Bolsonaro confirma exoneração de Alvim, que plagiou discurso nazista; vídeo foi deletado

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Presidente usou o Twitter para confirmar demissão de secretário de Cultura

O presidente Jair Bolsonaro confirmou há pouco em seu perfil no Twitter a demissão do agora ex-secretário de Cultura Roberto Alvim, que na última quinta-feira, em discurso oficial, plagiou palavras e cenografia do ex-ministro nazista de propaganda Joseph Goebbels, durante anúncio de propostas para a cultura este ano.

Alvim e o próprio presidente foram alvos de duras críticas por parte de autoridades brasileiras e estrangeiras pelo discurso fascista.

Para o presidente, “um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência”.

O vídeo, com pronunciamento de Alvim que estava na página da secretaria foi apagado.

O ministro de Informação e Propaganda da Alemanha no período nazista, Joseph Goebbels era conhecido como “braço-direito” de Adolf Hitler, o propagador das ideias nazistas usou propaganda, cultura e falas fortes para idealizar uma nova política que defendia o ódio e a superioridade da “raça ariana”.

As semelhanças nos discursos de Alvim e Goebbels são plágios evidentes:

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, afirmou Alvim.

Na década de 1930, segundo o biógrafo Peter Longerich, Joseph Goebbels discursou assim: 

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Para o historiador Maurício Fontana, uma autoridade brasileira copiar o discurso de Goebbels é um risco à democracia.

“Goebbels foi o principal aliado de Hitler no sentido de difundir o nazismo pela Alemanha. Ele sabia fazer isso muito bem, usando principalmente a música e o teatro. Alvim fala ao som de uma composição de Richard Wagner, o mesmo músico utilizado por Goebbels. O ministro do nazismo, como ficou conhecido, nunca defendeu uma pluralidade de ideias, muito pelo contrário, levou ao seu público que apenas o que vinha da Alemanha era puro e correto. Defender ações desse tipo é atacar a democracia”.

Quem foi Joseph Goebbels

Doutor em Filosofia pela Universidade de Heildelberg, Joseph Goebbels entrou para o Partido Nazista em 1924 e, dois anos depois, foi nomeado líder distrital de Berlim. Neste período, conheceu Adolf Hitler mais de perto e se encantou com as ideias de quem chamava de “líder supremo de uma nação suprema”.

Com grande interesse pela propaganda, levou ao ‘Fuhrer’ a necessidade de se criar um núcleo de propagação das ideias para que todos os alemães entendessem do que realmente se tratava o nazismo.

Nomeado Ministro da Propaganda em 1933, permaneceu no cargo até 1945, saindo apenas após a queda de Adolf Hitler.

Durante a sua gestão, defendeu a “guerra total” contra judeus e pessoas que não estivessem compactuadas com os ideais nazistas, bem como o controle absoluto da imprensa pelo Estado.

Goebbels morreu no dia 1º de maio de 1945, após se suicidar com cianeto depois de matar sua esposa e seus filhos. Meses antes, o ‘braço-direito’ de Hitler já anunciava que a derrota na Segunda Guerra Mundial seria inevitável e que só a morte poderia trazer o verdadeiro orgulho ao povo alemão.

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Homem que usou braçadeira nazista em bar de Unaí (MG) é pecuarista

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Segundo reportagem da revista Veja, o homem que porta a braçadeira com o símbolo da suástica é José Eugênio Adjuto e um inquérito já foi aberto para apurar o caso, com testemunhas ouvidas pela Polícia Civil

O homem que foi a um bar de Unaí (MG) portando uma braçadeira com o símbolo da suástica, que faz referência à política nazista, no último final de semana foi foi identificado pela Polícia Civil nesta segunda-feira (16). Trata-se do pecuarista José Eugênio Adjuto, de 57 anos, mais conhecido como “Zecão Adjuto”, conforme publicou a Veja .

O homem teve a sua identidade revelada após um inquérito ser aberto e testemunhas comparecerem à 1ª Delegacia de Polícia da cidade. Dono de cabeças de gado, o pecuarista que portava o símbolo nazista possui uma fazenda em Unaí.

De acordo com o  artigo 20 da Lei nº 7.716, de 1989, Adjuto cometeu um crime, já que é “vedado  fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”, cabendo pena de até cinco anos de prisão.

Uma cliente que estava no local filmou o pecuarista . Nas imagens, é possível ver o momento em que policiais militares conversam com um funcionário do bar e aparentemente decidem não prender o homem.

O funcionário decide então ir à mesa do homem conversar com ele, mas o cliente decide permanecer no local.

Ainda que a polícia não tenha visto motivo para prender Adjuto, um inquérito foi aberto para investigar o caso.

