Miséria extrema no país cresce e atinge 13,2 milhões de brasileiros

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Roraima e Rio de Janeiro tiveram o maior aumento da extrema pobreza, com incrementos de 10,5% e de 10,4%, respectivamente

Dados do Cadastro Único do Ministério da Cidadania mostram que a pobreza extrema no país aumentou e já atinge 13,2 milhões de pessoas. Nos últimos sete anos, mais de 500 mil pessoas entraram em situação de miséria.

O Nordeste tem o pior cenário, sendo que as maiores taxas a cada 100 mil habitantes são do Piauí (14,087), Maranhão (13,861) e Paraíba (13,106). De junho de 2018 a junho de 2019, Roraima e Rio de Janeiro tiveram o maior aumento da extrema pobreza, com incrementos de 10,5% e de 10,4%, respectivamente.

No Distrito Federal, o total de famílias inscritas no Cadastro Único, até junho de 2019, era de 158.280, entre as quais 71.091 com renda familiar per capita de até R$ 89,00 por mês.

Em 2014, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) tirou o Brasil do Mapa da Fome, composto por países em que mais de 5% da população consome menos calorias do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Há o temor, porém, de que o país volte a fazer parte do grupo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2016 e 2017, a pobreza no Brasil passou de 25,7% para 26,5% da população. O número dos extremamente pobres, aqueles que vivem com menos de R$ 140 mensais, saltou, no período, de 6,6% para 7,4% dos brasileiros.

Do Correio Braziliense

Banco Mundial indica que 21% da população brasileira ficou mais pobre entre 2014 a 2017 e faz alerta pelo aumento dos índices

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Relatório do Banco Mundial divulgado nesta quinta-feira (04) afirma que a pobreza aumentou no Brasil entre 2014 e 2017, atingindo 21% da população (43,5 milhões de pessoas).

O documento intitulado Efeitos dos ciclos econômicos nos indicadores sociais da América Latina: quando os sonhos encontram a realidade demonstra que o aumento da pobreza no período foi de 3%, ou seja, um número adicional de 7,3 milhões de brasileiros passou a viver com até US$ 5,50 por dia.

No ano de 2014, o total de brasileiros que viviam na pobreza era de 36,2 milhões (17,9%). O quadro negativo teve início com a forte recessão que o país atravessou a partir do segundo semestre daquele ano, que durou até o fim de 2016.

O Banco Mundial avalia que o fraco crescimento da América Latina e Caribe, especialmente na América do Sul, afetou os indicadores sociais no Brasil, país que possui um terço da população de toda a região.

Mesmo assim, o Banco Mundial manteve as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com altas de 2,2% em 2019 e 2,5% em 2020. As projeções são melhores do que as de outros países, como o México (1,7%), mas ficam abaixo de nações como a Colômbia (3,3%). Os países com previsão de queda no PIB são a Argentina (- 1,3%) e a Venezuela (-25%).

Para a região da América Latina e Caribe, o crescimento deve ser menor do que o do Brasil. As estimativas iniciais eram de 1,7%, mas, no mais recente relatório, elas despencaram para 0,9%, puxadas pelo péssimo desempenho da Venezuela. O crescimento da América do Sul também deverá sentir os efeitos da crise venezuelana, ficando em apenas 0,4%.

O relatório destaca as incertezas quanto à reforma da Previdência, afirmando que sua aprovação “depende da formação de coalizões”, uma vez que o partido governista não tem maioria no Congresso. A instituição elogia o Brasil por buscar um programa “ambicioso” de reformas, mas afirma que o país é o caso mais preocupante na região depois da Venezuela.

O Brasil deverá ter um déficit fiscal de 6,9% do PIB em 2019 e um déficit primário de 1,2% do PIB. A dívida pública deve corresponder a 80% do PIB.

“As perspectivas de crescimento para este ano não mostram uma melhora substancial em relação a 2018, como consequência do crescimento débil ou negativo nas três maiores economias da região – Brasil, México e Argentina – e do colapso total na Venezuela”, afirma o relatório. Se excluídos os números venezuelanos, o PIB da América do Sul teria alta de 1,8% em 2019.

O relatório afirma que os programas sociais podem ser os mais eficazes amortecedores dos choques econômicos. Segundo o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Carlos Végh, essas iniciativas são comuns em países desenvolvidos, mas não nessa região.

“A região deve desenvolver, além dos programas estruturais existentes, ferramentas de rede de segurança social que possam apoiar os pobres e os mais vulneráveis durante o ciclo de baixa nos negócios”, afirma o relatório.

O Banco Mundial afirma que a América latina e Caribe é a região com os indicadores mais voláteis em todo o mundo por ser exposta a fatores externos (como preços das commodities e liquidez internacional) e instabilidades institucionais e políticas.

O Banco Mundial analisou três indicadores: taxa de desemprego, pobreza e necessidades básicas insatisfeitas (habitação, educação e saneamento).

