Adriana Ancelmo quer apartamento que viveu com Cabral para morar com namorado

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Após a briga do casal em 2011, os dois permaneceram separados

A advogada Adriana Ancelmo, ex-companheira de Sérgio Cabral, pediu o apartamento no Leblon, na capital fluminense, de volta a inquilina. O imóvel no qual ela morou com o ex-governador do Rio de Janeiro estava alugado, segundo coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo.

Atualmente, metade da quantia paga dos aluguéis vai para Adriana, já a outra parte é destinada a 7ª Vara Criminal Federal, por decisão judicial, pois Cabral está preso por corrupção.

Ancelmo pretende retornar ao imóvel para morar com o namorado. Além disso, ela não possui vínculo reconhecido pela Justiça com o ex-governador. Após a briga do casal em 2011, os dois permaneceram separados.

No último dia 10 de fevereiro, Sérgio revelou em deleção premiada que a ex-companheira estava ciente da existência de um caixa paralelo, no qual ela também usufruía do dinheiro ilegal, segundo ele.

“Ela sabia que eu tinha um caixa paralelo, que meus gastos eram incompatíveis com minha receita formal. (…) Liderando esse tipo de conduta recriminada, um companheiro ou companheira de quem esteja nessa situação vai convivendo, mas ela nunca sentou com nenhum fornecedor. Não estou falando para proteger. Estou dizendo porque é a pura verdade. Mas (Adriana Ancelmo) usufruiu largamente (o dinheiro de propina)”, contou Cabral.

Ex-governador Sérgio Cabral pode deixar a cadeia, informa O Globo

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Defesa de Cabral ingressou com pedido no STF

A defesa do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral protocolou na última sexta-feira no Supremo Tribunal Federal uma série de argumentos alegando que Cabral pode ser solto por ter feito uma delação premiada com a Polícia Federal, e que o mesmo cumpre os requisitos de legalidade e esvazia a necessidade de mantê-lo em prisão preventiva, informa o jornal O Globo.

Nos embargos de declaração, a PGR havia solicitado a Fachin que o acordo não afetasse os decretos de prisão preventiva existentes contra Cabral e que ele permanecesse encarcerado, sob o argumento de que segue ocultando recursos desviados.

Caso o entendimento manifestado pela defesa seja confirmado pela Justiça, existe a possibilidade de que Cabral seja autorizado a deixar a prisão – o ex-governador está encarcerado preventivamente desde novembro de 2016. Como não tem nenhuma condenação transitada em julgado, ainda não existe ordem de prisão definitiva contra ele. Na decisão que homologou o acordo, o ministro Fachin frisou que a delação não vai reduzir os 282 anos de prisão aos quais Cabral já foi condenado, mas não escreveu nada sobre os decretos de prisão preventiva contra ele.

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Fachin decide que delação de Sérgio Cabral não reduzirá penas já determinadas pela Justiça

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Informação foi antecipada pelo Jornal O Globo. Colaboração do ex-governador só terá benefícios sobre eventuais novas condenações.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a delação do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral não vai valer para as ações em que ele já foi condenado – as penas somam quase 282 anos de prisão. A informação foi antecipada pelo Jornal O Globo.

De acordo com a decisão, os benefícios vão ser válidos apenas em novas investigações.

O acordo de delação foi firmado com a Polícia Federal em dezembro e homologado pelo ministro Fachin em 5 de fevereiro. O teor da colaboração está sob sigilo.

Menos de uma semana após a homologação, o procurador-geral da República, Augusto Aras, recorreu da decisão do ministro.

Antes mesmo da homologação, Aras foi contra a delação por considerar que os valores que Cabral se comprometeu a devolver já estavam bloqueados pela Justiça e que o ex-governador não apresentou fatos novos nos depoimentos.

O ex-governador está preso desde novembro de 2016, e foi condenado a quase 282 anos de prisão pela Justiça. A maioria desses processos está relacionada à operação Lava Jato.

Cabral vem admitindo, desde o ano passado, que recebeu propina enquanto ocupava cargo público. Ele também apontou outros supostos membros da organização criminosa. Via G1

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Sérgio Cabral envolve Adriana Ancelmo em caixa paralelo, “mas ela só usufruiu”

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Foi a primeira vez em que ele foi ouvido após assinar acordo de delação premiada

Na primeira vez em que foi ouvido como delator, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral disse que a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo sabia da existência de um caixa paralelo que gerava lucros ao esquema de lavagem de dinheiro comandado por ele e que ela usufruía do dinheiro ilegal. No entanto, nega que Adriana soubesse detalhes do esquema criminoso.

“Ela sabia que eu tinha um caixa paralelo, que meus gastos eram incompatíveis com meu gasto [salário] formal. (…) Liderando esse tipo de conduta recriminada, um companheiro ou companheira de quem esteja nessa situação vai convivendo, mas ela nunca sentou com nenhum fornecedor. Não estou falando para proteger. Estou dizendo porque é a pura verdade. Mas (Adriana Ancelmo) usufruiu largamente (o dinheiro de propina)”.

Cabral também disse que outros familiares ficaram de fora dos detalhes.

“Nunca abri pra ela, filho, ex-mulher, ninguém. O cuidado que eu tinha era só o (operador de Cabral no esquema) Carlos Miranda e eu sabíamos o nome das contas (no exterior), os valores das contas”.

Cabral confirma lavagem

A denúncia acusa Cabral, a mulher Adriana Ancelmo e outros dois de lavarem R$ 3,1 milhões (de um total de R$4,2 milhões) por meio da rede de restaurantes japoneses Manekineko. O esquema teria funcionado entre 2014 e 2016. O ex-governador confirmou as denúncias.

