PMs são encontrados mortos dentro de viatura no RJ

Eles chegaram a ser levados para o hospital, mas não resistiram. Polícia investiga possíveis causas das mortes

Dois policiais morreram neste sábado (5/5), no Rio de Janeiro, após serem encontrados desacordados dentro de uma viatura policial na Estrada Roberto Burle Marx, na Barra de Guaratiba, zona oeste da cidade. Eles chegaram a ser levados para o Hospital Lourenço Jorge, na mesma região, mas não resistiram. A Polícia Militar aguarda a perícia dos corpos para saber a causa das mortes.

De acordo com a Polícia Militar, o sargento Rosemberg de Jesus Príncipe, 38 anos, e o soldado Bruno Pereira Martins dos Santos, 36, eram lotados no 31º Batalhão da Polícia Militar, no Recreio, também na zona oeste da cidade. O Sargento Príncipe estava na PM desde 2005. Era solteiro e não tinha filhos. O soldado Bruno, que entrou para a corporação em 2013, era casado e deixa dois filhos.

Pelas redes sociais, colegas dos PMs relembraram um caso semelhante ocorrido em 2016. Dois policiais foram encontrados inconscientes dentro de uma viatura no bairro do Engenho Pequeno, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, com espuma na boca. A suspeita na época era de que eles teriam sido envenenados pelo gás do escapamento da própria viatura.

A PM não confirmou se, na ocorrência deste sábado (5), também havia vestígios de intoxicação, como no caso de 2016, e informou que vai aguardar a perícia.

Fonte: metropoles

Janeiro chega ao último dia com alta de 80% no número de PMs mortos no RJ

Janeiro chega ao último dia com alta de 80% no número de PMs mortos no RJ

Ao todo, 18 policiais militares do Rio de Janeiro morreram. Mortes e crise financeira aumentam pressão na tropa: só em 2016 foram 1.398 pedidos de licença por problemas psicológicos.

Chega ao fim o mês de janeiro e, até a noite desta segunda-feira (30), 18 policiais militares do Rio de Janeiro morreram; outros 42 foram feridos. Dos mortos, quatro estavam em serviço, 12 de folga e outros dois eram PMs aposentados. Isso corresponde a um aumento de 80% nos casos comparado com o mesmo mês de 2016, quando dez PMs foram mortos – um estava de serviço e nove de folga.

São dados que demonstram como o recrudescimento da violência no estado atinge diretamente a corporação. Os altos índices de letalidade e a calamidade financeira do estado são apontados como fatores que têm contribuído para corroer o psicológico de PMs, que cada vez mais têm procurado atendimento especializado para solucionar questões associadas à sanidade mental.

“Uma coisa que a gente ouve muito é que com esse atraso de inativos e de pensionistas, o policial não pode morrer. Por que o que será da família dele se, além de perder o pai, vai ficar sem salário? E aí, a gente percebe que essas mortes vulnerabilizam muito o policial”, diz o chefe do Núcleo Central de Atendimento Psicológico da PM, tenente-coronel Fernando Derenusson.

O oficial ressalta que, só em 2016, o núcleo concedeu 1.398 pedidos de licença a militares que declararam estar impossibilitados de trabalhar por problemas psicológicos ou psiquátricos. Um número que, segundo o chefe do setor, significa atualmente aproximadamente 4% do efetivo da corporação, que hoje conta com 47 mil homens.

Como chefe da seção, Derenusson acompanha de perto o que a derrocada do Estado tem causado à categoria. Grande parte tem sofrido de distúrbios e reclamado da falta de salários e cargas horárias incompatíveis. Só no último ano, a ampla maioria dos atendimentos (46%) foi feita a policiais da ativa – aqueles que estão envolvidos diretamente no policiamento ostensivo.

Defasagem de profissionais

A quantidade de atendimentos é expressiva – 20 mil policiais foram atendidos em 2016 -, mas pequena diante do universo de quase 300 mil pessoas que o setor psicológico da corporação poderia atender. O tenente-coronel considera insuficiente o número de profissionais disponíveis para suprir a demanda.

“A procura, tanto pela psicologia quanto pela psiquiatria, está refletindo o aumento da pressão que a Polícia Militar vem sofrendo. Existe uma crise, aumenta a violência na sociedade. Aumenta a violência, aumenta a exposição do policial a estresse pós-traumático, ao trauma, ao risco. Então, aumentou, sim, a procura por atendimento por causa dessa crise”, diz o oficial.

Somados os fatores crise financeira e aumento da violência, o oficial ressaltou que o policial tende a ficar mais vulnerável. Uma das questões que têm afligido a tropa, por exemplo, é a indefinição sobre o aumento da contribuição previdenciária. Esta semana o Governo do Rio deve apresentar à Assembleia Legislativa um novo pacote de medidas de austeridade e uma delas incluirá o aumento da alíquota.

Ao todo, a equipe que atende a PMs é composta por 98 psicólogos, sendo que 32 deles atendem em batalhões e outros 29 em unidades de saúde da PM – dois hospitais e quatro policlínicas. Os outros profissionais são distribuídos em unidades administrativas ou de instrução militar.

Além de psicólogos, a equipe também conta com quatro psiquiatras designados para atender a casos mais críticos nos quais o policial precisa, por vezes, ser afastado de acordo com avaliação clínica.

Derenusson conta que, em 2015, o número de psiquiatras na corporação foi cortado pela metade (antes eram oito). Hoje, ele considera que não há psiquiatras suficientes para atender aos 47 mil homens. Para sanar o problema, o oficial defende a realização de um concurso para repor os profissionais que foram cortados.

Fonte: g1.globo