TRF4 mantém condenação de Bumlai, Vaccari e Cerveró na Lava Jato

Entre os crimes imputados aos reús estão lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção passiva e ativa. Apenas Fernando Schahin teve sua condenação revertida, sendo absolvido pelo TRF4

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiu hoje (30) manter a condenação do pecuarista José Carlos Bumlai, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró em um dos processos a que respondem na Lava Jato.

Os empresários Salim Taufic Schahin e Milton Taufic Schahin, sócios do Grupo Schahin, também tiveram suas condenações a nove anos e dez meses de prisão mantidas. Já o operador Fernando Falcão Soares, conhecido como Baiano, teve sua pena reduzida de seis anos para cinco anos e seis meses em regime semiaberto.

Entre os crimes imputados aos reús estão lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção passiva e ativa. Apenas Fernando Schahin teve sua condenação revertida, sendo absolvido pelo TRF4.

Bumlai foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, enquanto Vaccari foi sentenciado a seis anos e oito meses em regime semiaberto. Cerveró foi condenado, também por Moro, a seis anos e oito meses.

Denúncia

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o Banco Schahin concedeu, em outubro de 2004, um empréstimo de R$12,1 milhões a Bumlai. O dinheiro, no entanto, teria como beneficiário real o PT, tendo o pecuarista sido utilizado somente como pessoa interposta. O empréstimo, com vencimento previsto para novembro de 2005, não foi pago e nem tinha garantia.

Segundo o MPF, em troca pela operação o grupo Schahin teria sido beneficiado na contratação do Navio-Sonda Vitoria 10.000 pela Petrobras, o que ocorreu em 28 de janeiro de 2009 pelo valor de US$ 1,5 bilhão.

Fonte: agenciabrasil

Conselho da Petrobras foi ludibriado por Cerveró sobre Pasadena, diz Dilma

Em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União no processo sobre a compra de Pasadena, no Texas (EUA), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirma que o Conselho Administrativo da Petrobras foi induzido a erro na negociação, acusando diretamente o ex-diretor Néstor Cerveró e outros integrantes de sua diretoria de omitirem informações.

O documento, assinado pelos advogados Walfrido Jorge Warde Júnior  e José Eduardo Martins Cardozo, foi entregue pela defesa de Dilma no dia 29 de dezembro. Eles pedem que a ex-presidente e ex-integrante do conselho não seja responsabilizada pelos prejuízos e que seus bens sejam desbloqueados.

Em outubro, o TCU determinou o bloqueio de bens da petista pelos prejuízos causados na operação. Segundo a corte de contas, houve “má gestão proposital com a finalidade de encobrir desvios”. A medida também atingiu o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente da petrolífera José Sérgio Gabrielli, que integravam o Conselho de Administração.

Em 2006, a Petrobras comprou 50% da Refinaria de Pasadena por US$ 359 milhões. Por causa de uma cláusula de contrato conhecida como put option, a estatal foi obrigada a comprar os outros 50% da Astra Oil, o que resultou em um gasto total de US$ 1,18 bilhão.

Segundo Dilma Rousseff, a negociação aprovada pelo Conselho de Administração teve como base os termos e condições apresentados no Resumo Executivo. Neste documento, de acordo com a defesa, não havia qualquer menção à clausula de put option. Além disso, nele havia uma avaliação profissional feita pelo Citigroup considerando “justo” o valor de US$ 359 milhões por 50% da refinaria.

Os advogados dizem que o fato de o Conselho de Administração ter autorizado a compra de parte de refinaria não impede que a diretoria pactue cláusulas convencionais, acessórias e ínsitas ao negócio jurídico, e que não alteram a sua substância.

Porém, segundo os defensores, esse não é o caso da cláusula de opção de venda que foi inserida no contrato. Principalmente porque, se para a compra de parte das ações foi necessária a aprovação do conselho, também seria necessária a análise para colocar uma cláusula que tratava da venda do mesmo tanto de ações por um preço ainda maior.

