinta-feira (16).

A ação foi apresentada pela irmã e esposa de Marielle Franco , Anielle Silva e Mônica Benício, requerendo a retirada de publicações ofensivas do ar. Em primeira instância, a 15ª Vara Civil do Rio de Janeiro aplicou uma série de exigências ao Facebook, além de uma multa de R$ 500 mil.

Foi pedido, também, que a empresa revelasse se os perfis de “Luciano Ayan”, “Luciano Henrique Ayan” e do Movimento Brasil Livre (MBL) patrocinaram links com informações falsas sobre a ex-vereadora.

No recurso, o Facebook argumentou que “não pode monitorar publicações, sem que as autoras da ação informações os endereços dos sites ofensivos”, considerando não ter “arbítrio para fazer juízo de valor acerca de cada publicação”.

Na decisão da segunda instância, o desembargador Luiz Fernando de Andrade Pinto considerou as determinações “desproporcionais”, considerando “impossível” à empresa cumprir em toda a extensão as condições anteriormente impostas – ou seja, a retirada de publicações previamente indicadas e eventuais publicações futuras sobre a ex-vereadora do Rio.

“A presente decisão não impede que as agravadas requeiram elevação da multa hoje fixada perante o juízo de 1º Grau caso haja eventual descumprimento da medida”, escreveu o desembargador.

Caso do assassinato de Marielle Franco

Marielle deixava o evento “Jovens negras movendo as estruturas”, na noite da sua morte, em março deste ano, na Lapa, e se dirigia para sua casa na Tijuca quando dois homens em um carro emparelharam o veículo onde ela estava junto ao seu motorista. Os bandidos dispararam mais de dez tiros.

A vereadora e o motorista Anderson Gomes morreram na hora. O crime aconteceu na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, próximo à estação de metrô. Todos os indícios apontam para a possibilidade de um homicídio premeditado, uma execução.

Ativista do movimento negro, feminista e defensora das pautas LGBT e que tocavam questões da favela, a vereadora fazia parte ainda da Comissão da Câmara que fiscalizava a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Dias antes de ser assassinada, ela denunciou assassinatos que teriam sido praticados por policiais do 41º Batalhão da PM do Rio.

O assassinato de Marielle Franco eclodiu em diversos protestos e manifestações não só no Brasil, mas em todo o mundo.

Fonte: ig