*Com informações da Deutsche Welle

Seis em cada 10 crianças vivem na pobreza no Brasil, diz Unicef

Levantamento também inclui adolescentes e levou em consideração, além da situação financeira das famílias, privação de educação e moradia

Seis em cada dez crianças e adolescentes brasileiros vivem na pobreza, segundo estudo divulgado nesta terça-feira, 14, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento levou em consideração, além da situação financeira das famílias, a privação de um ou mais direitos como educação, informação, proteção contra o trabalho infantil, moradia, água e saneamento.

O estudo, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, concluiu que, na última década, houve redução da chamada “pobreza monetária” na infância e na adolescência no País, mas as múltiplas privações a que crianças e adolescentes brasileiros estão submetidos não acompanharam essa diminuição.

De acordo com a Pnad 2015, 61% das crianças e dos adolescentes brasileiros são pobres: estão em famílias que vivem com renda insuficiente, o que caracteriza a pobreza monetária, e/ou não têm acesso a um ou mais direitos. O saneamento é a privação que afeta o maior número de crianças e adolescentes (13,3 milhões), seguido por educação (8,8 milhões) e água (7,6 milhões).

Na área do saneamento, o levantamento destaca que um quinto de meninas e meninos do Brasil vivem em casas com fossas rudimentares, valas ou esgotos sem tratamento. Já no campo da educação, aponta que 13,8% de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão na escola, mas são analfabetos ou têm atraso escolar e 6,5% estão fora da escola, o que é considerado uma privação extrema.

Segundo o levantamento, 18 milhões de meninas e meninos (34,3%) são afetados pela pobreza monetária (têm menos de R$ 346 per capita por mês na zona urbana e R$ 269 na zona rural). Desses, 6 milhões (11,2%) têm apenas privação de renda – ou seja, os seis direitos analisados são garantidos. Já os outros 12 milhões têm, além da renda insuficiente, um ou mais direitos negados.

Disparidades
Há diferenças nas privações de direitos, de acordo com o grupo de crianças e adolescentes analisado. Moradores da zona rural, por exemplo, têm mais direitos negados do que os da zona urbana.

Meninos e meninas negros e moradores das regiões Norte e Nordeste do Brasil também enfrentam mais privações se comparados aos brancos e moradores das regiões Sul e Sudeste, de acordo com o levantamento.

Fonte: metropoles

Corte de gastos no Brasil está agravando desigualdades, dizem especialistas da ONU

Grupo condenou reduções em programas sociais e restrições orçamentárias; para o governo, críticas são ‘infundadas’.

“Pessoas em situação de pobreza e outros grupos marginalizados estão sofrendo desproporcionalmente por causa de medidas econômicas austeras num país que já foi considerado um exemplo de políticas progressistas para reduzir a pobreza e promover a inclusão social”, diz um comunicado assinado pelo grupo, divulgado pelo Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (EACDH).

Cortes em programas sociais

O comunicado dos especialistas da ONU diz que o Brasil já foi um “campeão na luta contra a fome e desnutrição”, mas está “dramaticamente revertendo suas políticas para segurança alimentar”. Cita ainda cortes no programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” e a redução de um terço nos investimentos previstos para 2018 nas áreas de saneamento básico e acesso à água.

O grupo critica a aprovação da Emenda Constitucional 95, uma das principais iniciativas econômicas da gestão Michel Temer, que limita o crescimento de gastos do governo por 20 anos.

O comunicado menciona dados recentemente divulgados que mostraram a primeira alta na mortalidade infantil no Brasil em 26 anos.

“Esse aumento, atribuído a vários fatores, incluindo a epidemia de zika e a crise econômica, é motivo de séria preocupação, especialmente com as restrições orçamentárias no sistema público de saúde e outras políticas sociais, que comprometem gravemente o compromisso do Estado com a garantia de direitos humanos a todos, especialmente crianças e mulheres.”

O grupo diz que algumas decisões econômicas do governo nos últimos anos estão prejudicando “o usufruto de direitos à moradia, comida, água, saneamento, educação, previdência e saúde, e estão agravando desigualdades preexistentes”.

Programa Minha Casa, Minha Vida foi mantido por Michel Temer, mas gastos foram reduzidos – AGÊNCIA CAIXA

Os especialistas afirmam que medidas anunciadas pelo governo para aliviar as consequências dos cortes têm sido insuficientes.

Mulheres e crianças mais vulneráveis

“Mulheres e crianças em situação de pobreza estão entre os mais impactados, assim como afro-brasileiros, populações rurais e pessoas morando em ocupações informais”, diz o grupo.

Segundo os analistas da ONU, é um erro acreditar que medidas de austeridade devam ser a única ou primeira solução para problemas econômicos.

“Medidas de austeridade devem ser adotadas somente após uma cuidadosa análise de seu impacto, especialmente porque afetam os indivíduos e grupos mais desfavorecidos.”

O grupo defendeu a adoção de “políticas alternativas menos nocivas, como ampliar os impostos sobre os mais ricos antes de pôr um peso ainda maior nos ombros dos mais pobres”.

