Cúpula do PMDB acertava versões contra a Lava Jato, diz Janot

De acordo com o pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República, através de Rodrigo Janot, a cúpula do PMDB, o motivo é a tentativa de combinar versões e alinhar estratégia para evitar o avanço das investigações da Operação Lava Jato.

Segundo a Folha de S. Paulo apurou, a ideia seria costurar as defesas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), alvos dos pedidos de prisão, e impedir que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado colaborasse com as apurações.

Há também indícios de que seriam produzidos documentos para tentar maquiar os desvios na gestão de Machado na Transpetro. De acordo com a delação de Machado, Renan, Sarney e Jucá teriam recebido R$ 70 milhões da subsidiária da Petrobras.

A base dos pedidos de prisão são as gravações dos peemedebistas feitas por Machado, repassadas à Procuradoria. Também foram entregues documentos que comprovariam movimentações financeiras. Nem todos os áudios em poder da PGR foram divulgados.

Sérgio Moro tem 18% das intenções de voto para presidência da República, diz Machado em gravação

O juiz federal Sérgio Moro aparece com 18% das intenções de voto para a presidência da República. A informação é do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, enquanto conversava com o ex-ministro de Michel Temer, Romero Jucá. A conversa foi gravada pelo próprio Machado e entregue às autoridades como parte de seu acordo de delação premiada.

O teor das conversas derrubou Romero Jucá na semana passada, mas chama a atenção o trecho em que Machado cita uma pesquisa, sem dar maiores detalhes, em que o juiz federal, responsável pela condução dos inquéritos da Operação Lava Jato, que já está em sua 30ª fase, teria 18% das intenções de voto para a presidência da República. Veja a transcrição:

Machado – Eu estou preocupado porque estou vendo que esse negócio da filha do Eduardo, da mulher, foi uma advertência para mim. E das histórias que estou sabendo, o interesse é pegar vocês. Nós. E o Renan, sobretudo.

Jucá – Não, o alvo na fila é o Renan. Depois do Eduardo Cunha… É o Eduardo Cunha, a Dilma, e depois é o Renan.

Machado – E ele [Janot] não tem nada. Se ele tivesse alguma coisa, ele ia me manter aqui em cima, para poder me forçar aqui em cima, porque ele não vai dar esse troféu pro Moro. Como ele não tem nada, ele quer ver se o Moro arranca…

Jucá -…para subir de novo.

Machado -…para poder subir de novo. É esse o esquema. Agora, como fazer? Porque arranjar uma imunidade não tem como, não tem como. A gente tem que ter a saída porque é um perigo. E essa porra… A solução institucional demora ainda algum tempo, não acha?

Jucá – Tem que demorar três ou quatro meses no máximo. O país não aguenta mais do que isso, não.

Machado – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.

Jucá – [concordando] Só o Renan que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

Machado – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

Jucá – Com o Supremo, com tudo.

Machado – Com tudo, aí parava tudo.

Jucá – É. Delimitava onde está, pronto.

Machado – Parava tudo. Ou faz isso… Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República?

Jucá – Não vi, não. O Moro?

Machado – É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma…

Jucá – Não, esquece. Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não.

Machado – O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…

Jucá – É, a gente viveu tudo.

Desde o início da Operação Lava Jato que o juiz Sérgio Moro não concede entrevistas para a imprensa, se limitando a aparecer em eventos públicos de debates sobre o processo judicial no país. Como a situação política anda complicada, a eleição do magistrado não seria surpresa alguma. Ele não é filiado a nenhuma agremiação partidária.

GloboNews informa que Jucá deixou o governo

Lula dispensa Jucá e militares de testemunhar em processo da Lava-Jato

Andréia Sadi, da GloboNews informa que o senador licenciado Romero Jucá não faz mais parte do governo de Michel Temer. Jucá foi alvo de um grampo feito pelo ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado, que grampeou também o ex-presidente José Sarney e o presidente do senado Renan Calheiros.