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Nazista vai a bar em Unai (MG) com suástica na camisa; PM é chamada e ignora

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A foto foi tirada por uma pessoa que frequentava o mesmo bar. Acionada a polícia teria se negado a ir fazer a ocorrência, segundo fontes locais

Ganhou repercussão nas redes sociais neste sábado (14) a foto de um homem usando uma suástica no braço na cidade de Unaí, em Minas Gerais. O homem que aparece na imagem sentado em um restaurante usando o símbolo do nazismo ainda não foi identificado.

O clique se espalhou pela internet e diversos usuários questionaram a identidade do sujeito. A Lei de Crimes Raciais (7.716/1989) também foi bastante citada nas redes por prever prisão de dois a cinco anos e multa para quem “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

O jornalista Bruno Sartori, morador de Unaí, lamentou que o caso tenha acontecido na cidade. “Que vergonha saber que isso aconteceu aqui em Unaí”, publicou.

Usuários nas redes sociais ainda disseram que a Polícia Civil impediu a abertura de ocorrência contra o homem. “Parece que populares tentaram abrir um boletim de ocorrência, mas a PM se recusou a atender. Foi preciso que advogados telefonassem novamente para a polícia”, denunciou o perfil Mosca na Orelha.

O deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) também fez uma postagem sobre o fato de nazistas estarem se sentindo cada vez mais confortáveis de expor intolerância. “Essa foto foi tirada em Unaí (MG). Nazistas cada vez mais confortáveis no governo atual. O mais ridículo é saber que a ignorância é tão grande, que se fosse na Alemanha de 1940, esse homem latino também seria morto na câmara de gás”, disse. Veja o vídeo:

As informações são da revista Fórum

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‘Princesa nazista’: a filha do braço direito de Hitler que trabalhou para a inteligência alemã

Gudrun Burwitz, morta em maio, foi identificada como funcionária da BND; até o fim da vida, ela se associou a grupos radicais da Alemanha e defendeu o pai.

Gudrun Burwitz, a filha do líder nazista Heinrich Himmler, nunca repudiou o nazismo publicamente e sempre defendeu a memória de seu pai.

Até sua morte, em maio, aos 88 anos, Burwitz comparecia a eventos e manifestações neonazistas e foi a vida toda associada a grupos radicais na Alemanha – onde recebeu de parte da imprensa o apelido de “princesa nazista”.

No livro Espanhóis no Holocausto: Vida e Morte dos Republicanos em Mauthausen, de David Wingeate Pike, Burwitz é descrita como uma dona de casa de Munique, mãe de três filhos e integrante proeminente do grupo secreto Stille Hilfe, que dava apoio legal e financeiro a ex-integrantes da SS (polícia nazista) – caso de Klaus Barbie, o “carniceiro de Lyon”, e Martin Sommer, que coordenava a segurança dos campos de concentração de Dachau e Buchenwald.

Nesta semana, porém, descobriu-se mais uma atribuição de Burwitz no pós-nazismo: segundo reportagem da revista alemã Bild, ela também foi contratada pela Serviço Federal de Inteligência (BND, na sigla em alemão) na década de 1960. A agência praticava espionagem para a extinta Alemanha Ocidental.

Gudrun Burwitz em 1998; ela trabalhou para agência de espionagem e até o fim da vida foi identificada com grupos radicais alemães

‘Nome falso’

Bodo Hechelhammer, chefe do departamento de história da agência, confirmou que “Burwitz foi um dos integrantes da BND até 1963, sob um nome falso”.

Burwitz era adolescente quando a Segunda Guerra Mundial terminou, em 1945, e foi libertada no ano seguinte depois de prestar depoimento nos tribunais de Nuremberg, que julgaram crimes nazistas. Entre 1961 e 63, ela então trabalhou como secretária na sede do BND em Pullach, perto de Munique.

Nessa época, a organização estava sob o comando de Reinhard Gehler, ex-comandante de inteligência militar nazista que durante a guerra espionava o Exército Vermelho, da União Soviética.

Depois da guerra, Gehlen trabalhou com as forças de ocupação dos EUA na Alemanha Ocidental até 1968. Para isso, contratou diversos ex-companheiros nazistas, segundo o livro The General Was a Spy (O general era um espião, em tradução livre), de Heinz Hohne e Hermann Zolling.

Organizações e instituições alemãs como a BND discutiam como lidar com seus próprios vínculos nazistas no pós-guerra.

Himmler (na foto, com Hitler em 1938) comandou a polícia nazista SS

Segundo Bodo Hechelhammer, “o momento (da morte de Gudrun Burwitz) coincidiu com um começo de mudança na compreensão sobre empregados públicos que estiveram envolvidos com o nazismo”.

O estudioso afirma, ainda, que a agência não costuma falar de empregados antigos e atuais, mas abriu uma exceção por conta da morte de Burwitz.

