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Acesso à Justiça em risco: OAB RO pede mudanças em projeto do Senado

Ordem dos Advogados mobiliza deputados federais de Rondônia para evitar que critérios rígidos de gratuidade judicial excluam cidadãos hipossuficientes do sistema judiciário

Acesso à Justiça em risco: OAB RO pede mudanças em projeto do Senado
📷 Divulgação
📋 Em resumo
  • A OAB/RO iniciou mobilização junto à bancada federal de Rondônia para alterar o PL 2.239/2022, aprovado pelo Senado.
  • O projeto restringe as regras de concessão da gratuidade da Justiça, adotando critérios que podem ignorar a realidade socioeconômica.
  • A entidade defende a manutenção da análise judicial individualizada da hipossuficiência, evitando a exclusão de quem realmente precisa.
  • Ofícios foram enviados aos oito deputados federais do estado, com oferta de suporte técnico da OAB para a tramitação na Câmara.
  • Por que isso importa: Transformar o acesso à Justiça em uma equação puramente matemática pode fechar as portas do Judiciário para os mais vulneráveis, esvaziando a garantia constitucional.
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A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Rondônia (OAB/RO), iniciou nesta sexta-feira (10) uma mobilização institucional estratégica junto à bancada federal do estado na Câmara dosDeputados. O objetivo é barrar ou aperfeiçoar o Projeto de Lei nº 2.239/2022, recentemente aprovado pelo Senado Federal, que altera as regras para a concessão da gratuidade da Justiça e agora retorna à Casa para nova análise.

A medida visa evitar que critérios puramente objetivos e rígidos impeçam cidadãos efetivamente hipossuficientes de exercerem seus direitos perante o Poder Judiciário. Para a OAB, a busca por combater eventuais abusos no uso do benefício não pode servir de pretexto para criar barreiras intransponíveis à população de baixa renda.

O risco dos critérios rígidos

A discussão sobre a gratuidade da Justiça sempre caminhou sobre uma linha tênue: coibir a má-fé de quem pode pagar, sem negar amparo a quem não pode. O texto aprovado no Senado, no entanto, inclina a balança perigosamente para o lado da restrição.

Ao adotar parâmetros rígidos e automáticos para a concessão do benefício, a proposta desconsidera a complexa realidade socioeconômica brasileira. Milhares de pessoas, apesar de não se enquadrarem automaticamente em faixas de renda pré-estabelecidas, não possuem condições reais de arcar com custas processuais, honorários periciais e demais despesas sem comprometer sua própria subsistência básica.

"Quando a lei substitui a análise humana da vulnerabilidade por um critério rígido, ela não combate a fraude; ela pune a pobreza e transforma o Judiciário em um privilégio de quem pode pagar."

A defesa da análise individualizada

Para o presidente da OAB Rondônia, Márcio Nogueira, a garantia constitucional de acesso à Justiça não pode ser restringida por mecanismos que inviabilizem a análise concreta de cada caso. A entidade argumenta que a hipossuficiência econômica é um estado de fato que varia de pessoa para pessoa, e não apenas um número em um contracheque.

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Nos ofícios encaminhados individualmente aos oito deputados federais de Rondônia, a Seccional solicita apoio à apresentação e aprovação de emendas que preservem a possibilidade de aferição judicial da condição econômica. A manutenção da análise individualizada dos pedidos é vista como o único caminho para equilibrar a responsabilidade fiscal do Estado com o dever de proteger os vulneráveis.

"A legislação deve combater fraudes sem fechar as portas do Judiciário para quem realmente precisa da proteção do Estado. A análise da condição econômica do cidadão não pode ser substituída por um critério rígido incapaz de refletir a realidade social brasileira."

O papel da bancada federal e o suporte técnico

Reconhecendo que a batalha legislativa exige mais do que notas de repúdio, a OAB/RO adotou uma postura proativa. A entidade colocou sua estrutura técnica à disposição da bancada federal para contribuir diretamente com o aperfeiçoamento da proposta durante sua tramitação na Câmara dos Deputados.

Essa aproximação entre a entidade de classe e os representantes eleitos é fundamental. Cabe aos parlamentares rondonienses entender que votar por um acesso à Justiça mais restritivo é, na prática, votar contra a capacidade de seus próprios eleitores mais pobres de defenderem seus direitos trabalhistas, consumeristas e civis.

O que vem pela frente

O projeto agora retorna à Câmara dos Deputados, onde pode ser modificado. A mobilização da OAB/RO é um teste de fogo para a sensibilidade social da bancada federal do estado.

Se a tendência de endurecer os critérios prevalecer, o Brasil caminhará para um cenário onde o Judiciário se tornará inacessível para uma parcela significativa da população, transferindo conflitos que deveriam ser resolvidos nos tribunais para a informalidade ou para a violência.

O acesso à Justiça é a porta de entrada para a efetivação de todos os demais direitos. Fechá-la com base em uma aritmética fria não é modernização da gestão pública; é o desmonte silencioso do contrato social que garante a dignidade da pessoa humana. A sociedade rondoniense agora observa se seus representantes em Brasília terão a coragem de corrigir essa rota antes que o projeto se torne lei.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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