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“Volto porque deu certo”: Amanda Dalprá abre empresa em RO

Depois de quebrar com uma franquia e brilhar no mercado financeiro de Brasília e São Paulo, a rondoniense Amanda Dalprá volta a Porto Velho para fundar a própria empresa

“Volto porque deu certo”: Amanda Dalprá abre empresa em RO
📷 Divulgação
📋 Em resumo ▾
  • A rondoniense Amanda Dalprá fundou a Dalprá Capital, com sede em Porto Velho, especializada em consórcios, crédito e alavancagem patrimonial.
  • Ela volta depois de oito anos fora. Nesse período fez carreira em Brasília e em São Paulo e, segundo ela, chegou a mais de R$ 500 milhões em operações e clientes em 48 países.
  • A história começou com uma falência: ela perdeu todas as economias numa franquia de restaurante.
  • A empresa é um projeto de família, tocado com o irmão, Jorge Ricardo Ginelli.
  • Por que isso importa: quem faz carreira no mercado financeiro costuma deixar Rondônia de vez. Amanda faz o caminho inverso e traz a sede do negócio para o estado, num momento em que o consórcio vive o melhor ano da história no Brasil.
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A rondoniense Amanda Dalprá voltou para casa, e não de mãos vazias. Depois de oito anos longe de Porto Velho, construindo carreira no mercado financeiro em Brasília e em São Paulo, ela acaba de fundar a Dalprá Capital, empresa própria com sede na capital de Rondônia. A empresa trabalha com três frentes: consórcios, soluções de crédito e o que o mercado chama de alavancagem patrimonial, ou seja, usar consórcio ou crédito para comprar bens, como imóveis, e aumentar o patrimônio sem precisar pagar tudo de uma vez.

Ela faz questão de deixar claro que a volta não é recuo:

“Eu não estou voltando porque não deu certo lá fora. Estou voltando justamente porque deu certo. Porque conquistei experiência, construí autoridade e hoje tenho condições de trazer tudo isso para a terra onde nasci.”

O começo: tudo perdido numa franquia

A história de Amanda não começa no topo. Como o Painel Político contou em maio de 2025, o primeiro negócio dela terminou em prejuízo. Ela colocou todas as economias numa franquia de restaurante, apostando nas promessas de suporte e lucro feitas pela franqueadora. As promessas não se cumpriram, o restaurante fechou e ela ficou com dívidas.

O golpe foi além do dinheiro. “Perdi não só o dinheiro, mas também a confiança em mim mesma”, contou na época.

Foi a partir desse tombo que ela mudou de área e entrou no mercado financeiro.

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A virada: Brasília, São Paulo e os brasileiros no exterior

O recomeço foi em Brasília, onde Amanda passou a trabalhar com consórcios e estratégias de alavancagem patrimonial. Depois veio São Paulo, o centro financeiro do país, onde ela diz ter atuado “ao lado de grandes nomes e importantes players” do setor.

Na Referência Capital, empresa em que liderou a expansão, ela encontrou um nicho pouco explorado: o brasileiro que mora fora do país e quer comprar imóvel no Brasil. Amanda desenvolveu um modelo de crédito imobiliário voltado para esse público. Parte dos clientes queria a casa própria para quando voltasse; outra parte queria investir e viver de aluguel. Em 2025, a maior parte dessa clientela estava nos Estados Unidos, em Portugal e no Canadá.

“Nosso foco é o Brasil, conectando quem vive fora ao mercado imobiliário do país”, explicou à época.

Ela atribuía o crescimento a dois fatores. O primeiro é o pós-venda, o acompanhamento do cliente depois de fechado o negócio, em todas as etapas. “Não importa o valor do contrato, estamos sempre ao lado do investidor”, disse. O segundo é a tecnologia, que permitiu atender, à distância, quem está do outro lado do oceano. “A tecnologia mudou o jogo.”

Os resultados apareceram. Segundo a reportagem de 2025, ela já tinha movimentado mais de R$ 120 milhões em créditos imobiliários e havia sido apontada como “revelação do ano” do setor em 2024.

A Dalprá Capital

Um ano e meio depois, os números cresceram. Segundo Amanda, sua atuação já soma mais de R$ 500 milhões em operações, com clientes em 48 países.

É esse capital de experiência e de clientes que ela traz agora para Rondônia. A Dalprá Capital tem sede em Porto Velho, mas não nasce como empresa local: o atendimento continua global, e quem mora no Japão, na Irlanda ou nos Estados Unidos segue podendo contratar os serviços à distância. O que muda é o endereço de onde as decisões são tomadas.

A empresa é também um projeto de família. Amanda divide a empreitada com o irmão, Jorge Ricardo Ginelli.

“Subir de nível”

Amanda tem um nome para esse momento: “subir de nível”. Na visão dela, sair de Rondônia foi uma etapa necessária para acumular conhecimento, e voltar é a etapa seguinte, não um passo atrás.

“Durante muitos anos, eu saí da minha terra para buscar conhecimento, oportunidades e crescimento. Hoje, volto com tudo aquilo que conquistei para construir algo ainda maior. Para mim, isso não é retroceder. É evoluir.”

Um mercado em alta

A aposta chega num momento favorável para o setor. Para quem não conhece o produto: consórcio é um grupo de pessoas que paga parcelas mensais para um fundo comum. Todo mês, parte do grupo é sorteada ou dá um lance e recebe uma carta de crédito para comprar o bem, seja imóvel, carro ou outro. Não há juros, mas há uma taxa de administração.

Segundo a ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), o sistema chegou a 13,55 milhões de participantes ativos em agosto de 2026, alta de 12,1% em um ano. De janeiro a agosto, foram vendidas 3,82 milhões de cotas, e os créditos comercializados somaram R$ 389,59 bilhões, 24,2% a mais que no mesmo período de 2025.

O outro lado

A empresa já se encontra operando em Porto Velho e globalmente, e Amanda lançou ainda uma mentoria para quem quer destravar as vendas de consórcios e para grandes empresários. Os contatos podem ser feitos pelo e-mail amanda@dalpracapital.com ou pelo Whatsapp 69.9992.06434

A volta de Amanda inverte um roteiro conhecido em Rondônia. Quem cresce no mercado financeiro costuma ir embora de vez e, no máximo, manter alguns clientes no estado. Sediar a empresa em Porto Velho e atender clientes em dezenas de países a partir daqui é uma aposta de que a distância dos grandes centros deixou de ser obstáculo para quem trabalha com tecnologia e relacionamento. Se der certo, o caso de Amanda pode servir de exemplo para outros rondonienses que fizeram carreira fora. Ela mesma resume a lógica: “Eu precisei conhecer o mundo para compreender o tamanho do que posso construir na minha própria terra.”

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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