Como funcionava o esquema, segundo o MPF

O restaurante japonês Manekineko dividia a folha de pagamento em duas: A e B. A folha A era legal e folha B paga por fora, sem constar na carteira de trabalho.

Ainda de acordo com a denúncia, os pagamentos da folha B eram feitos por meio do escritório de Adriana Ancelmo e verba utilizada vinha do esquema criminoso comandado por Sérgio Cabral.

O escritório de Adriana Ancelmo emitia notas de serviços não prestados. As notas eram pagas e o dinheiro voltava à organização criminosa de Cabral “limpo”.

Cabral já foi condenado 13 vezes na Lava Jato e a pena ultrapassa os 281 anos de prisão. Adriana Ancelmo já foi condenada em primeira instância, mas recorre em liberdade.

Via G1

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Sérgio Cabral envolve Adriana Ancelmo em caixa paralelo, “mas ela só usufruiu”

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Foi a primeira vez em que ele foi ouvido após assinar acordo de delação premiada

Na primeira vez em que foi ouvido como delator, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral disse que a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo sabia da existência de um caixa paralelo que gerava lucros ao esquema de lavagem de dinheiro comandado por ele e que ela usufruía do dinheiro ilegal. No entanto, nega que Adriana soubesse detalhes do esquema criminoso.

“Ela sabia que eu tinha um caixa paralelo, que meus gastos eram incompatíveis com meu gasto [salário] formal. (…) Liderando esse tipo de conduta recriminada, um companheiro ou companheira de quem esteja nessa situação vai convivendo, mas ela nunca sentou com nenhum fornecedor. Não estou falando para proteger. Estou dizendo porque é a pura verdade. Mas (Adriana Ancelmo) usufruiu largamente (o dinheiro de propina)”.

Cabral também disse que outros familiares ficaram de fora dos detalhes.

“Nunca abri pra ela, filho, ex-mulher, ninguém. O cuidado que eu tinha era só o (operador de Cabral no esquema) Carlos Miranda e eu sabíamos o nome das contas (no exterior), os valores das contas”.

Cabral confirma lavagem

A denúncia acusa Cabral, a mulher Adriana Ancelmo e outros dois de lavarem R$ 3,1 milhões (de um total de R$4,2 milhões) por meio da rede de restaurantes japoneses Manekineko. O esquema teria funcionado entre 2014 e 2016. O ex-governador confirmou as denúncias.

Como funcionava o esquema, segundo o MPF

O restaurante japonês Manekineko dividia a folha de pagamento em duas: A e B. A folha A era legal e folha B paga por fora, sem constar na carteira de trabalho.

Ainda de acordo com a denúncia, os pagamentos da folha B eram feitos por meio do escritório de Adriana Ancelmo e verba utilizada vinha do esquema criminoso comandado por Sérgio Cabral.

O escritório de Adriana Ancelmo emitia notas de serviços não prestados. As notas eram pagas e o dinheiro voltava à organização criminosa de Cabral “limpo”.

Cabral já foi condenado 13 vezes na Lava Jato e a pena ultrapassa os 281 anos de prisão. Adriana Ancelmo já foi condenada em primeira instância, mas recorre em liberdade.

Via G1

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Adriana Ancelmo já deu cinco depoimentos à PF

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Ex-mulher de Sérgio Cabral corroborou a delação do ex-governador carioca

Preso desde novembro de 2016, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral fez acordo de delação premiada e sua ex-mulher, a advogada Adriana Ancelmo é quem corrobora as denúncias.

Ela já prestou cinco depoimentos à Polícia Federal, informou o colunista Lauro Jardim (O Globo).

Cabral é réu em 30 ações penais e já foi condenado a 268 anos de prisão. Com a delação, ele espera reduzir suas penas.

Sua defesa prepara para este ano habeas corpus para tentar revogar as três prisões preventivas e uma execução de pena provisória que pesam contra o ex-emedebista. Será a primeira vez, desde novembro de 2016, quando foi detido na Operação Calicute, que ele apresentará tal pedido.

A primeira medida foi tentar revogar neste mês a prisão decorrente da condenação no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), única em segunda instância contra ele. A Justiça ainda decide qual magistrado é competente para analisá-la —se o de Curitiba ou o do Rio de Janeiro.Os futuros pedidos de liberdade, contudo, dependem do pronunciamento do STF sobre temas que afetam a Lava Jato.

A decisão sobre o compartilhamento dos dados da UIF (Unidade de Inteligência
Financeira) —antigo Coaf—, a ser tomada nesta semana pelo Supremo, é outra que pode
interferir no andamento de processos de Cabral.

Falta também a modulação da decisão dos ministros sobre a ordem de apresentação das alegações finais. Os magistrados entenderam que delatores devem protocolá-las antes dos delatados, o que não ocorreu em nenhum processo do ex-governador. O STF ainda vai definir o que fazer com os processos já concluídos.

Enquanto aguarda os próximos passos, Cabral se adapta à nova realidade na cadeia. Ele
passou a sentir animosidade de alguns companheiros de cárcere após as confissões. O clima entre os familiares do ex-governador e os do empresário Miguel Iskin, representante de multinacionais do setor de saúde, foi o primeiro a azedar em Bangu 8 nos dias de visita.

Ele pediu transferência para o Batalhão Especial Prisional de Niterói, onde está detido o ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB). Autorizada pelo juiz Marcelo Bretas, a mudança foi vetada pela Vara de Execuções Penais.

