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Willer Tomaz: apostas, PF e a proximidade com Flávio Bolsonaro

Advogado que movimentou R$ 13 bilhões em apostas on-line e é alvo da Operação Sem Desconto tem amizade antiga com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro

Willer Tomaz: apostas, PF e a proximidade com Flávio Bolsonaro
📷 Reprodução
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  • Willer Tomaz de Souza, advogado e empresário de Brasília, voltou ao noticiário nesta terça (30) após reportagem do Metrópoles mostrar diálogos em que ele e a operadora de apostas Blaze discutiam formas de driblar a regulamentação federal do setor
  • Tomaz é também alvo, desde agosto, da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga fraudes em descontos de aposentados do INSS; sua defesa nega qualquer envolvimento no esquema
  • Ele é amigo pessoal e companheiro de viagens do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e já esteve em outros episódios controversos, incluindo o caso JBS (2017) — cuja denúncia foi rejeitada por falta de provas
  • Por que isso importa: o debate sobre regulamentação de apostas está no centro da pauta pública, e a proximidade de Tomaz com um candidato à Presidência amplia o interesse público sobre seu histórico — sem que isso, por si só, implique irregularidade da parte de Flávio Bolsonaro
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O nome do advogado e empresário Willer Tomaz de Souza voltou ao centro do noticiário nesta quarta-feira (30), em meio ao debate público sobre a regulamentação das apostas esportivas e de cassino on-line no Brasil. Uma reportagem da coluna de Demétrio Vecchioli, no Metrópoles, revelou diálogos entre Tomaz e o "concierge VIP" da operadora de apostas Blaze, nos quais os dois discutiam formas de contornar regras da legislação federal que entrou em vigor em 2025. O episódio se soma a outras frentes que hoje cercam Tomaz — entre elas uma investigação da Polícia Federal e casos antigos que remontam a mais de uma década.

O episódio da Blaze

Segundo a reportagem do Metrópoles, que teve acesso a uma ata notarial juntada aos autos de uma ação movida pelo próprio Willer Tomaz contra a Blaze, o advogado relatou ao concierge da empresa que estava sofrendo questionamentos de bancos e órgãos reguladores pelo volume de suas transações. Tomaz chegou a perguntar se havia alguma solução, citando como referência o modelo que usa em cassinos de Las Vegas. O funcionário da Blaze sugeriu, segundo o Metrópoles, que as movimentações fossem feitas por meio de criptomoedas — o que, segundo a reportagem, permitiria escapar dos limites de valor exigidos pela regulamentação federal para apostas em reais.

A legislação em vigor exige que todos os aportes e retiradas em plataformas de apostas ocorram exclusivamente por transferência eletrônica entre contas cadastradas em instituições autorizadas pelo Banco Central. Segundo o Metrópoles, a Blaze também liberou para Tomaz uma exceção ao reconhecimento facial obrigatório nos saques — outra exigência da nova regulação — depois que ele reclamou da demora do procedimento.

De acordo com documentos citados pela reportagem, Tomaz movimentou cerca de R$ 10 bilhões em apostas on-line somente em 2025, acumulando R$ 13 bilhões até junho de 2026. Em uma ação judicial movida por ele contra a Blaze, a empresa rebateu as acusações ponto a ponto, mas, segundo o Metrópoles, não comentou especificamente a sugestão de uso de criptomoedas nem o fracionamento de saques. A coluna não conseguiu contato com a Blaze, e Tomaz não respondeu aos contatos da reportagem do Metrópoles até a publicação da matéria original.

A Operação Sem Desconto e o INSS

Em 4 de agosto de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Willer Tomaz, em Brasília, no âmbito de uma nova fase da Operação Sem Desconto — que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sob suspeita dos crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. A ação também mirou familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado.

