Vereadores defendem permanência das empresas sucateadas de transporte público

Alegando que mudanças vão gerar desempregos e que prefeitura está trocando “seis por meia dúzia”, eles não questionam serviços atuais

Porto Velho — Os vereadores da capital resolveram partir para questionar o contrato emergencial que a prefeitura de Porto Velho pretende fazer para substituir as empresas de transporte coletivo de Porto Velho, cujos contratos foram cancelados pela prefeitura em função dos péssimos serviços que vem sendo prestados há décadas.

Nos últimos dias alguns vereadores começaram a fazer uma série de questionamentos e alegações sem nenhum fundamento, em defesa do grupo que monopoliza o transporte usando veículos velhos, com atrasos constantes e deixando de passar em várias ruas.

Os vereadores, alguns na segunda legislatura, nunca se importaram com a péssima qualidade dos serviços prestados, nem sobre os débitos de ISS que tanto as empresas quanto o Sindicato dos Transportes possuem junto ao município, que juntas somam mais de R$ 20 milhões.

Os edis também não questionam o fato das empresas estarem prestando serviço com carros velhos, em condições precárias de atendimento e defendem que a prefeitura faça logo a licitação para a concessão definitiva, o que certamente levaria o restante do ano, em função de recursos e burocracia. Como 2016 é ano eleitoral, e não será possível realizar o processo, as empresas ganhariam fácil mais um ano e meio, e melhor, sem precisar investir nem um centavo em melhorias. Já o contrato emergencial prevê um prazo de seis meses para realização da licitação, podendo ser estendido por mais 6. A empresa que vencer o chamamento terá que colocar carros mais novos e funcionais e evidentemente se pretende participar de um processo de concessão pelos próximos anos, deverá colocar o melhor equipamento possível nas ruas, bem diferente dos atuais.

Em discursos inflamados, os vereadores alegam que motoristas e cobradores ficarão desempregados, o que não é verdade, já que muitos serão aproveitados pelas novas empresas. O pagamento das rescisões também já foi garantido pela justiça do Trabalho, que bloqueou as contas das empresas de ônibus e do sindicato para quitação dessas rescisões.

O vereador Jurandir Bengala (PT), na última segunda-feira, além de defender a permanência das atuais empresas, ainda pediu que fosse concedido um reajuste nos valores das passagens. Ele disse que não teme ser criticado pela população por defender o reajuste da tarifa de ônibus. Detalhe: Jurandir Bengala não utiliza o transporte coletivo. A Câmara colocou à sua disposição uma caminhonete de luxo e ainda lhe dá verba para abastecer o carrão. Seu motorista particular, de tão íntimo, costuma acompanhar o vereador em viagens pagas pelo contribuinte.

Demonstrando revolta com o prefeito Mauro Nazif (PSB), que se recusa a ceder à pressão das empresas por reajuste, Bengala disse que vai continuar cobrando o aumento.Hoje, a tarifa está em R$ 2,60, mas as empresas querem algo em torno de R$ 4,00.Bengala foi aplaudido pelos seus assessores ao defender o reajuste.

“Aí alguém vem me dizer: o povo não pode pagar esse aumento. Ora, tudo subiu, o preço do sapato subiu. O preço da passagem também tem que subir”, disse o vereador. Ele afirmou, também, que em qualquer lugar onde encontrar o prefeito Mauro Nazif vai cobrar o aumento e também não teme a reação da população a seu dicurso. “Tem que subir mesmo!”.

Nos últimos dias, as empresas de ônibus tem feito lobie junto a vereadores e setores da imprensa contra a Prefeitura de Porto Velho, que tenta tirá-las do negócio por descumprirem o contrato de prestar serviço de qualidade à população.

Após sofrerem sucessivas derrotas no judiciário, as duas empresas tem “trabalhado” junto a políticos para que passem a defender seus interesses comerciais em claro prejuízo aos interesses da população  usuária do transporte coletivo na capital.
Para justificar sua defesa das empresas, Bengala usou um argumento singelo: para cobrar melhoria do transporte coletivo tem que aumentar o preço da passagem, esquecendo deliberadamente que, na administração de seu colega petista Roberto Sobrinho, os preços aumentavam, enquanto a qualidade do serviço só piorava.

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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