Romero Jucá ficou 10 dias no cargo. Ele também é investigado na Operação Lava Jato.

Suposto pacto com STF para barrar Lava Jato é ‘delírio de imaginação’ de Jucá, diz Ayres Britto

“Esse suposto pacto é absolutamente inverossímil. Não há o que temer.” Para o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto, as insinuações do ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR) de que poderia incluir o STF em um esforço para barrar a operação Lava Jato “não comprotem em nada” a independência da mais alta corte do país e suas falas são “bravatas” ou “delírios de imaginação”.

No diálogo ocorrido em março com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e gravado de forma oculta, Jucá sugere que uma “mudança” no governo resultaria em um pacto, que incluiria o STF, para interromper o avanço da Lava Jato. No Supremo tramitam as apurações contra Machado e Jucá, ambos investigados pela operação. As conversas foram divulgadas nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, Jucá negou que falasse de uma interferência na Lava Jato, mas sim em estancar “a paralisia do Brasil, estancar a sangria do desemprego, separar (os políticos) que têm culpa dos que não têm culpa”.

Em entrevista à BBC Brasil, Ayres Britto minimizou o impacto e a veracidade do que foi dito pelo então senador. Segundo a Folha, ao citar a Corte, Jucá afirmou que havia “poucos caras ali (no STF)” aos quais ele não tinha acesso. Um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da operação no tribunal.

Para o ex-ministro, as insinuações de Jucá foram feitas “por conta própria, num diálogo com um amigo, companheiro de partido”, mas não têm impacto na Lava Jato, “que já se tornou, pela sua relevância, uma questão de honra nacional”.

“Não há por que a sociedade brasileira recear, não há o que temer quanto ao amadurecimento das instituições brasileiras que não governam, mas impedem o desgoverno, que é o caso desse trio institucional composto pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Judiciário”, afirma Ayres Britto. Questionado pela reportagem se seria ingenuidade de Jucá sugerir isso, o ex-ministro respondeu: “Não diria ingenuidade. Está mais para bravata ou delírio de imaginação”.

‘Ninguém é dono’

Ele diz que as investigações ganharam autonomia e não seria possível interferir no seu andamento. A isso se somaria o amadurecimento do sistema de justiça brasileiro, que estaria comprovando sua independência ao prosseguir com as apurações.

“Ninguém é dono da Lava Jato. Ela ganhou estatura, dimensão própria. E as instâncias que compõem o sistema de justiça, inclusive o Supremo, estão dando sobejas demonstrações do mais absoluto prestígio ao desenvolver a operação.”

Questionado sobre as supostas relações próximas entre ministros e parlamentares, Ayres Britto disse que as instituições são independentes técnica e politicamente. E elogiou Teori Zavacski, descrito como “fechado” por Jucá.

“O STF é um primor de competência técnica e independência política. Basta lembrar a figura de Teori Zavascki, que é um paradigma de magistrado competente, independente e ético. (…) Esses méritos são do colegiado em sua integridade, em sua inteireza. O país tem motivos para se orgulhar do seu Supremo Tribunal.”

A reportagem é da BBC e você confere à íntegra AQUI

Leia a transcrição na íntegra da conversa entre Jucá e Sérgio Machado

Lula dispensa Jucá e militares de testemunhar em processo da Lava-Jato

Áudios foram divulgados nesta segunda-feira, 23, pelo repórter Rubens Valente, da Folha de S. Paulo; confira as transcrições de dois trechos

O PRIMEIRO TRECHO:

Sérgio Machado – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisão de segunda instância], vai todo mundo delatar.

Romero Jucá – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo, e a Odebrecht, vão fazer.

Machado – Odebrecht vai fazer.

Jucá – Seletiva, mas vai fazer.

Machado – A Camargo vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.

Jucá – [inaudível]

Machado – Hum?

