A atmosfera golpista de 1964
Por Victor Missiato*

O Brasil vivia, em março de 1964, um dos momentos mais conturbados de sua história. Há 60 anos, vivíamos uma verdadeira atmosfera golpista. Eram tempos de Guerra Fria, e a Revolução Cubana surgia como um espectro do comunismo na mentalidade coletiva do universo latino-americano.
Naquela conjuntura, o sistema político brasileiro se transformou, pois sua característica passou de um pluralismo moderado para um pluralismo extremamente polarizado. Esse quadro se agravou quando Jânio Quadros venceu as eleições de 1960. Com uma oposição ao “sistema”, Jânio almejava conquistar o apoio de uma ampla base política. Venceu com um discurso miraculoso, afirmando resolver todos os problemas ligados à corrupção e inflação no país.
Calculando erroneamente a situação política, o presidente eleito resolveu renunciar, acreditando que receberia um forte apoio popular. Quem assumiu foi João Goulart, vice-presidente. Reconhecidamente identificado com uma tendência mais à esquerda do espectro político, Jango suscitou enormes desconfianças por parte de grupos civis e militares.
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