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Advogada e filho de 6 anos são encontrados mortos em Cotia; ex-namorado é suspeito e está foragido

Advogada de 29 anos e filho de 6 são encontrados mortos em Cotia (SP); polícia aponta o ex-namorado da vítima como suspeito e pede prisão temporária. Ele está foragido

Advogada e filho de 6 anos são encontrados mortos em Cotia; ex-namorado é suspeito e está foragido
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • Anna Gabriela Faria Lima, advogada de 29 anos, e seu filho Raphael Faria Lima Ferrari, de 6, foram encontrados mortos na noite de terça-feira (3/11), em Cotia (SP)
  • O principal suspeito é Eric Conrado Alves de Almeida, 41, empresário e ex-namorado de Anna Gabriela — ele está foragido, e a Justiça analisa pedido de prisão temporária
  • O caso foi registrado como feminicídio e vicaricídio pela Delegacia de Polícia de Cotia
  • Anna Gabriela era bisneta do brigadeiro José Vicente de Faria Lima, ex-prefeito de São Paulo (1965-1969) que dá nome à avenida — e filha de um ex-vereador paulistano condenado por corrupção
  • Por que isso importa: o caso ilustra o padrão mais grave da violência doméstica no Brasil — o vicaricídio, crime tipificado em 2026 — e volta a expor falhas na proteção de vítimas mesmo após sinais de relacionamento abusivo.
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A advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e seu filho Raphael Faria Lima Ferrari, de 6, foram encontrados mortos na noite de terça-feira (3/11), em um imóvel localizado na Estrada Manoel Lages do Chão, no bairro Jardim Caiapia, em Cotia, na Grande São Paulo. O principal suspeito pelas mortes é Eric Conrado Alves de Almeida, 41, empresário e ex-namorado de Anna Gabriela.

A mãe da advogada havia registrado um boletim de ocorrência por desaparecimento da filha e do neto no domingo (1º), após não conseguir contato com os dois. Durante as buscas, a polícia localizou o carro de Anna Gabriela estacionado em frente ao imóvel de Eric. Imagens de câmeras de segurança registraram a entrada conjunta dos três no local no domingo, por volta das 21h35 — não há indícios de que qualquer outra pessoa tenha entrado ou saído do imóvel depois disso.

Na terça-feira, uma advogada que representa Eric foi até a Delegacia de Cotia comunicar que havia recebido relato sobre duas pessoas mortas no endereço. Ela indicou o local, e a polícia, com autorização da administração do condomínio, entrou no imóvel e confirmou as mortes. Segundo um dos veículos que cobriu o caso, o próprio suspeito teria telefonado para um escritório de advocacia em Campinas (interior de SP) relatando o crime antes de desaparecer — informação que, até a publicação desta reportagem, não foi confirmada oficialmente pela Polícia Civil e deve ser tratada como um relato ainda sob apuração, não como fato estabelecido.

A investigação

Testemunhas ouvidas pela polícia — entre elas a mãe de Anna, o pai de Eric, a síndica do condomínio e uma amiga íntima da vítima — descreveram um relacionamento marcado por términos e reconciliações sucessivas, com relatos de violência doméstica, ameaças, perseguição, controle excessivo e, em ao menos uma ocasião mencionada nos depoimentos, exibição ostensiva de arma de fogo como forma de intimidação.

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Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que pediu a prisão temporária de Eric Conrado, que não foi localizado até a publicação desta reportagem. A perícia foi acionada, e o caso foi registrado como feminicídio e vicaricídio na Delegacia de Polícia de Cotia.

É importante separar o que está provado do que ainda é hipótese de investigação. Até o momento, Eric Conrado Alves de Almeida é suspeito — não há decisão judicial que o declare autor dos crimes, e ele é amparado pela presunção de inocência até eventual trânsito em julgado. O relato de uma confissão por telefone, divulgado por parte da imprensa, não tem confirmação oficial da Polícia Civil nesta reportagem e deve ser lido como alegação, não como fato apurado. Da mesma forma, os relatos de violência doméstica colhidos de testemunhas são depoimentos a serem valorados pela investigação e, se for o caso, pela Justiça — não constituem, por si só, prova do crime.

O crime de vicaricídio

O caso de Raphael, de 6 anos, se soma a uma mudança recente na legislação penal brasileira: o vicaricídio — matar o filho ou outro parente de uma mulher como forma de lhe causar sofrimento — passou a ser tipificado como crime hediondo em 2026, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, equiparada à do feminicídio. Quando o agressor mata tanto a mulher quanto o filho, responde pelos dois crimes em concurso, com penas que podem somar até 40 anos (limite máximo previsto no Código Penal).

Quem era Anna Gabriela Faria Lima

Anna Gabriela era bisneta do brigadeiro José Vicente de Faria Lima, engenheiro aeronáutico da Força Aérea Brasileira (FAB) que foi prefeito de São Paulo entre 1965 e 1969 e dá nome à Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos principais centros financeiros do país. Era filha de Paulo Roberto Faria Lima, ex-vereador paulistano (então pelo PMDB) condenado por improbidade administrativa no esquema que ficou conhecido como “Máfia da Propina” — ação que envolveu outros 16 réus e transitou em julgado em 2018, 18 anos após a denúncia do Ministério Público de São Paulo. Paulo Roberto, por sua vez, era filho de José Roberto Faria Lima, ex-deputado federal, e neto do brigadeiro.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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