Jucá – Mas como é que está sua situação?

Machado – Minha situação não tem nada, não pegou nada, mas ele quer jogar tudo pro Moro. Como não tem nada e como eu estou desligado…

Jucá – É, não tem conexão né…

Machado – Não tem conexão, aí joga pro Moro. Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu “desça”? Se eu descer…

Jucá – O que que você acha? Como é que voc…

Machado – Eu queria discutir com vocês. Eu cheguei a essa conclusão essa semana. Ele acha que eu sou o caixa de vocês, o Janot. Janot não vale “cibazol” [algo sem valor]. Quem esperar que ele vai ser amigo, não vai… […] E ele está visando o Renan e vocês. E acha que eu sou o canal. Não encontrou nada, não tem nada.

Jucá – Nem vai encontrar, né, Sérgio.

Machado – Não encontrou nada, não tem nada, mas acha… O que é que faz? Como tem aquela delação do Paulo Roberto dos 500 mil e tem a delação do Ricardo, que é uma coisa solta, ele quer pegar essas duas coisas. ‘Não tem nada contra os senadores, joga ele para baixo’ [Curitiba]. Tem que encontrar uma maneira…

Jucá – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

Machado – Tem que ser uma coisa política e rápida. Eu acho que ele está querendo… o PMDB. Prende, e bota lá embaixo. Imaginou?

Jucá – Você conversou com o Renan?

Machado – Não, quis primeiro conversar contigo porque tu é o mais sensato de todos.

Jucá – Eu acho que a gente precisa articular uma ação política.

Machado -…quis conversar primeiro contigo, que tenho maior intimidade. Depois eu quero conversar com Sarney e o Renan, com vocês três. […] Eu estou convencido, com essa sinalização que conseguiu do Eduardo [incompreensível]. Desvincula do Renan.

Jucá – Mas esse negócio do Eduardo está atacando [incompreensível].

Machado – Mas ele [Janot] está querendo pegar vocês, tenho certeza absoluta.

Jucá – Não tem duas dúvidas.

Machado – Não, tenho certeza absoluta. E ele não vale um ‘cibazol’. É um cara raivoso, rancoroso e etc. Então como é que ele age? Como não encontrou nada nem vai encontrar. [inaudível]

Jucá – O Moro virou uma ‘Torre de Londres’.

Machado – Torre de Londres.

Jucá – Mandava o coitado pra lá para o cara confessar.

Machado – Pro cara confessar. Então a gente tem que agir como [incompreensível] e pensar numa fórmula para encontrar uma solução para isso.

Jucá – Converse com ele [Renan], converse com o Sarney, ouça eles, e vamos sentar pra gente…

Machado – Isso, Romero, o que eu acho primeiro: que é bom pra gente.

O SEGUNDO TRECHO DA CONVERSA:

[…]Jucá – Eu acho que você deveria procurar o Sarney, devia procurar o Renan,e a gente voltar a conversar depois. [incompreensível] ‘como é que é’.

Machado – É porque… Se descer, Romero, não dá.

Jucá – Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade. […]

Machado – O Marcelo, o dono do Brasil, está preso há um ano. Sacanagem com Marcelo, rapaz, nunca vi coisa igual. Sacanagem com aquele André Esteves, nunca vi coisa igual.

Jucá – Rapaz… [concordando]

Machado – Outra coisa. A frouxidão de vocês em prender o Delcídio foi um negócio inacreditável. [O Senado concordou com prisão decretada pelo STF]

Jucá – Sim, pô, não adianta soltar o Delcidio, aí o PT dá uma manobra, tira o cara, diz que o cara é culpado, como é que você segura uma porra dentro do plenário?

Machado – Mas o cara não foi preso em flagrante, tem que respeitar a lei. Respeito à lei, a lei diz clara…

Jucá – Pô, pois então. Ali não teve jeito não. A hora que o PT veio, entendeu, puxou o tapete dele, o Rui, a imprensa toda, os caras não seguraram, não.

