Virginia Fonseca pede sigilo de contratos com a Blaze em ação do MP
Na contestação, influenciadora diz que documentos têm dados comerciais e pessoais; MP do DF cobra ao menos R$ 120 milhões dela e da casa de apostas
📋 Em resumo ▾
- A influenciadora Virginia Fonseca pediu à Justiça do DF que mantenha em sigilo os contratos, aditivos, vídeos e transcrições ligados à sua parceria com a casa de apostas Blaze, segundo a coluna de Ancelmo Gois, em O Globo.
- O pedido está na contestação, que é a defesa formal de Virginia na ação movida pelo Ministério Público do DF. Ela alega que os documentos têm informações comerciais, financeiras e pessoais.
- O MP acusa Virginia e a Blaze de publicidade enganosa e de induzir seguidores a apostar, e cobra das duas pelo menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
- É uma ação civil, e não um processo criminal. Virginia não foi condenada e nega irregularidades.
- Por que isso importa: se o sigilo for concedido, o público pode não saber quanto e como a influenciadora ganhava com a Blaze
A influenciadora Virginia Fonseca quer manter em sigilo os contratos, aditivos, vídeos e transcrições que podem ser entregues à Justiça no processo em que é acusada de publicidade enganosa e de induzir seguidores a apostar na plataforma Blaze. A informação é da coluna de Ancelmo Gois, em O Globo. O pedido foi feito na defesa de Virginia na ação movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT).
O que Virginia pediu
Segundo a coluna, o pedido de sigilo está na contestação de Virginia. Contestação é o documento em que o réu apresenta sua defesa formal no processo.
A influenciadora alega que os documentos não podem ser divulgados porque contêm informações comerciais, financeiras e pessoais. Em regra, os processos judiciais no Brasil são públicos. A lei abre exceções, como a proteção de dados ligados à intimidade das partes. Cabe ao juiz decidir se o pedido se encaixa numa dessas exceções. Até a publicação deste texto, não havia informação sobre a decisão.
Do que Virginia e a Blaze são acusadas
O MPDFT apresentou a ação civil pública no Tribunal de Justiça do DF em 8 de julho. Ação civil pública é um processo usado para defender direitos coletivos, como os dos consumidores. Ela não é um processo criminal: não pode resultar em prisão, apenas em indenização e em obrigações.
O MP pede que Virginia e a Blaze sejam condenadas juntas a pagar pelo menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos, que são danos causados à sociedade como um todo. O MP também pede reparação por danos materiais e morais individuais, que seriam pagos aos apostadores prejudicados. O valor de R$ 120 milhões foi calculado com base na estimativa de que a Blaze movimentaria cerca de R$ 600 milhões por ano em apostas.
O promotor de Justiça Paulo Roberto Binicheski, que assina a ação, descreve Virginia como uma peça central na captação de apostadores. Segundo ele, ela executava a mensagem enganosa e induzia seus seguidores a apostar. A ação cita, por exemplo, publicações de Virginia sobre o jogo entre Argentina e Cabo Verde na Copa do Mundo.
O promotor chamou Virginia de "braço operacional da captação" da Blaze.
As acusações contra a Blaze
A investigação começou em 2023, quando a Blaze operava sem autorização do governo federal. O MP reuniu mais de 42 mil reclamações de consumidores contra a plataforma, com relatos de contas bloqueadas e dinheiro retido. Para investigar as práticas de publicidade, servidores do MP chegaram a se cadastrar na plataforma e a monitorar as mensagens promocionais enviadas pela empresa.
O MP também cita um inquérito da polícia de Mato Grosso. Segundo esse inquérito, a Blaze usava celebridades e influenciadores para atrair usuários com promessas de ganhos rápidos e fáceis.
Segundo o site Credited, o promotor afirma que Virginia teria recebido cerca de 30% das perdas dos apostadores que ela levou à plataforma. Esse é um dos pontos que os contratos agora sob pedido de sigilo poderiam esclarecer.
O que o MP pede além da indenização
O MP pediu à Justiça uma decisão urgente para que Virginia apague das redes sociais toda publicidade de apostas que prometa lucro fixo, renda extra ou ganho garantido. Pediu também que ela e a Blaze paguem campanhas educativas sobre os riscos do vício em jogos, do endividamento excessivo e sobre os direitos do consumidor.
O que dizem Virginia e a Blaze
A defesa de Virginia afirma que qualquer responsabilização precisa se basear em provas concretas, e não em suposições feitas por ela ser uma pessoa pública. Depois que a ação foi apresentada, a influenciadora encerrou o contrato com a Blaze.
A Justiça tentou notificar Virginia pelos Correios em 30 de julho e em 30 de agosto, sem sucesso. A defesa explicou que ela estava viajando fora do país e que isso tinha sido divulgado nas redes sociais. Depois, os advogados compareceram espontaneamente ao processo, o que abriu o prazo para a apresentação da defesa.
A Blaze, quando a ação foi apresentada, afirmou que não tinha sido intimada formalmente e que segue comprometida com a transparência e com a legislação brasileira.
O histórico: a CPI das Bets
Não é a primeira vez que a relação de Virginia com as casas de apostas vira assunto público. Em 2025, ela prestou depoimento à CPI das Bets do Senado, que investigou as apostas online no país.
O que o caso revela
O pedido de sigilo é um direito da defesa, e proteger dados comerciais e pessoais é algo comum em processos. Mas os documentos que Virginia quer manter longe do público são justamente os que podem mostrar como ela era paga pela Blaze e se ganhava com as perdas dos seguidores.
A decisão do juiz vai dizer se esses contratos são assunto privado entre a influenciadora e a empresa, ou de interesse de milhões de pessoas que a acompanham.
Versão em áudio disponível no topo do post.