Terceiro incêndio em uma semana causa prejuízo de R$ 100 milhões na UFPE
Incêndio destruiu prédio com laboratórios de fármacos, informática e genética na UFPE; reitor fala em perda de 100 tipos de pesquisas e 20 anos de amostras. PF vai abrir inquérito
📋 Em resumo ▾
- Incêndio destruiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), na Cidade Universitária, no Recife
- Reitor Alfredo Gomes estima prejuízo de R$ 100 milhões em equipamentos e perda de 20 anos de pesquisas
- É o terceiro incêndio na UFPE em uma semana; não houve feridos em nenhum dos casos
- Polícia Federal vai abrir inquérito para apurar causas; UFPE ainda não identificou origem do fogo
- Por que isso importa: a sequência de incêndios expõe uma universidade federal que já enfrenta crise orçamentária e agora perde décadas de produção científica em áreas sensíveis, como pesquisas sobre Covid-19, câncer e autismo
O terceiro incêndio que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em uma semana causou um prejuízo estimado em R$ 100 milhões em equipamentos e a perda de 20 anos de pesquisas científicas, segundo o G1. A estimativa foi repassada pelo reitor Alfredo Gomes à TV Globo na quarta-feira (7), horas depois de as chamas destruírem o prédio que abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica, na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife.
O que foi destruído
O prédio atingido era o antigo edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine). Segundo Alfredo Gomes, a universidade tinha ali "aproximadamente 100 tipos diferentes de pesquisas", além de amostras acumuladas ao longo de duas décadas.
"Tínhamos muitos equipamentos dentro do prédio, sobretudo no primeiro andar, e absolutamente tudo foi destruído pelo incêndio. [...] É uma perda irreparável para a Universidade Federal de Pernambuco e para as pesquisas ali desenvolvidas, por mestrandos, doutorandos, na iniciação científica e também pelos nossos professores e professoras", afirmou o reitor, segundo o G1.
"É uma perda irreparável para a Universidade Federal de Pernambuco e para as pesquisas ali desenvolvidas" — reitor Alfredo Gomes.
O incêndio não deixou feridos, de acordo com a UFPE e com o Corpo de Bombeiros, que enviou cinco viaturas ao local e concluiu o combate às chamas às 5h desta quinta-feira (8).
Como o fogo se comportou dentro do prédio
Segundo o major Melquezedek Calado, do Corpo de Bombeiros, as chamas tomaram todo o pavimento superior e uma sala do pavimento inferior, mas parte dos laboratórios do andar de baixo foi preservada. "O incêndio ficou confinado na estrutura [do prédio], e todos os imóveis adjacentes não tiveram nenhum dano", disse o major, de acordo com o G1.
Em nota, a UFPE informou que o fogo se alastrou rapidamente por conta dos tipos de produtos armazenados no prédio.
Causa ainda não identificada; PF vai abrir inquérito
A reitoria afirmou que ainda não identificou a causa inicial do fogo. A universidade acionou a Polícia Federal (PF) para investigar o caso. Em nota, a PF informou que manteve tratativas com o reitor e o comandante do Corpo de Bombeiros, que uma equipe de peritos federais se deslocou até a UFPE para examinar o local, e que um inquérito policial será instaurado para apurar as circunstâncias e as causas prováveis do incêndio.
Nota sobre precisão jurídica: até o momento, não há nenhum suspeito, indiciado ou acusado identificado nas informações apuradas — o inquérito está apenas sendo instaurado, e a própria PF trata as causas como "prováveis", ainda por confirmar. Não há, portanto, qualquer elemento que sustente hipótese de ação criminosa deliberada; o caso segue como incêndio de causa a esclarecer.
Repercussão institucional
A UFPE disse ter contatado o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em busca de apoio para contornar os danos. No X, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, lamentou o incêndio: "Recebemos com tristeza a notícia do incêndio [...] Felizmente, não houve feridos. Estamos em contato com a reitoria da UFPE e acompanhamos as investigações para apurar as causas do incêndio. Colocamos o MEC à disposição para prestar todo o apoio necessário. Nossa solidariedade à comunidade da UFPE", postou o ministro.
O susto de quem morava perto do prédio
O incêndio aconteceu perto da Casa do Estudante da UFPE. Segundo relatos de alunos à TV Globo, a fumaça entrou nas residências e gerou temor entre os moradores.
A estudante de nutrição Letícia Porfísio não estava no campus no momento do incêndio, mas disse que testemunhas relataram a perda de amostras de estudos sobre Covid-19, autismo, câncer e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). "Disseram que o fogo começou amarelo, depois azul e roxo, e ninguém sabia o que era. Era muita fumaça com um cheiro horrível de fósforo com químicos, e mandaram mensagens pedindo para saírem do local [...]. Os seguranças [da instituição] começaram a bater nas portas do prédio para ver se tinha alguém lá dentro", declarou a estudante.
Terceiro incêndio em uma semana
Este é o terceiro incêndio registrado na UFPE em sete dias. No dia 30 de setembro, chamas atingiram um laboratório do Departamento de Física; a suspeita, segundo a instituição, é de que o fogo tenha começado em uma câmara de alta temperatura usada para aquecer substâncias. No domingo (4), outro incêndio foi registrado no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Em nenhum dos três casos houve vítimas.
A repetição de ocorrências em um intervalo tão curto levanta, para a comunidade acadêmica, a pergunta sobre a infraestrutura de segurança dos laboratórios da universidade — uma questão que só a apuração da PF e da própria UFPE poderá responder com precisão.
Versão em áudio disponível no topo do post.