E o Bozo só relincha – Professor Nazareno*

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Hoje, para o Brasil e os brasileiros, Jair Messias Bolsonaro é uma espécie de rainha da Inglaterra e não manda mais em nada

Diante da crise provocada pela pandemia do Coronavírus, o Brasil está percebendo aos poucos que não tem um presidente da República. Não tem um líder de fato até agora para comandar o país nestes momentos de extrema dificuldade.

Nos países ricos e desenvolvidos essa liderança é assumida normalmente por seus presidentes e primeiros-ministros sem nenhum problema. Na Alemanha, Angela Merckel comanda as ações. Na França é o jovem presidente Emmanuel Macron que dita todas as regras, na Espanha Pedro Sánchez está à frente das ações e na Itália o primeiro-ministro Giuseppe Conte é quem lidera os italianos. Até nos Estados Unidos, Donald Trump já se rendeu à dura realidade da pandemia e procura, a seu jeito, levar seus compatriotas à vitória. No Brasil, o “Mito” relincha e só espalha ódio e intrigas aqui.

Sem entender absolutamente nada sobre essa terrível pandemia e também sobre outros assuntos, o presidente Jair Bolsonaro já brigou com os governadores, com o Congresso Nacional, com o STF, com a OMS, com a ciência.

Perde apoio a cada dia e se desmoraliza perante a opinião pública nacional. Guiado só pelas redes sociais e pelo “gabinete do ódio” comandado por seus filhos e pelo “intelectual de araque” Olavo de Carvalho, o “Mito” é um fracasso sem precedentes na história recente desse país. Ignorado, isolado e desmoralizado pelas evidências, o Bozo é ridicularizado todo santo dia nas mídias nacional e internacional.

Virou chacota e não comanda hoje nem o seu próprio governo. Incapaz de demitir o seu ministro da Saúde, o “fraco líder” do Brasil deveria renunciar ao mandato e deixar as autoridades de verdade comandarem o caos.

Para desespero do “incapaz e inapto presidente” e também contra a sua vontade, o ministro Mandetta continuará, por enquanto, comandando as ações contra a pandemia. Com ciúmes e inveja da eficiência do seu ministro da Saúde, Bolsonaro estava disposto a demiti-lo, mas os militares, toda a área técnica do governo, parlamentares, opinião pública e ministros do Supremo impuseram suas vontades ao Bozo.

Hoje, para o Brasil e os brasileiros, Jair Messias Bolsonaro é uma espécie de rainha da Inglaterra e não manda mais em nada. Está desacreditado, “sua caneta está sem tinta” e sua posição está cada vez mais ridicularizada. O “líder de opereta” dos 57 milhões de eleitores continuará, no entanto, divertindo os tolos com a sua rompança e seu discurso genocida, ultrapassado e incoerente. Sequer conseguiu emplacar o amigo Osmar “Terra Plana”.

Bolsonaro continua sendo infelizmente o presidente do Brasil, mas quem manda de fato a partir de agora é o vice Hamilton Mourão, a ciência, a lógica e o ministro Luiz Henrique Mandetta.

A quarentena e o isolamento dos brasileiros para tentar deter ou amenizar o vírus vão continuar, sim. As recomendações da OMS, dos epidemiologistas, dos cientistas em geral e de parte da mídia nacional devem balizar o enfrentamento da crise.

E o comércio, para desespero dos bolsomínions, não vai abrir sem critérios. O “Mito” virou uma espécie de bobo da corte sem nenhum prestígio e levado na galhofa por muita gente, inclusive muitos de seus eleitores e seguidores de primeira hora. Se ele tivesse competência e boa vontade estaria liderando o país e seu povo nestas horas tão difíceis.

Eu, por exemplo, já teria me arrependido se tivesse votado nessa desgraça, nesse estrupício. Ele agora se contentará apenas em relinchar de tristeza. E de vergonha.

*Foi Professor em Porto Velho

Uma simples carta a Deus – Professor Nazareno*

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É verdade, Providência, que Jair Bolsonaro foi enviado pelo Criador para governar o Brasil, Hildon Chaves para administrar Porto Velho e Marcos Rocha para “dar as cartas” em Rondônia?

Outro dia me juraram que o Senhor existia de verdade e que não era apenas uma simples invenção do homem. Não tenho muita certeza disso, mas sempre achei que devido ao desconhecimento de sua origem e de seu previsível fim, os seres humanos entenderam que era bem melhor criar um ser com plenos poderes para lhe guiar bem durante a sua breve passagem por aqui.

Sem entender bulhufas da complexidade do cosmos e de suas causas e consequências, foi bom e até mais prático atribuir toda a criação ao Senhor, “que tudo pode, que tudo cria, que tudo sabe, que tudo vê e que tudo decide”. Assim, muito tempo depois do vírus, o Eterno também teria criado o homem, a sua imagem e semelhança, que fique bem claro. O homem e todas as outras coisas que existem. Mas criador e criatura nunca se deram bem. E esta carta é para tirar dúvidas.

O Mestre nos mandou a Peste Negra na Idade Média que ceifou pelo menos 150 milhões de “almas”. Depois nos presenteou com a Gripe Espanhola com uns 75 milhões de óbitos. Permitiu que houvesse guerras e revoluções que destruíram milhões de vidas. Deixou que epidemias, doenças incuráveis, sequelas, pestes e pandemias causassem sofrimento a todos. Por quê? Está o Altíssimo aborrecido com a sua criação? Agora, em pleno século da modernidade, da internet, das grandes viagens, da globalização, assiste meio que acomodado que um simples vírus destrua tudo.