Segundo os especialistas, o governo deve buscar não só a sustentabilidade financeira, mas também a sustentabilidade social.

“Atingir metas macroeconômicas e de crescimento não pode ocorrer às custas de direitos humanos: a economia é serva da sociedade, e não sua senhora”, diz o comunicado.

Assinam o texto Juan Pablo Bohoslavsky (Argentina), Léo Heller (Brasil), Ivana Radačić (Croácia), Hilal Elver (Turquia), Leilani Farha (Canadá), Dainius Pūras (Lituânia) e Koumbou Boly Barry (Burkina Faso).

Defesa do ajuste fiscal

O governo brasileiro rejeitou os argumentos do grupo e afirmou que os especialistas não deram “a devida consideração a informações prestadas pelo Brasil”.

Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo diz que “o ajuste das contas públicas tem-se mostrado fundamental para a manutenção e aprimoramento das políticas sociais, entre as quais o programa ‘Bolsa Família’, o Benefício de Prestação Continuada, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa Nacional de Apoio à Captação de Água da Chuva e outras Tecnologias Sociais e a Política de Microcrédito Produtivo Orientado”.

A nota cita ainda a criação dos programas “Criança Feliz” e Plano “Progredir”, e diz que repasses federais na área de asssitência social para Estados e municípios em 2017 tiveram alta de 8% em relação a 2016.

“O necessário reequilíbrio da economia brasileira beneficia, diretamente, as populações de baixa renda e ajuda a reduzir as desigualdades, por meio de maior estabilidade, combate à inflação e saneamento da dívida pública”, diz a resposta do governo.

Fonte: bbc

No crime desde os 12, evangélico e mais ‘família’: o que mudou no perfil do jovem do tráfico no Rio em uma década

Organização ouviu jovens inseridos na rede de tráfico de drogas no varejo e comparou perfil com pesquisa feita há mais de 10 anos; hoje, entrevistados vivem relações afetivas mais estáveis.

Negro, jovem, homem, nascido em família numerosa e chefiada por mulher com baixa renda; largou a escola e, antes de entrar para o crime, acumulou algumas experiências de trabalho precárias.

Esse é o perfil histórico dos adolescentes e jovens inseridos na rede do tráfico de drogas no varejo no Rio de Janeiro. Algumas características, no entanto, parecem ter mudado recentemente, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira.

Aumentou, por exemplo, o número dos que entraram para o tráfico antes dos 12 anos de idade e também dos que se dizem evangélicos. Além disso, os traficantes parecem ter um comportamento mais “família” do que há dez anos.

Essas são algumas das conclusões de uma pesquisa realizada pela ONG Observatório de Favelas, sediada no Complexo da Maré, conjunto de favelas no Rio. O estudo traça o perfil e as práticas de jovens inseridos na rede do tráfico de drogas no varejo e sugere caminhos para a construção de políticas e ações públicas.

A ONG havia feito um levantamento similar entre 2004 e 2006, o que permitiu uma comparação de resultados em alguns pontos.

“Nos últimos dez anos, vivemos intervenções significativas na segurança pública no Rio, como a experiência da política de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Queríamos saber como elas tinham impactado no perfil e nas práticas das redes criminosas”, diz Raquel Willadino, uma das coordenadoras do estudo.

Desigualdade de sempre

Foram entrevistados 150 jovens inseridos na rede do tráfico de drogas no varejo em favelas do Rio e 111 adolescentes no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).

A UPP não impactou no perfil dos “funcionários” do tráfico. “O que observamos foi uma reiteração de desigualdades que tínhamos identificado antes”, diz Willadino.

A maior parte dos ouvidos (62,8%) tinha entre 16 e 24 anos, se identificava como preta e parda (72%). As mães foram majoritariamente citadas como responsáveis pela criação dos entrevistados (50,2%).

Também segue sendo verdade que os jovens deixam a escola na mesma faixa de idade em que entram para o tráfico. “Isso mostra que temos uma escola que não atrai o jovem, o que é fundamental para pensar estratégias preventivas”, diz a pesquisadora.

Além disso, diz o estudo, a maior parte teve outros trabalhos antes de entrar para o tráfico. “O que importa é muito mais a precariedade do tipo de trabalho ao qual tiveram acesso”, observa Willadino.

Criança e traficante

Um número maior de entrevistados disse ter entrado para o tráfico antes de fazer 12 anos: passou de 6,5% em 2006 para 13% em 2017. Não estava no escopo da pesquisa tentar explicar o porquê, mas isso chamou a atenção dos entrevistados.

A maior parte, no entanto, ainda entra para o tráfico entre os 13 e os 15 anos.

‘Resultados reforçam a relevância do desenvolvimento de políticas preventivas voltadas para a infância e a adolescência e de iniciativas que levem em conta vulnerabilidades do contexto familiar’, diz Willadino. Foto:Bento Fabio

Além disso, aumentou o número de irmãos envolvidos no tráfico: de 11,7% para 21,1% dos entrevistados.

