50% dos brasileiros são católicos, 31%, evangélicos e 10% não têm religião, diz Datafolha

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Pesquisa também aponta que mulheres representam 58% dos evangélicos e são 51% entre os católicos. Levantamento foi feito nos dias 5 e 6 de dezembro do ano passado

Pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira (13) pelo jornal “Folha de S.Paulo” aponta que 50% dos brasileiros são católicos, 31%, evangélicos, e 10% não têm religião. Ainda de acordo com o levantamento, as mulheres representam 58% dos evangélicos e são 51% entre os católicos.

A pesquisa foi feita nos dias 5 e 6 de dezembro do ano passado, com 2.948 entrevistados em 176 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Religião dos brasileiros

  • Católica: 50%
  • Evangélica: 31%
  • Não tem religião: 10%
  • Espírita: 3%
  • Umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras: 2%
  • Outra: 2%
  • Ateu: 1%
  • Judaica: 0,3%

Religião por sexo

Católicos:

  • Mulher: 51%
  • Homem: 49%

Evangélicos:

  • Mulher: 58%
  • Homem: 42%

Religião por cor

Católicos:

  • Parda: 41%
  • Branca: 36%
  • Preta: 14%
  • Amarela: 2%
  • Indígena: 2%
  • Outras: 4%

Evangélicos:

  • Parda: 43%
  • Branca: 30%
  • Preta: 16%
  • Amarela: 3%
  • Indígena: 2%
  • Outras: 5%

Religião por idade

Católicos:

  • 16 a 24 anos: 13%
  • 25 a 34 anos: 17%
  • 35 a 44 anos: 18%
  • 45 a 59 anos: 26%
  • 60 anos ou mais: 25%

Evangélicos:

  • 16 a 24 anos: 19%
  • 25 a 34 anos: 21%
  • 35 a 44 anos: 22%
  • 45 a 59 anos: 23%
  • 60 anos ou mais: 16%

Religião por escolaridade

Católicos

  • Fundamental: 38%
  • Médio: 42%
  • Superior: 20%

Evangélicos

  • Fundamental: 35%
  • Médio: 49%
  • Superior: 15%

Renda

Católicos

  • Até 2 salários mínimos: 46%
  • De 2 a 3 salários mínimos: 21%
  • De 3 a 5 salários mínimos: 17%
  • de 5 a 10 salários mínimos: 9%
  • Mais de 10 salários mínimos: 2%

Evangélicos

  • Até 2 salários mínimos: 48%
  • De 2 a 3 salários mínimos: 21%
  • De 3 a 5 salários mínimos: 17%
  • de 5 a 10 salários mínimos: 7%
  • Mais de 10 salários mínimos: 2%

Região do país

Católicos

  • Sudeste: 45%
  • Sul: 53%
  • Nordeste: 59%
  • Centro-Oeste: 49%
  • Norte: 50%

Evangélicos

  • Sudeste: 32%
  • Sul: 30%
  • Nordeste: 27%
  • Centro-Oeste: 33%
  • Norte: 39%

Via G1

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Mulheres são presas por desligar aparelhos de irmão após “mensagem de Deus”

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Caso foi registrado na cidade de Guanambi, na Bahia. Mulheres afirmaram que Deus enviou mensagem para elas desligarem aparelho após oração

Duas mulheres foram presas pela polícia na cidade de Guanambi, no interior da Bahia , após desligarem os aparelhos que mantinham o irmão delas vivo em um hospital da cidade. Almiro Pereira Alves, de 43 anos, estava internado em estado grave e morreu após interferência de ambas.

Caso foi registrado no Hospital Regional de Guanambi

Segundo a Polícia Civil, as mulheres foram detidas ainda na instituição de saúde e confessaram o crime alegando que tinham recebido uma mensagem de Deus para desligar os aparelhos após uma oração.

Um terceiro irmão que também estava no hospital foi preso, mas solto após não ser relacionado ao crime. As mulheres foram detidas e estão à disposição da justiça. A polícia procura, ainda, um suposto pastor de igreja evangélica que teria feito a oração com a dupla.

Deputado quer entregar BA para ‘Santíssima Trindade’ e anular pacto com ‘anjos das trevas’

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Isidório Filho cita decreto de prefeito baiano que entregou chave de cidade a Deus e dá recado a promotor que foi contra medida

O filho do deputado federal Pastor Sargento Isidório, Isidório Filho (Avante), propôs um projeto de lei na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) para decretar que o estado da Bahia fique sob “proteção e comando supremo” da “Santíssima Trindade”.

A “Santíssima Trindade” é um dogma religioso que significa um só Deus e três “pessoas” distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.  

Foto :Alexandre Galvão / Metropress

O projeto de Lei 23.227/2019 foi protocolado na última quinta-feira (11) na Casa. 

Se aprovado, o decreto vai estabelecer a anulação de “todo pacto feito com principados, potestades e demais anjos do mundo tenebroso que compõem as forças espirituais malignas que possam prejudicar o nosso povo e a nossa gente”. 

Ainda sem citar especificamente as religiões de matriz africana, que cultuam a natureza, o texto do projeto afirma que os pactos seriam feitos com “os anjos das trevas” para prejudicar pessoas e/ou famílias nas águas, rios, lagos, lagoas, diques, cachoeiras, marés de enchentes, marés de vazantes, matas virgens ou não, montes, montanhas, desertos, rochas, rochedos, lugares ocultos e outros.