Elite do horror

O pai de Burwitz era do círculo de confiança de Adolf Hitler e comandou a SS, que teve um protagonismo no assassinato de milhões de judeus, poloneses, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e outros que eram classificados como “racialmente inferiores” durante o Holocausto.

Em 1945, Himmler cometeu suicídio depois de ser capturado pelos britânicos.

A “princesa nazista” só concedeu uma entrevista, em 1959, na qual destacou seu desejo de mudar a reputação do pai perante a história. “Meu pai é visto hoje como o maior genocida da história. Quero mudar essa imagem”, afirmou.

Fonte: bbc

Pequena cidade alemã decide conservar sino dedicado a Hitler

Um pequeno povoado alemão decidiu conservar o sino de sua igreja dedicado a Adolf Hitler, uma polêmica decisão que a prefeitura justificou pelo interesse de se relembrar os crimes nazistas.

Na segunda-feira (26), a Câmara Municipal de Herxheim am Berg, localidade de 700 pessoas no oeste da Alemanha, votou por manter na igreja protestante essa campana de bronze de 240 quilos e que data de 1934, segundo a agência de notícias DPA.

A campana, com o símbolo da suástica e a inscrição “Tudo pela pátria – Adolf Hitler”, deve servir “à reconciliação” e constituir um “monumento contra a violência e contra a injustiça”, justifica a Câmara em sua decisão, adotada por dez votos contra três.

Do lado de fora da igreja, uma placa mencionará o caráter particular do sino “nazista”.

A existência dessa campana se tornou pública em 2017 e foi amplamente midiatizada na Alemanha. Os membros da paróquia se declararam abalados ao saber que muitos batizados, casamentos e ofícios religiosos foram celebrados na presença desse símbolo nazista.

Fonte: g1

Suástica gigante é encontrada em estádio na Alemanha

Uma enorme suástica de concreto, provavelmente construída durante a era nazista, foi encontrada nesta terça-feira sob o gramado de um campo de futebol na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Segundo a agência de notícias alemã DPA, o símbolo tem quatro metros de largura por quatro metros de comprimento e estava enterrado a 40 centímetros do solo.

Joachim Schirmer, chefe do clube de Billstedt-Horn, no norte de Hamburgo, disse que o modesto estádio foi construído sobre um monumento nazista destruído na década de 1970. A suástica é tão grande e pesada que será preciso usar uma britadeira para removê-la, afirmou Schirmer.

Segundo uma autoridade local ouvida pela DPA, a secretaria de preservação de monumentos já foi avisada e solicitou a retirada da suástica. A exibição de símbolos nazistas é proibida na Alemanha.

Fonte: veja

Como o mundo amava a suástica, até os nazistas se apropriarem do símbolo

Na linguagem antiga do sânscrito, suástica significa “bem-estar”. A figura foi usada por hindus, budistas e jainistas por milênios, e é normalmente considerado indiano.

Viajantes do Ocidente para a Ásia foram inspirados por suas associações positivas e começaram a usá-lo em seus países. No início do século 20, houve uma moda de suástica como símbolo de sorte.

Em seu livro The Swastika: Symbol Beyond Redemption? (As Suástica: símbolo além da redenção?, em tradução livre), o escritor e designer Steven Heller mostra como a figura foi adotada com entusiasmo na Europa na arquitetura, na propaganda e no design de produtos.

Diversos produtos antes dos anos 1930 nos EUA eram chamados de suástica ou tinham o símbolo, até a Coca-Cola | Foto: Steven Heller

“A Coca-Cola usou. A Carlsberg usou em suas garrafas de cerveja. Os Escoteiros-mirins também adoraram e o Clube de Meninas da América chamava sua revista de Suástica. Eles mandavam até distintivos de suástica para seus leitores como prêmio por vender revistas”, diz.

O ícone oriental também foi usado por unidades do Exército americano durante a Primeira Guerra Mundial e era visto nos aviões da Força Aérea Britânica até 1939. A maior parte desses usos “benignos” parou de ocorrer nos anos 1930, quando o partido nazista chegou ao poder na Alemanha.

O uso nazista da suástica tem origem no trabalho de acadêmicos alemães do século 19 que traduziam antigos textos indianos, e notaram semelhanças entre o alemão e o sânscrito. Eles concluíram que indianos e alemães deveriam ter os mesmos ancestrais – uma raça de guerreiros chamada ariana.

Hindus desenhavam o símbolo nos corpos e budistas o utilizavam na decoração | Foto: Alamy

Essa ideia foi utilizada por grupos nacionalistas antissemitas dentro do movimento, que se apropriaram da suástica como um símbolo ariano, para espalhar entre os alemães o sentimento de que pertenciam a uma linhagem antiga.

hakenkreuz (cruz com ganchos, em alemão) negra dentro de um círculo branco e o fundo vermelho da bandeira nazista se tornariam o emblema mais odiado do século 20, para sempre conectado às atrocidades cometidas no Terceiro Reich.