“Esses resultados reforçam a relevância do desenvolvimento de políticas preventivas voltadas para a infância e a adolescência e de iniciativas que levem em conta vulnerabilidades do contexto familiar”, diz Willadino.

“Isso não quer dizer que a raiz do problema esteja na família. Observe que 55% das famílias não têm nenhum membro em atividades ilícitas, mas tampouco se pode ignorar”, diz a pesquisadora.

Traficantes evangélicos e vínculos estáveis

A proporção de católicos e evangélicos se inverteu em dez anos: 31,1% dos entrevistados afirmaram ser evangélicos; 11,1 % católicos e 1,5% de religiões de matriz africana.

Na pesquisa anterior, 39,13% eram católicos e 17% evangélicos – além disso, 40% dos ouvidos em 2017 disseram não ter religião, mas acreditam em Deus, predominância que já fora identificada antes.

Um aspecto que chama a atenção é a presença de um vínculo significativo com a família. Muitos citam, como motivação para o ingresso no tráfico, a possibilidade de ajudar a família.

Além disso, a grande maioria dos entrevistados vive relacionamentos afetivos estáveis (70,2%), seja com esposas ou esposos (37%) ou namoradas e namorados (33%).

“Na pesquisa anterior, aparecia muito (no discurso dos entrevistados) a possibilidade de acesso a muitas mulheres. Esse discurso não aparece mais com tanta força. Ao contrário, quando falam da configuração familiar, muitos falam que vivem com o cônjuge e têm relações estáveis”, diz.

“A família aparece também como fator essencial para a construção de saída do tráfico”, diz ela.

Quando falam das perspectivas de saída do tráfico, citam as relações afetivas – companheiras, nascimento de filhos, por exemplo.

Nos dois estudos a proporção de jovens que em algum momento chegaram a deixar o tráfico de maneira voluntária foi a mesma: 40%.

“Isso mostra que o difícil não é a decisão de saída. O desafio é desenvolver políticas de formação profissional, de geração de trabalho e renda. Justamente porque têm baixa escolaridade e são estigmatizados por terem passado pelo tráfico, têm dificuldade de acesso a oportunidades.”

Por que jovens entram para o tráfico?

“O que aparece com mais força é uma articulação entre motivações econômicas e a perspectiva de contribuir para o sustento da família”, diz Willadino.

62,1% dizem que entram para ajudar a família e 47,5%, “para ganhar muito dinheiro”.

“De modo geral, podemos perceber que a principal motivação para o ingresso nessa atividade diz respeito à possibilidade de receber um volume de recursos financeiros que dificilmente seria possível para esses jovens, seja no mercado formal ou mesmo informal”, diz o texto.

Há também uma dimensão de pertencimento de grupo. A relação com amigos (15,3,%) foi o terceiro fator mais citado, seguido pela adrenalina decorrente da atividade (14,6%).

Afinal, o que mudou com as UPPs?

A pesquisa também busca retratar as configurações das redes criminosas após a instalação das UPPs. Com base nas entrevistas com os jovens, com profissionais da área de saúde e com três policiais, aponta mudanças que aconteceram por causa das UPPs e outras cuja explicação não passa necessariamente por ela.

O estudo ressalta que as opiniões dos policiais não podem ser lidas como um reflexo do que pensa a corporação, dado que apenas três foram ouvidos.

Os policiais, profissionais de saúde e jovens traficantes entrevistados acreditam que alguns dos principais objetivos das UPPs, como a redução de confrontos e a construção de uma relação de confiança com os moradores, não foram alcançados. A iniciativa também não resultou na redução da presença de armas nas favelas, disseram os ouvidos.

No entanto, os entrevistados dizem ter observado redução, num primeiro momento, na quantidade de mortes em lugares com UPP.

Eles acham, ainda, que houve mudança na dinâmica do tráfico de drogas: migrações para outras favelas, deslocamento para outros crimes, como, por exemplo, o roubo de cargas, o desenvolvimento de estratégias para que a venda de drogas continuasse a existir, mas de forma menos visível nas áreas de UPPs e mudanças nas cenas de consumo.

Entrevistados dizem ter observado redução, num primeiro momento, na quantidade de mortes em lugares com UPP. Foto: MARCELO HORN/GERJ

A pesquisa identifica algumas críticas comuns ao projeto. Uma delas, feita por acadêmicos, é a de que as UPPs foram se expandindo antes de estarem claras na lei.

“A estrutura normativa se limitou por muito tempo a decretos governamentais pontuais que não permitiam a caracterização e sistematização de um modelo claro com o estabelecimento de mecanismos de monitoramento e avaliação. O programa só foi publicado de forma um pouco mais detalhada no ano de 2015, quando já havia 38 UPPs. Isso revela que houve inversão de etapas e uma boa dose de improviso no processo de implantação das UPPs no Rio”, escrevem os pesquisadores.

Outra crítica comum que é reiterada no estudo é a de que a escolha de onde as UPPs seriam instaladas não seguiu o critério da mancha criminal, mas para garantir condições de segurança pública para realizar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.