Na justificativa, Isidório Filho cita ainda o decreto do prefeito de da cidade baiana de Guanambi, Jairo Magalhães, que entregava a chave da cidade a Deus. A medida foi suspensa pela Justiça, após pedido do Ministério Público (MP).

Em um recado ao promotor autor da ação, no texto enviado à Assembleia, o deputado chega a sugerir que o representante do MP faça diligências “em todo território nacional para cumprir este entendimento de laicidade” do Estado. 

Entre as diligências sugeridas, estão retirar das cédulas de dinheiro a expressão “Deus seja louvado”, além de fiscalizar todos os municípios e gabinetes de todos os parlamentares do Brasil. 

Em tempo: o pai do deputado, que também é deputado federal, se diz “ex-gay” e “ex-soropositivo”.

Como Allan Kardec popularizou o espiritismo no Brasil, o maior país católico do mundo

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Paris, 1857. O professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, de 53 anos, estava prestes a colocar um ponto final em seu mais novo livro quando se viu tomado por uma dúvida: usar seu nome de batismo ou recorrer a um pseudônimo?

Sua mais nova publicação, O Livro dos Espíritos, nada tinha a ver com os mais de 20 livros didáticos, de física, química e matemática, que ele já tinha escrito e eram adotados em escolas e universidades. Foi quando Rivail se lembrou de que, em uma das muitas sessões mediúnicas de que participou, um “amigo espiritual de vidas passadas” de nome Zéfiro havia dito que, na época do imperador Júlio César, entre 58 e 44 antes de Cristo, ele tinha sido um líder druida na sociedade celta. Seu nome? Allan Kardec.

“O recurso do pseudônimo tinha a vantagem de não expor Rivail numa época em que, embora a heterodoxia religiosa fosse tolerada, sempre se corria riscos”, explica Mary Del Priore, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e autora de Do Outro Lado – A História do Sobrenatural e do Espiritismo (Planeta, 2014). “Era também uma forma de proteger sua carreira editorial, sem dar chance de retaliação por parte de instituições de ensino religioso que tivessem adotado seus manuais”.

Kardec levou quase dois anos para concluir O Livro dos Espíritos. Em momento algum, se considerou o “autor” da obra. Na melhor das hipóteses, era apenas seu organizador. Não por acaso, a folha de rosto da primeira edição estampava a frase: “Escrito e publicado conforme o ditado e a ordem de espíritos superiores”. Para realizar as “entrevistas com o além”, Kardec conheceu e fez amizade com mais de dez médiuns – termo criado por ele para designar os “intermediários” entre os vivos e os mortos. Suas mais assíduas “colaboradoras” eram as irmãs Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, e Ruth Japhet, de 19.

Cena de filme sobre Allan Kardec
Ator em cenário de filme sobre Allan Kardec; pedagogo francês levou quase dois anos para concluir ‘O Livro dos Espíritos’

Quanto aos “amigos invisíveis”, eram incontáveis: o filósofo grego Sócrates, o apóstolo e evangelista João, o cientista americano Benjamin Franklin… “Por ser inaugural, considero O Livro dos Espíritos, no formato de perguntas e respostas, a mais importante obra de Kardec. As perguntas correspondem ao papel dele na publicação. Já as respostas são atribuídas a ‘espíritos superiores’.

Para os adeptos de Kardec, o livro é, literalmente, ‘dos espíritos'”, explica Emerson Giumbelli, doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Núcleo de Estudos da Religião (NER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O Livro dos Espíritos foi lançado no dia 18 de abril de 1857 e, em apenas dois meses, vendeu todos os 1.500 exemplares da primeira tiragem. Três anos depois, uma segunda edição, revista e ampliada de 501 perguntas e respostas para 1.019, chegou às livrarias. Logo, a doutrina espírita despertou a ira da Igreja Católica que considerava a necromancia, a suposta arte de adivinhar o futuro por intermédio dos mortos, um pecado mortal.

Cena de filme sobre Allan Kardec
Cena de filme sobre Kardec; em 1861, o bispo de Barcelona ordenou que 300 volumes do livro dele fossem queimados em praça pública

Por essa e outras razões, jovens médiuns eram internadas em hospícios e adeptos do espiritismo ameaçados de excomunhão. No dia 9 de outubro de 1861, a intolerância chegou ao ponto de o bispo de Barcelona, Antônio Palau y Termens, ordenar que 300 exemplares da obra fossem queimados em praça pública.

Mas, apesar dos pesares, Kardec procurava não se abater. Encontrava consolo no relato de leitores do mundo inteiro que atribuíam a seu trabalho o fato de não terem tirado suas vidas em momentos de desespero. “Afirmavam que só desistiram do suicídio por terem lido O Livro dos Espíritos e entendido que a vida continua através dos tempos.

E mais: que cada existência seria uma chance de evolução. Uma chance que não deveríamos desperdiçar”, afirma o jornalista Marcel Souto Maior, autor de Kardec – A Biografia (Record, 2013), que deu origem ao filme homônimo, escrito por L.G. Bayão e dirigido por Wagner de Assis. Com Leonardo Medeiros no papel-título, Kardec tem estreia confirmada no dia 16 de maio.