“A put option, da maneira como pactuada, era até mesmo mais impactante ao caixa da Petrobras do que o contrato de Compra e Venda de Ações. Afinal, permitia que a Astra Oil vendesse um número de ações da Refinaria de Pasadena equivalente ao número de ações objeto do Contato de Compra e Venda de Ações (50% das ações), só que com um preço 20% mais elevado”, dizem os advogados.

Conluio e propina

Segundo Walfrido Warde Júnior e Cardozo, alguns diretores e empregados da Petrobras agiram de modo deliberado a ocultar dos demais membros da diretoria e do Conselho de Administração as disposições contratuais que tornavam o negócio lesivo aos interesses da Petrobras, bem como quaisquer elementos que pudessem levantar dúvidas sobre a lisura da operação. Para isso, os membros da diretoria teriam recebido propina da Astra Oil.

A defesa alega que o fato de o documento assinado por Nestor Cerveró, no qual solicita autorização para a compra de parte da refinaria, “omitir a put option deixa claro a intenção de ludibriar o Conselho de Administração, impedindo que conhecesse essa questão de evidente relevância para a companhia”.

Os advogados apontam que nem mesmo a avaliação feita pelo Citigroup menciona a existência desta cláusula, mesmo tendo acesso a todas as minutas contratuais existentes até aquele momento. “O normal seria que uma condição tão relevante quanto a put option fosse mencionada na fairness opinion, e o preço de exercício da opção igualmente apreciado pelo Citigroup”, alegam.

Eles ressaltam, contudo, que não querem com isso fazer qualquer acusação contra o Citigroup. “O mais provável, contudo, é que o Citigroup tenha sido induzido pela Diretoria a elaborar uma fairness opinion que tratasse exclusivamente do preço de aquisição dos 50% da Refinaria de Pasadena, sem fazer qualquer menção à put option”, afirmam.

A defesa de Dilma aponta ainda que em todas as oportunidades que Cerveró tentou convencer o conselho a comprar os 50% restantes da refinaria, os pedidos foram negados.

Responsabilidade da equipe

No documento entregue ao TCU, a defesa alega ainda que é absolutamente incabível a responsabilização de Dilma. Isso porque o Conselho de Administração não poderia ser responsabilizado pelo fato de a Diretoria Executiva ter pactuado uma opção de venda lesiva à Petrobras, sem autorização do conselho.

Os advogados afirmam que, ao definir o parâmetro de diligência esperado dos membros do Conselho de Administração, é preciso considerar as características da Petrobras, entre elas o “brutal volume de operações e negócios submetidos à apreciação do Conselho de Administração da Companhia” e o “vasto corpo técnico que apoia a Diretoria Executiva e o Conselho de Administração e o aparato de controles internos que subsidiam suas decisões”.

“Nesse contexto, exigir que o Conselho de Administração revise minutas contratuais das operações que lhe são submetidas, mesmo quando há diversos pareceres internos e externos favoráveis às operações, implicaria condenar a companhia à total paralisia e exigiria que toda a estrutura de controles internos que apoia a Diretoria Executiva fosse replicada no âmbito do Conselho de Administração”.

Defesa de Lula pede sua absolvição na ação sobre silêncio de Cerveró

A defesa do ex-presidente Lula protocolou nesta segunda-feira (6/11), suas alegações finais referentes à ação penal em curso na 10.ª. Vara Federal de Brasília que trata da suposta compra do silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

Os advogados de Lula analisaram os 31 depoimentos colhidos ao longo da instrução do processo, incluindo o do próprio Cerveró.

Antes e depois do depoimento, Lula mergulha na política

Antes e depois do depoimento, Lula mergulha na política

Conversas reservadas

Lula já está em Brasília para tentar se explicar sobre a acusação de que atuou para comprar o silêncio de Nestor Cerveró. O depoimento ocorrerá amanhã.

