PGR denuncia Roberto Jefferson, Cristiane Brasil e mais 24 por supostas fraudes no Ministério do Trabalho

Operação Registro Espúrio apura irregularidades na concessão de registros sindicais; todos os suspeitos negam envolvimento. Além de Cristiane Brasil, outros 4 deputados foram denunciados.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta segunda-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) 26 pessoas pelo crime de organização criminosa no âmbito da Operação Registro Espúrio.

Entre os denunciados estão o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, o ex-ministro do Trabalho Helton Yomura e os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ), Paulinho da Força (SD-SP), Jovair Arantes (PTB-GO), Wilson Filho (PTB-PB) e Nelson Marquezelli (PTB-SP).

O oferecimento de denúncia não representa a condenação de um acusado. Cabe a partir de agora ao STF decidir se acolhe ou rejeita a acusação. Se acolher, os denunciados se tornarão réus e passarão a responder a uma ação penal. Se rejeitar, o caso será arquivado.

Deflagrada pela Polícia Federal em maio, a Operação Registro Espúrio apura fraudes na concessão de registros sindicais pelo Ministério do Trabalho.

A PF já concluiu o inquérito da operação e indiciou 39 pessoas por susposto envolvimento na organização criminosa que atuou no ministério.

A denúncia

De acordo com as investigações, os integrantes do suposto esquema cobravam propina de interessados em obter o registro sindical no ministério. Em troca, as entidades furavam a fila dos pedidos e tinham os registros aprovados.

Na denúncia enviada ao Supremo, a PGR divide o funcionamento da suposta organização criminosa em cinco núcleos. Quatro foram denunciados: administrativo, político, sindical e captador.

“Os elementos probatórios reunidos no inquérito indicaram que representantes das entidades sindicais ingressam no esquema criminoso em razão da burocracia existente na Secretaria de Relações do Trabalho, que dificulta – e muitas vezes impede – a obtenção de registro àqueles que se recusam a ofertar a contrapartida ilícita que lhes era exigida”, diz a PGR.

De acordo com a denúncia, cabia ao núcleo administrativo burlar a ordem cronológica de análise dos registros e acelerar os processos de entidades que integravam o esquema.

“Ali se encontra a produção dos atos ilegais desejados pelos políticos, comprados pelos sindicatos, negociados pelos lobistas, com geração de capital (produto de crime) dissimulado e ocultado pelos integrantes do núcleo financeiro”, acrescenta.

Segundo a procuradora-geral, Raquel Dodge, o núcleo político era responsável por indicar e manter os integrantes do núcleo administrativo em funções no ministério.

Diante do que foi apresentado, a PGR pede a condenação dos investigados, a perda da função pública para os condenados detentores de cargo, emprego público ou mandato eletivo e pagamento do valor mínimo de R$ 4 milhões por danos materiais e outros R$ 4 milhões por morais.

O relator do caso é o ministro Edson Fachin.

Versões

Abaixo, veja as versões já apresentadas pelos denunciados desde que as investigações começaram:

Roberto Jefferson já afirmou que não participou de nenhum esquema no Ministério do Trabalho, que apoia as investigações da Operação Registro Espúrio e que o partido colocou o ministério à disposição do governo Michel Temer.

O advogado da deputada Cristiane Brasil, Luiz Gustavo Pereira da Cunha, divulgou a seguinte nota nesta segunda-feira:

A Polícia Federal e o Ministério Público tornaram-se assassinos de reputações. Sem provas, acusam a esmo. É o que ocorre agora com o relatório final da Operação Registro Espúrio, preparado pela Polícia Federal e endossado pelo Ministério Público na tentativa de criar um fato contra políticos. Apesar de as investigações transcorrerem no período de um ano, utilizam a troca de mensagens de 17 dias (entre 13 de maio e 30 de maio deste ano) entre a deputada Cristiane Brasil e um ex-funcionário do ministério para firmar convicção de que ela integra uma organização criminosa. A Polícia Federal e o Ministério Público insistem em tratar pedidos políticos _ comuns a todos os parlamentares, de todos os partidos, em todos os ministérios _ em crime. Crime é acusar sem provas, como fazem a PF e o Ministério Público, com objetivos puramente político-partidários. A deputada provará sua inocência mais uma vez, como já o fez em outras ocasiões, com a consciência tranquila de que nada fez de errado.

