Travesti é espancada até a morte após ter casa invadida em Manaus

Uma travesti foi espancada até a morte na madrugada desta sexta-feira (23), na comunidade Santa Luzia, no bairro Japiim I, na Zona Sul de Manaus. O corpo da vítima foi encontrado por vizinhos em um beco. Uma disputa judicial por herança é uma das suspeitas de motivação do crime. Um grupo de pessoas foi visto fugindo do local.

De acordo com o aspirante Tasso, da 3° Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o corpo da vítima foi achado caído no beco da Paz, por volta das 3h30. Os moradores acionaram a Polícia Militar.
A vítima pode ter sido assassinada, por volta das 2h30. A travesti foi agredida com pedaço de madeira. A cabeça foi área do corpo mais atingida.

“A travesti foi morta em frente casa dela na comunidade Santa Luzia. Nessas situações ninguém sabe, ninguém viu o que aconteceu. O vizinho disse não ter visto nada. Porém, do jeito que parece que aconteceu deve ter feito muito barulho, mas ninguém quis passar informações”, informou o aspirante.

A porta da casa da vítima foi arrombada e a travesti foi arrastada para rua, onde foi brutalmente assassinada. A violência das agressões causou traumatismo crânio facial.

Um morador de 26 anos, que prefere não ser identificado, disse que ouviu um barulho forte que pode ter sido no momento que porta da casa da vítima foi arrombada.
“Quando olhei para rua vi caído na rua e um grupo de mais de quatro pessoas fugindo a pé. Não deu pra ver quem eles eram porque já estavam distantes”, contou.

O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML). Oficialmente a vítima ainda não foi identificada. A vítima tem entre 20 e 25 anos, além de possuir 1,70 de altura. A travesti usava bermuda jeans e camisa azul quando foi encontrada morta.

Crime ocorreu no bairro Japiim I, na Zona Sul de Manaus (Foto: Adneison Severiano/G1 AM )

O caso deverá ser investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
Os vizinhos da vítima relataram que após o assassinato uma tia da vítima esteve no local do crime e falou que a casa onde a vítima estava morando era alvo de disputa com um irmão. Um irmão da travesti teria vendido o imóvel sem permissão e o caso foi parar na justiça. A casa foi deixa como herança após morte do pai deles há quatro anos.

A suspeita da família é que o irmão teria mandado matar a travesti, que passou a morar na casa mesmo depois da venda. Essa será uma das linhas de investigação da polícia. Uma briga entre os irmãos com agressão física e motivada pela herança foi registrada na Polícia Civil em 2014.

Outra linha de investigação da polícia que será verificada é se o assassinato tem ligação com uma briga que ocorreu no final de 2016. Segundo a polícia, há um boletim de ocorrência em que a travesti é citada. Ela teria ameaçado um morador da mesma rua com gargalo de garrafa durante uma festa.

G1/AM

Transexual não operada pode mudar nome e sexo em identidade, decide juiz

A Justiça de Goiás deu a uma mulher transexual o direito de alterar seu nome e sexo no documento de identidade. A decisão é do juiz João Corrêa de Azevedo Neto, da 2.ª Vara da Comarca de Ipameri.

A autora da ação contou que se identifica com o gênero feminino desde criança e que a divergência entre sua imagem e as informações em seu registro a faz passar por diversos constrangimentos.

Ela afirma que planeja realizar a operação para mudança de sexo ’em breve’.

Homem morre agredido em SP após defender irmã transexual de violência

Um jovem morreu durante uma briga no Jardim São Luís, na Zona Sul de São Paulo, na tarde desta quarta-feira (8), após defender a irmã dele que é transexual.

O crime ocorreu em uma praça enquanto Lorena Vicente estava sentada em um banco usando o wi-fi público. Após um suspeito passar de bicicleta provocando Lorena, o irmão dela, Petherson Roberto dos Santos, de 24 anos, foi tirar satisfação. A vítima recebeu golpes na cabeça e morreu na praça. O suspeito, Luiz Carlos Mariano, de 18 anos, fugiu de bicicleta.

“Ele ameaçou jogar a bicicleta em cima de mim e o meu irmão foi cobrar. Falar para ele respeitar, né. Só que aí ele veio, já começaram a discutir e entraram em luta corporal”, conta Lorena Vicente.

O delegado Luís Roberto Hellmeister disse que o crime pode ter sido motivado por preconceito. “Ele é procurado como autor, tem testemunhas oculares, o amigo dele que estava junto com ele tentou evitar o crime, mas não conseguiu”, disse. “Eu acredito que a motivação, num primeiro momento, seria de preconceito pela opção sexual do irmão da vítima”.