Claro que em tempo nenhum nunca seguimos corretamente os seus desejos. Destruímos a natureza sem dó nem piedade. Em Rondônia, por exemplo, destruímos o rio Madeira, incendiamos a floresta todos os anos, não dividimos corretamente a riqueza produzida, sujamos o mundo todo.

Peço desculpas ao Rei dos Reis, mas não posso concordar que o Todo Poderoso também tenha se metido na nossa política. É verdade, Providência, que Jair Bolsonaro foi enviado pelo Criador para governar o Brasil, Hildon Chaves para administrar Porto Velho e Marcos Rocha para “dar as cartas” em Rondônia? Se o Onipotente foi o responsável por isso, lamento dizer: o Senhor “pisou na bola” com os brasileiros e os rondonienses.

O Senhor mesmo está vendo. Essas autoridades de araque são muito piores do que o Coronavírus. Crueldade: qual foi a divindade responsável pela envio de Edir Macedo, do “apóstolo” Valdemiro Santiago, do Silas Malafaia (o da rola) e do Pastor R.R Soares para salvar o povo brasileiro? Será o Redentor também o responsável pelo Papa, pelos pastores, padres, cultos e missas? O vírus não respeitou nenhum deles.

Aliás, Gloriosa Divindade, esse terrível e mortal vírus é criação Sua? Se for, por que o criou? O Senhor já matou tantos inocentes na época do dilúvio universal e agora nos dá essa praga? Já há tantos terremotos, vulcões, tsunamis e mesmo doenças comuns. Eu também tenho que pagar pelos erros da Humanidade?

Não entendo: eu não gosto de futebol, não gosto do Flamengo, do Carnaval, não vou à igreja, não rezo, não sou escravo da riqueza nem do dinheiro, jamais li a Bíblia, nunca votei em nenhum desses políticos ridículos e raramente vou à Banda do Vai Quem Quer ou ao Arraial Flor do Maracujá. Devia não pagar nada. Mas se não foi criação Sua, destrua-o logo, senão começo a desconfiar de sua onipotência. Sei que o Meu Poderoso Pai vai ler esta humilde cartinha, pois vejo que às vezes sai dos seus inúmeros afazeres para dar carros a tantas pessoas. Dúvida cruel: rezar ajoelhado no meio das ruas mata o vírus? Ou não?

*Foi Professor em Porto Velho

É hora de sermos família, em tempo integral!

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Aprenda a conviver com quem está por perto, e consigo mesmo

Hora de arrumar a casa, e também cuidar dos que nela habitam. De repente, o mundo parou lá fora, e se intensificou dentro de nossos lares. Mas vejam só que ironia, vivíamos dizendo que não tínhamos tempo para conviver, e agora confinados em casa temos o tempo todo, mas nunca pensamos que seria tão difícil.

Ser família exige desejo e disponibilidade. Ser família, exige aceitação e paciência. É ato de amor contínuo, e tolerância inesgotável.

Situações de conflito, por mais angustiantes que sejam, geram oportunidades de crescimento. Podemos criar um ambiente de escuta, e nos apoiar uns nos outros.  Aproveite este momento de reclusão, para acolher e ouvir quem está a seu lado. Aprenda com a privação social, aprenda com suas inseguranças, medos e incertezas. É hora de cuidar do que já não ia bem, e não encontrava espaço na agenda, para ser reavaliado.

Poderemos nos assustar, com os monstros e dragões que surgirão em nossas casas nestes dias… Mas não se assuste, eles sempre estiveram por aqui! Nós não tivemos tempo para percebê-los, ou simplesmente os ignoramos, por medo de ter que enfrentá-los, porque o enfrentamento é trabalhoso!

Sabe aquela “sujeirinha” que vamos varrendo pra baixo do tapete? Ela existe!

Sabe aquele “deixa pra lá”?… Ele não vai embora, enquanto você não decide lidar com ele.

Aprenda a conviver com quem está por perto, e consigo mesmo. Aprenda a SER quem você realmente é! Acolha seus sentimentos, e enfrente seus fantasmas, pois eles são reais. Abra espaço para a faxina que começa em casa, e termina dentro de nós. Tem muita coisa precisando ser colocada no lugar!

Use este tempo, para fechar sua porta para o mundo, mas abra uma janela para dentro de você, que possa inaugurar um tempo de reavaliações. Cuide de sua saúde mental, o tempo está aí: aproveite-o!…

É hora de despertar, o que pode haver de melhor, em ser família; somando forças, e recomeçando quantas vezes forem necessárias, todos os dias. As experiências difíceis, nos trazem oportunidades para repensar nossas relações; apertar nossos laços afetivos e desatar nossos nós. Isto é CONVIVER, e já era tempo de pararmos para reaprender!

Rafaela Di Guimarães

CRP 13804    [email protected]

Sobre as lições da história e os falsos dilemas: um apelo aos governantes em Rondônia

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A história é implacável em suas lições, mesmo que não queiramos aprender

Por Prof. Estêvão Rafael Fernandes* – Pouca gente sabe, mas a epidemiologia como a conhecemos foi impactada pelos estudos de um médico inglês chamado John Snow (não, não era o de Winterfel).