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A defesa de Willer Tomaz se manifestou por nota, mais de uma vez, negando qualquer envolvimento com os fatos apurados na operação. Segundo o comunicado, a diligência contra ele decorreu exclusivamente do fato de ele ser proprietário de uma aeronave usada, em caráter particular e amistoso, pelo senador Weverton Rocha em uma viagem — sem qualquer relação, segundo a defesa, com o esquema de fraudes investigado. A nota afirma ainda que Tomaz "não figura como investigado no referido procedimento da Polícia Federal" e que ele "está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários", dizendo confiar na "apuração serena dos fatos".

Investigadores apontam, segundo reportagens da época, que a esposa do senador Weverton Rocha recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Tomaz, e que uma residência usada pelo senador teria sido adquirida por uma empresa de Tomaz. Nenhuma dessas informações foi confirmada judicialmente como irregular até o momento — trata-se de apuração em andamento.

O avião de Vorcaro e o apartamento

Tomaz também foi apontado, em reportagens de setembro, como um dos donos do jato particular em que Flávio Bolsonaro viajou durante a campanha — a mesma aeronave que, segundo a imprensa, teria ligação com o nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota à CNN Brasil, Tomaz negou qualquer relação pessoal ou comercial com Vorcaro: "não conhece [o ex-banqueiro], jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza". Outras reportagens apontam que Tomaz comprou, por R$ 3,5 milhões, um apartamento que pertencia ao cunhado de Vorcaro — imóvel que, segundo uma das fontes consultadas, teria sido usado por Flávio Bolsonaro meses depois da negociação.

Dos computadores à advocacia

Antes de se tornar advogado, Tomaz foi comerciante no ramo de informática, dono de uma loja modesta — a "Willer Informática", aberta em 1999, em Taguatinga (DF). Segundo o verbete público que reúne sua biografia, o negócio faliu, e foi então que ele decidiu estudar Direito. Hoje é dono do escritório "Willer Tomaz Advogados Associados", em Brasília, e do Sistema Difusora de Comunicação, no Maranhão — sendo descrito por diferentes veículos como uma figura de forte trânsito político na capital federal.

O caso JBS e outros episódios antigos

Em 2017, Tomaz foi preso preventivamente pela Polícia Federal sob acusação de obstrução de justiça, em desdobramentos da Operação Greenfield — sendo apontado, à época, como intermediário de propina a um suposto agente infiltrado no Ministério Público Federal ligado ao caso JBS. A denúncia contra ele foi posteriormente rejeitada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), anos depois, por falta de provas — fato relevante que constou de todas as reportagens recentes consultadas para este perfil e que preserva sua presunção de inocência quanto a esse episódio específico.

Reportagens também mencionam que, durante a CPI da Covid, o relator Renan Calheiros apurou um suposto envolvimento de Tomaz, de Flávio Bolsonaro e do advogado Frederick Wassef no episódio da compra irregular da vacina Covaxin.

A proximidade com Flávio Bolsonaro

Diferentes veículos descrevem Tomaz como amigo pessoal e de longa data do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem já participou de viagens privadas — entre elas um safári na África do Sul, ao lado também do senador Weverton Rocha. É importante frisar: nenhuma das investigações citadas neste perfil aponta Flávio Bolsonaro como investigado nos episódios do INSS ou da Blaze — a menção à amizade entre os dois é contexto biográfico sobre Tomaz, não uma acusação dirigida ao candidato.

O que ainda está em aberto

Até o fechamento desta matéria, nenhuma das investigações mencionadas — Operação Sem Desconto, o episódio da Blaze — resultou em denúncia formal ou condenação contra Willer Tomaz. O caso JBS, o único a chegar à fase de denúncia no passado, foi arquivado por falta de provas. A defesa de Tomaz nega envolvimento em irregularidades na operação do INSS e diz confiar na apuração dos fatos. O Painel Político não obteve, de forma direta, manifestação de Tomaz sobre o episódio específico da Blaze, além do que já consta na reportagem original do Metrópoles.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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