Espiritismo à brasileira

Filho de pais católicos – o juiz Jean-Baptiste e a dona de casa Jeanne –, Rivail começou a se interessar pelo assunto por acaso. Ouviu falar do fenômeno das mesas girantes e, movido por curiosidade e desconfiança, resolveu investigar. Estava convencido de que, por trás das mesas que se erguiam do chão e se moviam em todas as direções, encontraria fios, ímãs ou roldanas. “Só acreditarei se me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar e nervos para sentir”, fez troça.

Em maio de 1855, Rivail saiu da casa de uma senhora chamada De Plainemaison completamente atordoado. Não conseguira desvendar, por meio de truques secretos ou traquitanas escondidas, o sobe e desce das mesas. Mesmo assim, não desistiu. Passou a investigar outro fenômeno, ainda mais intrigante: os cestos escreventes. Encaixado no fundo do cesto, com a ponta virada para baixo, um lápis “respondia” às perguntas formuladas pelos convidados em folhas de papel.

“Numa dessas sessões, em 30 de abril de 1856, a cesta se voltou para Rivail e, como se apontasse o dedo para ele, o lápis escreveu uma mensagem enigmática: ‘És o obreiro que reconstrói o que foi demolido'”, relata Marcel. Era a deixa para Rivail começar a organizar o que viria a ser O Livro dos Espíritos.

Não demorou muito para o espiritismo kardecista cruzar o Atlântico e desembarcar no Brasil. Por aqui, Kardec conquistou inúmeros “aliados”. Dois dos mais importantes são o educador francês Casimir Lieutaud, que traduziu para a língua portuguesa, em 1860, Os Tempos São Chegados, a primeira obra espírita impressa no Brasil, e o jornalista brasileiro Teles de Menezes, que fundou, em Salvador, o primeiro centro espírita do Brasil, o Grupo Familiar do Espiritismo, em 17 de setembro de 1865, e o primeiro periódico espírita do país, o Eco do Além Túmulo, em 8 de março de 1869.

Chico Xavier
IAté 2002, quando morreu aos 92 anos, Chico Xavier psicografou 459 títulos – e doou os direitos autorais de todos eles, com registro em cartório, para obras assistenciais

“Por sua inteligência aguda, bom senso extraordinário e alma caridosa, quem merece o título de ‘Allan Kardec brasileiro’ é o Bezerra de Menezes”, aponta Marta Antunes Moura, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), referindo-se ao “médico dos pobres” que, reza a lenda, teria doado seu anel de formatura a uma mãe para ela comprar remédios para o filho adoentado.

Outro nome de destaque na consolidação do espiritismo no Brasil é Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier. Em 1932, aos 22 anos, lançou seu primeiro livro, Parnaso de Além-Túmulo, antologia de 259 poemas assinados por nomes como Castro Alves, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos. Até 2002, quando morreu aos 92 anos, psicografou 459 títulos – e doou os direitos autorais de todos eles, com registro em cartório, para obras assistenciais – e 10 mil cartas – algumas delas chegaram a ser aceitas como prova em tribunais.

“Inspirado na noção de santidade católica, Chico Xavier adotou votos monásticos como modelo de conduta e espiritualidade. Assim, ele se tornou referência moral não só para médiuns, como também para os demais adeptos da doutrina. Essa construção do estilo brasileiro de ser espírita, marcadamente católico, é o que chamo de espiritismo à brasileira”, explica Sandra Stoll, doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP).

O rastro de perseguição que a doutrina de Kardec sofrera na Europa logo chegou ao Brasil. Já em 1874, o Jornal do Comércio acusava o espiritismo de produzir loucos: “Uma epidemia pior que a febre amarela”, dizia um artigo da época. Em 1881, o bispo do Rio de Janeiro, Pedro Maria de Lacerda, publicou um manifesto em que chamava os seguidores de Kardec de “possessos, dementes e alucinados”.

“Naquela época, o Brasil vivia sob os ditames do Império, que tinha o catolicismo como religião oficial. Mas, mesmo com o advento da República, a partir de 1889, a perseguição não cessou”, relata o sociólogo e advogado Maury Rodrigues da Cruz, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE). “Os ataques sofridos não arrefeceram o movimento espírita brasileiro. Pelo contrário. Fortaleceram a união de seus membros em torno da defesa da liberdade de culto e da consolidação do espiritismo no país”.

Mais vivo que nunca

No mês em que espíritas comemoram os 150 anos da morte, ou melhor, do “desencarne” de Allan Kardec, sua doutrina tem hoje, segundo dados do Pew Research Center de 2015, 13 milhões de adeptos no mundo inteiro. Só no Brasil, são 3,8 milhões. Isso significa que, a cada três seguidores de Kardec, um é brasileiro. Com isso, o maior país católico do mundo, com 123,4 milhões de fiéis, segundo o Censo de 2010, passou a ostentar outro título: o de maior nação espírita do planeta.

