TJMG pode rever decisão que absolveu Bruno por corrupção de menores

Tribunal vai reapreciar processo relacionado ao caso envolvendo o goleiro em 19 de abril. Para o STJ, a configuração do crime de corrupção de menores não exige a prova e precisa ser reanalisado

A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) vai reapreciar processo relacionado ao caso Bruno Fernandes da Dores, de 32 anos, que poderá responder por corrupção de menores no caso da morte de Eliza Samudio. O processo, julgado em setembro de 2011, manteve a decisão da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do Tribunal do Júri de Contagem, que absolvia Bruno pelo crime.

Na ocasião, o Ministério Público recorreu contra a decisão, ajuizando um recurso especial direcionado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para o STJ, “a configuração do crime de corrupção de menores não exige a prova da efetiva corrupção do menor”, conforme foi publicado no site do TJMG. Assim, esse ponto precisaria ser reanalisado.

No primeiro julgamento realizado no TJMG, os magistrados entenderam que a absolvição dos réus pela juíza foi correta, já que não havia prova suficiente que demonstrasse que o menor Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno, tivesse sido corrompido pelos réus.

Na decisão, o desembargador Doorgal Andrada observou que “o próprio comportamento desenvolvido pelo adolescente já demonstrava que ele possuía conduta polêmica e envolvimento anterior com drogas”. Para ele, não ficou configurado o crime de corrupção de menores, porque não havia provas de que o adolescente tivesse sido corrompido pelos acusados.

Porém, a 3ª Vice-Presidência apontou que a decisão da 4ª Câmara Criminal parece estar em desacordo com o entendimento consolidado pelo STJ no que diz respeito aos casos de corrupção de menores. Assim, determinou o retorno do processo à câmara para a reapreciação desse ponto. Após o pronunciamento da turma julgadora da 4ª Câmara Criminal sobre o caso, o processo retornará à 3ª Vice-Presidência para a realização do juízo de admissibilidade, quando será avaliado se o recurso será encaminhado para Brasília.

Bruno é apresentado como jogador do Boa Esporte


Coletiva goleiro Bruno por painelpolitico

Depois de muita polêmica, o goleiro Bruno Fernandes das Dores, de 32 anos, assinou nesta manhã contrato com o Boa Esporte, de Varginha, no Sul de Minas. Ele disse que, durante várias vezes em que esteve preso, achou que não daria para voltar aos gramados, mas ressaltou que vive de sonhos.

“O Bruno vive de sonhos. Quero ajudar ao Boa a chegar à promeira divisão” (…) Eu achei, várias vezes, que não daria. Não posso simplesmente jogar a toalha. Minha esposa (a dentista Ingrid Calheiros) não aceitava de forma alguma (que eu desistisse). Tenho de acreditar em mim”, disse o jogador.

Ele concedeu entrevista coletiva à imprensa e se negou a responder perguntas sobre Eliza Samudio. Da mesma forma, sobre as bases do contrato.

O goleiro disse que foi bem recebido em Varginha e falou sobre as críticas que vem recebendo. “Estou muito feliz pela oportunidade dada. As pessoas cobram muito pelo que aconteceu no passado. O Boa está abrindo as portas para mim, é uma oportunidade dada, estou muito feliz.”, disse.

Bruno estava usando a camisa do Boa Esporte com os patrocinadores. Os cinco apoiadores se retiraram nos últimos dias, contrários à contratação do goleiro.

Após ficar preso por seis anos e sete meses, acusado de ser mandante do assassinato de Eliza Samudio, Bruno disse estar feliz com a oportunidade e não descarta Seleção Brasileira. “Acho que sonhar nunca é demais. Um dia sonhei estar aqui de volta e agora estou. Vou dar o meu melhor aqui no Boa, vou me dedicar.”

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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