Análise & Opinião

A política do caos: o modus operandi da extrema direita no mundo

Uma análise sobre o método de radicalização permanente, deslegitimação das instituições democráticas e os desafios do Estado de Direito. Por Marcelo Aith

A política do caos: o modus operandi da extrema direita no mundo
📷 Divulgação
📋 Em resumo
  • A ascensão global da extrema direita se baseia em um método político deliberado de radicalização permanente, exploração do ressentimento social e produção de instabilidade sistemática.
  • Opositores políticos são retratados como ameaças morais absolutas ("inimigos internos"), substituindo o debate de ideias saudável por uma lógica de hostilidade e guerra simbólica.
  • As redes sociais e a desinformação estrutural funcionam como amplificadores de discursos personalistas e messiânicos, blindando líderes de contestações através de narrativas de perseguição institucional.
  • O ápice desse processo resulta na erosão das bases do Estado Democrático de Direito, manifestado fisicamente em episódios como o 8 de janeiro no Brasil e a invasão do Capitólio nos EUA.
  • Por que isso importa: A sobrevivência das democracias contemporâneas depende do fortalecimento de seus pilares e da capacidade de conter a erosão institucional interna sem asfixiar o pluralismo político legítimo.
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A ascensão contemporânea da extrema direita constitui um dos fenômenos políticos mais relevantes das últimas décadas. Sua expansão em diferentes países não decorre apenas da existência de pautas conservadoras, nacionalistas ou de direita, posições plenamente legítimas dentro de sociedades democráticas. O que chama atenção é a construção de um método político específico, marcado pela radicalização permanente do discurso público, pela exploração do ressentimento social e pela transformação do conflito em instrumento central de mobilização. Em muitos casos, mais do que apresentar projetos consistentes de reorganização social, determinados movimentos parecem retirar sua força precisamente da instabilidade que ajudam a produzir.

A política, em democracias constitucionais, pressupõe disputa de ideias, divergência e alternância de poder. Divergir faz parte do processo democrático. O problema surge quando o adversário deixa de ser percebido como alguém que sustenta posições diferentes e passa a ser retratado como uma ameaça moral absoluta, alguém cuja existência política se torna incompatível com a própria sobrevivência da sociedade. A partir desse momento, a divergência é substituída pela hostilidade permanente e o debate cede espaço à guerra simbólica.

Nesse contexto, o bolsonarismo não constitui um episódio isolado, mas uma manifestação nacional de um fenômeno observado em diversas partes do mundo. Seu funcionamento reproduziu elementos já identificados em outros movimentos semelhantes: críticas permanentes às instituições, ataques à imprensa tradicional, questionamentos reiterados sobre mecanismos eleitorais, enfrentamentos com o Poder Judiciário e a construção de narrativas que apresentam opositores como integrantes de conspirações ocultas. Assim, quem discorda deixa de ser apenas opositor político e passa a ocupar o papel de inimigo interno.

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