“Para os judeus, a suástica é sinônimo de medo, de repressão e de extermínio. É algo que nunca poderemos mudar”, diz o sobrevivente do Holocausto Freddie Knoller, de 96 anos. “Colocar a suástica em lápides ou em sinagogas nos causa medo. Não deveria acontecer.”

O símbolo foi proibido na Alemanha no fim da Segunda Guerra Mundial e o país tentou, sem sucesso, proibi-lo em toda a Europa em 2007.

Contra o mal

A ironia é que a suástica tem uma origem mais europeia do que a maior parte das pessoas pensa. Descobertas arqueológicas já demonstraram que ela é muito antiga, mas que seus exemplos não são limitados à Índia. Ela também foi usada pelos antigos gregos, pelos celtas, pelos anglo-saxões e até – em alguns dos artefatos mais antigos – no leste da Europa, do mar Báltico até os Bálcãs.

Um bom lugar para conhecer esta história é o Museu Nacional de História da Ucrânia, na capital Kiev.

Registro mais antigo de padrão de suástica data de 15 mil anos atrás | Foto: Mukti Jain Campion

Entre os principais tesouros do museu está uma figura pequena de marfim que mostra um pássaro fêmea. Feito da presa de um mamute, a figura foi encontrada em 1908 no assentamento paleolítico de Mezin, perto da fronteira da Ucrânia com a Rússia.

No peito do pássaro está gravado um padrão complexo de suásticas. É o padrão de suásticas mais antigo identificado no mundo. Segundo a datação de carbono, ele tem impressionantes 15 mil anos. O pássaro foi encontrado junto com uma série de objetos fálicos, o que dá a entender que o padrão era usado como símbolo de fertilidade.

Em 1965, a paleontóloga Valentina Bibikova descobriu que o padrão no pássaro é muito semelhante ao padrão que ocorre naturalmente no marfim. Será que as marcas na pequena figura paleolítica estavam só refletindo o que os homens viam na natureza – o mamute que eles associavam com bem-estar e fertilidade?

Suásticas “solitárias” começaram a aparecer na cultura neolítica Vinca no sudeste da Europa há cerca de 7 mil anos. Mas foi na Era de Bronze que elas se espalharam pela Europa. Na coleção do museu em Kiev há vasos de cerâmica que têm suásticas circulando sua metade superior e datam de 4 mil anos atrás.

Quando os nazistas ocuparam Kiev na Segunda Guerra Mundial, eles estavam tão convencidos de que esses vasos eram provas de seus ancestrais arianos que os levaram para a Alemanha (eles foram devolvidos à Ucrânia depois da guerra).

Na coleção grega do museu, a suástica aparece no ornamento da arquitetura que se tornou conhecido como padrão grego, usado em azulejos e tecidos aré hoje.

Os antigos gregos também usavam motivos de suástica para decorar seus vasos e vasilhas. Um fragmento da coleção, que data do século 7 D.C., mostra uma suástica com membros como se fossem tentáculos pintada sob a barriga de um bode.

Mas talvez os artefatos mais surpreendentes no museu sejam os fragmentos de tecido que sobreviveram do século 12 D.C. Acredita-se que eles pertenceram ao colarinho do vestido de uma princessa eslava. Eles são bordados com cruzes e suásticas douradas, para afastar o mal.

A suástica continuou sendo um motivo popular no bordado do leste da Europa e da Rússia até a Segunda Guerra Mundial. Um autor russo chamado Pavel Kutenkov identificou cerca de 200 variações na região. Mas o símbolo continua controverso. Em 1941, Kiev foi o local do pior assassinato em massa do Holocausto, quando quase 34 mil judeus foram reunidos e mortos em Babi Yar.

Na Europa ocidental, o uso das antigas suásticas parou gradualmente muito antes da era moderna, mas é possível encontrar exemplos da Era do Bronze, como a Pedra da Suástica em Yorkshire, na Inglaterra.

Roupas eslavas tinham suásticas bordadas para afastar o mal | Foto: Mukti Jain Campion

Relembrando o passado

Algumas pessoas acham que essa longa história pode ajudar a reviver a suástica como algo positivo na Europa. Um tatuador famoso em Copenhagen afirma que o símbolo é um elemento da mitologia nórdica que continua sendo atraente para muitos escandinavos.

Ele é um dos fundadores do Dia de Aprender a Amar a Suástica, que ocorreu em 13 de novembro de 2013, quando tatuadores de todo o mundo se ofereceram para tatuar suásticas de graça, para relembrar o passado multicultural do símbolo.

