Procurador-geral de NY se demite após acusação de violência contra mulheres

Schneiderman avaliou que as acusações, que não estão relacionadas com sua atividade profissional, o impedem de “dirigir a procuradoria neste período crítico”

Nova York, Estados Unidos – O procurador-geral do estado de Nova York, Eric Schneiderman, que havia defendido publicamente o movimento #MeToo, anunciou sua demissão na segunda-feira (7/5), horas depois de ser acusado na imprensa de violência contra quatro mulheres.

A notícia representa uma mudança surpreendente na trajetória do democrata, grande opositor de Donald Trump e defensor no âmbito judicial do movimento #MeToo, que luta contra o assédio sexual e foi criado após o escândalo do caso Weinstein.

Schneiderman avaliou que as acusações, que não estão relacionadas com sua atividade profissional, impedem-no de “dirigir a Procuradoria neste período crítico”, e anunciou sua demissão, que será efetiva na noite desta terça-feira.

“Nas últimas horas, fizeram denúncias sérias contra mim, que contestei com firmeza”, declarou Schneiderman.

Em um artigo publicado no site da revista “New Yorker”, duas mulheres denunciaram abertamente Schneiderman, e outras duas fizeram acusações sob anonimato.

Mannig Barish, uma das supostas vítimas, garantiu ter mantido uma relação com Schneiderman entre o verão (boreal) de 2013 e o final de 2015, enquanto outra mulher, identificada no artigo como Tany Selvaratnam, revelou um relacionamento com o procurador entre o verão de 2016 e o outono de 2017.

As duas mulheres afirmam que foram agredidas por Schneiderman, ex-senador democrata, em várias ocasiões quando ele estava sob o efeito de bebidas alcoólicas, incluindo estrangulamentos, no que entenderam como uma tentativa de dominá-las física e psicologicamente.

Schneiderman, segundo as denunciantes, as ameaçava de morte, caso abandonassem a relação.

“Na intimidade de relações privadas, participei de jogos e de outras atividades sexuais consentidas”, afirmou Schneiderman em um comunicado.

“Não agredi ninguém e jamais mantive relações sexuais não consentidas”, insistiu.

As mulheres afirmaram que em nenhum momento consentiram, ou pediram a Schneiderman este tipo de tratamento.

O governador de Nova York, o democrata Mario Cuomo, pediu a renúncia do procurador.

“Minha opinião pessoal é que, observados os fatos mencionados no artigo, não é possível que Eric Schneiderman continue servindo como procurador”, disse.

Procurador desde 2010, Schneiderman se tornou um dos oponentes mais ativos do presidente Donald Trump e promoveu várias ações legais contra medidas da administração federal ligadas ao clima, à imigração e à neutralidade na Web.

Em fevereiro, o procurador apresentou uma ação judicial contra o ex-produtor de Hollywood Harvey Weinstein e sua empresa por fracassar na proteção de seus funcionários e por agressões sexuais.

Weinstein foi acusado de assédio e agressão sexual por mais de 100 mulheres.

Um dos autores do artigo na “New Yorker” é o jornalista e escritor Ronan Farrow, filho de Mia Farrow e Woody Allen, e recente ganhador do prêmio Pulitzer por sua matéria sobre Weinstein.

Fonte: correiobraziliense

Advogado suspeito de fraude de R$ 8,1 milhões é exonerado da Câmara de Cuiabá

Advogado suspeito de fraude de R$ 8,1 milhões é exonerado da Câmara de Cuiabá

Francisco Faiad era procurador-geral do legislativo municipal de Cuiabá.
MP diz que parte do dinheiro desviado foi para pagar dívida de campanha.

O advogado Francisco Faiad (PMDB), preso preventivamente nessa terça-feira (14) por suspeita de participar de esquema que teria desviado R$ 8,1 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso, foi exonerado do cargo de procurador-geral da Câmara de Cuiabá. O pedido de exoneração foi feito pelo próprio Faiad e aceito pela Mesa Diretora do legislativo municipal, ainda na tarde de terça, informou a Câmara.

Faiad foi preso durante a 5ª fase da operação Sodoma, que teve ainda como alvo o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), preso desde setembro de 2015 também por causa de mandado de prisão expedido em função das investigações da Sodoma. O desvio de dinheiro teria ocorrido quando Faiad era secretário de Administração da gestão Silval.

Também foi determinada a prisão de outros três secretários da gestão de Silval: Valdisio Viriato (ex-secretário-adjunto de Transportes), Silvio César Corrêa Araujo (ex-chefe de gabinete do então governador) e José Jesus Nunes Cordeiro (ex-secretário-adjunto de Administração).

A defesa de Faiad nega a participação dele nos crimes e disse que a prisão do ex-secretário foi desnecessária.

Denúncia

Conforme o Ministério Público, o grupo cobrou propina de empresários entre 2011 e 2014 para fraudar licitações, manter contratos com uma empresa de informática e garantir o fornecimento de combustível para a frota do governo. O dinheiro desviado seria das pastas de Administração (atual Secretaria de Gestão) e de Transporte (atualmente Secretaria de Infraestrutura).

A denúncia diz ainda que R$ 1,7 milhão do total desviado foi usado para pagar a dívida da campanha eleitoral à prefeitura de Cuiabá da chapa de Lúdio Cabral (PT), da qual Faiad foi candidato a vice. Lúdio foi um dos conduzidos coercitivamente para prestar depoimento nessa terça-feira.

Outros R$ 916 mil teriam sido destinados à formação de caixa da campanha eleitoral do grupo político de Silval Barbosa nas eleições de 2014, quando Faiad concorreu ao cargo de deputado estadual.