Machado – Eu sei disso, foi uma cagada.

Jucá – Foi uma cagada geral.

Machado – Foi uma cagada geral. Foi uma cagada o Supremo fazer o que fez com o negócio de prender em segunda instância, isso é absurdo total que não que não dá interpretar, e ninguém fez nada. Ninguém fez ADIN, ninguém se questionou. Isso aí é para precipitar as delações. Romero, esquentou as delações, não escapa pedra…

Jucá – [incompreensível] no Brasil.

Machado – Não escapa pedra sobre pedra.
[incompreensível]

Machado – Eu estou com todos os certificados do TCU, agora me deram, não devo nada, zero. E isso adianta alguma coisa? Então estou preocupado.

Jucá – Não, tem que cuidar mesmo.

Machado – Eu estou preocupado porque estou vendo que esse negócio da filha do Eduardo, da mulher, foi uma advertência para mim. E das histórias que estou sabendo, o interesse é pegar vocês. Nós. E o Renan, sobretudo.

Jucá – Não, o alvo na fila é o Renan. Depois do Eduardo Cunha… É o Eduardo Cunha, a Dilma, e depois é o Renan.

Machado – E ele [Janot] não tem nada. Se ele tivesse alguma coisa, ele ia me manter aqui em cima, para poder me forçar aqui em cima, porque ele não vai dar esse troféu pro Moro. Como ele não tem nada, ele quer ver se o Moro arranca…

Jucá -…para subir de novo.

Machado -…para poder subir de novo. É esse o esquema. Agora, como fazer? Porque arranjar uma imunidade não tem como, não tem como. A gente tem que ter a saída porque é um perigo. E essa porra… A solução institucional demora ainda algum tempo, não acha?

Jucá – Tem que demorar três ou quatro meses no máximo. O país não aguenta mais do que isso, não.

Machado – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.

Jucá – [concordando] Só o Renan que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

Machado – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

Jucá – Com o Supremo, com tudo.

Machado – Com tudo, aí parava tudo.

Jucá – É. Delimitava onde está, pronto.

Machado – Parava tudo. Ou faz isso… Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República?

Jucá – Não vi, não. O Moro?

Machado – É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma…

Jucá – Não, esquece. Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não.

Machado – O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…

Jucá – É, a gente viveu tudo.

As informações são do repórter Fausto Macedo/Estadão de São Paulo

PMDB e PSDB temem que seus caciques tenham sido gravados por Sérgio Machado

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado conseguiu abalar Brasília. Após a divulgação de suas conversas com o ministro Romero Jucá, pelo jornal Folha de São Paulo, os caciques do PMDB e PSDB temem ter sido gravados por ele, como parte de um acordo de delação premiada. A casa de Sérgio Machado foi alvo de buscas em dezembro do ano passado, e ele é investigado por corrupção na Transpetro, braço da Petrobrás.

Sérgio Machado é “afilhado” político do senador Renan Calheiros. Machado chegou a agendar  uma reunião com Jucá, Renan e o ex-presidente José Sarney, que também poderia ter sido gravada caso tivesse sido aceita pelos participantes.

Alguns senadores do PMDB agora temem que o teor das conversas com Sérgio Machado sejam divulgados.

A Folha de S.Paulo mostrou em novembro, que em depoimento à Polícia Federal, Machado já admitiu que teve encontros com Fernando Soares, o Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras.

Fernando Baiano e Paulo Roberto Costa, dois delatores, afirmaram em seus acordos de colaboração premiada que o senador era beneficiário dos desvios da subsidiária. Costa, ex-diretor de Abastecimento, disse ainda que Machado lhe entregou ainda R$ 500 mil em espécie. Investigadores encontraram anotações de Costa com FB e Navios, que segundo a PF são referências a Fernando Baiano e Transpetro.