Pouco depois de chegar à capital, no final da manhã, ele já começou a receber petistas no hotel em que está hospedado. Amanhã, terá novas conversas, com parlamentares do partido, depois da oitiva.

Hoje, às 19 horas, Lula irá a um evento organizado pela Contag (confederação dos trabalhadores rurais), em Brasília.

Fonte: radar on line

Lula e Delcídio serão ouvidos em Brasília pela justiça

O ex-presidente e o senador cassado serão ouvidos nos dias 15 e 17 de fevereiro, no DF; eles são acusados de embaraço às investigação da Lava Jato, especificamente, em relação a Nestor Cerveró

O senador cassado Delcídio Amaral e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva serão interrogados, respectivamente, nos dias 15 e 17 de fevereiro, na ação penal da 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, na qual eles são acusados de tentarem obstruir a Lava Jato, especificamente, em relação ao ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

Lula, Delcídio, Diogo Ferreira Rodrigues – assessor de Delcídio -, o advogado Edson Ribeiro, o banqueiro André Esteves, o pecuarista José Carlos Bumlai e o filho dele, Maurício Bumlai, são acusados dos crimes de embaraço à investigação de organização criminosa, que prevê pena de 3 a 8 anos de prisão; exploração de prestígio, cuja pena prevista é de 1 a 5 anos; e patrocínio infiel (quando um advogado não defende apropriadamente os interesses de um cliente – os outros réus foram considerados coautores de Édson Ribeiro neste crime), que prevê pena de 6 meses a 3 anos.

Nesta segunda-feira (28), em audiência de testemunhas de acusação e defesa dentro do processo, Bernardo Cerveró prestou depoimento e reiterou as alegações de que sofreu pressão por parte de Delcídio e do advogado Édson Ribeiro para que o pai dele, Néstor Cerveró, não fizesse um acordo de delação premiada e, assim, preservasse os réus desta ação.

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) ainda será ouvido antes dos acusados, no dia 15 de dezembro, na condição de testemunha, arrolada pela defesa do ex-presidente Lula. Os crimes pelos quais os réus são acusados na ação penal 42543-76 2016.4.013400 são: embaraço à investigação de organização criminosa, que prevê pena de 3 a 8 anos de prisão; exploração de prestígio, cuja pena prevista é de 1 a 5 anos; e patrocínio infiel (quando advogado não defende corretamente interesses do cliente – os outros réus foram considerados coautores de Édson Ribeiro neste crime), que prevê pena de 6 meses a 3 anos.

Depoimento

Em um depoimento dado por meio de uma chamada de vídeo do Skype, nesta segunda-feira, Bernardo Cerveró reiterou, conforme havia dito à PGR, que Edson Ribeiro lhe entregou R$ 50 mil em nome de Delcídio Amaral, sob o pretexto de ajuda à família de Nestor Cerveró, quando o ex-diretor da Petrobras já estava preso. Bernardo disse ter devolvido no dia seguinte o dinheiro a Edson, “para as despesas dele”.

Na análise de Bernardo, esse dinheiro era para comprar o silêncio do pai, em relação ao então líder do governo (Delcídio), a Lula, Bumlai e André Esteves, entre outros acusados. Bernardo queria que o pai fizesse um acordo de delação, mas afirma que, em certo momento, afirma ter percebido que o advogado Edson Ribeiro não estava ajudando.

Bernardo Cerveró, no entanto, afirmou não saber de quem eram os R$ 50 mil, um dos pontos que tanto defesa quanto acusação buscavam esclarecer. A denúncia trabalha com a versão, com base na delação de Delcídio Amaral, de que os recursos eram de José Carlos Bumlai, amigo de Lula. E assinala que a quebra de sigilo de Mauricio Bumlai mostra dois saques de R$ 25 mil dias antes.