Paulinho da Força tem reafirmado que desconhece os fatos investigados. A TV Globo procurou o deputado nesta segunda-feira e aguardava resposta.

A defesa de Helton Yomura sempre afirmou que ele não cometeu nenhum ato ilícito e que “nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade”.

Jovair Arantes sempre afirmou que se posiciona “em consonância” com uma nota emitida pelo PTB, segundo a qual a direção do partido “jamais participou de quaisquer negociações espúrias”. A assessoria do deputado informou que divulgará uma nota nesta segunda-feira.

Wilson Filho já disse por meio de nota não ter participação na concessão de registros sindicais no Ministério do Trabalho. A TV Globo buscava contato com o parlamentar até a última atualização desta reportagem.

Nelson Marquezelli disse em julho não ter “nada a temer”. Nesta segunda-feira, a assessoria informou que divulgará uma nota sobre a denúncia.

Fonte: g1

Decisão que autorizou buscas da PF nas casas e gabinete de Cristiane Brasil proíbe deputada de ter contato com o pai

Deputada é alvo de operação da PF que apura fraudes no Ministério do Trabalho. Ministro Fachin, do STF, proibiu que ela mantenha contato com demais investigados, entre os quais Roberto Jefferson

Na decisão em que autorizou a Polícia Federal a fazer busca e apreensão nas residências e no gabinete da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, proibiu que ela mantenha contato com investigados na Operação Espúrio, entre os quais o próprio pai da parlamentar, o deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson.

A ação da PF fez parte da segunda fase da Operação Registro Espúrio, destinada a aprofundar investigações sobre suposta organização criminosa que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho. A PF apura um suposto esquema de propina para venda de registros.

Cristiane Brasil foi alvo de três mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (12). Os mandados foram cumpridos no gabinete dela na Câmara, no imóvel funcional em Brasília e na residência no Rio de Janeiro.

A deputada também está proibida de frequentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com servidores, a não ser para tratar de assuntos relacionados o exercício do mandato. Mesmo assim, deve informar sobre isso com antecedência ao STF.

O ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, durante entrevista (Foto: Guilherme Mazui / G1)

Na decisão, o ministro Edson Fachin não previu exceção para que ela se comunique com o pai. A determinação de Fachin estabelece “proibição de manter contato com os demais investigados ou servidores do Ministério do Trabalho, salvo, nesta última hipótese, quando imprescindível ao exercício do mandato parlamentar, mediante prévia justificativa nestes autos”.

Roberto Jeferson foi alvo da primeira fase da operação, no dia 30 de maio. Ele é suspeito de integrar a quadrilha que vende registros sindicais no Ministério do Trabalho.

Segundo as investigações, o grupo não respeita a fila dos pedidos de registro, e aprova os de sindicatos que pagam propina a parlamentares.

Fonte: g1

TRF-2 nega novo recurso, e posse de Cristiane Brasil segue suspensa

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES) negou novo recurso da defesa da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), que foi indicada para o Ministério do Trabalho, mas teve a nomeação e a posse suspensas por liminar concedida por um juiz federal do Rio de Janeiro. Com isso, a posse dela na pasta continua suspensa.

Os defensores da parlamentar tinham oposto embargos de declaração com dois argumentos. O primeiro é idêntico ao da Advocacia-Geral União: não teria sido respeitado o princípio do juiz natural, pois a 1ª Vara Federal de Teresópolis deveria julgar o caso.

Porém, o juiz federal Vladimir Vitovsky afirmou, na decisão de terça-feira (16/1), que a questão já foi resolvida nos embargos de declaração da AGU e que está mantida a competência da 4ª Vara Federal de Niterói para julgar a ação popular.

O segundo argumento da defesa foi que Cristiane Brasil preenche os requisitos legais para nomeação e posse no cargo de ministra do Trabalho. A essa alegação, Vitovsky respondeu que se trata de questão de mérito, que deverá ser resolvida futuramente, no julgamento dos agravos de instrumento analisados pela 7ª Turma Especializada do TRF-2.