“Eu falo que, no fundo, o processo das UPPs é um marco de política governamental com viés político eleitoral”, diz um policial.

Procurada pela BBC News Brasil, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que não comentaria decisões das gestões anteriores.

No entanto, o atual secretário, general Richard Nunes, é crítico da política e já disse achar que as UPPs cresceram para atender a interesses eleitorais.

Ele vem fazendo um “realinhamento” das unidades, extinguindo algumas e redistribuindo o efetivo policial.

A reportagem procurou o ex-secretário responsável pela implementação do programa, José Mariano Beltrame, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

A ascensão da milícia

Mas houve outras mudanças significativas que não podem ser vinculadas às UPPs de forma tão clara, diz o estudo. A principal delas, citada com grande preocupação pelos policiais ouvidos, é o fortalecimento das milícias.

A ONG diz que, após um momento de combate a esses grupos, após a CPI das Milícias, em 2008, eles foram deixados de lado quando o foco virou a política de UPPs. Os entrevistados acham que ela não priorizou áreas dominadas por milícias.

A pesquisa ouviu três policiais que tiveram vínculos com UPPs – FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL

“Se elas cresceram é porque economicamente elas se fortaleceram, estão cheias de fuzis novos; quer dizer, tem uma estrutura econômica por trás disso, senão não poderia se comprar aqueles fuzis novinhos – que são comprados em dólar, naturalmente. Então, há uma estrutura de organização que, mesmo depois de uma CPI das milícias, cresceu. A CPI não produz nenhum tipo de enfraquecimento, pelo contrário. Você prendeu as pessoas, mas, a estrutura criminosa parece que se fortaleceu”, diz um policial.

A ONG sugere que sejam levadas em conta as recomendações propostas pela CPI e, especialmente, medidas que visem fragilizar os braços econômicos e políticos desses grupos.

Milícia e tráfico cada vez mais parecidos

Os entrevistados também dizem que cada vez mais os traficantes adotam modos de atuação que eram reconhecidos como característicos da milícia e vice-versa.

Grupos vinculados ao tráfico passaram a explorar serviços para diversificar suas atividades econômicas; por outro lado, em algumas áreas, milícias passaram a explorar o tráfico de drogas.

“Há relatos de áreas em que estes grupos estão em confronto aberto e outras em que estão se associando. No entanto, destaca-se que estas relações são fluidas, frágeis e muito dinâmicas, de modo que não é possível identificar padrões definidos”, diz o estudo.

Fonte: bbc

Brasil é o segundo pior em mobilidade social em ranking de 30 países

Pobres no Brasil levam 9 gerações para alcançar renda média, segundo estudo

A chance de uma criança de baixa renda de ter um futuro melhor que a realidade em que nasceu está, em maior ou menor grau, relacionada à escolaridade e ao nível de renda de seus pais. Nos países ricos, o “elevador social” anda mais rápido. Nos emergentes, mais devagar – no Brasil, ainda mais lentamente.

O país ocupa a segunda pior posição em um estudo sobre mobilidade social feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com dados de 30 países e divulgado nesta sexta-feira.

De acordo com o estudo O elevador social está quebrado? Como promover mobilidade social, seriam necessárias nove gerações para que os descendentes de um brasileiro entre os 10% mais pobres atingissem o nível médio de rendimento do país. A estimativa é a mesma para a África do Sul e só perde para a Colômbia, onde o período de ascensão levaria 11 gerações.

O indicador da OCDE foi construído levando em consideração a “elasticidade intergeracional de renda”. Ou seja, quanto o nível de rendimento dos filhos é determinado pelo dos pais. A instituição ressalta no estudo que a simulação tem finalidade ilustrativa – para dar dimensão da dificuldade de ascensão social – e que não deve ser interpretada como o tempo preciso para que um domicílio de baixa renda atinja a renda média.

Na média entre os países membros da OCDE, a chamada “persistência” da renda intergeracional é de 40%. Isso significa que, se uma família tem rendimento duas vezes maior o que de outra, o filho terá, em média, renda 40% mais alta que a da criança que veio da família de menor renda.

Brasil ocupa segunda pior posição em estudo sobre mobilidade social feito pela OCDE com dados de 30 países – RICHVINTAGE

Nos países nórdicos, a persistência é de 20%. No Brasil, de 70%, conforme a pesquisa.

Mais de um terço daqueles que nascem entre os 20% mais pobres no Brasil permanece na base da pirâmide, enquanto apenas 7% consegue chegar aos 20% mais ricos. Na média da OCDE, 31% dos filhos que crescem entre 20% mais pobres permanecem nesse grupo e 17% ascendem ao topo da pirâmide.

Pai pobre, filho pobre

Isso é o que o estudo chama de “chão pegajoso” (sticky floor): a dificuldade das famílias de baixa renda de sair da pobreza.

Filhos de pais na base da pirâmide têm dificuldade de acesso à saúde e maior probabilidade de frequentar uma escola com ensino de baixa qualidade.