Foi com base numa gravação feita por Bernardo que Delcídio foi preso há um ano. Na conversa, Delcídio promete à família do ex-diretor da área internacional da Petrobras que iria conversar com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar libertá-lo, e chega a falar em um plano de fuga para o exterior. Bernardo disse também que “apenas gravou” a conversa, sem tentar induzir os presentes.

Segundo ele, não houve contrato para a entrega dos R$ 50 mil em troca da desistência de Nestor Cerveró de fazer uma delação, mas, sim, uma pressão para que ele desistisse. “O que eu disse é que no momento em que foi entregue 50 mil no escritório de Machado não houve contrato. O que eu estou dizendo é que foi se criando a figura da preservação do senador e de outros, em função dessa ajuda (à família)”, afirmou Bernardo.

Outras testemunhas também foram ouvidas nesta segunda-feira. Da parte da acusação, Edson Ramos de Almeida, motorista e segurança de Maurício Bumlai, foi ouvido e afirmou que, em uma ocasião, presenciou Diogo Ferreira Rodrigues – assessor de Delcídio – buscando no carro que pertence à família Bumlai um “envelope com documentos” destinado ao então senador. Outras testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas, sem acrescentar fatos novos.

A denúncia foi aceita em julho pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, que transformou Lula pela primeira vez réu na Lava Jato. O caso já havia sido denunciado pelo Procurador-Geral da República (PGR), Rodrigo Janot, em dezembro do ano passado. No entanto, em decorrência da perda de foro privilegiado do ex-senador envolvido, Delcídio Amaral, e também pelo fato de o crime ter ocorrido em Brasília, a denúncia foi enviada à Justiça Federal do Distrito Federal.

Com essa redistribuição, o Ministério Público Federal do Distrito Federal, na pessoa do procurador da República Ivan Cláudio Marx, concluiu pela confirmação integral da denúncia prévia do PGR e fez acréscimos à peça inicial, com o objetivo de ampliar a descrição dos fatos e as provas que envolvem os acusados.

As informações são da Agência Estado

 

Cerveró nega indicação de Lula para cargo na Petrobrás em 2003

Cerveró amplia delação na Lava Jato e envolve ex-governador de MT

‘Eu soube que quem fazia essas indicações na época era o ministro Zé Dirceu. Não conheci o presidente Lula nessa época e não sei de nenhuma interferência dele neste caso’, afirmou

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou nesta quinta-feira (24), em depoimento para a Lava Jato, que não conhecia e não teve contato com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando assumiu o cargo na Petrobrás, em 2003. “Não houve negociação com o Lula. Eu soube que quem fazia essas indicações na época era o ministro Zé Dirceu. Não conheci o presidente Lula nessa época e não sei de nenhuma interferência dele neste caso”, disse.

Segundo matéria publicada pelo UOL, Cerveró contou também que quando assumiu o cargo não firmou nenhum acordo para pagamento de propina ou arrecadação de fundos partidários. ” Anteriormente à minha nomeação, eu não fiz nenhum tipo de acordo preliminar de qualquer tipo de compromisso nesse sentido. Depois da minha nomeação aconteceu, como já descrevi em outros depoimentos”, disse

No depoimento, Cerveró voltou a afirmar que o ex-senador Delcídio do Amaral, que também responde a um processo da Lava Jato, recebeu propinas da Alstom e da GE.

Sobre o caso do triplex, pelo qual Lula é julgado, o ex-presidente da Petrobras reafirmou não ter conhecimento. “Eu não conheço nem o Guarujá. A informação que eu tenho é a da mídia”, disse.

Quando questionado por Moro o motivo pelo qual deixou a diretoria da estatal para ocupar um cargo na BR Distribuidora, Cerveró declarou que “uma coisa é uma contribuição que pode surgir de determinado negócio, outra é a maneira como o acordo foi colocado, com pagamentos mensais como uma mesada, isso é uma loucura. Isso não é uma possibilidade e eu disse que não poderia atender este tipo de compromisso”.