Cabral divide uma galeria de seis celas de seis metros quadrados cada uma com outros quatros detentos: Eduardo Cunha (ex-deputado federal), Wilson Carlos (ex-secretário), Paulo Melo e Edson Albertassi (ex-deputados estaduais). Painel Político com informações de O Globo e Folha de São Paulo. Foto de capa: Alexandre Cassiano | Agência O Globo

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Escritório de Adriana Ancelmo lavou R$ 3,1 milhões pagando salários de restaurante, diz MPF

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Esquema “esquentou” dinheiro da organização criminosa liderada por Sérgio Cabral (MDB), segundo a denúncia. Quatro são réus em ação na Justiça Federal

Ex-gerente financeiro do restaurante japonês Manekineko, Wagner Tiago de Souza confirmou à Justiça Federal que o escritório de advocacia da ex-primeira dama Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), pagou o salário de funcionários do estabelecimento.

Segundo o Ministério Público Federal, o esquema lavou R$ 3,1 milhões. O depoimento foi dado ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, na tarde desta segunda-feira (5).

LEIA TAMBÉM: Adriana Ancelmo está de novo amo, revela blog

O ex-funcionário afirma que os trabalhadores do restaurante recebiam, além dos seus salários, um “bônus”. Em 13 oportunidades — entre 2014 e 2016 — quem pagou a contado bônus foi o escritório de Adriana Ancelmo, que jamais prestou serviços para o restaurante.

Como funcionava o esquema, segundo MPF:

  • O Manekineko dividia a folha de pagamento em duas – A e B.
  • A folha A era paga regular e legalmente.
  • A folha B era paga ‘por fora’ da carteira de trabalho
  • Escritório de Adriana Ancelmo emitia notas idênticas ao valor da folha B
  • O escritório de advocacia não prestava nenhum serviço
  • Dinheiro utilizado no pagamento vinha de operadores de Sérgio Cabral
  • Com o pagamento por fora, o restaurante não pagava encargos trabalhistas
  • O valor voltava ‘limpo’ para organização de Cabral, através do escritório

AA testemunha afirma que os valores dos falsos contratos eram “idênticos” aos da folha-bônus do Manekineko.

A denúncia contra Cabral foi aceita em outubro de 2018. Ele, a ex-primeira dama Adriana Ancelmo e outros dois são réus no processo.

Delação premiada

Também são acusados na ação penal o ex-sócio de Adriana Ancelmo, Thiago Aragão Gonçalves Pereira e Silva, e Italo Garritano Barros, dono do restaurante.

Em delação premiada, Italo delatou o esquema ao MPF. Ele é casado com a irmã da mulher de Thiago Aragão.

Segundo as investigações, o escritório usava dinheiro de propina, recebido de fornecedores do Governo, para pagar parte do salário dos funcionários do restaurante.

O esquema começou em meados de 2014 e foi proposto por Thiago Aragão ao concunhado, que passava por dificuldades financeiras por causa de indenizações trabalhistas.

Italo Barros também disse que, sabia que tinha praticado uma fraude trabalhista, mas foi surpreendido com as notícias de que o restaurante estaria lavando dinheiro através do escritório de Adriana Ancelmo.

Com G1

Adriana Ancelmo está de novo amor, revela blog

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Ex-primeira dama do Rio, advogada fez a fila andar

O jornalista Ricardo Noblat, da revista Veja, revelou em seu blog nesta segunda-feira que a ex-primeira dama do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo teria colocado a “fila para andar”.

De acordo com o colunista, seu coração “passou a bater por outra pessoa, um nome de brilho no meio jurídico”.

A revista Época já havia noticiado que ela havia reduzido as visitas à Cabral, condenado a mais de 100 anos de prisão por crimes de corrupção.

Adriana está usando tornozeleira eletrônica e não pode sair de casa depois das 20 horas, em dias de semana. Aos sábados e domingos, está proibida de deixar a sua residência.

A relação de Cabral e Adriana sempre foi muito intensa, marcada por grandes brigas. Políticos, pessoas próximas e funcionários do Palácio Guanabara descrevem a ex-primeira-dama como uma pessoa muito ciumenta e que enfrentou crises de depressão.

Um amigo muito próximo do casal assim a define:

— Extremamente inteligente e rápida no raciocínio. Sabe tudo sobre as operações de Cabral. Era simples, quando queria. E sofisticada também, dependendo da ocasião. É depressiva e vive à base de remédios. O uso de joias foi aumentando com o tempo.

Auxiliares do ex-governador dizem ainda que Adriana despertava medo entre os subordinados. Segundo esses relatos, a então primeira-dama costumava gritar com assessores, mandá-los “calar a boca”, e dava broncas públicas, inclusive em Cabral.

Parte dessas explosões é atribuída, no círculo íntimo do casal, a remédios para emagrecer, que provocam alterações de humor.

Em meio a uma rotina de luxo, que envolvia viagens internacionais em alto estilo, joias e vestidos feitos sob encomenda, Adriana era carinhosamente chamada de “minha riqueza”, “riquezinha” ou simplesmente “riqueza” por Cabral.

Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo deixam a cerimônia de cremação de Jordana Kfouri, uma das vítimas da queda do helicóptero na Bahia Foto: Marco Antônio Cavalcanti /Arquivo/O Globo

Adriana conheceu Cabral na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2001. Mais precisamente em um dos elevadores, num encontro fortuito. Ela era assessora da Procuradoria-Geral da Casa, ele, presidente. Ambos eram casados na época. Logo se separaram e foram morar juntos.

Adriana e Cabral se casaram no civil três anos depois, numa festa descrita como “nababesca” por um dos convidados. Segundo a revista “Casamento”, a celebração foi para quase mil convidados, e os salões foram enfeitados com quatro mil dúzias de rosas vermelhas. Na época, Cabral era senador.

Eles tiveram dois filhos. O ex-governador tem outros três filhos de seu primeiro casamento, com a advogada Suzana Neves.