Irmã foi defendida por jovem (Foto: Reprodução/TV Globo)

Fonte: g1

Mulher transexual é impedida de embarcar em aeroporto de SC ao usar nome social

Mulher transexual é impedida de embarcar em aeroporto de SC ao usar nome social

Uma mulher transexual foi impedida de embarcar no Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, em Joinville, na manhã de quinta-feira (16), porque o nome social que constava na passagem aérea era diferente do nome presente nos documentos de identificação. Para viajar, Mariana Franco precisou comprar outra passagem e aguardar até as 15h para pegar o voo até São Paulo, onde fez conexão para Brasília.

“Foi uma humilhação, fui acusada de falsidade ideológica, estou em choque. Eu cheguei às 7h e fui embarcar às 15h, fiquei o tempo todo no aeroporto, não recebi nenhuma assistência. Eu sou transexual, o mercado de trabalho para mim não é fácil, no aeroporto não tem nada barato. Então, foi um constrangimento enorme”, disse.

Revolta

Mariana Franco, de 30 anos, é presidente da União LGBT de Jaraguá do Sul e vice-presidente da União Nacional LGBT de Santa Catarina. Ela foi a Brasília para participar da Conferência de Saúde da Mulher.

“Eu costumo fazer palestra para até 300 pessoas sobre o uso do nome social e acontece isso comigo. Fiquei bastante chateada, revoltada, não tive meus direitos reconhecidos”, disse.

Aspecto legal

Julia Borges, presidente da comissão de diversidade sexual e gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que notificará a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que apresente uma resposta formal sobre o caso.

“Queremos saber quais orientações são passadas às companhias aéreas sobre o uso do nome social por passageiras e passageiros. Em razão do decreto 8727, de 2016, que reconhece a identidade de gênero das pessoas transexuais e travestis e o uso do nome social por elas, entendo que o nome social deve ser respeitado, inclusive pela Latam. A companhia aérea será processada. Houve violação de direitos. É bem provável que a Anac venha a responder a ação judicial também, em razão do princípio da responsabilidade solidária”, explicou.

Passagem aérea foi emitida com o nome social de Mariana (Foto: Reprodução RBS TV)

Contraponto

Por e-mail, a Anac confirmou à NSC TV que o nome fornecido no momento da compra da passagem deve ser igual ao nome do documento de identificação do passageiro, mesmo nesse caso.

A Latam Airlines Brasil informou em nota que, “conforme determinação da Anac, para que o embarque possa ser realizado, é necessário que o bilhete seja compatível com o documento de viagem do passageiro. A diversidade faz parte da cultura da companhia, que atende qualquer pessoa com a mesma atenção, cuidado e respeito”, declarou.

Fonte: g1.com

Transexuais têm direito à alteração do registro civil sem realização de cirurgia

Independentemente da realização de cirurgia de adequação sexual, é possível a alteração do sexo constante no registro civil de transexual que comprove judicialmente a mudança de gênero. Nesses casos, a averbação deve ser realizada no assentamento de nascimento original com a indicação da determinação judicial, proibida a inclusão, ainda que sigilosa, da expressão “transexual”, do sexo biológico ou dos motivos das modificações registrais.

O entendimento foi firmado pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao acolher pedido de modificação de prenome e de gênero de transexual que apresentou avaliação psicológica pericial para demonstrar identificação social como mulher. Para o colegiado, o direito dos transexuais à retificação do registro não pode ser condicionado à realização de cirurgia, que pode inclusive ser inviável do ponto de vista financeiro ou por impedimento médico.

No pedido de retificação de registro, a autora afirmou que, apesar de não ter se submetido à operação de transgenitalização, realizou intervenções hormonais e cirúrgicas para adequar sua aparência física à realidade psíquica, o que gerou dissonância evidente entre sua imagem e os dados constantes do assentamento civil.

Sexo psicológico

O relator do recurso especial da transexual, ministro Luis Felipe Salomão, lembrou inicialmente que, como Tribunal da Cidadania, cabe ao STJ levar em consideração as modificações de hábitos e costumes sociais no julgamento de questões relevantes, observados os princípios constitucionais e a legislação vigente.

Para julgamento do caso, o ministro resgatou conceitos essenciais como sexo, identidade de gênero e orientação sexual. Segundo o ministro, as pessoas caracterizadas como transexuais, via de regra, não aceitam o seu gênero, vivendo em desconexão psíquico-emocional com o seu sexo biológico e, de um modo geral, buscando formas de adequação a seu sexo psicológico.