Questionado pela PF sobre reuniões com Fernando Baiano, Sérgio Machado reconheceu que conhece o lobista e que estiveram juntos na Transpetro “em algumas oportunidades, com o propósito de tratar de empresas que ele [Baiano] representava.”

O presidente do Senado tem negado que tenha relação com o esquema de corrupção na estatal e sempre disse que suas relações com dirigentes de empresas públicas “nunca ultrapassaram os limites institucionais”.

MUDANÇA

No áudio revelado pela Folha de S.Paulo, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.

Machado passou a procurar líderes do PMDB porque temia que as apurações contra ele fossem enviadas de Brasília, onde tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), para a vara do juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR). Em um dos trechos, Machado disse a Jucá: “O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês”.

O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato.

PDT quer a cassação de Jucá e PSOL pede a prisão do ministro

O PDT vai ingressar amanhã, terça-feira com uma representação no Conselho de Ética do Senado pedindo a cassação do senador Romero Jucá, atual ministro do Planejamento.

Serão responsáveis pela ação o senador Telmário Mota (PDT/RR), relator da cassação de Delcídio Amaral, o presidente do PDT, Carlos Lupi, e o senador Lasier Martins (PDT/RS). A representação alega quebra de decoro parlamentar com base na gravação divulgada hoje pelo jornal “Folha de S. Paulo”.

Em áudios divulgados hoje pelo jornal, Jucá afirma que, junto ao impeachment, seria construído um pacto para estancar as investigações da operação Lava-Jato. Nos áudios transcritos pelo jornal, Jucá conversa com Sério Machado, ex-presidente da Transpetro, sobre construir um grande “acordo nacional” sob a figura de Michel Temer, “com Supremo, com tudo”, para delimitar a operação onde ela está e, assim, parar as investigações.

PSOL O PSOL informou em nota que entregará à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta segunda-feira um representação, com pedido de prisão por obstrução da justiça, contra Jucá.

Em nota, o presidente nacional do PSOL, Luiz Araújo, afirmou que as gravações “não deixam dúvidas” de que houve uma operação abafa na Operação Lava-Jato em troca da aprovação do impeachment.

“O PSOL não reconhece Temer como presidente e nem os corruptos que o acompanham. O mínimo que a PGR deve fazer é pedir a prisão de Jucá. O mínimo que o STF deve fazer é acatar o pedido”, disse. O partido votou contra o impeachment da presidente afastada da República, Dilma Rousseff.

As informações são do Valor

Em gravações, Jucá fala em pacto para deter Lava-Jato, diz jornal

Lula dispensa Jucá e militares de testemunhar em processo da Lava-Jato

Semanas antes da votação do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff na Câmara, em março, o atual ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu em conversas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo resultaria em um pacto para “estancar a sangria” atribuída à Operação Lava-Jato. As informações foram divulgadas pelo jornal “Folha de S. Paulo” na edição desta segunda-feira.

As conversas foram gravadas de forma oculta, somam 1h15min e estão sob poder da Procuradoria-Geral da República (PGR), diz o jornal

“O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. Ele acha que eu sou o caixa de vocês”, diz Machado a Jucá. O ex-presidente da Transpetro temia que as apurações contra ele na Lava-Jato fossem enviadas do Supremo Tribunal Federal (STF) ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

Segundo a “Folha de S. Paulo”, Machado passou a procurar líderes do PMB. Os diálogos sugerem que, para ele, o envio de seu caso para Curitiba seria uma forma de pressioná-lo a fazer delação premiada. Machado, então, pediu que fosse montada uma “estrutura” para protegê-lo.

“Aí f… Aí f… todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer’…”, afirmou.

Machado disse ainda que novas delações não “deixariam pedra sobre pedra”. Jucá, então, concordou que o caso não poderia ficar com Moro e disse que seria necessária uma resposta política. “Se é político, como é a política? Tem que resolver essa p… Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, disse Jucá.