Cabral e Adriana renovaram os votos de casamento em 2010, em cerimônia para 50 convidados, no Palácio Laranjeiras. Tiveram como padrinhos o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O padre Marcelino, da Igreja de São Jorge, abençoou as alianças.

Cabral e Adriana chegaram a se separar em 2011, por um breve período. A dissolução amigável do casamento foi oficializada em julho daquele ano na 6ª Vara de Família do Rio.

O empresário Eike Batista com a mulher Flávia Sampaio ao lado do casal Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo Foto: Reprodução

A briga do casal, em 2011, está na gênese da derrocada de Cabral. Isso porque o então governador só resolveu viajar para a Bahia, onde participaria da festa de aniversário do empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, porque tinha acabado de se separar.

O então governador embarcou no aeroporto Santos Dumont, no Rio, em jato do empresário Eike Batista, para Porto Seguro. Ele estava acompanhado de Cavendish e sua família. Lá, pegariam um helicóptero até Trancoso. Ao fazer o primeiro traslado, levando só as mulheres e as crianças, o helicóptero caiu, matando sete pessoas.

A tragédia revelou a relação promíscua de Cabral com empresários. Um dos episódios mais emblemáticos foi o anel de R$ 800 mil recebido por Adriana e pago, a pedido de Cabral, por Cavendish durante uma viagem a Mônaco, em 2009.

Com informações da Veja, Época e O Globo

URGENTE: Cabral relata troca de favores com ex-procurador-geral do RJ e cita outros nomes do MP e do Judiciário

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GloboNews obteve com exclusividade depoimento dado pelo ex-governador dentro do presídio de Bangu. Defesas dos citados negam as acusações

Um depoimento do ex-governador Sérgio Cabral, ao qual a GloboNews teve acesso com exclusividade, leva o Ministério Público do Rio (MPRJ) e o Poder Judiciário para o centro da Lava Jato no estado. Cabral confirma que pagou propina ao ex-procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes e cita nomes de outros integrantes do MP e de desembargadores.

Lopes comandou o Ministério Público do Rio entre 2009 e 2012. Ele foi preso em novembro de 2018 acusado de receber cerca de R$ 7 milhões em propina para blindar a organização criminosa chefiada por Cabral – já condenado por nove vezes, com penas quem somam 198 anos de cadeia.

O depoimento aconteceu no dia 25 de março dentro do Complexo Penitenciário de Bangu, onde Sérgio Cabral está preso. O Ministério Público ouviu o ex-governador sobre o processo que investiga Lopes.

Cabral disse que, entre 2004 ou 2005, quando ainda era senador, Lopes foi até seu gabinete no Senado. No encontro, Lopes teria dito que Cabral “provavelmente” seria eleito governador nas eleições de 2006 e pediu o apoio dele para ser nomeado procurador-geral do MPRJ.

Os ex-procuradores Marfan (à esquerda) e Cláudio Lopes (à direita) foram citados pelo ex-governador Sérgio Cabral — Foto: Marino Azevedo / Governo do Estado do RJ
Os ex-procuradores Marfan (à esquerda) e Cláudio Lopes (à direita) foram citados pelo ex-governador Sérgio Cabral — Foto: Marino Azevedo / Governo do Estado do RJ

Em troca da nomeação, segundo o ex-governador, Lopes prometeu arquivar uma investigação que tramitava contra Cabral no Conselho Superior do MPRJ desde 1998.

A investigação foi aberta depois que o então governador Marcello Alencar acusou Cabral de corrupção. Cabral diz que essa acusação foi feita porque ele – como presidente da Assembleia Legislativa – se opôs à venda da Cedae, a Companhia de Água e Esgotos do RJ, faltando apenas dois meses para o fim do governo de Alencar.

“Bom, diante disso, o Marcello Alencar, por eu ter impedido, me agrediu, me acusou da casa em Mangaratiba, que foi a primeira casa que eu tive, ter sido comprada com dinheiro de corrupção (…) Ele [Lopes] era membro do Conselho Superior e que seria o voto de minerva (…) Me descreveu os votos de cada um (…) Em seguida, me disse: ‘Eu sou candidato a procurador-geral do Ministério Público e acho que você vai ser o governador do estado, gostaria de contar com o seu apoio’. Eu disse: ‘Olha, eu te agradeço pelo voto, pelo arquivamento, não vou esquecer disso, vou ficar muito grato e, se eu puder ajudar, ajudarei. Eu tenho o princípio de, do mais votado, mas eu ajudarei’”, disse Cabral no depoimento.

O ex-governador foi perguntado pelos promotores se soube qual foi o voto de Cláudio Lopes: “O voto dele foi favorável a mim, pelo arquivamento”.

Segundo o ex-governador, depois que Lopes votou pelo arquivamento do processo contra ele, aconteceu um jantar na casa de Lopes, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.

“E ele, percebendo que Marfan [Vieira, ex-procurador-geral], ia ser reeleito, ele me pediu: ‘Olha, eu queria que você falasse com o Marfan que caso eu perdesse, eu fosse pro comando da Procuradoria, porque ele não será candidato a reeleição, e aí eu vou disputar’. E aí o Marfan honrou a palavra e o colocou como subprocurador, apesar de ele ter disputado contra o Marfan”, disse Cabral.

Marfan Vieira foi procurador-geral de Justiça entre 2005 e 2007 e foi reconduzido ao cargo até 2009. Segundo Cabral, no primeiro semestre de 2008, Lopes voltou a procurá-lo no Palácio Guanabara, sede do governo do estado, para dizer que disputaria a eleição para procurador-geral no ano seguinte.