“A suástica é um símbolo de amor e Hitler abusou dela. Não estamos tentando trazer a hakenkreuz de volta. Isso seria impossível. E também não é algo que queremos que as pessoas esqueçam”, afirma.

Movimento de tatuadores quer “educar público” sobre passado da suástica | Foto: Mukti Jain Campion

“Só queremos que as pessoas saibam que a suástica aparece de muitas outras maneiras, e nenhuma delas foi usada para nada ruim. Também queremos mostrar aos fascistas da direita que é errado usar esse símbolo. Se pudermos educar o público sobre o verdadeiro significado da suástica, talvez possamos tirá-las dos fascistas.”

Mas para pessoas como Freddie Knoller, que experimentaram os horrores do fascismo, a ideia de aprender a amar a suástica não é assim tão fácil.

“Nós que passamos pelo Holocausto sempre vamos lembrar do que a suástica foi nas nossas vidas – um símbolo do mais puro mal”, diz.

“Não sabíamos que ele já existia há tantos milhares de anos. Mas acho interessante que as pessoas saibam que nem sempre foi um ícone do fascismo.”

As fotos do avião americano, dos produtos pré-guerra e da Academia de Música de Brooklyn são da coleção de Steven Heller.

Fonte: bbc.com

Líder neonazista se declara gay, revela ser judeu e abandona movimento no Reino Unido

Um líder neonazista inglês anunciou sua saída do movimento supremacista branco na mesma entrevista na qual revela ser gay e ter descendência judaica. Kevin Wilshaw, ativo até o início deste ano em eventos de grupos extremistas e uma das personalidades mais conhecidas nos anos 1980 da Frente Nacional Britânica (FNB), partido de extrema direita cuja filiação é permitida apenas para brancos, fez as revelações à rede de TV britânica Channel 4.

“Você só percebe que o que você está fazendo é errado quando você vira um alvo”, disse Wilshaw, ao admitir ter participado e presenciado agressão a pessoas por motivos de cor, raça e sexualidade. “Em um ou dois casos recentes, fui alvo da fúria e de abusos pelo grupo do qual eu queria fazer parte quando desconfiaram que eu era gay”, revelou.

John Kevin Wilshaw (Google+/Reprodução)

Wilshaw, de 58 anos, foi preso nos anos 1990 por depredar uma mesquita na Inglaterra e em março deste ano por insultos racistas na Internet. Sobre o passado, ele confessou já ter atacado diversas pessoas, inclusive “quebrado uma cadeira na cabeça” de uma. De acordo com a Hope Not Hate, organização que combate ideologias extremistas, o britânico é ligado a movimentos neonazistas desde 1974. Na entrevista, ele descreve o racismo como “lixo”.

Ao abandonar as ligações neonazistas, Wilshaw revelou que “gostaria de ferir” as pessoas ligadas a movimentos extremistas. “Quero causar algum estrago, não às pessoas comuns, mas àqueles que propagam esse tipo de lixo, mostrar como é viver uma mentira aos que estão na outra ponta de quem recebe esse tipo de propaganda.”

Wilshaw explicou que o “ódio aos judeus” e “o senso de camaradagem” o levaram a se afiliar à FNB. “Não tinha muitos amigos na escola, e queria ser membro de um grupo com algum objetivo, que, apesar das visões extremas serem rejeitadas pela sociedade, te dá um senso de camaradagem por ser parte de um grupo que está sendo atacado por outras pessoas”, disse.  A herança judia, ele disse, veio por parte da família de sua mãe.

Crimes de ódio

O governo britânico divulgou nesta terça-feira que houve um aumento de quase 30% dos crimes de ódio na Inglaterra e País de Gales entre 2016 e 2017, com 80.400 ocorrências registradas por abusos motivados por “raça, nacionalidade, religião ou outros fatores”. São os maiores números já registrados em seis anos, quando esse tipo de delito começou a ser medido.

De acordo com informações divulgadas pelo ministério de Interior britânico, picos de crimes de ódio foram registrados em momentos específicos, como o atentado terrorista em março em Londres, a explosão em Manchester em junho e outra série de ataques na capital britânica em junho. “Acreditamos que o aumento dessas ocorrências reflete um aumento genuíno de crimes de ódio à época do referendo sobre a União Europeia e também a melhora do sistema de registros por parte da polícia”, declarou o porta-voz do gabinete.

Fonte: veja

Marca de camiseta cria polêmica ao tentar transformar suástica em símbolo de amor e paz

Marca de camiseta cria polêmica ao tentar transformar suástica em símbolo de amor e paz

Uma nova marca americana causou uma enxurrada de críticas após divulgar na internet uma linha de camisetas com estampas da suástica sobre as cores do arco-íris.