Cerveró diz que Lula lhe deu cargo em “agradecimento”; defesa nega

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Ex-diretor da Petrobras prestou depoimento em ação na qual ex-presidente é acusado de tentativa de obstrução à Lava Jato

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse nesta terça-feira (8) em audiência na Justiça Federal que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o teria indicado para a Diretoria Financeira da BR Distribuidora em agradecimento por sua atuação pelo perdão de uma dívida de R$ 12 milhões do PT junto ao Banco Schahin.

Cerveró disse ter sido informado sobre o gesto de Lula por executivos do próprio banco. “Não foi um reconhecimento oficial, mas foi um motivo de reconhecimento que levou o presidente Lula a me indicar para a BR Distribuidora. Isso me foi dito pelo pessoal da Schahin.”

Em nota, os advogados do ex-presidente dizem que Cerveró apenas “ouviu dizer” por meio de outras pessoas esta versão, citando o nome de Sandro Tordin, ex-executivo do setor privado, “que não tinha nenhuma relação com Lula” (leia mais abaixo).

O depoimento, feito por videoconferência, fez parte de uma audiência em um processo que corre na Justiça Federal em Brasília, em que o senador cassado Delcídio do Amaral e o ex-presidente Lula são acusados de tentar comprar o silêncio de Cerveró, de modo a impedi-lo de celebrar um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Também são réus no caso o ex-advogado de Cerveró, Edson Ribeiro; o assessor de Delcídio, Diogo Ferreira; o ex-presidente do banco BTG Pactual André Esteves; e o pecuarista José Carlos Bumlai.

“A informação que me foi dada é que isso seria um reconhecimento do trabalho que eu havia feito na liquidação da dívida do PT em 2006. Eu tinha conseguido através da contratação da Schahin Óleo e Gás, operadora de uma das sondas que nós contratamos”, acrescentou Cerveró ao juiz substituto da 10ª Vara Criminal da Justiça Federal de Brasília.

Em setembro, Cerveró, Bumlai e executivos do Banco Schahin foram condenados pelo juiz federal Sérgio Moro por causa de um empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões, contraído em 2004. O dinheiro foi destinado a pagar dívidas de campanha do PT e nunca foi devolvido. Em troca, o grupo Schahin celebrou, em 2006, um contrato de US$ 1,5 bilhão para operar um navio-sonda da Petrobras.

Defesa de Lula

Para a defesa de Lula, as declarações de Cerveró comprovam que o ex-presidente não teve nenhuma participação no negócio. “Ele [Cerveró] ouviu dizer”, disse Cristiano Zanin, advogado de Lula, após a audiência. “Não há comprometimento nenhum [de Lula], se não ele [Cerveró] teria recebido esse recado de alguém qualificado, e não alguém tão distante de Lula”, acrescentou o advogado.

Devido a pressões políticas, Cerveró foi demitido da Diretoria Internacional da Petrobras em reunião do Conselho de Administração da empresa realizada em 3 de março de 2008, mesmo dia em que foi indicado para a Diretoria Financeira da BR Distribuidora, subsidiária da petroleira estatal.

Os advogados do ex-presidente Lula dizem, em nota, que o depoimento “desmente de forma inequívoca” a delação premiada de Delcídio do Amaral quanto à denuncia de obstrução de justiça.

Com informações da Agência Brasil

Mais do que ser inelegível, Lula pode é estar preso em 2018.

Lula vira réu por tentativa de obstruir Justiça

Segundo levantamento já feito pela Folha, Sergio Moro tem demorado, em média, seis meses para tomar uma decisão. Caso condene Lula, é certo que a defesa vai recorrer ao Tribunal Regional Federal. Nesse caso, as sentenças têm demorado coisa de um ano.