“E disse: ‘Olha, eu preciso da sua ajuda… No Palácio Guanabara… Eu preciso da sua ajuda financeira porque essa campanha é uma campanha difícil’. Na verdade, ele não disse com essas palavras, disse: ‘Olha, tem muito jantar de muitos gastos e eu não tenho esses recursos. Eu tenho um grupo de amigos que me ajuda, mas isso não vai ser suficiente. Eu preciso que você… Eu precisaria de uma ajuda’. “

Segundo Cabral, não foi um pedido explícito: ‘Foi enviesado, né? Eu disse: ‘Bom, eu posso te ajudar’. Ele falou: ‘Poxa, seria ótimo’. ‘O que que você acha de R$ 200 mil?’ Ele falou: ‘Pô, tá excelente’. Tanto que o Calos Miranda menciona R$ 300 mil porque isso, também em 2008, foi objeto de outro apoio que eu dei a um outro operador do direito, que não é do Ministério Público. “

Carlos Miranda é apontado pela Lava Jato como o principal operador financeiro de Cabral, responsável pela contabilidade da propina da organização criminosa. Miranda fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

Os promotores perguntaram se Cabral poderia identificar essa outra pessoa, mas o ex-governador preferiu não falar o nome durante o depoimento. Ele ainda contou que esses R$ 300 mil saíram do caixa da propina, administrado por ele e por Miranda.

Cabral assume entrega de propina pessoalmente

Cabral disse que, diferentemente de outras pessoas que recebiam propina do grupo dele, no caso de Lopes e dessa outra pessoa não identificada, era ele próprio – Cabral – que fazia as entregas do dinheiro vivo.

“Pra mim foi um pouco constrangedor, mas diante de, no caso, duas pessoas, tanto o procurador, candidato a procurador-geral e a outra pessoa. ‘Tá bom, se é assim que vocês querem, tudo bem’. E assim eu fiz, em momentos distintos, né? Aí ele [Lopes] se elegeu por quatro votos de diferença, me ligou no dia da eleição. E aí ele tomou posse em janeiro de 2009.”

Lopes e Marfan negam

O advogado de Lopes disse que as declarações de Cabral não merecem credibilidade porque ele já apresentou inúmeras versões para os mesmos fatos, inclusive em contradição ao que disseram outros acusados e testemunhas. A nota diz ainda que, levado pelo desespero, Cabral é capaz de dizer qualquer coisa ainda que não seja verdadeira para amenizar sua situação perante a justiça criminal.

Marfan declarou que o depoimento de Cabral está cheio de contradições e mentiras. “As imputações formuladas pelo ex-governador não coincidem com a cronologia dos fatos narrados e não merecem qualquer credibilidade.” “A acusação é leviana e atinge a honra e imagem do procurador Marfan Vieira, dos desembargadores e dos membros do Conselho Superior do Ministério Público, que é citado de modo pejorativo”, diz a nota.

‘Pé-de-meia’

Cabral diz que Cláudio Lopes não estava satisfeito e, mesmo depois de assumir a chefia do MP, queria mais dinheiro. O ex-governador afirma que Lopes contou, em um encontro em 2009, que precisava fazer um “pé-de-meia”.

“Passou o carnaval e aí, em março, ele me procurou outra vez e disse: ‘Olha, é duro esse troço, eu tenho muita preocupação com meu futuro, minha família, meus filhos, minha mulher… Enfim, eu fico pensando nesse salário aqui. Eu ganho bem como procurador, mas, enfim, fazer um pé-de-meia’. Eu lembro que ele usou essa expressão: ‘Tenho que fazer um pé-de-meia’. E eu falei, estava nítido pra mim que era um pedido de apoio financeiro: ‘Você quer um apoio mensal, é isso?’. “Ah, isso seria muito bom pra mim’.”

R$ 150 mil por mês

Cabral diz que decidiu dar a quantia de R$ 150 mil por mês: “É porque, por exemplo, eu entregava 150 mil todo mês ao [ex-governador Luiz Fernando] Pezão. Aí eu falei: ‘Quer saber, eu vou dar pra ele o mesmo valor que eu dou pro Pezão, então eu vou dar R$ 150 mil pra ele”.

Segundo Cabral, mais uma vez Lopes pediu que a propina fosse entregue a ele pessoalmente. Os promotores perguntaram se Lopes prometeu praticar algum ato para beneficiar Cabral por causa da propina.

O ex-governador respondeu: “O compromisso era proteção total a mim e aos meus. Palavras dele: ‘Fique tranquilo que a proteção é a você e aos seus. Fique tranquilo porque aqui eu vou controlar tudo’. Tanto que houve um ruído quando ele se licenciou para ser candidato à reeleição em 2010 e houve uma investigação com o Sérgio Côrtes, e ele ficou ali numa situação meio atabalhoada porque… Aí ele levou pra casa os processos, eu sei que ele foi lá me dar satisfação. ‘Fique tranquilo porque tá tudo acomodado, tudo’”.

Sérgio Côrtes foi secretário de Saúde de Cabral. Já foi preso duas vezes na Lava Jato, acusado de corrupção, e agora responde em liberdade.

Cabral disse que Lopes chegou a reclamar com ele duas ou três vezes que o pagamento da propina atrasou. Os promotores perguntaram até quando Cabral pagou propina ao ex-procurador.

“O pagamento foi feito até ele sair da Procuradoria-Geral, até… Eu diria que ele, depois, se insinuou um pouco comigo, que esse recurso faria falta. Isso foi em 2013. Eu disse: ‘Olha Cláudio, não dá mais, não tem como. Eu tenho necessidades aqui’.”

Sérgio Cabral disse que, em seu primeiro mandato, de 2007 a 2010, intermediou um encontro de dois representantes da TV Record com Cláudio Lopes.