O relator também lembrou que, apesar da existência de princípios como a imutabilidade do nome, dispositivos legais como a Lei de Registros Públicos preveem a possibilidade de alteração do nome que cause situação vexatória ou de degradação social, a exemplo das denominações que destoem da aparência física do indivíduo.

Direito à felicidade

Na hipótese específica dos transexuais, o ministro Salomão entendeu que a simples modificação de nome não seria suficiente para a concretização do princípio da dignidade da pessoa humana. Para o relator, também seriam violados o direito à identidade, o direito à não discriminação e o direito fundamental à felicidade.

“Se a mudança do prenome configura alteração de gênero (masculino para feminino ou vice-versa), a manutenção do sexo constante do registro civil preservará a incongruência entre os dados assentados e a identidade de gênero da pessoa, a qual continuará suscetível a toda sorte de constrangimentos na vida civil, configurando-se, a meu juízo, flagrante atentado a direito existencial inerente à personalidade”, ressaltou o relator.

Exemplos internacionais

O ministro também citou exemplos de países que têm admitido a alteração de dados registrais sem o condicionamento à cirurgia. No Reino Unido, por exemplo, é possível obter a certidão de reconhecimento de gênero, documento que altera a certidão de nascimento e atesta legalmente a troca de identidade da pessoa. Iniciativas semelhantes foram adotadas na Espanha, na Argentina, em Portugal e na Noruega.

“Assim, a exigência de cirurgia de transgenitalização para viabilizar a mudança do sexo registral dos transexuais vai de encontro à defesa dos direitos humanos internacionalmente reconhecidos – máxime diante dos custos e da impossibilidade física desta cirurgia para alguns –, por condicionar o exercício do direito à personalidade à realização de mutilação física, extremamente traumática, sujeita a potenciais sequelas (como necrose e incontinência urinária, entre outras) e riscos (inclusive de perda completa da estrutura genital)”, destacou o relator.

Acompanhando o voto do relator, a Quarta Turma concluiu que o chamado “sexo jurídico” – constante do registro civil com base em informação morfológica ou cromossômica – não poderia desconsiderar o aspecto psicossocial advindo da identidade de gênero autodefinida pelo indivíduo, “o qual, tendo em vista a ratio essendi dos registros públicos, é o critério que deve, na hipótese, reger as relações do indivíduo perante a sociedade”.

Complexidades jurídicas

O ministro Salomão também apontou que as complexidades jurídicas geradas pelo reconhecimento dos direitos dos transexuais não operados já são perceptíveis no universo das pessoas que decidiram se submeter à cirurgia.

“Ademais, impende relembrar que o princípio geral da presunção de boa-fé vigora no ordenamento jurídico. Assim, eventuais questões novas (sequer cogitáveis por ora) deverão ser sopesadas, futuramente, em cada caso concreto aportado ao Poder Judiciário, não podendo ser invocados receios ou medos fundados meramente em conjecturas dissociadas da realidade concreta”, concluiu o ministro ao acolher o recurso especial da mulher.

O número deste processo não é divulgado em razão de segredo judicial. 

“Sou mulher trans e realizei meu sonho de ser mãe com a minha melhor amiga”

Luiza Valentim, 27, estava no meio de sua transição de gênero quando descobriu que ficaria estéril e decidiu ter um filho com sua amiga Gisele. Em seu depoimento ao UOL, ela conta como foi todo o processo de se entender mulher e mãe ao mesmo tempo. “Entender que sou uma mulher trans trouxe muitas questões e angústias à minha vida. Mas uma das maiores surgiu quando dei início à transição com hormônios e descobri que isso me deixaria infértil. Então surgiu a ideia que mudaria mais ainda a minha vida. Decidi propor para minha grande amiga Graziele, com quem eu dividia uma casa na época, que tivéssemos um filho juntas.