Posse suspensa

Em ação popular, a 4ª Vara Federal de Niterói concedeu liminar suspendendo a eficácia do decreto presidencial que nomeou a deputada Cristiane Brasil como ministra do Trabalho. Contra a liminar, a AGU e a defesa da parlamentar apresentaram agravos de instrumento. O TRF-2 negou, liminarmente, os pedidos da União e de Cristiane Brasil.

O mérito dos agravos ainda será julgado pela 7ª Turma Especializada do TRF-2. O relator é o desembargador federal Sergio Schwaitzer, que está de férias.

Nos embargos de declaração apresentados contra a liminar do TRF-2, a AGU alegou que a ação popular de Niterói foi protocolada horas após a de Teresópolis, que, por isso, teria a competência para julgar a demanda. Nos termos da lei processual, por um instrumento conhecido como prevenção, o juízo que recebe a primeira ação envolvendo pedidos idênticos torna-se competente para resolver todas as demais.

No entanto, na apreciação dos embargos, o TRF-2 entendeu como improcedente o argumento da União, que considerou como marco inicial o horário do protocolo. Para o juiz que apreciou o recurso, o que deve ser considerado é o horário da distribuição dos autos, que ocorreu primeiro em Niterói.

O juiz Vladimir Vitovsky avaliou ainda que, ficando a prevenção com a 4ª Vara Federal de Niterói, os outros processos ajuizados para suspender a nomeação e posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho devem ser deslocados para lá.

Com isso, a 4ª Vara Federal de Niterói deverá receber também, por redistribuição, as ações em tramitação na 1ª Vara Federal de Magé, na 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro, na 1ª Vara Federal de Nova Friburgo, na 1ª Vara Federal de Campos dos Goytacazes e na 1ª Vara Federal de Macaé.

 

Com informações da Agência Brasil.

‘Não vamos nos dobrar à Justiça do Trabalho’, diz Jefferson sobre filha

Justiça Federal negou recurso da AGU e manteve, nessa segunda-feira (15), suspensão da posse de Cristiane Brasil

O presidente do PTB e pai da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), Roberto Jefferson, afirmou que o nome dela será mantido para o cargo, pelo menos até que o caso tenha um desfecho no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ou mesmo no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não vamos nos dobrar nem flexionar sequer o joelho diante desta Justiça do Trabalho, extremamente ideológica”, disse.

Ele também afirmou que a decisão tem o aval do presidente Michel Temer, conforme informações da coluna Expresso, de Época. “O presidente Michel Temer deu sua palavra sobre a permanência dela. Minha filha já está exposta. Eu tenho dito que está em jogo não apenas o direito privativo do presidente da República de nomear quem quiser para o seu ministério. Está em jogo a cidadania da minha filha”, afirmou.

Nesse segunda-feira (15), o juiz do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) Vladimir Vitovsky decidiu que a 4ª Vara Federal de Niterói, na região metropolitana do Rio, tem competência para avaliar a ação popular que pede a suspensão da posse da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) no cargo de ministra do Trabalho. Com isso, o magistrado negou um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU), sustentando que a questão caberia à 1ª Vara Federal de Teresópolis, na região serrana fluminense. As informações são da Agência Brasil.

O juiz ainda resolveu juntar na 4ª Vara todas as outras ações, com o mesmo tema. Com isso, as ações ajuizadas na 1ª Vara Federal de Magé, na 1ª Vara Federal de Teresópolis, na 14ª Vara Federal do Rio de Janeiro, na 1ª Vara Federal de Nova Friburgo, na 1ª Vara Federal de Campos dos Goytacazes e na 1ª Vara Federal de Macaé ficarão com na 4ª Vara, com o juiz Leonardo da Costa Couceiro.

A decisão do magistrado é em segunda instância. As ações populares que tramitam na primeira instância ainda terão o julgamento do mérito marcado.

4ª Vara Federal

Mais cedo, o juiz Leonardo da Costa Couceiro negou um pedido de reconsideração da Advocacia-Geral da União (AGU) para que ele revisse a decisão em que suspendeu a posse de Cristiane Brasil.