Em meados do século XIX, Londres passava por uma epidemia de cólera. As autoridades pensavam que as pessoas ficavam doentes por conta do mau cheiro, mas Snow achava que não. Ele começou a mapear os casos de pessoas doentes e descobriu que as doenças estavam relacionadas ao consumo de água de um dos postos que abasteciam a cidade.

Apresentando seus estudos às autoridades, o poço foi fechado e várias vidas, salvas. Não se preocuparam com o desgaste político que seria forçar as pessoas a andarem um pouco mais para buscar água, nem com a queda nas vendas de baldes naquele bairro… Sim, estou exagerando, mas vocês entenderam o argumento.

Também pouca gente sabe, mas Oswaldo Cruz passou uma temporada na região de Porto Velho (mais especificamente na vila de Santo Antônio) em julho de 1910, a pedido da Madeira Mamoré Railway Company. A visita rendeu um relatório bem interessante, chamado “Considerações gerais sobre as condições sanitárias do Rio Madeira”.

Nesse relatório, que pode ser baixado aqui – https://www.obrasraras.fiocruz.br/media.details.php?mediaID=369 – ele registra como nossa região era repleta de problemas sanitários e como doenças como a pneumonia e a malária grassavam soltas por aqui. Nesse relatório, Oswaldo Cruz sugere a “aplicação compulsória das medidas de profilaxia”, ou seja: se cuidar era parte das obrigações dos trabalhadores da Estrada de Ferro e “deve ser considerado trabalho executado” (p. 57) – aliás, ele sugere que os trabalhadores que se cuidassem tivessem após 3 meses um bônus em cima do salário! A empresa deveria prover água fervida, sapatos e saneamento urgente na vila de Santo Antônio, dentre várias outras medidas. A Madeira Mamoré Railway Co. implementou as sugestões de Oswaldo Cruz, mesmo que isso significasse, a curto prazo, um aumento nos custos da empresa. A matemática era simples: mortos e doentes não trabalham e isso daria um prejuízo muito maior do que os custos dessas medidas. 

Aliás, Oswaldo Cruz não era um sujeito muito popular no seu tempo. Anos antes de sua passagem por aqui, encarou a “revolta da vacina”, em 1904. Quem vê o Rio de Janeiro hoje, não imagina que naquele ano morreram mais de 3.500 pessoas de varíola (depois da vacinação, este número seria reduzido para 2, dois anos depois). Isso sem falar da tifo, tuberculose, peste e febre amarela.

Nesse contexto, Oswaldo Cruz foi nomeado Diretor Geral de Saúde Pública e impôs medidas “absurdas” para a população: a exigência de comprovantes de vacinas para se matricular nas escolas, viajar, e até para casar. Alguns grupos políticos se aproveitaram da insatisfação popular e tentaram fazer um golpe de Estado (do qual participou, inclusive, Lauro Sodré – sim, aquele da avenida). O saldo final foram dezenas de mortos, centenas de feridos, mortos e deportados para o Acre (!) mas, cinco anos depois, não havia mais febre amarela no Rio de Janeiro. Novamente, várias lições poderosas: conhecimento técnico, pulso político, recursos e coragem para lidar com o desgaste de tomar medidas impopulares. Oswaldo Cruz, então execrado por parte da mídia, hoje é considerado herói nacional.

Várias outras seriam as lições possíveis da história advindas de epidemias ao redor do mundo: Peste (bubônica e bovina), Varíola, Praga, Gripe Espanhola, Ebola… Deve-se agir com inteligência e conhecimento técnico. Lembro-me de um trecho de A Arte da Guerra, onde Sun Tzu escreve que, se a vitória foi alcançada é porque “se detém o conhecimento prévio e se pode antever o desenrolar de uma guerra”. Ou seja: só se vence quando se consegue se prever como seu inimigo vai agir com antecedência e, em se tratando de questões de saúde pública, quem pode dar essa previsão são os epidemiologistas e profissionais de saúde pública. 

O problema é que, muito embora essas pessoas possam nos ensinar como vencer a batalha, cabe à classe política tomar decisões e prover a população de recursos (materiais, mas também educacionais, buscando a prevenção) e é aí que a coisa fica complicada. Vimos, nos casos acima, situações nas quais políticos e empresários tiveram que arcar com custos mais imediatos para lidar com um mal mais impactante, a longo prazo. Não se trata de pulso, mas – novamente – de inteligência. Gente doente, preocupada com os parentes adoecidos ou em risco, ou mortos, não consome, não produz e é pior para a economia do que medidas de prevenção ou combate à doença. 

Não se trata de escolher entre saúde das pessoas ou saúde da economia, pois uma não exclui a outra. 

Aí entram alguns conselhos.