“O túmulo do Kardec no Père-Lachaise, em Paris, é, sem dúvida, dos mais visitados. A qualquer dia e horário, há sempre um brasileiro acendendo velas ou depositando flores no mausoléu”, afirma Reginaldo Prandi, doutor em Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os Mortos e Os Vivos (Três Estrelas, 2012), referindo-se ao cemitério francês onde estão sepultados, entre outras celebridades, o escritor Oscar Wilde, o músico Frédéric Chopin e o roqueiro Jim Morrison. “A prática da caridade ajudou o espiritismo a ganhar força no Brasil. Ainda hoje, centros espíritas organizam bazares, recebem doações de alimentos e distribuem agasalhos no inverno”.

Cruz com vista de cidade do fundo
Obra de Allan Kardec enfureceu Igreja Católica à época, mas se espalhou

O sucesso do espiritismo no Brasil, onde tem mais seguidores do que na França, pode ser explicado, ainda, pelo processo de “religiosificação” da doutrina no país. Essa é a opinião de Célia Arribas, doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Se, na terra natal de Kardec, o espiritismo tinha caráter majoritariamente científico ou filosófico; no Brasil, ganhou status de religião.

“Ao reforçar o caráter religioso do espiritismo, seus primeiros adeptos, oriundos de grupos socialmente privilegiados, como médicos, políticos e advogados, viram nisso uma forma de legitimar sua existência em solo brasileiro e escapar do Código Penal de 1890, que estabelecia punições, como multa e detenção, para quem praticasse o espiritismo”, explica a socióloga.

Dados do último Censo apontam que, entre 2000 e 2010, o número de espíritas no Brasil cresceu 65%, passando de 2,3 milhões, algo em torno de 1,3% da população, para 3,8 milhões, cerca de 2%. Mas, se o número de fiéis é de 3,8 milhões, o de simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira (FEB), pode chegar a 30 milhões. “Muitos não se assumem como espíritas porque são católicos ou porque não enxergam o espiritismo como religião”, explica Célia Arribas, da UFJF.

“Há também aqueles que vão aos centros atrás de alívio para alguma aflição pontual. É o que chamamos na sociologia de ‘religião de clientela’, um tipo de religiosidade de serviço que não cria vínculos”.

Mesmo tendo crescido tanto, o espiritismo continua a ser uma confissão minoritária no país. Em número de adeptos, está atrás de católicos (64%) e evangélicos (22%). “São a maioria da minoria”, define o sociólogo Reginaldo Prandi, da USP. “A doutrina espírita não está preocupada em fazer proselitismo ou converter ninguém. Está interessada apenas em fazer o bem e praticar a caridade”.

Por André Bernardo – BBC Brasil

Os chocantes casos de abuso cometidos por ‘padres predadores’ contra centenas de menores nos EUA

A Suprema Corte da Pensilvânia publicou relatório em que afirma que cerca de 300 sacerdotes da Igreja Católica abusaram sexualmente de mais de mil menores de idade em seis dioceses do Estado americano.

E segue: “Para muitos de nós, esse tipo de histórias ocorreram em outro lugar, em algum lugar distante. Agora sabemos a verdade: ocorreram em todas as partes”.

Essas histórias são as de mais de mil menores de idade, possivelmente mais, que foram abusados sexualmente ao longo de 70 anos por cerca de 300 padres de seis dioceses do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Esses abusos ocorreram, segundo detalha o relatório divulgado pela Suprema Corte da Pensilvânia, “enquanto funcionários eclesiásticos tomavam medidas para encobri-los”.

Conheça a seguir detalhes de seis destes casos presentes no documento de 900 páginas do júri da Pensilvânia.

1. Um abuso disfarçado de ‘exame de câncer’

Cerca de mil menores de idade – talvez mais – foram vítimas de abusos ao longo de 70 anos – AFP/GETTY

Um padre em Erie, Chester Gawronski, acariciava sexualmente as crianças e dizia que o fazia para “checar se tinham câncer”.

Em 1997, depois de serem apresentadas queixas contra ele, Gawronski entregou à diocese uma lista de 41 possíveis vítimas e confirmou que havia feito o “exame de câncer” em menos 12 crianças relacionadas ali.

O padre confessou voluntariamente ter cometido abusos sexuais em múltiplas ocasiões e, ainda assim, de 1997 a 2002, ele permaneceu na ativa no clero e repetidamente foi transferido para outras paróquias.

2. ‘Por favor, ajude-me, abusei sexualmente de uma criança’

Um dos padres, Michael Lawrence, disse ao monsenhor Anthony Muntone: “Por favor, me ajude, abusei sexualmente de uma criança”.

Muntone registrou a confissão em um memorando confidencial escrito à mão. E, mesmo depois do registro, a diocese afirmou: “Essa experiência não será necessariamente um trauma terrível para a vítima”.

O padre Lawrence permaneceu na ativa na Igreja por anos sob o comando de três diferentes bispos.

O arcebispo Wuerl enviou aos padres da Pensilvânia uma carta em que alertava sobre o conteúdo ‘perturbador’ do relatório

3. O padre que engravidou uma jovem de 17 anos

O padre Raymond Lukac engravidou uma jovem de 17 anos, falsificou a assinatura de um pastor em uma certidão de casamento e se divorciou pouco depois de ela dar à luz.

Apesar de ter feito sexo com uma menor de idade, tido um filho com ela, se casado e divorciado, foi permitido que Lukac permanecesse na Igreja enquanto a diocese buscava “um bispo benevolente em outro Estado disposto a aceitar o predador e a escondê-lo da Justiça”.