A educação precária, em geral, limita as opções para esses jovens no mercado de trabalho. Sobram-lhes empregos de baixa remuneração, em que a possibilidade de crescimento salarial para quem tem pouca qualificação é pequena – e a chance de perpetuação do ciclo de pobreza, grande.

‘O Brasil fez um bom trabalho tirando milhões de famílias da extrema pobreza, com o Bolsa Família, por exemplo. Falta agora fazer a ‘segunda geração’ de políticas’, diz diretor da OCDE – JEFFERSON RUDY/AG. SENADO

Nesse sentido, a desigualdade social e de renda, destaca o levantamento, é definidora do acesso às oportunidades que podem fazer com que alguém consiga ascender socialmente.

“Além do chão pegajoso, países como o Brasil têm também tetos pegajosos (sticky ceilings)”, acrescenta Stefano Scarpetta, diretor de emprego, trabalho e assuntos sociais da OCDE, referindo-se às famílias de alta renda.

O nível elevado de desigualdade também se manifesta sobre a mobilidade no topo da pirâmide. Aqui, é pequena a probabilidade de que as crianças mais abastadas eventualmente se tornem adultos de classes sociais mais baixas que a dos pais.

Scarpetta pondera que, ao contrário da tendência global de aumento da desigualdade, o Brasil conseguiu reduzir suas disparidades na última década, até o início da recessão. O país fez pouco, entretanto, para corrigir os problemas estruturais que mantêm em movimento o ciclo da pobreza – a qualidade precária da educação e da saúde e a falta de treinamento para os milhões de trabalhadores de baixa qualificação.

“O Brasil fez um bom trabalho tirando milhões de famílias da extrema pobreza, com o Bolsa Família, por exemplo. Falta agora fazer a ‘segunda geração’ de políticas”, disse o economista à BBC News Brasil.

A classe média

Quando se analisa a mobilidade apenas do indivíduo, e não de uma geração a outra, o estudo da OCDE verifica que, de forma geral, a classe média é o estamento com maior flexibilidade – para cima e para baixo.

No Brasil, a mobilidade da base da pirâmide para a classe média é maior do que em vários emergentes. Essa ascensão, contudo, é frágil.

A estrutura do mercado de trabalho, com uma participação elevada do emprego informal, intensifica os efeitos negativos das crises sobre a população mais vulnerável. Como aconteceu com parte da “nova classe média” durante a última recessão, o desemprego pode ser um caminho de retorno à pobreza.

Mobilidade social e crescimento econômico

O nível baixo de mobilidade social tem implicações negativas sobre o crescimento da economia como um todo, diz o estudo da OCDE. Talentos em potencial podem ser perdidos ou subaproveitados, com menos iniciativas na área de negócios e menos investimentos.

Desigualdade social e de renda é definidora do acesso às oportunidades que podem fazer com que alguém consiga ascender socialmente, diz estudo

“Isso debilita a produtividade e crescimento econômico potencial em nível nacional”, ressalta o texto.

Um elevador social “quebrado” também se manifesta sobre o bem-estar social.

A percepção de que a oportunidade de ascensão depende de fatores que estão fora do alcance – como a renda dos pais ou o acesso a educação – gera desesperança e sentimento de exclusão. Isso aumenta a probabilidade de conflitos sociais, diz a pesquisa.

Tendência global

O problema não é exclusivo dos países emergentes. Mesmo países ricos, com desempenho expressivamente superiores ao do Brasil nos indicadores de educação – França, Alemanha – estão acima da média da OCDE entre as estimativas do número de gerações necessário para que os 10% mais pobres atinjam a renda média.

“Por mais que esses países tenham bom desempenho no PISA (avaliação global do desempenho escolar), esses índices são uma média. Países como a França, por exemplo, são bastante heterogêneos”, ressalta Scarpetta.

Fonte: bbc

Pobreza extrema volta a crescer no Brasil; mais de 1 milhão e meio voltam para a miséria

“O futuro não ia ser assim”: o segundo ano consecutivo que o número de pobres aumenta

Em 14 de maio de 2017, Maria Silva Nunes, sexagenária, negra e com uma expressão de cansaço permanente no rosto, passou da classe social mais baixa do Brasil para a pobreza extrema. Era o Dia das Mães e sua família, com a qual levava uma vida precária em Heliópolis, a favela mais populosa de São Paulo, ia se reunir para comemorar.

Ali estavam suas três filhas: a doente que ainda mora com ela, a que teve o primeiro de três filhos aos 16 anos e até a que está na prisão, beneficiada pelo indulto do Dia das Mães. O dia começou bem e terminou no extremo oposto. “Fabiana, a do meio, parecia que estava dormindo na cadeira, cansada de tanta criança e tanta festa, mas não estava dormindo, estava morta”, lembra Maria Silva, retorcendo os punhos encostados na mesa do refeitório de uma escola. Não revela a causa da morte: aperta os lábios como se reprimisse um gesto, aguardando a próxima pergunta. “Ela estava morta, o queixo estava no peito. Morta.”