“Eu fui procurado pelo diretor de Marketing, diretor comercial da TV Record. Thomaz Naves, ainda é o diretor de Marketing da TV Record. Se eu podia recebê-lo junto com o homem de confiança do bispo Macedo. E aí, me foi apresentado na minha casa o Marcos, que foi ministro do Desenvolvimento Econômico do presidente Michel Temer. Marcos alguma coisa. Havia um problema no Ministério Público com a fundação que era dona da TV Record.”

Os promotores, então perguntaram se Cabral sabia o nome da fundação.

“Não me lembro da fundação, da instituição, digamos assim, sem fins lucrativos que a TV Record, que tinha um risco enorme. Na internet vocês vão encontrar. Marcos foi presidente do PRB. Ele disse: ‘Olha, pelo amor de Deus, eu preciso muito estar com o doutor Cláudio Lopes. É uma questão de vida, eu vim aqui, vim de Nova York, eu moro nos Estados Unidos, vim de Nova York, para tratar desse assunto com o senhor a mando do bispo Macedo’. Eu sinceramente pouco me interessei em saber qual era o problema. Eu sei que tinha o risco de perder a televisão.”

Entre maio de 2016 e janeiro de 2018, o ministro da Indústria, Comércio e Serviços do governo Temer foi o atual primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcos Pereira, do PRB.

Ele reassumiu a presidência do partido quando deixou o ministério. Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcos Pereira também já foi vice-presidente da TV Record.

Cabral diz que ligou para Lopes e marcou um encontro com Thomaz Naves e Marcos Pereira em sua própria casa, no Leblon, Zona Sul do Rio. Perguntado pelos promotores se o problema foi resolvido depois do encontro com Lopes, Cabral respondeu: “Eu creio que sim. Não, foi o tal Thomaz Naves depois me agradeceu, mandou me agradecer, foi resolvido”.

Obra no Maracanã e terreno na Cidade de Deus

O Ministério Público também quis saber se Lopes chegou a fazer outros pedidos a Cabral. O ex-governador disse que sim e falou sobre duas obras: a desapropriação de um terreno na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, e a reforma do Maracanã.

“Ele me procurou e disse que tinha uma pessoa muito ligada a ele, que tinha a representação de uma multinacional espanhola, deu o nome de Prosegur (…) que era na área de tecnologia. Bom, e que poderia oferecer serviços lá na obra do Maracanã. Ele não era [de] ajudar apenas a terceiros. Que ele ganharia um bom dinheiro com aquilo. Se eu não me engano, R$ 5 milhões.”

Cabral disse que, depois do seu pedido, a empresa indicada por Lopes foi contratada para a obra do Maracanã. E que, depois disso, uma pessoa ligada a Lopes apareceu com dinheiro para ele, Cabral.

“R$ 300 mil… 300, 400… Eu falei: ‘Eu não quero, não, eu não tenho interesse nisso’ (…) Eu sei que eu acabei ficando com o dinheiro, que me deixou até constrangido porque eu não tinha nenhum… que eu nunca peguei dinheiro de empresas que prestam serviços às obras que eu contratava. Eu fazia entendimento direto com as empresas, aquelas que eu tinha relacionamento, que eram poucas, mas… as maiores. E, portanto, eu não fazia… Imagina se eu ia entrar no terceirizado, né? Esse foi um pedido que ele teve êxito. Um pedido que ele não teve êxito foi a desapropriação de um terreno na Cidade de Deus.”

Segundo Cabral, Lopes tinha interesse que o estado pagasse mais pela desapropriação de um terreno, alegando que a favela da Cidade de Deus tinha sido pacificada com a implantação da uma UPP, e por isso, o valor avaliado antes da pacificação estava defasado.

Segundo Cabral, o procurador disse que ganharia R$ 1 milhão se o valor da desapropriação do terreno fosse atualizado para cima.

“Aí ele falou: ‘Ah, vai ser tão bom pra mim, eu vou ganhar R$ 1 milhão se isso…’. Acho que eram R$ 3 milhões e R$ 1 milhão ficaria pra ele. Num terreno na Cidade de Deus. Aí eu falei: ‘Aí não dá’.”

Defesas contestam

Em nota, a defesa de Pezão disse que o ex-governador jamais recebeu qualquer valor a título de propina.

O deputado federal Marcos Pereira disse que nunca morou em Nova York, que não existe nem nunca existiu nenhuma fundação de interesse do grupo que ele representava, e que tais afirmações são “puro delírio”.

Thomaz Naves disse que nunca esteve na casa de Cabral e que as declarações do ex-governador são infundadas.

A produção da GloboNews entrou em contato com a TV Record e com a Prosegur e está aguardando as respostas.

Acusações contra o Poder Judiciário

O depoimento de Cabral também cita supostas movimentações de Lopes em relação ao Poder Judiciário. Cabral revelou que, ao deixar a chefia do Ministério Público, Lopes pediu apoio dele para ser nomeado ministro do Superior Tribunal de Justiça. Para isso, Cabral deveria mandar um projeto para a Assembleia Legislativa acabando com a quarentena obrigatória.

“Eu falei: ‘Tudo bem, se você conseguir. Se essa vaga vier e tudo, conte comigo’. Mas acabou que não prosperou. Marfan invalidou isso no Conselho Superior, se não me engano. Foi invalidado. Não, na verdade ele pediu a mim que invalidasse. Eu mandei uma mensagem à Assembleia invalidando.

Marfan Vieira, a quem Cabral se refere, foi indicado por ele para voltar a ser o procurador-geral de Justiça do Rio, em 2013. Ele sucedeu Cláudio Lopes na chefia do MP do Rio.