4. Uma criança nua na casa do pároco

O padre Joe Pease abusou repetidamente de uma criança quando ela tinha entre 13 e 15 anos.

Funcionários da diocese encontraram em uma ocasião a vítima nua na casa onde o pároco vivia, mas Pease disse que era uma “brincadeira” e que “não havia ocorrido nada sexual”.

A diocese escreveu então em um dos seus memorandos confidenciais: “Por hora, estamos em um impasse: são alegações e não admissões”.

O padre teve de fazer tratamentos indicados pela Igreja, e foi permitido que ele voltasse à ativa por mais sete anos.

O ex-arcebispo de Washington, Theodore McCarrick, renunciou após acusações de que abusou de um menor nos anos 1970

5. Vítimas identificadas por cruzes de ouro

Um grupo de ao menos “quatro padres predadores” teria estabelecido um vínculo emocional e abusado sexualmente e de forma violenta de menores.

Uma das crianças teria sido forçada a ficar nua em uma cama e a posar como Cristo em uma cruz. Os padres fotografaram a vítima e incluíram essas imagens em uma coleção de pornografia infantil.

Para facilitar a identificação das vítimas, eles davam presentes às suas crianças favoritas: cruzes de ouro que elas deveriam usar no pescoço – esses itens indicavam que as vítimas estavam sendo preparadas para serem abusadas.

6. O padre que providenciou um aborto para sua vítima

O padre Thomas Skotek abusou de uma jovem e a engravidou. Ele mesmo providenciou depois um aborto para ela.

O bispo James Timlin expressou o que sentia em uma carta: “Este é um momento muito difícil em sua vida e me dou conta de quão amargo é. Compartilho de sua dor”.

A carta, entretanto, não era endereçada à vítima, mas ao padre.

‘O padrão foi de abuso, negação e ocultação’, afirmou procurador-geral da Pensilvânia

Estes são só alguns dos muitos exemplos incluídos no documento. E, como destacou o procurador-geral do Estado, Josh Shapiro, ao apresentar o documento, os casos “demonstram claramente que houve um abuso corrupto e desmedido”.

“O padrão foi de abuso, negação e ocultação”, afirmou Shapiro.

E o pior, destacou ele, é que ainda que a lista de padres que cometeram abusos seja longa, “não acreditamos que o relatório abrange todos”.

“Temos certeza de que muitas vítimas mais nunca se apresentaram para testemunhar”, afirmou o procurador.

Fonte: bbc

Casal que usava crenças para justificar falta de cuidados médicos perde guarda de filha no Canadá

Durante o julgamento, eles falavam com o leãozinho em uma língua estranha e diziam que Deus, por meio do objeto, lhes respondia

Um casal que se recusou a tratar seu bebê com cuidados médicos básicos e não levou a criança para vacinar após seu nascimento, perdeu a guarda da filha na Justiça do Canadá. A família, que já havia sido expulso de diversas igrejas que frequentavam pela visão particular que têm do cristianismo, sustentava suas decisões com base em suas crenças pessoais, segundo o jornal “Vancouver Sun”.

Em novembro do ano passado, quando a menina tinha um ano, a Corte Provincial da Colúmbia Britânica, no Canadá, declarou que a criança precisava de proteção e a colocou sob custódia do Estado.

Os pais, que não tiveram os nomes divulgados, apelaram a instância superior, alegando que se tratava de discriminação religiosa. Mas perderam, e a garota pode ser colocada para adoção em breve.

Para a juíza Diane MacDonald, que negou a apelação, o casal não tem condições de criar a criança. De acordo com ela, a decisão não foi tomada baseada nas crenças religiosas do casal, mas nas evidências de violência doméstica, descaso com a saúde da criança, evidências de problemas mentais na mãe e recusa de receber ajuda de enfermeiros, médicos, assistentes sociais, outros cristãos e representantes legais.

“Os pais obviamente amam sua filha e desejam criá-la em sua casa com seus valores cristãos. Mas há provas suficientes de que uma ordem de custódia contínua [da criança pelo Estado] é justificada nessas circunstâncias”, escreveu a juíza.

O casal se conheceu em 2014 e se casou no ano seguinte. Eles não têm emprego fixo e já se mudaram várias vezes de residência. O bebê nasceu em 2016.

“Parece que, devido às suas fortes crenças religiosas, eles são intolerantes com aqueles que não defendem visões idênticas. Isso inclui outros cristãos”, escreveu a juíza Diane MacDonald em sua decisão, divulgada nesta semana.

O Ministério da Infância e do Desenvolvimento Familiar passou a acompanhar a família depois de receber a denúncia de que a mãe relatou a um colega sobre um rompante nervoso do pai, que um dia tentou esganar a esposa e “acreditava que relações sexuais entre crianças deveriam ser encorajadas”.

No entanto, quando foi ouvida pela polícia, a mulher negou tanto a história de agressão quanto a suposta opinião do pai sobre relações sexuais entre crianças.

Mesmo assim, a Justiça decidiu interferir no caso.

O casal também recusou o auxílio de um advogado e disse que Jesus Cristo era o  único “advogado, testemunha e juiz”. Durante o julgamento, eles falavam com o leãozinho em uma língua estranha e diziam que Deus, por meio do objeto, lhes respondia.