Em primeiro lugar, é importante que as decisões tomadas em relação ao coronavírus, em Rondônia, partam não de acordos políticos, mas de um corpo técnico. Rondônia tem muita gente capaz, pela nossa experiência com doenças como malária, por exemplo, que precisam ser ouvidas. Temos Fiocruz, Ifro, UNIR, Ipepatro, CREMERO, e vários Doutores e Doutoras em Biologia Experimental, Medicina Tropical, etc. que precisam ser ouvidos urgentemente. São essas pessoas que nos permitem “ter o conhecimento prévio” do qual fala Sun Tzu. É urgente a necessidade de colocar essas pessoas para conversarem via videoconferência e pautarem políticas de vigilância epidemiológica no Estado e na região- e que tais medidas sejam implementadas;

Isso nos leva a outro ponto: Rondônia não é uma ilha e vale a pena estabelecer um conjunto de ações com outros governadores da Amazônia. Temos uma série de particularidades na região, não apenas no transporte hidroviário, mas com comunidades inteiras bastante sensíveis do ponto de vista epidemiológico – ribeirinhos, indígenas, quilombolas, etc. Ações, neste sentido, devem ser casadas com outros órgãos e governos;

Cabe ao Governo do Estado estabelecer canais de comunicação com a população, a fim de evitar a propagação de noticias falsas e boatos. Seja um número de whatsapp, colaboração das redes de tevê locais, hotsites,… Lives e transmissões via facebook não substituem canais de comunicação e educação em saúde: a maioria da população tem internet precária, mas tem rádio e tevê em casa. Comunicação de qualidade e contínua são algo importantíssimo em um momento de crise, e passa a sensação de que algo está sendo feito – o que diminui a sensação de pânico;

Da mesma forma que um conselho na área da saúde pública precisa ser criado, também é importante um conselho na área econômica, buscando alternativas viáveis para manutenção da economia, seja dos grandes produtores, seja do microempreendedor. Há várias alternativas viáveis e com relativamente baixo custo a serem implementadas a curto, médio e longo prazo e muita gente capaz de ajudar a pensar soluções e alternativas em nosso Estado. Cabe ao Governo fazer essas pessoas conversarem e, sobretudo, ter pulso para implementar as ações tanto no campo econômico, quanto no epidemiológico;

Testar, testar, testar. Essa parece ser a única alternativa possível para termos real dimensão do tamanho do problema – e, como nosso Governador é amigo do atual Presidente da República, conseguir esses testes não é algo impossível. Só se afrouxam regras de quarentena quando se tem dados concretos à mão, com todos os casos suspeitos testados. Até lá, trata-se todo mundo como caso confirmado de COVID-19. Um empregado precisa pegar um ônibus para ir até o trabalho, tem contato com gente do “grupo de risco” em casa, durante o serviço ou no caminho e essas variáveis precisam ser levadas em conta – e isso não é papel do “mercado”, mas do Governo. 

Finalmente, não é o momento do FlaxFlu político. O vírus pega liberal, governista, católico, petista, comunista e budista do mesmo jeito. As opções à mesa não são seguir, ou não o Presidente, mas salvar, ou não, a população – suas vidas e nossa economia: novamente, as duas opções não se excluem.

Precisamos de gente, por exemplo, que faça projeções sobre o peso da crise internacional nas exportações do Estado, que faça interlocução com instituições financeiras de desenvolvimento da Amazônia para apoio ao micro e pequeno empreendedor (individuais, ou não), que garanta a segurança aos profissionais da saúde e da segurança pública. Me pergunto, por exemplo, se nossos Militares, Bombeiros e Policiais têm recebido capacitação e suporte. Incluo, aqui, suporte psicológico e físico (eles têm bons EPIs à disposição? Sabem como utilizá-los para protegerem a si, às suas famílias e à população?). É preciso acolher nossas equipes médicas e forças de segurança da melhor forma possível, por eles e por seus familiares. Mais que isso, fica o apelo à população: ao ver policiais, bombeiros, médicos, militares: dê seu bom dia, bata palmas, agradeça a eles de alguma forma. Eles e elas merecem nosso apoio e total consideração.

Vejo várias ideias surgindo por aí, algumas com mais, outras com menos sentido:

Transformar o Hospital da UNIR (aquele, da Estrada Santo Antônio) em hospital de campanha, com apoio do exército e da Santo Antônio Energia: desenvolver um site, no portal do Governo do Estado, com contatos via whatsapp de produtores, vendedores e lojas que entreguem produtos por delivery (se possível em parceria com nossos moto-taxistas, que precisam de um sustento); produção de sabão para a população mais humilde (e iniciativas que os ajudem a fabricar sabão caseiro, algo rápido e barato).

Novamente: não é necessário escolher entre salvar vidas ou economia. Isso é um falso dilema. Basta ter coragem, inteligência, e competência para chamar as pessoas que podem contribuir para dialogar e bancar, politicamente essas decisões. A história está aí para nos ensinar que nem sempre o preço a se pagar por tomar decisões impopulares é baixo, mas ele não precisa ser contado em vidas perdidas. 

Prof. Estêvão Rafael Fernandes

Antropólogo, Professor da UNIR

Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília e pós-doutor pela Brown University (EUA)

Potencial de Rondônia atrai BRB, diz Ibaneis Rocha – Andrey Cavalcante

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Alinhado com a expansão regional do Banco, o programa elaborado pelo BRB prevê a aplicação de R$ 500 milhões nas cadeias pro

Apesar de aprovado com louvor em seu primeiro ano de governo, não foi eleitoral o foco principal da visita do governador de Brasília Ibaneis Rocha, a Porto Velho, para uma sequência de encontros e reuniões com autoridades e lideranças empresariais. Tanto assim, que dividiu o protagonismo com o presidente do Banco de Brasília – BRB, Paulo Henrique Costa, que integrou a comitiva junto com outros dirigentes da instituição. Seus reais interesses estavam focados nas potencialidades econômicas do estado. Isso demonstra que embora tenha gostado, como disse em entrevista, da ação política em seu primeiro ano à frente do governo de Brasília, Ibaneis Rocha não despreza a visão experiente de advogado e empresário sobejamente bem sucedido na vida privada.