Ao manter sua decisão, Couceiro rebateu o argumento da AGU de que ele não seria o juiz competente para atuar no caso, uma vez que uma outra ação, com o mesmo tema, havia sido protocolada um dia antes, na Vara Federal de Magé. O magistrado afirmou que a ação de Magé não atrairia a competência para julgar o caso, pois foi feita no dia 7 de janeiro, ainda sob o regime de plantão judicial.

“Assim, não obstante o referido processo de Magé tenha sido registrado no plantão do dia 07/01/2018, com decisão pelo não conhecimento do requerimento de medida de urgência, o mesmo foi distribuído (Distribuição por Dependência), no dia 08/01/2018, às 12h58, conforme Termo de Autuação, ora anexado, logo após autuação do presente processo (Niterói), que foi distribuído às 12h07”, escreveu Couceiro na decisão desta segunda-feira (15).

A AGU informou que irá analisar as decisões e estuda quais medidas poderão ser adotadas.

Recursos anteriores

Trata-se do terceiro recurso da AGU negado pela Justiça Federal. Outros dois recursos, protocolados no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), foram negados pela segunda instância.

No primeiro, o vice-presidente do TRF2, desembargador Guilherme Couto de Castro, disse que não poderia revogar a liminar, pois a decisão da primeira instância não representava “grave lesão à ordem econômica, à saúde, à segurança e à economia pública”.

Em seguida, novo recurso encaminhado ao juiz substituto Vladimir Vitovsky foi negado. O magistrado alegou que o atraso na posse não tinha o potencial de “acarretar risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação”.

Liminar

Ao suspender a posse, o juiz federal Leonardo da Costa Couceiro atendeu a pedido feito em ação popular pelo Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes. A entidade alegou que a nomeação de Cristiane Brasil “ofende a moralidade administrativa”.

Segundo o movimento dos advogados, a deputada “praticou pessoalmente graves violações das leis trabalhistas, flagradas e comprovadas em, pelo menos, duas demandas judiciais”.

Depois que seu nome foi anunciado como ministra do Trabalho, surgiram informações de que Cristiane tem dívidas trabalhistas com ex-funcionários. Ela foi condenada na Justiça Trabalhista a pagar mais de R$ 60 mil em indenização a um ex-motorista que alegou trabalhar sem carteira assinada.

Temer é aconselhado a não contrariar Roberto Jefferson

Pai da ministra nomeada Cristiane Brasil, presidente do PTB é visto como alguém que pode causar “estrago” se passar à posição de adversário do governo

Integrantes do Palácio do Planalto vêm tentando evitar conflitos com o presidente do PTB, Roberto Jefferson, diante das polêmicas envolvendo a nomeação da filha dele, Cristiane Brasil, ao ministério do Trabalho.

De acordo com o Blog do Camarotti, do G1, o governo esperava que a própria deputada desistisse da nomeação para evitar desgaste do próprio nome. Como isso não aconteceu, o Planalto decidiu transferir para o Supremo Tribunal Federal a definição sobre o caso.

Roberto Jefferson é a última pessoa com quem Temer deve brigar”, explicou um interlocutor do presidente à publicação. “Jefferson é um aliado importante, mas como adversário pode causar um estrago bem maior”, afirmou. O petebista foi delator do caso do mensalão, em 2005.

PTB reafirma indicação de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho

A reunião do presidente Michel Temer, o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, o líder do partido na Câmara, Jovair Arantes (PTB-GO), e a deputada Federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) serviu para ratificar que ela é a indicação do partido para ocupar o cargo de ministra do Trabalho. Mesmo com uma liminar suspendendo a posse dela, o partido mantém a indicação.

O presidente da República vai respeitar a decisão do partido. E o governo já informou que recorrerá da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF), como resposta à rejeição do primeiro recurso feito pela Advocacia-Geral da União (AGU) junto ao Tribunal Regional da 2ª Região (TRF-2).

