Poder e Bastidores

A teia Master-Buriti: Como R$ 95 milhões em honorários ligam Ibaneis Rocha ao maior escândalo bancário do ano

Com 500 GB de dados, a CPI do INSS e a Polícia Federal mapeiam a triangulação entre o BRB, a gestora Reag e a banca de advocacia da família do governador

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⏱️ Leitura: 10-12 min

📌 Em resumo

O Rastro do Coaf: Relatórios de inteligência financeira revelam que o escritório de Ibaneis Rocha recebeu R$ 42,9 milhões de um fundo (Laguz I) ligado à gestora Reag, peça-chave no escândalo do Banco Master.

O Conflito de Interesses: Enquanto o escritório vendia precatórios para o ecossistema Master, o governo de Ibaneis firmava parcerias com o Banco Original (dono do fundo pagador) para consignados de servidores.

A Assinatura do Governador: Documentos registrados em cartório desmentem o afastamento de Ibaneis da banca, exibindo sua assinatura como avalista em contratos milionários durante o exercício do mandato.

Isolamento Político: O PL rompe com o Buriti, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis se distanciam, e o STF recebe pedidos de afastamento e prisão preventiva do governador.

Por que isso importa: A investigação deixou de ser uma suspeita de mercado para se tornar uma crise institucional que pode levar à queda do comando do Distrito Federal antes das eleições de 2026.


O que começou como uma investigação sobre fraudes bancárias no Banco Master acaba de atingir o coração do Palácio do Buriti. Documentos obtidos pela CPI do INSS e relatórios do Coaf revelam que o ecossistema financeiro liderado pela gestora Reag — investigada pela Polícia Federal por ocultar destinatários finais de recursos irregulares — irrigou o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha (MDB) com cifras que, somadas, alcançam R$ 95 milhões. O caso agora escala para pedidos de impeachment e até de prisão preventiva no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Operação Laguz I e o deságio milionário

No centro da nova descoberta estão dois repasses feitos no segundo semestre de 2023. O fundo Laguz I, cujos papéis eram geridos pela Reag, transferiu quase R$ 43 milhões à banca Ibaneis Advocacia e Consultoria.

A operação oficial é a “venda de honorários”: o escritório cede o direito de receber precatórios da União no futuro em troca de dinheiro vivo agora. No entanto, o deságio chama a atenção: dos R$ 42,9 milhões em créditos cedidos, o escritório alega ter recebido efetivamente R$ 15,2 milhões.

O triângulo amoroso: Original, BRB e Ibaneis

A investigação aponta uma triangulação perigosa. O único cotista do fundo Laguz I é o Banco Original (dos irmãos Wesley e Joesley Batista). Coincidência ou não, em setembro de 2024, o Original firmou um acordo com o governo de Ibaneis para oferecer crédito consignado aos servidores do DF. Mais grave: o processo foi supervisionado pelo BRB (banco estatal do DF), ignorando a Secretaria de Economia, em um modelo que o Tribunal de Contas agora apura se deveria ter passado por licitação.

A queda da versão: Ibaneis como avalista

O governador sempre sustentou que se afastou do escritório em 2018. Contudo, a “bala de prata” da investigação são contratos registrados no Cartório JK, em Brasília, onde a assinatura de Ibaneis Rocha aparece não apenas como representante, mas como avalista e responsável solidário em negociações com fundos do grupo.

A participação de uma empresa do governador, a Ibaneis Agropecuária, como garantidora dos negócios do escritório, reforça o elo umbilical entre o patrimônio pessoal do mandatário e os negócios com os fundos investigados pela PF no caso Master.

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Contextualização estratégica e Jurídica

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) apontam a Reag como uma estrutura central de “lavagem” para o esquema do Banco Master. A gestora usava uma teia de fundos (como o Borneo e o Laguz) para dificultar a rastreabilidade dos valores.

O diretor da Reag, Marcos Ferreira Costa, que votou em assembleias do BRB, é o mesmo que geriu os fundos que compraram os honorários de Ibaneis. Essa “promiscuidade” institucional é o que fundamenta a notícia de fato apresentada por partidos como PSB e Cidadania ao ministro André Mendonça.

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A reação das bancadas:

“A participação no negócio contraria a versão do governador. Sua assinatura como avalista o torna responsável solidário pelos valores, o que configura, em tese, crime de responsabilidade”, destaca a peça enviada ao STF.

O caso do escritório de Ibaneis não é um evento isolado, mas uma peça de um quebra-cabeça maior chamado “Ecossistema Master”. A venda de honorários com deságio para fundos geridos por investigados da Polícia Federal cria um conflito de interesses insustentável para um chefe de Executivo. O cerco se fecha não apenas pela política, mas pelo rastro documental deixado em cartórios e relatórios do Coaf. Brasília agora aguarda: o governador terá fôlego para chegar a abril de 2026 no cargo, ou o Judiciário antecipará o fim da era Ibaneis?


🔎 VERIFICAÇÃO E CONFIABILIDADE


Você acredita que o governador deve ser afastado preventivamente para não interferir nas investigações do BRB? Deixe seu comentário.

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