É bastante significativa a manifestação clara de interesse econômico do BRB em Rondônia, onde pretende se instalar, inicialmente em Porto Velho, com pelo menos quatro locais de atendimento. Isso atende fortemente aos interesses dos setores produtivos rondonienses, posto que sinaliza, não apenas para a concorrência, mas fundamentalmente aos grandes investidores nacionais, sempre atentos às movimentações das instituições bancárias, que o mercado rondoniense amadurece e se consolida.

E está pronto para receber novos investimentos. São, de fato, imensas as perspectivas do estado, especialmente com a promissora possibilidade de avanço da regularização fundiária, objeto da MP assinada em novembro pelo presidente Bolsonaro. O governo de Rondônia estima que perto de 300 mil famílias poderão ser beneficiadas com a desburocratização do processo, que poderá em pouco tempo duplicar a produção rondoniense.

Essa foi, inclusive, a tônica dos discursos e apresentações nos encontros mantidos pela comitiva de Brasília com o governo do estado, representado pelo vice governador José Atílio Salazar Martins, o José Jodan, além do secretário da Sefin, Luis Fernando Pereira da Silva e com o superintendente estadual de Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura, Sérgio Gonçalves.

O roteiro da comitiva governamental, à qual se integrou o presidente da OAB Rondônia, Elton Assis, incluiu também encontros com o prefeito Hildon Chaves, com o presidente Marcelo Thomé, dirigentes da Fiero e presidentes de sindicatos filiados e com o presidente Raniery Coelho e dirigentes da Fecomércio. A Tônica dos discursos de Ibaneis Rocha foi a oportunidade de atuar “junto ao setor produtivo, desde o pequeno até o grande empresário, seja na área da construção civil, seja na área da industrialização, para desenvolver cada vez mais esta que é uma região riquíssima”.

O BRB, na verdade, se antecipa aos resultados da medida provisória e se propõe a oferecer linhas de crédito aos pequenos produtores da agricultura familiar, na qual os proprietários possuem apenas a terra, sem a regularização necessária para oferecer em garantia de financiamentos nos bancos oficiais. A proposta do banco é destinar tratamento diferenciado ao setor, de forma a estimular a produção sem exaurir a capacidade de pagamento do tomador. “Isso pode ser um marco no agronegócio rondoniense. Fomenta a produção e a economia” – disse o prefeito Hildon Chaves, para quem a proposta do BRB não apenas facilita o acesso ao crédito aos pequenos agricultores para o plantio, mas também para irrigação e o melhoramento de suas propriedades como um todo, um incentivo para a geração de emprego e renda no campo.

Alinhado com a expansão regional do Banco, o programa elaborado pelo BRB prevê a aplicação de R$ 500 milhões nas cadeias produtivas. Segundo o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o valor do investimento pode ser ampliado, uma vez que o Banco “apresenta boa condição de liquidez, o que possibilita atender à necessidade de crédito para os bons projetos de investimentos”. O diferencial do BRB é ser um banco de fomento com foco na produção do desenvolvimento com fortalecimento do setor produtivo.

A vinda para Rondônia é, segundo ele, fruto do sucesso da parceria do BRB com o Sistema Comércio no Distrito Federal e sua ampliação, com apoio da Confederação Nacional do Comércio, da qual Raniery Coelho é vice-presidente. Paulo Henrique Costa classifica o BRB como “um banco completo” e inovador, que busca trabalhar de forma diferenciada e que vem para ajudar a iniciativa privada de Rondônia.

O ópio dos brasileiros – Professor Nazareno*

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É tempo de Carnaval e de Flamengo campeão. Não há como enxergar o Covid-19, fim da democracia, aquecimento global, violência. Tudo é samba!

Karl Marx disse certa vez que a religião é o ópio do povo. Seguindo essa lógica, compreende-se que no Brasil também existem pelo menos duas coisas de efeito igualmente anestésico e hipnótico sobre o povão: o futebol e o Carnaval.

Travestidas de cultura popular, essas duas “drogas” nacionais têm o poder de amortecer a realidade e de escamotear as agruras de um povo sofrido e espoliado. O Carnaval só acontece uma vez ao ano, mas consegue ocultar a triste realidade de maneira muito cruel. Leva multidões às ruas num delírio jamais visto numa sociedade civilizada.

Dizem que une as pessoas das mais diferentes ideologias e visão social. Aqui, direita, esquerda e centro se irmanam numa infinita alegria nas comemorações populares. Durante a orgia, o país mergulha num processo de total esquecimento de seus problemas. E tudo vira festa.

Já o futebol é o ano todo. O esporte das multidões opõe torcedores de times diferentes, mas tem a mesma função da folia: inebriar multidões, semear o comodismo, dar a impressão de ser algo sério e tirar o pouco poder de luta das pessoas comuns. Por isso, a classe política e a elite econômica do país “pegam carona” nestas festas populares que nada têm de cultura.