*(Com agências internacionais)

Fonte: uol

Confeiteiro vence batalha judicial por ter se negado a fazer bolo para casamento gay

Negativa dada pelo confeiteiro foi justificada por ‘fé cristã’ e levada à mais alta corte dos Estados Unidos, onde recebeu sete votos a favor e dois contra

A Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu nesta segunda-feira uma vitória histórica para um confeiteiro que se recusou a preparar um bolo de casamento para um casal gay, considerando que seus direitos religiosos haviam sido violados.

Em uma decisão de uma maioria de sete contra dois, a mais alta corte do país decidiu que uma comissão de Direitos Civis do Colorado, que havia decidido que o comerciante deveria atender todos os clientes independentemente da sua orientação sexual, demonstrou uma “animosidade clara e inaceitável” em relação à religião.

O caso, que se tornou emblemático apesar de seu caráter insólito, tem grandes implicações para a sociedade americana, em razão dos princípios em jogo: a liberdade de religião, igualdade sexual e a liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição.

A ação contra o confeiteiro Estado Colorado, Jack Phillips, foi movida por dois homens agora casados, Dave Mullins e Charlie Craig.

Justificando sua fé cristã, Phillips explicou em 19 de julho de 2012 na “Masterpiece Cakeshop”, sua padaria em Denver, que não podia aceitar o pedido de Mullins e Craig, que se casariam e tinham encomendado um bolo de casamento.

Seus advogados argumentaram que o bolo representava nesta vez a instituição do casamento e, portanto, estava transmitindo uma mensagem, ao contrário de um bolo comum.

Os cônjuges entraram com uma ação sob uma lei do Colorado que proíbe a discriminação em lojas que trabalham com o público. Os tribunais inferiores lhes deram razão.

O Supremo Tribunal não tratou amplamente o assunto, limitando-se apenas a constatar que Phillips não havia beneficiado da neutralidade necessária nas instâncias inferiores para expor seus argumentos.

Fonte: diariodepernambuco

Jovem do DF é agredida por advogado ao vender revista criticando religiões

Vídeo mostra homem discutindo e empurrando grupo. Advogado confirma ser ele nas imagens.

As imagens foram gravadas no sábado (31), em frente a uma loja da Asa Sul. O advogado Leonardo Gomes Pereira, de 33 anos, confirmou ao G1 que é ele quem aparece no vídeo, mas afirmou “estar sendo crucificado nas redes sociais”.

Inara disse que, além de agredi-la, Pereira rasgou três exemplares da revista que custavam R$ 20 e R$ 10. A designer explicou que decidiu denunciar o advogado mesmo após a mãe dele ter se oferecido para arcar com o prejuízo.

“É para que ele pense duas vezes antes de agredir mulheres.”

Advogado discute com grupo durante venda de revista com crítica a religião, em Brasília (Foto: Reprodução)

Troca de empurrões

A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) investiga o caso. O vídeo, segundo Inara, foi gravado logo depois que o advogado rasgou as revistas. As imagens mostram Pereira discutindo com um grupo de pessoas.

Uma mulher tenta empurrá-lo e é agarrada pelo braço. Nesse momento, um homem de barba o empurra. Uma outra mulher, identificada como mãe de Pereira, surge para apartar a briga e consegue levar o advogado embora.

A designer disse que estava vendendo as revistas normalmente, em frente a uma loja da 306 Sul, quando o advogado chegou. Segundo Inara, ele começou a folhear os exemplares enquanto falava ao celular e, em seguida, passou a ofendê-la.

“Como ele estava no celular e sorrindo, até achei que fosse uma brincadeira […]. Mas aí ele chamou minhas revistas de criminosas e disse que, para não me levar presa, as levaria embora.”
Procurado pela reportagem, o advogado afirmou que os fatos não ocorreram conforme o relato de Inara. “Eu era quem estava em posição de desvantagem, considerando o número de pessoas envolvidas”, disse ele.

“As coisas não foram como relatado pela garota. É uma pena que o vídeo não mostre o vandalismo sofrido pelo carro da minha mãe.”

A revista

Página de revista mistura desenhos de mãos em posição de oração com imagem do dedo do meio (Foto: Inara Régia Cardoso/Arquivo pessoal)

A capa da zine – tipo de revista independente geralmente editada para exibir trabalhos de artistas – mostra uma cruz invertida. Na primeira página, o nome “Sagrada” é exibido acima de uma imagem com mãos sobrepostas: duas na posição de oração e outra fazendo um gesto obceno.

Apesar do conteúdo crítico às igrejas, no editorial da revista Inara escreveu que é cristã. “É importante notar que nenhuma das histórias apresentadas nessa zine critica a doutrina cristã (embora isso seja bastante possível e recomendável), mas sim o comportamento daqueles que se afirmam cristãos e seus sacerdotes na medida em que distorcem o conteúdo da Bíblia ou agem de maneira hipócrita e/ou criminosa”, diz o texto.

Outras polêmicas

O desentendimento entre a designer e o advogado do DF ocorreu em frente a mesma loja de Brasília onde eram vendidas imagens de santos caracterizados como personagens ou ídolos pop. Nossa Senhora, por exemplo, podia ser encontrada em versões como Batman, Mulher Maravilha, Malévola, Frida Kahlo, David Bowie, Galinha Pintadinha e Minnie.