De acordo com um assessor próximo a Temer, o presidente mantém o compromisso de nomear quem for indicado pelo PTB. Segundo ele, durante o encontro, de iniciativa dos próprios petebistas, o presidente mais ouviu do que falou. O partido foi um dos que fecharam questão a favor da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. O governo precisa de 308 votos para aprovação da proposta e o apoio do partido é considerado fundamental.

Ação popular

A liminar suspendendo a posse de Cristiane Brasil, inicialmente marcada para a tarde de hoje (9), foi concedida ao acatar uma ação popular do Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes. A entidade diz que a nomeação de Cristiane Brasil “ofende a moralidade administrativa”. Segundo o movimento dos advogados, a deputada “praticou pessoalmente graves violações das leis trabalhistas, flagradas e comprovadas em, pelo menos, duas demandas judiciais”.

Depois que seu nome foi anunciado como ministra do Trabalho, surgiram informações de que Cristiane tem dívidas trabalhistas com ex-funcionários. Com base nos argumentos, o juiz decidiu, preliminarmente, que conceder a liminar sem ouvir os réus se justificaria “diante da gravidade dos fatos sob análise”.

Ele destacou ter verificado “flagrante desrespeito à Constituição Federal no que se refere à moralidade administrativa”, quando se pretende nomear para o cargo de ministro do Trabalho “pessoa que já teria sido condenada em reclamações trabalhistas”.

E hoje o vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) rejeitou recurso apresentado pela AGU e manteve a suspensão da posse.

 

 

Fonte: Agência Brasil

‘Ela está pagando o preço por ser minha filha’, diz Roberto Jefferson sobre Cristiane Brasil

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, alegou nesta manhã de terça-feira, 9, que sua filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), está sofrendo reprimendas por seus laços familiares. “Ela está pagando o preço por ser minha filha”, disse em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta terça-feira, 9.

Cristiane foi impedida nesta terça de tomar posse como ministra do Trabalho pelo Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2). O vice-presidente da corte, desembargador federal Guilherme Couto de Castro, negou recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) e manteve a decisão do juiz federal Leonardo da Costa Couceiro, da 4.ª Vara Federal de Niterói (RJ), que havia suspendido a nomeação e a cerimônia de posse da deputada.

Durante a entrevista, Jefferson lamentou a suspensão da nomeação pela Justiça em Niterói e alegou perseguição política. “Este movimento é ligado ao PT”, disse.

A deputada já respondeu a duas ações trabalhistas por não assinar a carteira de dois motoristas particulares. Questionado se essas ações não causam um certo constrangimento, o petebista foi direto. “Na época ela era deputada, cidadã e não ministra. A Justiça do Trabalho trata o empregador como um criminoso”, criticou. Na semana passada, o Sindicato dos Advogados do Rio manifestou “indignação e repúdio” à nomeação de Cristiane para o Ministério do Trabalho do governo.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Advogados tentam barrar posse de Cristiane Brasil como ministra do Trabalho

Advogados do Rio de Janeiro entraram com ação popular na Justiça Federal para tentar barrar a posse da nova ministra do Trabalho, Cristiane Brasil (PTB-RJ), marcada para esta terça-feira (9), no Palácio do Planalto, em Brasília. Pelo menos duas ações já foram protocoladas.

A ação popular tem como motivação o fato de a ministra ter sido processada e condenada, na Justiça do Trabalho, a pagar indenização a ex-funcionários que trabalharam como motoristas. Eles não tiveram direitos trabalhistas respeitados, como carteira assinada e controle de jornada. Em um dos casos a ministra fechou um acordo para reconhecer o vínculo e pagar  14.000 reais ao chofer. Em outro, foi obrigada a pagar 60.000 reais ao motorista.

Uma das ações, assinada pelo advogado Thiago da Silva Ullmann, teve pedido de liminar rejeitado neste domingo (7) pela juíza Ana Carolina Vieira de Carvalho, da 1ª Vara Federal de Magé. Ela argumentou que, como a posse deve ocorrer apenas nesta terça, não havia urgência para análise do caso durante o plantão judiciário. A ação deve ser decidida após meio-dia desta segunda-feira (8), com o fim do recesso forense e o retorno dos trabalhos regulares da Justiça.