Apesar de nosso relacionamento ser pura amizade, ela nem hesitou, na hora gostou da ideia e embarcarmos nisso juntas. Assim, pude viver ao mesmo tempo a experiência de me descobrir mulher e mãe. “Só entendi que era trans quando tentei me matar” Até os 22 anos, eu achava que era um homem e não entendia o que eu sentia, porque eu não me reconhecia no meu corpo. Tinha muito pouca informação e conhecimento sobre a questão da transexualidade. Só sabia que desde criança as pessoas me corrigiam. ‘Anda direito.’ ‘Fala mais grosso.’ Eram coisas comuns de ouvir e que foram me forçando a viver o tempo todo num personagem masculino, criando uma casca. Isso me causava tanto sofrimento, que comecei a desenvolver síndrome do pânico e cheguei a tentar me matar. Eu estava completamente perdida quando encontrei uma médica que, depois de conversar comigo, me explicou direito o que era ser uma pessoa trans, contou como essas pessoas se sentiam e, conforme ela falava, eu ia me enxergando em suas palavras.

Saí dessa consulta sabendo que era uma mulher, mas ainda precisei passar por um longo processo de transição. Primeiro foram terapias, para então ir começando a assumir minha identidade e as mudanças no meu corpo vieram juntas. Grazi, minha amiga do peito, esteve ao meu lado o tempo todo. Ela me emprestava suas roupas e me apoiava nos momentos de dificuldade.

Meus pais também me deram todo o apoio do mundo. Como moramos em uma cidade pequena, eram muitos os estereótipos e paradigmas que eu precisava quebrar. Digo até que foi um processo de imposição da minha identidade, porque o tempo todo a sociedade ficava tentando me falar quem eu podia ser ou não. Era difícil. Mas apesar de ser difícil, era tranquilizador. Eu finalmente estava me identificando comigo mesma e comecei a ter perspectiva de vida. Antes da transição, eu não fazia planos, eu não pensava no futuro. O foco era em conseguir ser o que eu precisava ser a cada momento. A partir do momento em que me vi com mulher, isso mudou. Passei a imaginar minha vida dali para frente, sonhar e planejar. E um dos sonhos que se tornava mais forte era o de ser mãe.

LEIA A REPORTAGEM COMPLETA NO UOL

Vendedor transexual é encontrado morto após sumir de casa em Salvador

Vendedor transexual é encontrado morto após sumir de casa em Salvador

O vendedor Thadeu Nascimento, transexual de 24 anos, morador de Salvador, foi morto a tiros e teve o corpo encontrado no bairro São Cristóvão, após desaparecer de casa, onde segundo familiares, havia sinais de arrombamento e objetos foram levados. Conforme registro no boletim da Secretaria de Segurança Pública, (SSP-BA), o corpo da vítima foi localizado na manhã de sexta-feira (5), às 7h33, na Rua da Rodagem.

Segundo relatos da família, Thadeu havia desaparecido do apartamento onde morava sozinho, no bairro de Fazenda Grande II. A mãe da vítima contou que fez o último contato com o filho na quinta-feira (4), mas os parentes só descobriram o crime no sábado (6), com a informação de que o corpo de Thadeu estava no Instituto Médico Legal (IML), para onde foi levado após localização no dia anterior.

Têu, como era conhecido, trabalhava como vendedor em uma loja de informática, em um shopping na capital baiana. A mãe conta que recebeu ligações de colegas de trabalho dele que estavam preocupados porque Thadeu havia faltado ao trabalho na sexta-feira. No dia seguinte, a mãe foi até o apartamento onde ele morava e encontrou uma grade arrombada. Ainda de acordo com a mãe, objetos foram roubados da residência, como televisão, máquina fotográfica, DVD e celular.

O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda não há informações divulgadas sobre motivação ou autoria. A mãe de Thadeu detalha que, segundo policiais que estiveram no local do crime, não havia sinais de luta no apartamento.

O enterro está programado para acontecer às 10h de segunda-feira (8), no Cemitério do Campo Santo, bairro da Federação, em Salvador.

Polícia prende quatro suspeitos de matar transexual a pedradas

Em depoimento, todos confessaram algum grau de envolvimento no crime. Mãe da vítima disse que eles “são feras que estão soltos na sociedade e precisam ser enjaulados”

A Polícia Civil prendeu quatro jovens suspeitos de matar a pedrada transexual Emanuelle Muniz Gomes, de 21 anos. Ela foi assassinada após sair de uma boate e pegar carona em um carro em Anápolis, a 55 km de Goiânia. Em depoimento, os quatro confessaram algum grau de envolvimento no crime. O corpo da vítima foi encontrado pela própria mãe em uma estrada na zona rural da cidade.

O crime aconteceu no dia 26 de fevereiro. Emanuelle e a mãe, Edna Girlene Gomes, saiam de uma boate quando decidiram pegar carona com quatro homens. Ao perceber que o veículo estava muito cheio, Edna saiu e tentou levar a filha, mas o carro saiu em alta velocidade e Emanuelle ficou no automóvel.