Em 2016, o comércio da 306 Sul gerou polêmica depois que um juiz de Goiânia proibiu a artista Ana Smile, que é goiana, de comercializar as imagens que eram vendidas na loja e pela web. A ação foi proposta pela Arquidiocese de Goiânia alegando que Ana fazia “sátira” com os personagens religiosos.

Estatuetas de santos com rostos e vestes de personagens famosos vendidas em loja de Brasília (Foto: Ana Smile/Divulgação)

O que dizem as leis

  • Art. 208, Código Penal Brasileiro: Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.
  • Artigo 5°, IX, Constituição Federal: é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

Fonte: g1

Mulher vence na Justiça batalha para recuperar bens doados à Igreja Universal

A igreja recorreu, e o caso foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), corte na qual o recurso da igreja foi negado em uma decisão na semana passada. Ainda cabem novos recursos.

A gaúcha Carla Dalvitt estava com problemas financeiros quando começou a frequentar a Igreja Universal do Reino de Deus, onze anos atrás. A pequena loja que tinha com o marido estava com pouco movimento, e havia várias prestações para pagar – ela e o marido, João Henrique, tinham acabado de comprar um Palio para levar o filho pequeno dos dois à escola. O casal queria construir uma casa, mas, sem dinheiro, estava morando na residência dos pais dela.

Mas o que ela esperava que representasse uma saída para sua crise pessoal acabou se tornando um pesadelo, conta hoje. Carla diz que foi coagida pela congregação religiosa a doar a ela tudo o que tinha e acabou ficando sem dinheiro, sem carro e mal falada na pequena cidade onde mora, Lajeado, no interior do Rio Grande do Sul.

Ela afirma que mudou de ideia logo em seguida, mas que a igreja se recusou a devolver sua doação. Foi quando decidiu entrar, ao lado do marido, com uma ação judicial contra a Universal pedindo de volta os valores dos bens e uma indenização por danos morais.

Em 2012, o grupo religioso foi condenado a pagar uma indenização de R$ 20 mil e devolver o valor de parte dos bens que a gaúcha diz ter doado. A igreja recorreu, e o caso foi parar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), corte na qual o recurso da igreja foi negado em uma decisão na semana passada. Ainda cabem novos recursos.

Procurada pela BBC Brasil para comentar o caso, a Igreja Universal do Reino de Deus não respondeu às perguntas feitas pela reportagem. Enviou uma nota dizendo que “o dízimo e todas as doações recebidas pela Universal seguem orientações bíblicas e legais, e são sempre totalmente voluntários e espontâneos”.

‘Fogueira Santa’

Carla conta que resolveu começar a frequentar os cultos após ver pastores falando na TV. “Eram mensagens positivas, de esperança, prosperidade. Tinha muitos depoimentos de gente que falava que tinha saído de crise, gente que dizia que devia à igreja tudo o que tinha”, diz.

A gaúcha também conhecia pessoas que frequentavam a igreja – e falavam sempre bem. Seu marido não a acompanhava, mas também não se opunha à atividade religiosa da mulher.

Ela diz que as doações que fez à Igreja começaram com o dízimo. O problema, afirma, é que não pararam por aí.

“Eles diziam que você tinha que dar 10% de tudo o que você ganhava, e que tudo o que você desse, ia receber de volta”, conta. “O problema é que tinha um evento especial, a Fogueira Santa, onde as pessoas iam e doavam casa, carro. E eu não sei o que me deu… Eu estava desesperada.”

Carla afirma que havia um evento em que os fiéis faziam promessas de doações, no qual ela disse que entregaria suas posses à igreja.

“Depois disso eu fiquei na dúvida, pensei em desistir. Mas eles sempre falavam que tinha uma maldição para quem prometeu e não doou, que a pessoa ia ser amaldiçoada”, diz. “E eu fiquei pensando na maldição, com medo da maldição.”

Carla então vendeu o carro por um valor bem abaixo do valor de mercado – já que o comprador teria que pagar o resto das prestações – e doou o dinheiro à igreja.

E deu também, segundo ela, um colchão, um computador, dois aparelhos de ar condicionado que vendia em sua loja, joias, um fax, uma impressora e alguns móveis de cozinha que sua mãe havia acabado de comprar. Tudo isso escondido da família.

Nuvem negra

“Aí, quando cheguei em casa, que meu marido descobriu, aí que me deu um chacoalhão, que eu acordei. Não sei o que tinha aconteceu, eu estava mesmo… Era como se eu tivesse sofrido uma lavagem cerebral. Como se tivesse uma nuvem preta sobre minha cabeça, e quando meu marido conversou comigo ela foi embora. Me senti muito mal”, afirma.

No mesmo dia, ela, a mãe e o marido foram ao templo tentar recuperar os bens doados. Conseguiram levar de volta o colchão, o fogão e os outros itens de cozinha – mas apenas porque a mãe de Carla ainda tinha nota fiscal de tudo, de acordo com seu relato.

A gaúcha diz que nenhum dos outros itens foi devolvido. “A gente implorou, insistiu muito, mas eles disseram que não iam devolver.”

Carla e o marido, João Henrique, aguardam fim do processo | Foto: Jonas Samuel Betti/BBC Brasil

Ela então registrou um boletim de ocorrência e procurou um advogado.