Carnaval é algo patético que apenas incita a violência e favorece o consumo de drogas. O número de mortos todos os anos por causa das “Folias de Momo” cresce de maneira ascendente em todo o país. Isso sem falar na sujeira que proporciona nas ruas. Em Porto Velho, por exemplo, a Banda do Vai Quem Quer promove todo ano um festival de lixo e nojeira. Mesmo após quarenta anos de desfile, os organizadores e brincantes ainda não foram civilizados em relação ao fato.

Talvez a única contribuição que essa banda dá a Porto Velho seja somente a imundície e o lixo que produz no sábado em que vai às ruas. Toneladas e mais toneladas de podridão e monturo é o que se observa já no domingo pela manhã. Ainda bem que não precisa do escasso dinheiro público para desfilar como fazem os muitos blocos daqui e de outras cidades do país. Nunca entendi por que seus organizadores nunca tentaram pelo menos conscientizar os brincantes com relação ao lixo que produzem.

Em tempos de Coronavírus, desfilar blocos com milhares de pessoas é um risco desnecessário que os cidadãos conscientes deveriam evitar. Mas isso é quase impossível, pois dificilmente se encontra alguém com boa leitura de mundo e consciente entre os brincantes e também entre os amantes do futebol. Ali é só bebedor de cachaça.

Com o pré-carnaval, o Brasil “ganhou” mais uma semana de dias parados. São quase dez dias sem nenhuma produção nas indústrias e no governo, com escolas, fábricas e comércio paralisados em troca de nada. Mas é compreensível, pois “o ano só começa pra valer mesmo depois do Carnaval”, é o que se costuma dizer no país que nunca sai da “crise”. Nas nações civilizadas também existe futebol e Carnaval, mas tudo dentro do aceitável sem a necessidade absurda de paralisar um país inteiro nem de sair por aí matando pessoas a esmo em nome da folia.

Futebol e Carnaval nunca acrescentaram nada ao Brasil, além de muito prejuízo, mortes e mais violência numa sociedade já turbinada pelo álcool e pelas drogas pesadas onde se matam quase 50 mil cidadãos todos os anos. É tempo de Carnaval e de Flamengo campeão. Não há como enxergar o Covid-19, fim da democracia, aquecimento global, violência. Tudo é samba!

*Foi Professor em Porto Velho.

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Uma nação privatizada – Professor Nazareno*

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O Estado se desfaz de seu patrimônio e continua cobrando altos impostos de todos

Sempre acreditei na máxima de que “quando tudo for privado, seremos privados de tudo”. E essa discussão no Brasil vem desde os governos neoliberais de FHC no final da década de 1990. “O Estado tem que ser o menor possível”, diziam os teóricos dessa aberração social. No nosso país, onde os governantes nunca investiram em Educação de qualidade, o resultado não podia ser diferente: desemprego em massa e uma economia baseada na informalidade. Essas são as “conquistas” que observamos hoje mais de duas décadas depois.

A Vale do Rio Doce e a Energisa são dois exemplos típicos da grande onda de privatizações que tomou conta do Brasil nos últimos anos. Mesmo com 13 anos de um governo de esquerda, a onda privatizante se espalhou pelo Brasil, entregou várias empresas estatais à iniciativa privada e ainda continua sendo uma panaceia milagreira.

Mas não é. A privatização dos bens pertencentes ao Estado só aumentou a desigualdade social e os problemas dos cidadãos brasileiros, que pagam uma das maiores cargas tributárias do mundo, e nada recebem em troca. Se o Estado se desfizer de seus bens, deveria também parar de cobrar tantos tributos. Mas a desestatização não funciona assim. Pelo menos no nosso país. O Estado se desfaz de seu patrimônio e continua cobrando altos impostos de todos.

Aqui não temos Educação de qualidade, não temos Saúde, não temos saneamento básico, nem qualquer assistência do Poder Público. Até o que se paga de energia vai para uma empresa privada que só vê o lucro. No caso específico de Rondônia, a atuação da Energisa dispensa quaisquer comentários. Assim como a Vale do Rio Doce com os seus incríveis desastres de Mariana e de Brumadinho.

Nos países desenvolvidos de Primeiro Mundo tudo o que é público funciona muito bem. No Brasil, só dá certo tudo que é privado. Por isso, a ideia de privatizar tudo tomou conta de todos indistintamente. Quando os funcionários da antiga Ceron saíam às ruas, por exemplo, todo mundo gritava a uma só voz: “têm que privatizar mesmo. Só assim vai melhorar”.

E a classe política local foi a primeira a entregar o patrimônio dos rondonienses aos forasteiros. Depois eles tentaram consertar a bobagem criando uma CPI na Assembleia Legislativa para “defender os consumidores lesados pela empresa mineira”. Tarde demais. “Só conversa para inglês ver”. Sem a sua empresa de energia elétrica e tendo que pagar por uma das mais altas taxas de energia elétrica do país, os tolos rondonienses perderam tudo e hoje choram “desolados” sobre o leite derramado.