Tudo o que aconteceu depois, que arruinou a frágil existência de Maria Silva Nunes aos 63 anos, aconteceu de forma precipitada, uma reação atrás da outra. O marido da falecida e pai de seus três filhos pegou um deles e desapareceu. “Ele é catador, o que vai fazer?” Maria Silva herdou a responsabilidade de cuidar dos outros dois, de 16 e 12 anos, em uma idade em que outras mulheres estão se aposentando.

Com Fabiana se foi também o dinheiro que ela lhe dava todo mês. Nem conseguiu manter o Bolsa Família: “Isso é para pais e filhos, não te dão se você é avó”, intui. Em casa também está a outra filha em liberdade, que não tem trabalho e seu filho. Há meses em que entram apenas 60 reais e nada mais: são os meses em que, se a cesta básica acaba, Maria Silva sai em busca de comida no lixo. Mais dia menos dia, supõe, vão cortar a luz. “Devo 583 reais em contas e ainda não sei como vou repor o pacote de arroz que está acabando.” E, depois, teme que sua família ficará sem casa. Naquele Dia das Mães, Maria Silva perdeu uma filha e tudo que a impedia de afundar ainda mais. “Tudo ficou difícil. E continua difícil”, suspira. “Não tenho ninguém. Aqui é só eu e Deus.”

Maria Silva Nunes tropeçou em uma das frestas mais nocivas do Brasil recente: o aumento de 11% na pobreza extrema desde o final de 2016, um buraco negro pelo qual passaram, como ela, um milhão e meio de habitantes. Em um país em que o Governo celebra a recuperação econômica após anos de recessão, havia, no início de 2017, 13,34 milhões de pessoas vivendo em pobreza extrema; no final do mesmo ano, já eram 14,83 milhões, o 7,2% da população, segundo relatório da LCA Consultores divulgado pelo IBGE. Apesar de não serem números astronômicos, esse é o segundo ano consecutivo em que a tendência se mantém após o progresso espetacular do país entre 2001 e 2012, quando se erradicou 75% da pobreza extrema no Brasil, de acordo com cálculos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“A queda da pobreza naqueles anos é explicada pela melhora do mercado de trabalho, que vem se deteriorando nos últimos anos. Há menos formalidade, ou seja, há pessoas trabalhando sem carteira assinada, enquanto os salários, em geral, não estão crescendo”, pondera o economista Fernando Gaiger, que pesquisa a pobreza e a desigualdade para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. “Isso tem mais a ver com a recessão do que com a reforma trabalhista de Temer, cujos resultados só começaremos a ver no final do ano que vem. Mas é inegável que pioramos. Alguém sem carteira assinada perde o emprego e depois a casa e logo logo está na rua. De uma hora para outra, tudo muda.”

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No destaque: Maria Siilva Nunes, no refeitório de uma escola de Heliópolis TOM C. AVENDAÑO

Temer diz que não pretende acabar com Bolsa Família; programa deve ter reajuste

Em seu discurso de apresentação, Temer admitiu que a pobreza extrema é um dos desafios do país e explicou que o objetivo de seu governo é evitar que programas assistencialistas ainda estejam na pauta do país nos próximos anos

O presidente Michel Temer afirmou hoje (14) que não pretende acabar com o Bolsa Família e que o programa deve receber aumento em breve. Temer fez a declaração durante sua participação na abertura do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, que ocorre em São Paulo até amanhã.

“Eu não estou pregando isso [a eliminação do Bolsa Família], estou pregando a manutenção, que aliás, ganhou um aumento no início do meu governo e deverá muito proximamente ganhar um novo aumento. Então, estamos pregando que haja uma evolução no tópico da responsabilidade social”, esclareceu Temer.

Em seu discurso de apresentação, Temer admitiu que a pobreza extrema é um dos desafios do país e explicou que o objetivo de seu governo é evitar que programas assistencialistas ainda estejam na pauta do país nos próximos anos. Pra isso, ele defende uma “evolução” do programa até sua possível eliminação a longo prazo.

“Nós precisamos progredir e, por isso, lançamos muito recentemente um programa chamado Progredir, que é para dar emprego aos filhos daqueles desfrutantes do Bolsa Família. Porque, ao longo do tempo esse pessoal vai se incluindo na sociedade e ao longo do tempo, digo eu, quem sabe, possamos eliminar essa questão do Bolsa Família”, disse Temer.

O presidente enfatizou que o programa faz parte de um dos eixos prioritários de sua gestão, a responsabilidade social, e que o valor concedido às famílias beneficiários sofrerá reajuste, sem dar detalhes sobre o aumento.

Em sua fala, o presidente também resumiu as principais iniciativas de seu governo na área de responsabilidade fiscal, como a reforma trabalhista, a limitação dos gastos públicos, entre outras medidas que contribuíram para o fim da recessão econômica. Temer também destacou o diálogo como uma das expressões que pautam o governo atual.