“Já fui procurado por pessoas com casos parecidos, mas nem todo muito tem coragem de seguir com o processo – é demorado e desgastante. Ela foi muito corajosa”, afirma Marco Alfredo Mejia, advogado de Carla no caso.

“Eu jamais teria entrado na Justiça se eles tivessem me devolvido na hora”, argumenta ela.

No processo, a Igreja Universal se defende dizendo que não há comprovação da doação de itens como as joias e o dinheiro do carro – o que o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acatou. A entrega dos celulares, da impressora e dos aparelhos de ar condicionado, no entanto, foi comprovada, e o tribunal entendeu que se tratava de “coação moral irresistível” e “abuso de direito”, por isso estipulou a indenização.

A decisão foi confirmada pelo STJ na semana passada, mas a igreja ainda pode recorrer.

A gaúcha afirma que, além do grande prejuízo financeiro, todos na cidade ficaram sabendo do caso, o que a prejudicou muito. Ela acabou fechando a loja que tinha. Ficou sem carro, sem dinheiro, sem negócio – ou seja, em uma situação pior que a de antes.

“Por sorte uma pessoa de bom coração em deu um emprego de vendedora e, aos poucos, eu fui reconstruindo. Antes teria dado também, mas eu estava desesperada e fui enganada. Quem abriu meus olhos foi o meu marido, ele me disse que Deus não ia colocar maldição em ninguém, que Deus não faz isso. E ele tem razão”, diz Carla.

Ela hoje diz acreditar em Deus – mas não ter mais nenhuma religião.

Fonte: BBC

Comissão analisa o direito de faltar aula ou prova por motivo religioso

Em reunião na terça-feira (13), a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) pode analisar o substitutivo do senador Pedro Chaves (PRB-MS) ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) 130/2009, que garante o direito à realização de provas e à atribuição de frequência a alunos impossibilitados de comparecer à escola por motivos de liberdade de consciência e de crença religiosa. A reunião tem início às 11h30 na sala 15 da ala Alexandre Costa.

A proposta (PL 2.171/2003, na Casa de origem) altera dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/1996) para conferir a alunos de todos os estabelecimentos de ensino o direito de realizar provas em dias distintos daqueles de guarda religiosa. Ao mesmo tempo, incumbe a instituição escolar de marcar data alternativa para a realização de novo exame, estipulando que a nova data coincida com o turno em que o aluno estude, a não ser que ele opte por turno distinto ou concorde com indicação nesse sentido.

A proposta também assegura ao aluno o direito de faltar às aulas no dia de guarda de sua religião. Nesse caso, o dispositivo obriga a escola a oferecer-lhe alternativas de compensação da ausência que incluem a oportunidade de assistir aula em outro dia e horário; a apresentação de trabalho escrito; ou a realização de qualquer outra atividade de pesquisa determinada pela instituição de ensino. Prescreve-se, para qualquer caso, a necessidade de obediência aos parâmetros curriculares e ao plano de aula do dia letivo prejudicado.

Para o caso de novas provas, o aluno deve apresentar requerimento em até cinco dias “da data de realização original”. No caso de ausência a aula regular, o requerimento do aluno deverá ser apresentado no prazo de cinco dias após a divulgação do calendário escolar anual ou semestral. As instituições de ensino implementarão progressivamente as providências e adaptações necessárias à adequação de seu funcionamento às medidas previstas nesta Lei, no prazo de dois anos a partir do início da vigência desta Lei. A proposta não se aplica ao ensino militar.

Fundo patrimonial
Na mesma reunião, pode ser analisado o substitutivo do senador José Agripino (DEM-RN) ao PLC 158/2017, que permite a criação de fundo patrimonial nas instituições federais de ensino superior. A matéria (PL 4.643/2012, na Casa de origem) ainda será analisada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O projeto pretende normatizar fundos patrimoniais vinculados a instituições públicas de ensino superior, institutos federais de educação, instituições comunitárias de ensino superior e instituições científicas, tecnológicas e de inovação. Tais fundos, criados com recursos oriundos de doações de pessoas físicas e jurídicas, devem servir como fonte regular e estável de recursos para as instituições às quais se vinculam.

Educação alimentar
Também deverá ser analisado pela CE o substitutivo do senador Pedro Chaves ao PLC 102/2017 (PL 128/2007, na Casa de origem), que inclui o tema Educação Alimentar e Nutricional nos currículos do ensino fundamental e médio. Em seu voto, o relator destaca a importância do tema nos dias atuais, em que o acesso das crianças a alimentação não ocorre apenas no âmbito familiar, mas em muitos espaços sociais, muitas vezes sem orientação de adultos.

“Mesmo se considerarmos que a obesidade não está sempre associada a fatores alimentares (podendo ter causas genéticas ou relacionadas a estilos de vida e metabolismo), controlar o fator alimentação é algo importante para qualquer pessoa, até para aquelas que se julgam dentro do peso adequado. Ademais, a alimentação é para os seres humanos não apenas uma fonte de energia, mas também de saúde, prazer, alegria e sociabilidade. Nesse sentido, ter informações adequadas sobre o assunto é essencial para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos”, destaca Pedro Chaves no relatório do projeto (PL 128/2007, na Casa de origem).

Fonte: agenciasenado