Arquivamento da ‘farra dos guardanapos’

Sergio Cabral ainda falou sobre um favor que Lopes fez pra ele: o arquivamento de uma investigação sobre a festa que ficou conhecida como a “farra dos guardanapos”, em que secretários de Cabral e empresários foram fotografados com guardanapos na cabeça durante um jantar em Paris, em 2009.

Cabral cita dois desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio indicados por ele em troca também da manutenção do arquivamento da investigação pelo Conselho Superior do MP.

“Aí o Marfan me procurou e disse: ‘Olha, nós estamos com problema no Conselho Superior. O Cláudio não terminou o trabalho, ele deixou esse abacaxi aqui, nós temos que concluir. Eu não tenho votos suficientes para arquivar’. Primeiro, eu tranquilizei ele e disse: ‘Doutor Marfan, o senhor fique tranquilo porque esse é um assunto que eu não tenho nada’. Então ele falou: ‘Há quem queira prejudicar’. E aí traçamos um plano em que houve, inclusive, um combinado político, que eu fizesse o Serginho – assim chamávamos o chefe de gabinete dele, Marfan – abriria uma vaga de desembargador do estado e que… A outra parte do grupo do Conselho Superior era liderada pelo Marcos Chut, por pessoas ligadas ao Marcos Chut. E aí o Marcos Chut tinha o desejo de ser candidato e o Marfan me disse: ‘Olha, eu não tenho como chegar a esse grupo, e o que eu tenho ouvido é que o Marcos Chut tem uma tendência a votar. O grupo lá… acho que você devia chamar o Marcos Chut pra uma conversa.”

Cabral diz que chamou Chut para uma conversa.

“E aí eu falei: ‘Marcos, eu queria pedir o teu apoio e me comprometer com você, que a primeira vaga vai ser do Serginho. Queria até pedir o teu grupo pra votar com o Serginho e você ir pra segunda vaga, que talvez não seja comigo, seja com o Pezão. Eu vou chamar Pezão aqui pra ele assumir esse compromisso’. Aí fizemos uma reunião e foi assumido esse compromisso de que a primeira vaga seria do Serginho. Eu o nomeei, eu saí em 3 de abril de 2014, eu nomeei o Serginho.

O então promotor Sérgio Nogueira de Azeredo, que foi chefe de gabinete de Marfan no MP, tomou posse como desembargador em março de 2015. Ele foi eleito para vaga do quinto constitucional destinada ao Ministério Público.

Já o procurador Marcos André Chut assumiu o cargo de desembargador dois meses depois, em maio de 2015. Ele também se tornou desembargador através desse dispositivo jurídico que determina um quinto das vagas de desembargadores nos tribunais para advogados e integrantes do MP.

Cabral, então, deu detalhes sobre a nomeação de Marfan como procurador-geral de Justiça em 2013.

“O Marfan conversou comigo, disse: ‘Olha, fique tranquilo, eu vou fazer uma gestão séria, limpa, eu sei do teu envolvimento com o Cláudio, eu sei do que o Cláudio é capaz de fazer em termos de constrangimento’. E aí eu nomeei o Marfan, talvez com um delay, uma demora mais do que eu havia feito três meses antes, no biênio do Marfan, e aí combinamos isso e o conselho arquivou.”

Os promotores perguntaram a Cabral se Marfan Vieira condicionou os votos dele para o arquivamento do caso da “farra dos guardanapos” à indicação de Sérgio Nogueira, chefe de gabinete de Marfan, para o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça.

“Ah, isso ficou implícito, isso ficou implícito que… isso era fruto de um acordo. ‘Vamos arquivar, o meu grupo vai votar com você e os votos do meu grupo não são suficientes para arquivar. É, procure o outro grupo’.”

Quando Cabral apresentou a demanda a Chut pelo arquivamento da investigação da “farra dos guardanapos”, os promotores perguntaram o que Chut respondeu. Cabral contou que ele disse: “Eu vou trabalhar o meu grupo e nós vamos aprovar e vou trazer aqui pra estar com o senhor os votos.”

O que dizem os citados

O desembargador Sérgio Nogueira de Azeredo disse que basta pesquisar na internet as datas e os fatos citados por Cabral para descobrir que não são verdadeiros. E que Cabral já está condenado a quase 200 anos de prisão e “de forma leviana e irresponsável, arvora-se agora em arauto da moralidade para fazer, impunemente, inúmeras afirmações mentirosas e imputações caluniosas, obviamente sem qualquer lastro probatório”.

O desembargador Marcos Chut esclarece que o processo de escolha e sua posterior nomeação como desembargador transcorreram de forma regular e por isso repudia veementemente o teor das declarações de Sérgio Cabral.

Sobre o arquivamento do processo a respeito da chamada “farra dos guardanapos”, Marfan diz que foi feito pelo ex-procurador-geral Cláudio Lopes, 14 dias depois de sua nomeação, mas antes da posse. Segundo Marfan, isso joga por terra “a falaciosa imputação de que a escolha de Marfan teria relação com o referido arquivamento”.

G1/GLOBONEWS

Depoimento de Sérgio Cabral coloca judiciário e MP do Rio em xeque

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Depoimento de Cabral atinge em cheio independência dos poderes

O depoimento do ex-governador Sérgio Cabral ao Ministério Público Federal, dia 21, atinge em cheio a independência dos poderes. Além de confessar crimes, como o de corrupção, Cabral trata o ex-chefe da Casa Civil Régis Fichtner, como primeiro-ministro de seu governo com indicações de nomes para Ministério Público do estado e Judiciário, que podem investigar e condenar respectivamente membros do Executivo.