Agora o governo do “Mito” quer privatizar o resto do que sobrou do Estado brasileiro. Os Correios, A Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, os poucos bancos estaduais que ainda existem, as estradas, as escolas públicas, os hospitais, a Petrobras, os portos, a Amazônia, o Cerrado, o litoral, as chapadas, as universidades federais e talvez até todos os Estados da Federação. Nada escapa da sanha privacionista do atual governo.

Se depender de Brasília, tudo será entregue à iniciativa privada. E nada de se fazer a reforma tributária. Nada de diminuir os impostos. Nada de tentar melhorar os serviços públicos. Os mais de 13 milhões de desempregados sofrem pela incompetência dos sucessivos governos. O Estado sendo público nunca funcionou para a maioria de seus sofridos cidadãos. Por que melhorará se for todo doado à iniciativa privada? Aqui sempre prevaleceu a ideia da “Casa Grande e Senzala”. Triste tudo isso!

*Foi Professor em Porto Velho.

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Transposição: Marcos Rocha precisa pedir a Bolsonaro providências para enquadramento de servidores

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“De grão em grão”, os políticos enchem o papo furado

De nada adianta o Superintendente de Gestão e Pessoas do governo de Rondônia, coronel Sílvio Luiz Rodrigues, se reunir com a bancada federal com a proposta de vir à Brasília e realizar audiência no Ministério de Economia com  o secretário especial de desburocratização, gestão e governo digital do Ministério da Economia, Paulo Antônio Spencer Uebel, objetivando a solução do imbróglio, porque não tem força política nenhuma para resolver o problema. Tudo conversa fiada. Nem a bancada está conseguindo avançar nas negociações para o enquadramento e inclusão na folha de pagamento da União. Vem somente gastar passagem aérea e diárias.

O governador Marcos Rocha e o deputado federal Coronel Chrissóstomo se gabam de serem amigos do presidente Jair Bolsonaro. Vivem aos quatro cantos do Estado propalando essa amizade. Por que não pedem ao Bolsonaro que resolva de vez essa situação? Qual é o medo? Qual é o problema? Se não tem a coragem devida, seria então outro “papo furado” dizer que são amigos do presidente?

Enquanto isso, os servidores estão envelhecendo, não podem se aposentar porque aguardam uma decisão que não chega nunca, a bancada não sabe mais o que fazer e muitos estão morrendo sem ver o que chamam de direito, reconhecido pela Constituição Federal.

O único ato ensaiado junto com a bancada federal foi a confecção do Decreto presidencial  9823/19 que apenas autoriza o aceite do Termo de Posse, caso o servidor comprove que está apto e em condições legais para assumir futuramente como servidor federal tendo como base as EC 60 ou EC 98 e a Lei 13.681. Depois disso, mais nada.VEJA TAMBÉM:

Muita falta de respeito com os servidores esse tratamento desumano e recheado de “lorotas” para enganar os incautos que sonham em se tornarem servidores federais e descansar em paz.

Não vai demorar e a transposição de servidores estaduais de Rondônia para os quadros federais vai se tornar um crime, porque as pessoas que realmente têm o seu direito adquirido, acabarão morrendo sem o benefício, pelo tempo que ainda vai demorar e suas famílias vão ingressar com diversas ações de reparação desse direito na Justiça. Aí sairá mais caro.

Veja a matéria do governo clicando AQUI

Carlos Terceiro, Nahoraonline.

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Hoje, eu defendo o Suamy (o secretário dos livros censurados) -Professor Nazareno*

Painel Político:: - https://politico.painelpolitico.com

Defendo o professor Suamy neste episódio por que sei que ele jamais se prestaria a um serviço “sujo” e “porco” como esse

Suamy Vivecananda Lacerda de Abreu é um rondoniense nato, formado em História pela Universidade Federal de Rondônia e um bom conhecedor da História da Educação neste Estado com vários anos atuando em escolas do interior e também da capital. É um dos fundadores, junto comigo e outros professores, do Projeto Terceirão da Escola João Bento da Costa de Porto Velho que dispensa quaisquer comentários.

É atualmente secretário de Estado da Educação. E pesa contra ele a denúncia de ter mandando recolher vários livros das escolas públicas do Estado. Um escândalo estadual, nacional e até internacional. Foi acusado de ter censurado obras reconhecidas como best-sellers mundiais. Não sou advogado deste honrado professor e nem tenho procuração para lhe defender. Mas não acredito que o mesmo tenha feito esse absurdo.

Suamy sempre foi meu amigo e trabalhamos juntos durante mais de 12 anos. Já divergimos em várias situações e não seria agora que o mesmo, apesar de ser secretário de Educação de um coronel-governador da extrema-direita, que é admirador de um capitão- presidente, do Exército e também da extrema-direita, iria “entregar o jogo com uma infantilidade dessas”. Suamy não é um intelectual refinado, não é autor de obras consagradas, nem tem profundos conhecimentos sobre todos os temas, mas também não é um idiota.

Se ele obedeceu a uma ordem para recolher esses livros porque os mesmos tinham “conteúdos inadequados às crianças e adolescentes”, aí o idiota sou eu que sempre acreditei nele e nos seus bons propósitos. Censurar Rubem Alves, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, Euclides da Cunha e Franz Kafka não é para qualquer Suamy.

E ele deveria saber disso. E ele, como um bom professor de História que sempre foi, não poderia jamais ter permitido que se fizesse isso. Suamy deve ter votado no coronel Marcos Rocha. Deve ter votado também no capitão Jair Bolsonaro, coisas que jamais eu teria feito. Eu tenho minha posição política e ele a dele. Até aí, tudo normal.

