Terras raras: episódio com Wagner Moura e General Santos Cruz atinge 70 mil views em 3h
Episódio da série "Revelando", apresentado por Wagner Moura, acusa Flávio Bolsonaro de "submissão" aos EUA ao defender a exploração de terras raras brasileiras por estrangeiros — tema que já dividia a campanha presidencial desde abril
📋 Em resumo ▾
- Um novo episódio da série "Revelando", apresentado pelo ator Wagner Moura e batizado de "Pátria Submissa", critica o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por sua posição sobre a exploração de terras raras brasileiras por empresas estrangeiras, em especial dos Estados Unidos.
- O episódio traz entrevista com o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro, que classifica a postura de Flávio como "submissão", e não defesa de pauta de direita ou de patriotismo.
- Segundo o canal, o episódio alcançou quase 70 mil visualizações em cerca de três horas após a publicação.
- A produção é um projeto do Calma Urgente, com apoio de distribuição do ICL, Mídia Ninja, 342 Artes e Intercept Brasil — veículos identificados com o campo político oposto a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
- Por que isso importa: o tema das terras raras já é um dos eixos de disputa da campanha desde abril, quando Flávio defendeu publicamente que países interessados no material "venham para o Brasil" explorá-lo — frase usada por adversários, como Lula e Guilherme Boulos, para acusá-lo de favorecer a venda de recursos estratégicos aos EUA.
Um novo episódio da série de reportagens "Revelando", apresentado pelo ator Wagner Moura e intitulado "Pátria Submissa", critica a posição do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sobre a exploração de terras raras — grupo de 17 elementos químicos usados em eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica e inteligência artificial — por empresas estrangeiras, em especial dos Estados Unidos. Segundo o canal que distribui o conteúdo, o episódio chegou a quase 70 mil visualizações poucas horas após ir ao ar.
A produção integra o projeto "Revelando", descrito por seus produtores como uma série de reportagens especiais sobre "temas urgentes e decisivos para entender o Brasil", ligada ao Calma Urgente e distribuída com apoio do ICL, da Mídia Ninja, da 342 Artes e do Intercept Brasil — veículos que se posicionam criticamente em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro no 2º turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
O que o episódio apresenta
Segundo a chamada do episódio, Flávio Bolsonaro estaria "prometendo entregar" as terras raras brasileiras "para tentar ganhar uma eleição", na mesma época em que o presidente americano Donald Trump demonstra interesse nas riquezas minerais do país. A produção traz entrevista com o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que serviu como ministro-chefe da Secretaria de Governo no início da gestão de Jair Bolsonaro (2019), e que afirma, segundo o material divulgado:
"Isso não é ser de direita, isso não é ser patriota, é completa submissão."
O episódio termina questionando o espectador sobre quem será o "dono" dessa riqueza mineral nos próximos anos e se o país "vai deixar entregarem de bandeja" os recursos ao governo americano.
O que Flávio Bolsonaro disse, de fato, sobre o tema
O debate sobre terras raras na campanha de 2026 não começou com o episódio: ele vem desde abril, quando a venda da mineradora Serra Verde, em Goiás, para a empresa americana USA Rare Earth — por cerca de US$ 2,8 bilhões, com financiamento de US$ 565 milhões da agência de desenvolvimento do governo dos EUA (DFC) —, colocou o tema no centro da disputa presidencial.
Na ocasião, em vídeo publicado em suas redes sociais no final de abril, Flávio Bolsonaro defendeu que países e empresas interessados no material viessem ao Brasil processar o minério em território nacional, em vez de o país apenas exportar o produto bruto:
"As terras raras. 'Interessa' pro mundo? Vem pra cá, vamos transferir tecnologia para cá."
Em evento posterior nos Estados Unidos, na CPAC, o senador também declarou que "o Brasil é a solução para os EUA quebrarem a dependência da China" no fornecimento desses minerais — fala que passou a ser amplamente usada por adversários como evidência de alinhamento com interesses americanos. Os EUA dependem da China para cerca de 70% das importações de minerais críticos, segundo estimativas citadas pela imprensa especializada no tema.
A disputa política em torno do assunto
A posição de Flávio Bolsonaro tornou-se alvo de críticas recorrentes de adversários políticos nos meses seguintes. O presidente Lula (PT) chegou a dizer que Flávio "quer vender para os EUA uma coisa tão importante quanto petróleo", e o deputado Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que o senador "quer entregar de bandeja nossos minerais críticos para os americanos". O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aliado de Flávio no debate sobre o tema, também foi alvo de críticas de Lula pela negociação que resultou na venda da Serra Verde.
Do lado do governo, porém, a posição também não é isenta de contradições: o Executivo descartou criar a estatal Terrabras, proposta defendida por parlamentares de esquerda e parte da comunidade científica para dar ao Estado um papel mais ativo na exploração desses minerais, e a tramitação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no Congresso foi adiada diversas vezes neste ano, em meio à falta de consenso sobre o grau de abertura do setor a capital estrangeiro.
Não foi localizada, até a publicação desta matéria, resposta pública da campanha de Flávio Bolsonaro especificamente à acusação de "entreguismo" ou de "submissão" formulada no episódio do "Revelando" ou por outros adversários — a posição conhecida do senador sobre o tema é a de que a exploração por capital estrangeiro, associada à transferência de tecnologia e ao processamento em território nacional, seria positiva para o país.
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