A tentativa da empresa de transformar o emblema nazista em um símbolo de “paz e amor” foi tão criticada nas redes sociais que ela teve de lançar, em seguida, uma nova estampa “antissuástica”, com um sinal de proibido em cima do logo original.

A marca se defendeu dizendo que queria recuperar o sentido original pacífico associado ao símbolo. Milhares de anos antes de Adolf Hitler transformá-la num símbolo de ódio associado à Alemanha nazista, a suástica era usada por culturas antigas ao redor do mundo para representar boa sorte.

Hoje, 72 anos depois do fim da Segunda Guerra, o símbolo ainda é fortemente associado às atrocidades do nazismo – o que explica a forte repercussão negativa em torno da estampa, idealizada por uma empresa pouco conhecida, chamada KA Designs.

Será que essa revolta toda mostra que o símbolo representa uma linha que não deveria ser ultrapassada? Abaixo, algumas respostas a perguntas que o caso levanta:

O que eles estavam pensando?

Isto é difícil dizer. Em uma entrevista à revista Dazed and Confused publicada no domingo, a companhia por trás da campanha, a KA Designs, explicou que esperava “compartilhar a beleza do símbolo desassociado do ódio que o persegue”.

A companhia diz que ninguém de sua equipe tinha experiência com a indústria da moda e que o design não era “nada novo”. E acrescentou que “não se importaria” se os produtos fossem comprados por “algum tipo de neonazista” porque a mensagem era de “paz, amor e liberdade vencendo o ódio, a guerra e o preconceito”.

“A suástica está voltando, junto com a paz, junto com o amor, junto com o respeito, junto com a liberdade”, declarou a companhia em um vídeo publicado no Facebook, e acrescentou: “Introduzindo a nova suástica”.

Quem vestiria a camiseta?

As cores da estampa remetem às oito cores do arco-íris que simbolizam o movimento LGBT, em um design criado em 1978 pelo artista americano Gilbert Baker.

A junção da suástica às cores acabou tendo um efeito reverso do que a empresa esperava no seu público alvo – pessoas que simpatizam com o movimento. Na segunda-feira, o Twitter estava fervendo de comentários rotulando a campanha de “obscena”, “nojenta” e “ofensiva”.

Embora lembrassem que a suástica originalmente era um símbolo pacífico, vários usuários comentaram não ser possível “escapar” do fato de que ela se tornou um sinônimo de ódio.

A organização ADL, que combate o antissemitismo, comentou: “Este é um uso ofensivo da imagem nazista. A moda não pode recuperar este símbolo de ódio”.

Mas a polêmica não acabou ajudando na promoção do produto?

Ainda não se sabe se este episódio vai ajudar na promoção da empresa, mesmo depois de ela ter colocado o sinal de proibido sobre a suástica. A marca não divulgou informações sobre as vendas da camiseta.

“Há algumas coisas a se evitar em marketing, e esta é uma delas”, comentou Rebecca Battman, diretora de marca da Agência de Publicidade RBL, em Londres.

Após críticas, a companhia mudou sua estampa para uma anti-suástica

Para Battman, as marcas precisam estar conscientes do “impacto emocional” de símbolos percebidos como negativos.

Segundo ela, não basta apenas reformular o símbolo da suástica para lhe dar um tom positivo porque provavelmente ainda há um “sentimento profundo e subconsciente contra o que ele representa”.

“Eles sabiam que haveria grupos que achariam a campanha negativa. Eles deveriam ter feito uma pesquisa de mercado antes de lançá-la”, diz ainda.

“Talvez a companhia quisesse notoriedade nas redes sociais”, continua Battman, “Mas isto seria muito ingênuo”.

Battman faz um alerta a marcas que possam estar pensando em lançar uma campanha de marketing polêmica nas redes sociais: “Faça isto por sua própria conta e risco”.

Por que a suástica é um símbolo tão problemático?

A suástica, que significa “bem-estar” na antiga língua indiana de sânscrito, foi usada por antigos gregos, celtas e anglo-saxões.

Acredita-se que o símbolo tenha sido usado pelo menos quatro mil anos antes de ser adotado por Adolf Hitler, nos anos de 1930, quando apareceu na bandeira nazista.

A cruz preta em forma de gancho sobre o círculo branco e o fundo vermelho da bandeira nazista é diretamente relacionada às atrocidades cometidas pelo Terceiro Reich.

A suástica foi banida da Alemanha no final da guerra, e o país tentou introduzir o banimento, sem sucesso, à toda a Europa, em 2007. Hoje ela ainda é usada como símbolo por grupos neonazistas no mundo inteiro.

Fonte: bbc.com

O nazismo era um movimento de esquerda ou de direita?