Cabral cita a promoção de um juiz a desembargador, atual ministro do Superior Tribunal de Justiça, e dois ex-procuradores-gerais. De acordo com Cabral, a primeira vitória de Fichtner foi a influência no Tribunal de Justiça, entre os anos de 1997 e 1998. Mas também atuou em favor de Marfan Martins Vieira, procurador-geral duas vezes, entre 2005-2008 e 2013-2016, e Claudio Lopes, que chefiou o Ministério Público de 2009 a 2012. Ambos com mandatos de dois anos, com direito a recondução. Marfan rebateu.

O ex-governador Sérgio Cabral foi conduzido, ontem, à 7ª Vara Criminal Federal, no Centro do Rio de Janeiro, para prestar depoimento – Marcio Mercante / Agência O Dia

Costura de acordos

Segundo Cabral, Fistchner intermediou a paz entre ele e Marfan que estavam brigados porque tinham processos recíprocos entre eles. O procurador teria pedido ao então secretário que o reaproximasse de Cabral, para que se eleito por promotores e procuradores, fosse reconduzido ao cargo de procurador-geral de Justiça.

Em nota, Marfan explicou que em 2003 entrou com uma ação de responsabilidade civil por danos morais contra o então senador Cabral, em razão de ofensas proferidas pelo político. Fitchner, que à época chefiava o gabinete, pediu para que o caso fosse encerrado. “Como se tratava de processo referente a interesse exclusivamente pessoal, decidi acolher o pleito e orientei meu advogado a não prosseguir na causa”, informou em um dos trechos do pronunciamento.

Marfan sustenta que foi nomeado em 2005 pela então governadora Rosinha Garotinho. “A cronologia dos fatos, no entanto, é muito importante para a exata compreensão do ocorrido. (…). Meu primeiro mandato como Procurador-Geral de Justiça somente veio a ocorrer em 2005. (…) É relevante observar que Cabral só se tornou governador (…) no ano de 2007, após candidatura formalizada no ano de 2006, o que, por si só, torna inverossímil a estória de um suposto acordo de recondução celebrado em 2004”, justificou em outro trecho.

Cabral também afirmou que houve a intervenção de Fitchner para Claudio Lopes ser mantido na chefia do Ministério Público estadual (MPE). Lopes teria arquivado procedimento da Cedae, que estava com uma investigação pendente no órgão e, assim, ficaria no cargo de procurador-geral. Procurado, Lopes não foi localizado.

Claudio Lopes foi o primeiro ex-procurador-geral da história a ser preso, em novembro, acusado de receber propina em esquema de Cabral. Ele ganhou a liberdade em dezembro por decisão do ministro Sebastião Reis Júnior, do Superior Tribunal de Justiça. A Justiça já determinou o sequestro de R$ 7,2 milhões e a quebra do sigilo bancário de Lopes e da mulher dele, Ana Beatriz. O ex-procurador receberia mesada de R$ 150 mil para não investigar os aliados de Cabral, como o ex-secretário de Saúde, Sérgio Côrtes. Lopes é apontado como o responsável pelo vazamento de investigação do MPE contra Côrtes, em 2010, quando levou os documentos da investigação para casa.

Servidores criticam ex-governador

A declaração de Cabral de que “Meu apego a dinheiro e poder é um vício” irritou servidores do Estado, que viveram momentos de penúria com o atraso de salários. Muitos criticaram a nova postura e as confissões do ex-governador.

“A primeira vez que você rouba, dá certo, e aí vicia, né?”, disparou o aposentado Ezio de Azevedo, 76 anos, que ficou quatro meses sem salário. “Ele conta essa história porque viu que não vai se safar”.

Para a neta de Ezio, a servidora Thaisi Andrade, 30 anos, a mudança de postura do ex-governador “não ajuda em nada”. Ela trabalhava como assistente administrativa da Clínica Piquet Carneiro, em dezembro de 2016, quando os salários atrasaram. “Me endividei. Mesmo quando o salário voltou, não consegui retomar a vida, eram muitas dívida. Até hoje faço tratamento contra ansiedade”, conta.

Acusações

Arquidiocese do Rio

O ex-governador disse não ter dúvidas de que havia esquema de propina envolvendo as Organizações Sociais (OSs) e a Igreja Católica. “Com todo o respeito ao Dom Orani (arcebispo), mas ele tinha interesse nisso…Essa Pró-Saúde certamente tinha esquema de recursos que envolvia inclusive religiosos”. Em nota, a Arquidiocese informou que o único interesse da Igreja e de seu arcebispo é de que as OSs cumpram seus objetivos de servir ao bem comum, respeitando as leis.

Paes e Pedro Paulo

Sobre o ex-prefeito do Rio, Cabral declarou que ele não participava do esquema de propina, mas disse que foi montado um caixa 2 para prefeitura e que Pedro Paulo, ex-secretário de Paes, recebia os valores. O ex-prefeito informou que todos os valores recebidos na campanha de 2008 foram declarados e aprovados na Justiça Eleitoral. Pedro Paulo disse que nunca participou de qualquer reunião ou arrecadação de campanha que não tenha sido devidamente contabilizada e declarada à Justiça Eleitoral.

Luiz Fernando Pezão 

Cabral afirmou que o ex-governador Pezão, na época vice-governador e secretário de Obras, recebeu propina que chegava a R$ 150 mil mensais. Pezão está preso desde 29 de novembro após delação de Carlos Miranda, operador financeiro de Cabral, que confirma mesada, 13º de propina e bônus de R$ 1 milhão.

Secretariado 

Segundo Sérgio Cabral, os ex-secretários de Fazenda Renato Villela e Joaquim Levy, e os ex-secretários de Educação Nelson Maculan e Wilson Risolia não recebiam propina. Já Régis Fichtner, Wilson Carlos, Carlos Miranda e Hudson Braga tinham conhecimento do esquema.