Cristiane Brasil é deputada federal pelo PTB do Rio de Janeiro e filha do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no mensalão. Presidente nacional do partido, foi ele quem articulou pessoalmente a nomeação de Cristiane pelo presidente da República, Michel Temer. A reportagem não conseguiu contato com a parlamentar, cuja nomeação já foi publicada.

Fonte: veja

Nova ministra do Trabalho foi condenada a pagar R$ 60 mil por dívida trabalhista

A nova ministra do Trabalho, Cristiane Brasil (PTB), foi condenada em 2016 a pagar uma dívida trabalhista de R$ 60,4 mil a um motorista que prestava serviços para ela e para sua família, conforme decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1), confirmada em segunda instância.

De acordo com o juízo, o funcionário não teve a carteira de trabalho assinada e, por isso, deveria ter ganho de causa para receber gratificações como férias, aviso prévio e gratificações natalinas. A carga horária do funcionário chegava a quase 15h por dia, de acordo com o juiz Pedro Figueiredo Waib, que condenou em primeira instância.

“Acolho que o autor trabalhava de segunda a sexta, das 6h30 às 22h, com uma hora de intervalo intrajornada”, escreve o magistrado.

A TV Globo pediu um posicionamento à deputada por volta das 16h, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

No processo, a parlamentar afirma que o motorista “exercia tão somente trabalho eventual” e que “não era e nem nunca foi seu empregado”. Segundo Cristiane Brasil, ela o conheceu quando trabalhava na Câmara dos Vereadores e tinha relação meramente comercial, “sem exclusividade e subordinação”.

De acordo com decisão de julho de 2017, a dívida de R$ 60 mil foi abatida com penhoras e era, àquela época, de R$ 52 mil. Até outubro do ano passado, Cristiane não havia comprovado o pagamento integral.

Na versão do motorista Fernando Fernandes, ele trabalhou para a parlamentar e seus filhos entre 2012 e 2014. Das 6h30 às 22h, levava as crianças ao médico, escola, psicólogos ou até mesmo “baladas”.

Em seu depoimento, o funcionário afirma que recebia R$ 1 mil em espécie e outros R$ 3 mil na conta também para levar as empregadas da deputada às compras e ficar à disposição da patroa. Em 2011, narra, teria folgado somente aos domingos.

O nome de Cristiane Brasil não consta no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas do Tribunal Superior do Trabalho. A reportagem do portal G1 entrou em contato com o TRT1 para saber o porquê, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.

A defesa de Fernando afirma que não houve a inclusão porque bens da ministra foram penhorados e o processo, já transitado em julgado, aguarda a execução de novos bens.

Um processo mais recente foi registrado em 2017 por outro motorista: Leonardo Eugêncio de Almeida Moreira. Neste caso, o desfecho foi diferente. A então deputada se comprometeu a pagar R$ 14 mil, em parcelas de R$ 1 mil, além de assinar a carteira de trabalho.

Motorista afirma que trabalhou para Cristiane Brasil de 2012 a 2014, entre 6h30 e 22h; em um dos anos, diz ele, só folgava aos domingos (Foto: Reprodução)Motorista afirma que trabalhou para Cristiane Brasil de 2012 a 2014, entre 6h30 e 22h; em um dos anos, diz ele, só folgava aos domingos (Foto: Reprodução)

Motorista afirma que trabalhou para Cristiane Brasil de 2012 a 2014, entre 6h30 e 22h; em um dos anos, diz ele, só folgava aos domingos (Foto: Reprodução)

Processo mostra quantia devida pela ministra Cristiane Brasil em julho do ano passado (Foto: Reprodução)

Processo mostra quantia devida pela ministra Cristiane Brasil em julho do ano passado (Foto: Reprodução)

Fernando processou Cristiane Brasil e teve ganho de causa de mais de R$ 60 mil por não ter a carteira de trabalho assinada; ele trabalhou com Cristiane Brasil na Câmara dos Vereadores (Foto: Reprodução)