“Cara, cai na real! Ser de esquerda é ser a favor de milhares de mortes causadas pelo comunismo e nazismo no mundo. Reflita!”, diz uma mensagem de janeiro no Twitter. “O socialismo/comunismo é uma ideologia de esquerda irmã do nazismo”, diz outra do final de abril. Outro participante da rede social pergunta: “Quantas pessoas será que estão em grupos de libertários no Facebook discutindo se nazismo é esquerda ou direita neste exato momento?”.

A discussão sobre se o movimento nazista alemão – cujo governo matou milhões de pessoas e levou à Segunda Guerra Mundial – teria as mesmas origens do marxismo ferve nas redes sociais há alguns meses, com a crescente polarização do debate político no Brasil.

Mas historiadores entrevistados pela BBC Brasil esclarecem o que dizem ser uma “confusão de conceitos” que alimenta a discussão – e explicam que, na verdade, o movimento se apresentava como uma “terceira via”.

“Tanto o nazismo alemão quanto o fascismo italiano surgem após a Primeira Guerra Mundial, contra o socialismo marxista – que tinha sido vitorioso na Rússia na revolução de outubro de 1917 -, mas também contra o capitalismo liberal que existia na época. É por isso que existe essa confusão”, afirma Denise Rollemberg, professora de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Não era que o nazismo fosse à esquerda, mas tinha um ponto de vista crítico em relação ao capitalismo que era comum à crítica que o socialismo marxista fazia também. O que o nazismo falava é que eles queriam fazer um tipo de socialismo, mas que fosse nacionalista, para a Alemanha. Sem a perspectiva de unir revoluções no mundo inteiro, que o marxismo tinha.”

O projeto do movimento nazista, segundo Rollemberg, previa uma “revolução social para os alemães”, diferentemente do projeto dos partidos de direita da época, “que vinham de uma cultura política do século 19, de exclusão completa e falta de diálogo com as massas”.

Mesmo assim, ela diz, seria complicado classificá-lo no espectro político atual. “Eles rejeitavam o que era a direita tradicional da época e também a esquerda que estava se estabelecendo. Eles procuravam um terceiro caminho”, afirma.

Tuíte sobre nazismo
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Tuíte sobre nazismo

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Nacionalismo

A ideia de uma “revolução social para a Alemanha” deu origem ao Partido Nacional-Socialista alemão, em 1919. O “socialista” no nome é um dos principais argumentos usados nos debates de internet que falam no nazismo como um movimento de esquerda.

“Me parece que isso é uma grande ignorância da História e de como as coisas aconteceram”, disse à BBC Brasil Izidoro Blikstein, professor de Linguística e Semiótica da USP e especialista em análise do discurso nazista e totalitário.

“O que é fundamental aí é o termo ‘nacional’, não o termo ‘socialista’. Essa é a linha de força fundamental do nazismo – a defesa daquilo que é nacional e ‘próprio dos alemães’. Aí entra a chamada teoria do arianismo”, explica.

De acordo com Blikstein, os teóricos do nazismo procuraram uma fundamentação teórica e filosófica para defender a ideia de que eles eram descendentes diretos dos “árias”, que seriam uma espécie de tribo europeia original.

“Estudiosos na Europa tinham o ‘sonho da raça pura’ nessa época. Quanto mais próximos da tribo ariana, mais pura seria a raça. E esses teóricos acreditavam que o grupo germânico era o mais próximo. Daí surgiu a tese de que, para serem felizes, tinham que defender a raça ariana, para ficar longe de subversões e decadência. (Alegavam que) a raça pura poderia salvar a humanidade.”

A ideia de uma defesa do povo germânico ganhou popularidade em um momento de perda de territórios, profunda recessão e forte inflação após a Primeira Guerra Mundial – e tornou-se o centro do movimento nazista.

“Era preciso recuperar a moral do pobre coitado, que não tinha dinheiro e era ‘massacrado pelos capitalistas'”, explica Blikstein. Nesse contexto, afirma, o nazismo vendia a ideia de “reeguer o orgulho da nação ariana. O pressuposto disso seria eliminar os não arianos. E essa teoria foi aplicada até as últimas consequências”.

Soldado da SS inspeciona judeus no gueto de Varsóvia, na Polônia, em 1943Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSegundo especialistas, judeus eram perseguidos por simbolizarem dois “inimigos” do nazismo: o capitalismo liberal e o socialismo marxista

‘Marxistas e capitalistas’

Mesmo propagando a ideia de que o nazismo planejava uma revolução que garantiria justiça social na Alemanha – o que incluía, por exemplo, maior intervenção do Estado na economia -, o partido fazia questão de deixar clara sua oposição ao marxismo.

