Vírus zika pode causar microcefalia em fetos e paralisia em adultos e crianças

Depois que foi confirmada à relação do zika vírus com a microcefalia, as gestantes de todo o Brasil estão mais preocupadas com o vírus. E a procura por repelentes cresceu rapidamente, deixando o produto em falta nos estoques de farmácias e drogarias.

Porém, de acordo com a médica do Programa Estadual de Controle a Dengue, Chicungunya e Zíka Vírus de Mato Grosso, Silbene Lotufo Müller, não é só as gestantes que têm que tomar cuidado com o mosquito. O alerta vale para homens, mulheres e crianças.

De acordo com a médica, o zika vírus não transmite só a microcefalia para gestantes. Quem for infectado também pode contrair uma doença rara neurológica conhecida como “Síndrome de Guillain Barré”.

[su_frame align=”right”] [/su_frame]A síndrome é uma reação do organismo que pode ocorrer até um mês depois de uma infecção causada por bactérias ou vírus, como o zika, e ataca o sistema nervoso.

O vírus provoca paralisia, que começa pelos pés e sobe pelo corpo, até chegar ao rosto. Nos casos mais graves, pode provocar paralisia respiratória.

O tratamento é à base de um medicamento, a imunoglobulina. Porém, a maioria dos pacientes consegue se recuperar.

Apesar de não ter nenhum caso registrado em Mato Grosso, a médica alertou para que todos se previnam.

“Tanto o adulto como a criança também tem que se prevenir contra o mosquito porque, além da microcefalia, existe também essa doença, a síndrome de Guillain Barré, que começa na parte de baixo da musculatura e vai subindo, podendo causar  a falta de respiração. Esse vírus é o mesmo que transmite a microcefalia para os bebês e ele também foi diagnosticado pelo Ministério da Saúde Nacional. Então, é importante que todas as pessoas se  cuidem”, disse Silbene Müller.

O transmissor

Recentemente, o Ministério de Saúde Nacional confirmou, oficialmente, a ligação da microcefalia com o zíka vírus, por meio de exames feitos em uma criança do Estado do Ceará, que nasceu com microcefalia e outras doenças congênitas.

Além do zika, o mosquito aedes aegypti também é transmissor da dengue e do chikungunya.

A médica Silbene Müller alertou para a importância de se saber diferenciar os sintomas de cada um dos vírus.

“Com a dengue, as pessoas devem se ater a pelo menos dois sintomas, como dor no corpo, nas articulações, nos olhos. É muito importante estar alerta com a dengue porque ela pode acometer o cérebro, o rim, pulmões e baços”, disse.

Já com relação aos sintomas da chicungunya, eles são mais fortes, segundo a médica.

“No caso da chicungunya, a febre é muito alta, de 39 a 40 graus, e também pode causar lesões no corpo, mas diferente dos da dengue. O nome chicungunya quer dizer ‘aqueles que se dobram e aqueles que se curvam’, porque as pessoas que contraem a doença se curvam de tanta dor nas articulações, na cabeça, nas mãos e nas pernas”, explicou.

“O zika vírus não dá febre alta e o que chama mais atenção é a vermelhidão no corpo, além dor nas articulações, porém não tão intensas quanto as da dengue, e irritação na garganta. Mas a população deve ficar atenta porque 80% das pessoas não apresentam sintomas”, completou.

Cuidados importantes

A médica Silbene Müller disse que a maior culpada pelo aumento de casos de dengue, chicungunya e o zika vírus é a própria população.

“Os municípios e a população têm que se preocupar mais com o seu bem estar. Hoje, 52% municípios não informam à Secretaria de Estado de Saúde o que está acontecendo. Isso é um fato muito grave. Os municípios precisam cumprir o dever de casa, que é mapear e divulgar esses casos, para a população ficar alerta, porque apenas os agentes não dão conta”, disse.

Além da conscientização, é importante saber que a população pode denunciar possíveis criadouros do mosquito.

“Há uma vigilância epidemiológica hoje em todos os municípios e todos eles sabem qual é o protocolo a se seguir. O Estado já fez a orientação de manejo para todos, agora próprio morador tem que cobrar, denunciar, fazer mutirão de limpeza. Todos têm que cuidar”, completou a médica.

O Governo do Estado já está trabalhando em um plano emergencial e, em breve, deve ser divulgado em rádios, TVs, jornais e sites, numa ampla campanha de combate ao vetor.

No MT aumentaram mais de 800% os casos de microcefalia

O número de casos de bebês que nascem com microcefalia aumentaram mais de 800% este ano em Mato Grosso, principalmente entre os meses de agosto e novembro. A suspeita de que os casos pudessem ter ligação com mulheres grávidas que contraíram o zíka vírus foi confirmada pela Ministério da Saúde no final do mês passado.

O vírus é da mesma família que o que causa a dengue, mas menos agressivo. No entanto, pode fazer com que o feto não tenha um desenvolvimento cerebral adequado caso a mãe o contraia durante a gestação.

No estado foram registrados pela Secretaria de Estado de Saúde do Estado (SES) 54 casos, sendo identificados 13 em setembro, 24 em outubro e 15 casos em novembro, até o dia 21 do mês. Todos os recém-nascidos diagnosticados são pertencentes à regional Sul de Saúde, cuja sede é Rondonópolis (210 km de Cuiabá).

Como em todo o ano passado foram registrados apenas seis casos em todo o estado, o aumento neste ano, até aqui, é de 866%.

As informações são do Midianews

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Alan Alex é jornalista, editor do site e da coluna Painel Político. Natural de Porto Velho foi criador e editor do site Portal364, trabalhou na redação dos jornais Diário da Amazônia, Folha de Rondônia, revista Painel Político, foi assessor de imprensa, é roteirista, editor de conteúdo e relações públicas. Também atuou como repórter de TV e rádio. É filiado à ABRAJI.

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