Estados Unidos

Depois de discursar, Temer respondeu a algumas perguntas do presidente do Fórum, o professor Klaus Schwab. Questionado sobre como o Brasil pretende lidar com tendências protecionistas no mundo, Temer respondeu que essa questão preocupa muito o país e que pode recorrer contra os Estados Unidos pela decisão de aumentar os impostos de importação do aço e do alumínio.

A taxação afeta diretamente as exportações brasileiras que tem os Estados Unidos como um dos principais parceiros comerciais. Temer comentou que é necessário cuidado para tratar das relações com os país norte americano e que deve telefonar para o presidente Donald Trump para tratar do assunto.

“Nesta questão do aço realmente há uma grande preocupação, porque, pelos tratados internacionais, a taxação do aço poderia variar de 0 a 4,5% e houve uma taxação de 25% no caso do aço e 10% no caso do alumínio. É claro que temos que tratar com muito cuidado essa matéria”, disse Temer.

Ao lado do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, o presidente não descartou a possibilidade de entrar com uma representação contra os Estados Unidos junto à Organização Mundial do Comércio (OMS). Contudo, o presidente disse que, antes dessa medida, o Brasil vai incentivar o contato de empresas brasileiras que fornecem aço para as empresas norte-americanas para trabalharem “em conjunto ao congresso americano para tentar mudar essa fórmula”.

“Se não houver uma solução, digamos assim, amigável muito rápida, vamos formular uma representação à Organização Mundial do Comércio, mas não unilateralmente, não apenas o Brasil, mas com todos os países que tiveram prejuízo em função dessa medida tomada. Naturalmente, essa conjugação coletiva dos países dará mais força a essa representação”, afirmou.

Temer também foi questionado sobre a reforma da Previdência. O presidente reafirmou que pode tentar retomar a tramitação da emenda constitucional que altera as regras de acesso à aposentadoria no Congresso Nacional ainda no segundo semestre deste ano, talvez em setembro ou outubro, quando pretende acabar com a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.

Fonte: diariodepernambuco

Como metais minerados por crianças podem acabar no celular que você carrega no bolso

Milhares de crianças africanas estão perdendo a infância garimpando a matéria-prima que vai parar dentro de eletrônicos como celulares e laptops.

Ziki Swaze é uma delas. Ele trabalha em uma mina de cobalto na República Democrática do Congo. (Assista o vídeo).

Esse metal é usado para fabricar baterias de íon-lítio para celulares e computadores portáteis e, mais recentemente, também de carros elétricos.

Metade desta matéria-prima no mundo vem do Congo, e 20% é minerada à mão, muitas vezes por crianças como Ziki.

Ele ficou órfão e, hoje, vive com a avó e é o principal responsável pelo sustento da casa.

“Tenho que trabalhar aqui, porque minha avó tem um problema na perna e não pode trabalhar”, diz ele.

Cerca de 40 mil crianças do Congo trabalham em minas de cobalto.

Aos 4 anos, elas já ajudam a separar o metal manualmente. Com 10 anos, carregam sacas pesadas de cobalto para serem lavadas nos rios.

Muitas são analfabetas e nunca foram à escola.

“Fico mal, porque meus amigos vão à escola, mas eu não”, diz Ziki.

Isso vem mudando com iniciativas patrocinadas por ONGs e empresas desta indústria que tiram as crianças das minas e as levam para a sala de aula.

Ali, elas ficam protegidas dos riscos potencialmente mortais desse tipo de trabalho.

Além disso, fabricantes de eletrônicos dizem que buscam não usar o cobalto minerado por crianças.

Mas a cadeia de fornecedores é complexa, o que dificulta atingir esse objetivo completamente.

Fonte: bbc

Meninas afegãs são vendidas como esposas por menos de R$ 8 em Cabul

Diariamente, dezenas de meninas afegãs são vendidas em leilões nas ruas de Cabul para se tornarem esposas de homens mais velhos. O valor pago pelas jovens, que são anunciadas como “madura o suficiente para ser uma esposa fértil”, é inferior a R$ 8.

Como apurado pelo jornal espanhol “El Mundo”, os intermediários se aproveitam do desespero de famílias extremamente pobres para fazerem negócio.

“Esta é a minha cultura, não faço nada que não tenha sido feito por centenas, mesmo milhares de anos, antes do Profeta. A mulher deve formar uma família, eu ajudo-as a encontrar um marido”, contou Akbar, que se apresentou como “intermediário para homens que procuram boas esposas” ao jornal.

Não sequestro as meninas nem forço que ninguém me dê as suas filhas. O que eu faço é pôr em contato com as famílias que querem casar as suas famílias e os homens que precisam de uma mulher.”

A maior parte das famílias que vende suas filhas vive em extrema pobreza e encontra nessa proposta uma forma de ganhar algum dinheiro. Akbar conta que “uma mulher satisfatória” custa 150 afeganis (cerca de R$ 7,70). A este valor soma-se 10.000 afeganis (cerca de R$ 470) pela intermediação e pelo dote.

Por falta de medidas contra o problema, além dos homens afegãos poderem ter até quatro esposas, o comércio de meninas prospera no país.

Fonte: noticiasaominuto