Durante a apresentação, a mãe de Emanuelle exibiu fotos da filha aos suspeitos. “Eles tinham que saber quem era a pessoa que eles tiraram da sociedade. Ela era uma pessoa de bem, que não queria o sofrimento do próximo”, disse.

Edna também contou que não possui nenhum sentimento pelos suspeitos de matar sua filha. “Não sei se posso perdoar, porque não sinto nada. Não tenho raiva, não tenho ódio, desprezo, nem compaixão”, completou.

Os suspeitos foram identificados após testemunhas informarem características do carro usado no crime. “O grupo estava em um Fiat Palio branco. E uma semana antes, na mesma boate, um grupo tinha se envolvido em uma briga. A partir daí, fomos identificando o dono do veículo, com quem ele andava e, assim, identificamos todos eles”, contou o delegado Cleiton Lobo.

Para o investigador, o assassinato foi motivado por homofobia. “No percurso, descobriram que ela era transexual e um deles sugeriu ao grupo que matasse a Emannuelle. Porém, eles não admitem isso, dizem que já sabiam que ela era homem e dão desculpas para o crime para tentar minimizar a pena”, disse.

O delegado informou ainda que Emanuelle se preparava para fazer uma cirurgia de mudança de sexo. “A mãe da vítima me contou que ela se preparava para a cirurgia, tanto que já estava na fase de acompanhamento psicológico. Mas a Emanuelle era muito feminina, tinha seios, então era difícil desconfiar da transexualidade dela. Por isso, ainda apuramos se o sequestrador não sabia disso e, ao descobrir, cometeu o assassinato. Ressalto que não descartamos nenhuma motivação ainda”, disse.

Além do homicídio, a polícia diz que eles cometeram outros crimes. “Eles roubaram o celular da mãe e tentaram roubar o da Emanuelle e também tentaram matar um homem que passava pelo local do assassinato e eles não queriam deixar testemunha”, disse o delegado.

Foram presos Daniel Lopes Caetano, 20, Sérgio Cesário Neto, 21, Reinivan Moisés Caetano, 20 e Márcio Machado Nunes, 18. Eles vão responder por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima, além de estupro, roubo e tentativa de homicídio.

Transexual ganha na Justiça direito de retirar os seios por plano de saúde

Quebrar sigilo bancário de funcionário dá direito a indenização

Plano negava cirurgia, mas agora tem 5 dias para autorizar procedimento.
Transexual também busca na Justiça direito de mudar o nome.

Há mais de dois anos, um homem transexual, de 29 anos, entrou na Justiça para conseguir uma cirurgia de mastectomia, conhecida como retirada dos seios, pelo plano de saúde. O processo se arrastava desde 2014, mas finalmente a juíza Adalgiza Viana de Santana de Araguaína, norte do Tocantins, reconheceu o direito. A determinação é que o plano autorize o procedimento num prazo de cinco dias, a contar desta terça-feira (14).

O trans, que pediu para não ter o nome revelado, comçou em 2014 o tratamento hormonal, procedimento coberto pelo plano de saúde. Mas não conseguiu fazer a cirurgia. Para ter o direito, ele precisou procurar a Justiça com a ajuda da Defensoria Pública do Estato.

Ele conta que o processo de aceitação foi longo e que a falta de informação sobre transexualidade foi um dos maiores obstáculos. “Eu não tinha conhecimento nenhum sobre essa possibilidade. Tudo o que eu sabia é que eu era uma pessoa diferente. Um menino crescendo no corpo de uma menina, mas não sabia dar um nome para isso”, conta.

“Era muito difícil quando eu era criança e a minha identidade começou a se esboçar. Até pra explicar pra minha família o que eu era, precisei buscar o conhecimento antes, porque eu não sabia”, contou. “Hoje nós somos unidos e temos muito amor” diz satisfeito.

A juíza ordenou a cirurgia e alegou que a mastectomia deve ser feita pois está prevista no rol de cobertura obrigatória. “Não só a mastectomia está diretamente ligada ao procedimento ‘mudança de sexo’, mas sim todo o processo preliminar e preparatório, no qual se incluem, a psicoterapia e a hormonioterapia”.

Apesar disso, o entendimento do plano de saúde é de que se tratava apenas de uma cirurgia plástica. “É um plano que eu pago. Se eu fosse entrar na fila do SUS para essa cirurgia teria que ficar na fila de espera. O tempo médio de espera é de 20 anos hoje, não tem condições de esperar tanto”, conta o rapaz.