Digamos que tais prazos sejam cumpridos e que uma eventual condenação do petista seja confirmada pelo colegiado, em segunda instância. Chegar-se-ia a essa etapa em março de 2018.

Segundo a Lei da Ficha Limpa, o condenado por um colegiado está impedido de se candidatar. Lula, assim, não poderia disputar a eleição presidencial de 2018.

Em seus delírios conspiratórios, o PT sustenta ser essa a verdadeira motivação dos procuradores. É claro que se trata de uma bobagem.

Mas não é só a inelegibilidade que está no horizonte do companheiro. Há muito mais.

O Supremo Tribunal Federal vai decidir em breve sobre a aplicação ou não da pena de prisão já a partir de uma condenação em segunda instância.
Aí será uma decisão de natureza constitucional mesmo. Por enquanto, a questão só foi debatida no âmbito de um habeas corpus (HC).

Se a maioria do tribunal referendar a posição adotada no caso do HC, a pena de prisão poderá, sim, ser aplicada já a partir da condenação pelo TRF.
Penas acima de oito anos têm de ser cumpridas em regime fechado. Lula é acusado, nesse caso do tríplex, de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O segundo crime prevê pena de prisão de 3 a 10 anos; o outro, de 2 a 12 anos.

Notem: é grande a chance de o STF mudar a jurisprudência, permitindo a prisão já a partir da condenação em segunda instância. Se condenado pelos dois crimes, mesmo que as respectivas penas sejam relativamente brandas, a chance de que somem mais de oito anos não é pequena.
Assim, os petistas não devem temer apenas a eventual inelegibilidade de Lula. O que surge no horizonte é a efetiva possibilidade de ele ser preso.

Ademais, sabe-se, no terreno legal, esses estão longe de ser os únicos problemas do petista.
Na Justiça Federal de Brasília, ele é acusado de obstrução da investigação ou da Justiça — que não tem lei específica — em razão da suposta atuação para promover a fuga de Nestor Cerveró. A questão está prevista no Parágrafo 1º do Artigo 2º da Lei 12.850, que é justamente a que pune a organização criminosa.

Também no Supremo Lula é investigado como membro de organização criminosa, acusação, aliás, que lhe fizeram os procuradores da força-tarefa, que só não o denunciaram por isso porque o inquérito está na corte superior.

E há ainda os inquéritos que apuram se houve irregularidades envolvendo o sítio de Atibaia, a doação de empreiteiras para o Instituto Lula e o pagamento de propina, maquiada na forma de palestras, para a empresa LILS, da qual Paulo Okamotto é sócio.

A vida de Lula não anda nada fácil… Mas Moro condena?

Mas será que Sergio Moro pode condenar Lula? Bem, creio que vai depender das provas, mas, tudo indica, eis um receio que o juiz não tem. Mais: suas decisões têm sido, no mais das vezes, referendadas por tribunais superiores.

O receio dos petistas de que Lula esteja a caminho da prisão é, assim, bastante razoável.

POR REINALDO AZEVEDO – VEJA

“Ainda sou amigo de Bumlai, mas ele está preso”, disse Lula em depoimento

ONU confirma queixa de Lula por violação de direitos humanos

Ex-presidente disse ainda que Delcídio estava preocupado com presos na Lava Jato

Réu sob acusação de ter tentado sabotar a Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República), que teve conversas sobre os desdobramentos do esquema de corrupção da Petrobras com o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS).

Segundo Lula, o ex-senador estava “preocupado com as pessoas que estavam presas por ser amigo delas”, como o ex-diretor da estatal Nestor Cerveró.

O depoimento, até hoje inédito, foi prestado durante o inquérito contra Lula e Delcídio sob suspeita de obstrução das investigações do esquema de corrupção, no qual é acusado de participar da tentativa de compra do silêncio de Cerveró.