Fernando processou Cristiane Brasil e teve ganho de causa de mais de R$ 60 mil por não ter a carteira de trabalho assinada; ele trabalhou com Cristiane Brasil na Câmara dos Vereadores (Foto: Reprodução)

G1

Nova ministra do trabalho já foi detida e é citada por Odebrecht e JBS

Escolhida pelo presidente Michel Temer (PMDB) para o Ministério do Trabalho, a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) foi citada nas duas delações premiadas que sacudiram a política brasileira em 2017: a da Odebrecht e a da JBS. Executivos das empresas atribuíram a Cristiane, filha do ex-deputado federal Roberto Jefferson, cacique-mor do PTB e delator do mensalão, participação na negociação da suposta venda do apoio político do partido e o recebimento de dinheiro via caixa-dois nas eleições de 2014.

O ex-diretor de Relações Institucionais da JBS Ricardo Saud disse aos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que a empresa comprou o apoio petebista à campanha presidencial do senador Aécio Neves (PSDB-MG). A nova ministra foi uma das principais articuladoras da adesão do partido, então na base aliada da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), às fileiras aecistas naquele ano.

Conforme o delator, Cristiane e o deputado federal Benito Gama (PTB-BA) indicaram o tesoureiro do PTB Luiz Rondon para receber 20 milhões de reais, suposto “preço” do apoio do partido ao tucano. Saud afirma que 17 milhões de reais foram doados oficialmente a diretórios estaduais do PTB, 2 milhões entregues a Rondon em dinheiro vivo e um milhão de reais, depositado em contas indicadas pelo tesoureiro.

“Quatro milhões [foram] para o Rio de Janeiro, que é a origem da Cristiane Brasil e do Roberto Jefferson”, afirmou Ricardo Saud. Cristiane declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) doações de 5,3 milhões de reais em 2014, dos quais 2 milhões de reais vieram da Flora Produtos de Higiene e Limpeza e 1,9 milhão de reais, da JBS. Os valores, correspondentes a 73,5% do total injetado na campanha dela, foram doados ao diretório fluminense do PTB, que repassou o dinheiro à candidata.

Outro delator a citar a nova ministra do Trabalho foi Leandro Andrade, executivo da Odebrecht. Ele afirmou ao MPF que Cristiane Brasil foi pessoalmente a um escritório no Rio de Janeiro para retirar 200.000 reais em espécie. Andrade narrou que, durante a suposta entrega do montante, levado ao local por um operador, um “fato pitoresco” aconteceu. Cristiane teria ficado incomodada com uma câmera na sala. “Existia uma câmera para fazer conference call e Skype com minhas obras no interior. Ela ficou super incomodada com aquilo, achando que eu estava gravando aquele momento. Ela perguntou: ‘mas aquilo ali funciona?’. Eu percebi o constrangimento e falei: ‘não se preocupe que aquilo não é…’. Eu mesmo fui lá, tirei a câmera e botei no chão”, relatou.

O Supremo Tribunal Federal (STF) não determinou abertura de inquérito para investigar o suposto recebimento de dinheiro por Cristiane Brasil.

A nova ministra não recebeu doações da Odebrecht em sua campanha a deputada em 2014. Sua prestação de contas eleitorais, contudo, mostra um aporte de 166.000 reais da Cervejaria Petrópolis, apontada por delatores da Odebrecht como “laranja” de doações da empreiteira. Conforme os relatos, a Petrópolis fazia doações a políticos indicados pela Odebrecht e os valores eram abatidos da construção de fábricas da cervejeira.

Apesar das citações em delações por irregularidades no financiamento de campanhas – acusações que precisam de provas para seguir à frente na Justiça – o mais notório enrosco da nova ministra com a lei se deu no dia do primeiro turno das eleições de 2014. Cristiane Brasil foi detida na Zona Sul do Rio de Janeiro pela prática de boca de urna. Ela teria pedido votos em Aécio Neves perto de seções eleitorais. “Passei pelo constrangimento de ter meu direito ao voto confundido com a prática ilegal da boca de urna, ato que jamais pratiquei, nem em minha própria campanha”, afirmou na ocasião. Ela foi liberada depois de prestar esclarecimentos em uma delegacia.

Fonte: veja