Não sou de extrema-direita muito menos de esquerda. Odeio a ideologização desnecessária que se tem feito da sociedade brasileira atual. Para mim, quem destruiu e continua destruindo o Brasil não foi a direita nem a esquerda, mas as duas posições políticas. Ambas, quando estiveram no poder, roubaram, foram corruptas, pregaram a desigualdade social e nunca investiram o que deviam ter investido na Educação de qualidade. Por isso, ambas deviam ser escorraçadas de nossa vida política para sempre.

Defendo o professor Suamy neste episódio por que sei que ele jamais se prestaria a um serviço “sujo” e “porco” como esse. E não por que eu queira alguma benesse do Estado. Já sou um professor aposentado e estou “bem”. Mas se ele falhou neste aspecto e fez o que “acho que ele não fez”, abomino o seu posicionamento e a sua atitude tosca, pois jamais compactuaria com a censura e o obscurantismo.

Os atuais governos, nos quais acho que o professor Suamy votou, não podem nem devem fazer o que quiserem com a nossa sociedade, pois o que já está estabelecido não admite mudanças. E com pouco mais de um ano à frente da Seduc/RO, Suamy foi um dos responsáveis pelas notas de Redação no ENEM/2019 das escolas públicas, que ficaram muito acima dos alunos das escolas particulares de Rondônia. Por tudo isso, acho que ele não quer ideologizar as escolas, mas fazer um trabalho de relevância. Assim espero!

*Foi Professor em Porto Velho

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Hoje, eu defendo o Suamy (o secretário dos livros censurados) -Professor Nazareno*

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Defendo o professor Suamy neste episódio por que sei que ele jamais se prestaria a um serviço “sujo” e “porco” como esse

Suamy Vivecananda Lacerda de Abreu é um rondoniense nato, formado em História pela Universidade Federal de Rondônia e um bom conhecedor da História da Educação neste Estado com vários anos atuando em escolas do interior e também da capital. É um dos fundadores, junto comigo e outros professores, do Projeto Terceirão da Escola João Bento da Costa de Porto Velho que dispensa quaisquer comentários.

É atualmente secretário de Estado da Educação. E pesa contra ele a denúncia de ter mandando recolher vários livros das escolas públicas do Estado. Um escândalo estadual, nacional e até internacional. Foi acusado de ter censurado obras reconhecidas como best-sellers mundiais. Não sou advogado deste honrado professor e nem tenho procuração para lhe defender. Mas não acredito que o mesmo tenha feito esse absurdo.

Suamy sempre foi meu amigo e trabalhamos juntos durante mais de 12 anos. Já divergimos em várias situações e não seria agora que o mesmo, apesar de ser secretário de Educação de um coronel-governador da extrema-direita, que é admirador de um capitão- presidente, do Exército e também da extrema-direita, iria “entregar o jogo com uma infantilidade dessas”. Suamy não é um intelectual refinado, não é autor de obras consagradas, nem tem profundos conhecimentos sobre todos os temas, mas também não é um idiota.

Se ele obedeceu a uma ordem para recolher esses livros porque os mesmos tinham “conteúdos inadequados às crianças e adolescentes”, aí o idiota sou eu que sempre acreditei nele e nos seus bons propósitos. Censurar Rubem Alves, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, Euclides da Cunha e Franz Kafka não é para qualquer Suamy.

E ele deveria saber disso. E ele, como um bom professor de História que sempre foi, não poderia jamais ter permitido que se fizesse isso. Suamy deve ter votado no coronel Marcos Rocha. Deve ter votado também no capitão Jair Bolsonaro, coisas que jamais eu teria feito. Eu tenho minha posição política e ele a dele. Até aí, tudo normal.

Não sou de extrema-direita muito menos de esquerda. Odeio a ideologização desnecessária que se tem feito da sociedade brasileira atual. Para mim, quem destruiu e continua destruindo o Brasil não foi a direita nem a esquerda, mas as duas posições políticas. Ambas, quando estiveram no poder, roubaram, foram corruptas, pregaram a desigualdade social e nunca investiram o que deviam ter investido na Educação de qualidade. Por isso, ambas deviam ser escorraçadas de nossa vida política para sempre.

Defendo o professor Suamy neste episódio por que sei que ele jamais se prestaria a um serviço “sujo” e “porco” como esse. E não por que eu queira alguma benesse do Estado. Já sou um professor aposentado e estou “bem”. Mas se ele falhou neste aspecto e fez o que “acho que ele não fez”, abomino o seu posicionamento e a sua atitude tosca, pois jamais compactuaria com a censura e o obscurantismo.

Os atuais governos, nos quais acho que o professor Suamy votou, não podem nem devem fazer o que quiserem com a nossa sociedade, pois o que já está estabelecido não admite mudanças. E com pouco mais de um ano à frente da Seduc/RO, Suamy foi um dos responsáveis pelas notas de Redação no ENEM/2019 das escolas públicas, que ficaram muito acima dos alunos das escolas particulares de Rondônia. Por tudo isso, acho que ele não quer ideologizar as escolas, mas fazer um trabalho de relevância. Assim espero!

*Foi Professor em Porto Velho

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