“Os comícios hitleristas eram profundamente antimarxistas”, disse à BBC Brasil a antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, que é estudiosa de movimentos neonazistas.

“O nazismo e o fascismo diziam que não existia a luta de classes – como defendia o socialismo – e, sim, uma luta a favor dos limites linguísticos e raciais. As escolas nacional-socialistas que se espalharam pela Alemanha ensinavam aos jovens que os judeus eram os criadores do marxismo e que, além de antimarxistas, deveriam ser antissemitas.”

Os judeus, aliás, tornaram-se o ponto focal da perseguição nazista porque representavam tanto o socialismo como o capitalismo liberal, mesmo que isso possa parecer antagônico nos dias de hoje.

“Havia uma simbologia do judeu como representante, por um lado, do socialismo revolucionário – porque Marx vinha de uma família judia convertida o ao protestantismo, assim como muitos bolcheviques”, diz a historiadora Denise Rollemberg.

“Por outro lado, os judeus eram associados ao capitalismo financeiro porque os judeus assimilados (que assumiram as culturais de outros países, para além da nação religiosa) que viviam na Europa tinham uma tradição de empréstimos de dinheiro e de negócios.”

‘Precisão científica’

A “precisão científica” do extermínio de judeus na Alemanha nazista também dificulta as comparações com a perseguição política no regime socialista soviético, na opinião de Izidoro Blikstein.

“Há muitos genocídios pelo mundo, mas nenhum igual ao nazismo, porque este era plenamente apoiado por falsa teoria científica e linguística e levada até as últimas consequências. A União Soviética também tinha campos de trabalhos forçados, mas não existia uma doutrina para justificar isso”, afirma.

“Mas há traços comuns entre o nazismo o regime (soviético) de Stálin. A propaganda, por exemplo, e o fato de que ambos eram regimes totalitários, que controlavam e legislavam sobre a vida pública e também privada do cidadão”, admite.

Além dos judeus, o regime nazista também perseguiu democratas liberais, socialistas, ciganos, testemunhas de Jeová e homossexuais – algo que, nos dias de hoje, associa o movimento a partidos de extrema-direita que pregam contra a comunidade LGBT, contra imigrantes e contra muçulmanos, por exemplo.

“Todo esse projeto de repressão, censura, campos de concentração e extermínio nazista era direcionado a quem estava fora do que eles chamavam de ‘comunidade popular’, o povo alemão. Mas alemães que eram democratas liberais e socialistas também eram excluídos por serem contrários ao projeto nazista e colocarem em risco a comunidade popular”, explica Denise Rollemberg.

No entanto, para Blikstein, a ideia de raça é tão central ao nazismo que, assim como não se pode usar o projeto de revolução social para classificá-lo como “esquerda”, também é difícil defini-lo como “direita”.

“Dizer apenas que Hitler era um político de direita é apequenar o nazismo. Foi mais do que direita ou esquerda. Foi uma doutrina arquitetada para defender uma raça, embora esse conceito seja discutível e pouco científico”, diz.

Tuíte sobre nazismo
Direito de imagemREPRODUÇÃO TWITTER
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‘Crise de referências’

Uma recapitulação do projeto e do regime nazista, de acordo com os especialistas no assunto, aumenta a confusão: deveria haver igualdade social e distribuição de renda, mas imigrantes, judeus, opositores políticos e até filhos “não talentosos” de alemães seriam excluídos dela por serem “menos puros”; o Estado prometia interferir mais na economia para benefício dos cidadãos, mas empresas privadas tiveram os maiores lucros com a máquina de extermínio e de guerra nazista; o movimento dizia defender os trabalhadores, mas sindicatos trabalhistas foram extintos, assim como o direito de greve; o socialismo marxista era considerado ruim, mas o liberalismo também.

Como seria possível defender todas estas ideias ao mesmo tempo?

“Quando o partido foi constituído, ele tinha uma vertente mais à esquerda e uma mais à direita. No início, tinha um discurso bastante antiburguês. Mas ao assumir o poder na Alemanha, o grupo à direita foi fazendo mais alianças com a burguesia e expulsando o grupo à esquerda”, diz a historiadora da UFF.

“Além disso, o nazismo nasce no meio de uma crise de referências muito grande após a Primeira Guerra. Muitos passaram de um lado para outro. Os valores muitas vezes vão se embaralhar, e esses conceitos de direita e esquerda atuais não resolvem bem o problema.”

Entre historiadores, a tentativa de traçar paralelos entre o nazismo e o fascismo europeus e o regime stalinista na União Soviética também não é nova, segundo Rollemberg.

“Todos eles eram regimes totalitários, mas o totalitarismo pode estar de qualquer lado. Hoje entendemos que há o totalitarismo mais à direita, como o nazismo e o fascismo, e o de esquerda, como o da União Soviética.”