O plano de saúde ainda pode recorrer da decisão.

Outra ação

A vitória nesta ação não o fim da luta do transexual. Até porque ele espera, também há mais de dois anos, que a Justiça autorize a alteração do nome no registro de nascimento.

A ação que pede a mudança do nome foi ajuizada em julho de 2014, também pela defensoria. Mas, em janeiro de 2015, o juiz Sérgio Aparecido Paio negou o pedido porque o transexual não tinha feito a cirurgia de mudança de sexo. Para o magistrado, sem o procedimento, a mudança de nome não iria seria condizente com a “realidade naturalística”.

O processo foi para o Tribunal de Justiça e mais uma vez o pleno negou o pedido. Em dezembro do ano passado, a defensoria entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) e aguarda um julgamento.

Para a defensora pública de Classe Especial, Mary de Fátima Ferreira de Paula, o fundamento de condicionar a alteração do nome e do gênero sexual à cirurgia estabelece uma hierarquia entre o corpo e o psicológico.

“Vetar a alteração do prenome do transexual corresponderia a mantê-lo em uma insustentável posição de angústia, incerteza e conflitos, que inegavelmente atinge a dignidade da pessoa humana assegurada pela Constituição Federal”, afirmou.

Fonte: g1/to

Transexual é morta à pedradas em Goiás após ser sequestrada

Emanuelle Muniz, 21, pegou carona na porta de uma festa, em Anápolis, GO

A transexual Emanuelle Muniz, de 21 anos, foi morta a pedradas após ser vítima de um sequestro no domingo (26), em Anápolis, a 55 km de Goiânia. De acordo com a Polícia Civil, o corpo dela foi encontrado pela própria mãe, em uma estrada na zona rural da cidade. Conforme a corporação, a jovem desapareceu após entrar em um carro na porta de uma boate.

Segundo o delegado Cleiton Lobo, do Grupo de Investigação de Homicídios de Anápolis (GIH), a mãe estava com a filha em uma festa e, na porta do evento entraram em um carro para pegar carona. Ao perceber que o veículo estava cheio, ela saiu e chamou Emanuelle, a puxando para fora. No entanto, segundo a corporação, o carro saiu em alta velocidade com a jovem dentro.

Diante disso, a mãe procurou uma amiga e começou a percorrer toda a cidade atrás da filha. Quase cinco horas depois do desaparecimento ela entrou em uma estrada de chão, mas o pneu do carro furou. Quando ela saiu do veículo para trocar o pneu com a amiga, encontrou o corpo da filha a poucos metros e ficou desesperada. Imediatamente ela acionou a Polícia Militar”, disse o delegado.

O crime aconteceu na madrugada de domingo, em uma estrada que dá acesso à BR-060, em Anápolis. De acordo com o delegado, a jovem saiu da festa com a mãe 1h, e foi morta meia hora depois. O corpo foi encontrado às 7h. Conforme as investigações, a jovem teve o celular levado pelos criminosos. No entanto, o delegado afirma que o crime pode ter sido motivado por preconceito de gênero.

“Apesar de, a princípio, ser tratado como latrocínio, não descartamos qualquer outra hipótese. Inclusive, que tenha sido um homicídio motivado por ódio de gênero. Ela era uma transexual com traços femininos, tinha seios, mas ainda não tinha feito cirurgia de mudança de sexo. A gente ainda não sabe se eles sabiam ou não que ela era transexual e se isso foi um fator que motivou o sequestro e o crime”, afirmou.

Segundo o investigador, próximo do corpo a polícia encontrou a pedra utilizada para matar a jovem. “Uma pedra enorme. Todos os fatos que envolvem este crime só revelam a tamanha brutalidade com que ele foi cometido”, revelou o delegado.

A Polícia Civil vai analisar imagens de câmera de segurança e ouvir testemunhas para tentar identificar o veículo que foi usado.

Ferido encontrado

O delegado disse que no local onde o corpo foi encontrado estava um outro jovem ferido. Segundo ele, o rapaz é um usuário de drogas e já havia sido visto outras vezes na região. No entanto, segundo o investigador, não há indícios de que ele tenha relação com o crime ou tenha sido machucado pelo mesmo autor do crime que matou a transexual.

“Pra gente, até então foi uma coincidência este outro rapaz ferido estar próximo do local. Mas, claro, vamos apurar este fato para ver em qual circunstância cada uma das situações ocorreu”, afirmou.