Poder & Bastidores

Acionistas do BRB alertaram sobre riscos do Banco Master meses antes da crise — e foram ignorados

Atas e documentos da AGO/AGE de maio de 2025 mostram que conselheiros, empregados e acionistas minoritários alertaram sobre riscos prudenciais, fragilidade de ativos e falhas de governança

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Quando o Banco Master entrou em colapso meses depois, levando à liquidação extrajudicial e a uma das maiores crises bancárias recentes, parte dos acionistas do BRB não se surpreendeu. Em assembleias realizadas em maio de 2025, cujas atas foram analisadas pela reportagem, conselheiros, representantes de empregados e minoritários já haviam registrado uma série de advertências sobre a instituição — seus riscos, sua fragilidade e os impactos que poderia gerar no conglomerado. Esses alertas, porém, não apenas foram ignorados, como se tornaram parte de um ambiente de tensão política e institucional que atravessava o banco.

O documento deixa claro que havia uma disputa silenciosa entre diferentes visões de governança. De um lado, a administração empenhada em conduzir adiante a operação com o Banco Master; de outro, grupos internos questionando se o BRB tinha capacidade prudencial para absorver um banco que apresentava sinais preocupantes. Em uma das manifestações registradas na assembleia, a preocupação é explícita: “Pelas informações disponibilizadas sobre a qualidade dos ativos e riscos dessa instituição, [a aquisição] poderia pressionar ainda mais as métricas de rentabilidade e capital do BRB.”

O alerta não surgia no vazio. O documento mostra que o BRB vinha sofrendo redução contínua em seus índices de capital regulatório desde 2020. Os representantes dos empregados afirmaram que o banco não tinha margem prudencial suficiente para absorver riscos adicionais, especialmente de uma instituição como o Master, cuja qualidade de ativos era considerada preocupante. A avaliação reproduzida na assembleia reforça essa deterioração: “A aquisição das operações do Master provavelmente pressionará ainda mais o índice de rentabilidade do BRB […] Prevemos que a posição de capital permanecerá sob pressão como resultado do forte crescimento dos negócios e das baixas métricas de lucratividade.”

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