Após ser denunciado, o ex-presidente foi transformado em réu na última sexta (29) pela Justiça Federal do Distrito Federal.Lula classificou de “mentira” a acusação feita por Delcídio em sua delação premiada de que discutiu com o ex-presidente a tentativa de dar dinheiro a Cerveró, para evitar que o ex-diretor fizesse delação.

O ex-presidente afirmou que “discutiu aspectos da Operação Lava Jato com Delcídio porque este tinha preocupação com as pessoas que estavam presas, até por ter sido da Petrobras e do setor energético e elétrico e também “possivelmente por ter inclusive trabalhado [na estatal] durante o governo Fernando Henrique Cardoso”.

O ex-presidente afirmou ainda que “Delcídio dizia estar preocupado com as pessoas que estavam presas por ser amigo delas, como Cerveró e outras”.Questionado sobre sua reação ao acordo de delação de Cerveró, o petista disse que reagiu “normalmente” e que não soube da reação do governo e do PT sobre a delação.“Que não conversou sobre esse assunto com ninguém e que não tinha nem razão [para isso]”, disse.Lula disse que esteve entre três ou quatro vezes com Delcídio, mas antes de o ex-senador ser preso.

Em relação a Cerveró, Lula disse que não tinha relação pessoal e que “acha que nunca teve uma conversa a sós com Nestor Cerveró por nem um minuto”. Repetiu que sua indicação à diretoria Internacional da Petrobras foi “partidária”.

Em sua delação, o ex-diretor afirmou que deu um contrato ao grupo Schahin em compensação por um empréstimo fraudulento que o antigo banco havia dado para o pecuarista José Carlos Bumlai, mas que era destinado ao PT.

Delcídio acusou ainda a família de Bumlai de ter fornecido os pagamentos para a família de Cerveró, em troca do silêncio do ex-diretor. O senador foi preso preventivamente em novembro, acusado de participar de uma trama para evitar a delação de Cerveró, e foi solto após assinar uma colaboração premiada. À época, ele era líder do governo no Senado.

Lula confirmou ser amigo e próximo de Bumlai, dizendo inclusive que ele frequentava seus aniversários. “Ainda é amigo de José Carlos Bumlai, mas ele está preso atualmente“, descreve o registro do depoimento.

Ajuda financeira

Nos seus depoimentos, José Carlos Bumlai e seu filho, Mauricio Bumlai, relataram que Delcídio os procurou pedindo ajuda financeira para a família de Cerveró. Afirmaram, entretanto, que negaram a ajuda.

Mauricio confirmou ter tido dois encontros pessoais com Delcídio nos quais houve conversas sobre o assunto. Também relatou um encontro com o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira, em um quarto de hotel em São Paulo.“Delcídio disse para o declarante ver com seu pai para tentar ajudar a família de Cerveró. Que na hora o declarante já respondeu ao senador que a conversa não cabia, pois tinha certeza que o pai do declarante não conhecia Nestor Cerveró”, diz o relatório do depoimento de Mauricio.Segundo ele, Delcídio ficou “contrariado” com a negativa.

Com informações da Folhapress.

Nestor Cerveró é vaiado em voo de Curitiba para o Rio

Notas exclusivas de Painel Político

O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, desembarcou no aeroporto Antônio Carlos Jobim/Galeão, no Rio, por volta das 12h de sexta-feira (24) e seguiu para Petrópolis, onde cumprirá pena em regime domiciliar.

Cerveró viajou escoltado por agentes da Polícia Federal nos fundos da aeronave que lhe trouxe de Curitiba, onde passou os últimos 17 meses preso.

No desembarque, foi vaiado e xingado de ladrão por outros passageiros.

“Ele roubou e está voltando para casa com privilégios. Deveria ter saído pelo portão de desembarque, para mostrar a cara para a população”, disse a professora Benely dos Santos, 56, que estava no voo.

Segundo passageiros, Cerveró foi o último a desembarcar e deixou o aeroporto por uma área de serviço. Com informações da Folhapress.