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Alcolumbre bate boca com bancada do PL e defende urnas eletrônicas em sessão tensa no Senado

Presidente do Senado rebateu cobrança do líder do PL, Carlos Portinho, sobre acordo não cumprido e criticou políticos eleitos “ofendendo e agredindo” sem propostas concretas para o país.

Alcolumbre bate boca com bancada do PL e defende urnas eletrônicas em sessão tensa no Senado
📷 TV Senado
📋 Em resumo ▾
  • Davi Alcolumbre discursou em tom duro na sessão plenária do Senado de 4 de novembro, após o líder do PL, Carlos Portinho, cobrar a votação da redução da maioridade penal.
  • O presidente do Senado criticou políticos que se elegeram “ofendendo e agredindo” sem apresentar propostas para saúde, educação e desenvolvimento econômico.
  • Alcolumbre ironizou quem questiona as urnas eletrônicas só depois do segundo turno, lembrando que o mesmo sistema elegeu 120 deputados e mais de 20 senadores da oposição no primeiro turno.
  • O discurso ocorre em meio à crise entre Alcolumbre e aliados de Flávio Bolsonaro, que foi derrotado por Lula no segundo turno e está nos Estados Unidos após ter os passaportes retidos por decisão do STF.
  • Por que isso importa: expõe a tensão entre a presidência do Senado e a ala bolsonarista do Congresso após a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), protagonizou um discurso contundente no plenário da Casa nesta quarta-feira (4), em resposta a cobranças do líder do PL, Carlos Portinho (RJ), sobre um acordo que, segundo o parlamentar, não havia sido cumprido para a votação da redução da maioridade penal. O embate reacendeu a tensão entre a presidência do Senado e a bancada bolsonarista, poucas semanas após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

O que motivou o discurso

Segundo apuração da imprensa, Portinho cobrou de Alcolumbre a condução de acordos pautados para a votação de propostas como a redução da maioridade penal — tema que a campanha de Flávio Bolsonaro transformou em um dos principais pontos de confronto político durante a disputa presidencial — e defendeu a viagem do senador aos Estados Unidos. Flávio deixou o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retenção de seus passaportes, e já em solo americano divulgou uma carta contestando, sem apresentar provas, o resultado da eleição vencida por Lula.

Foi nesse contexto que Alcolumbre tomou a palavra e criticou o que chamou de “radicalismo” na política brasileira, defendendo que o debate público volte a se concentrar em temas como educação, saúde e desenvolvimento econômico.

A transcrição do discurso

A seguir, a transcrição do trecho do pronunciamento de Alcolumbre, com base no áudio da sessão (trechos de nomes próprios foram conferidos e corrigidos a partir de registros da imprensa que cobriu a sessão ao vivo):

“Infelizmente, muitos atores políticos do meu país, chamado Brasil, se promoveram, ganharam a eleição, ofendendo e agredindo as pessoas. [...] Eles não apresentaram para os estados deles a proposta de levar novos institutos federais para formar a juventude e elas terem o futuro. Eles não apresentaram nas propostas, nos estados deles, que eles iriam a Brasília para defender o desenvolvimento econômico do Brasil. Eles não apresentaram para o Brasil que eles iam cuidar da saúde dos brasileiros. Eles não apresentaram para o Brasil que eles iam a Brasília defender a democracia — não apresentaram; defender o Estado de Direito — não apresentaram; defender as instituições democráticas — não apresentaram. Mas ofensas, agressões e ameaças foram todos os dias. E o pior de tudo isso, infelizmente, para minha tristeza e de milhões de pessoas, ganharam as eleições, com base em alguma agenda específica — fosse ela contra o Judiciário, fosse ela contra o Executivo, fosse ela contra o presidente do Senado Federal. Porque deu voto na eleição um parlamentar que ofendeu o presidente do Senado Federal, que não abre picuinha de ministro do Supremo Tribunal Federal, mas deu os votos, e nós estamos aqui.”

Em seguida, Alcolumbre voltou-se ao tema das urnas eletrônicas, dirigindo-se diretamente à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e ao senador Izalci Lucas (PL-DF):

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“Mas o pior de tudo isso, senadora Damares Alves e senador Izalci, é que no primeiro turno a urna eletrônica prestou! No primeiro turno, abriu a urna eletrônica e essa mesma urna eletrônica, que tem trinta anos, ela serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição. Essa mesma urna eletrônica serviu para eleger vinte e tantos senadores. Ela serviu para comemorar, no primeiro turno, uma eleição vitoriosa do adversário ao presidente Lula, que ganhou por mais de 2 milhões de votos no primeiro turno. E quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna! O resultado valeu para o primeiro turno... Eu não achei um para dizer que estava errada desde o primeiro turno. Eu queria encontrar um para dizer que só deu errado no segundo turno. Ninguém fala mais nada, ninguém avisa, deu tudo errado, subiu 10 milhões de votos, 12 milhões de votos, sei lá o que aconteceu — foi a tal da mesma urna eletrônica.”

Ao final, Alcolumbre fez um apelo à moderação:

“Eu estou pedindo a vossas excelências que todos nós somos obrigados a trazer um debate para o senso razoável do país. Estou pedindo para vossas excelências que a gente possa usar esses microfones para pensar o que é que nós queremos para as próximas gerações. Estou pedindo a vossas excelências para que nós possamos pensar o que é que nós vamos fazer para melhorar a saúde do povo brasileiro.”

Checando os números citados por Alcolumbre

Os números apresentados por Alcolumbre são consistentes com o que foi amplamente noticiado sobre os resultados do primeiro turno de 2026: o PL, partido de Flávio Bolsonaro, de fato elegeu uma bancada expressiva na Câmara dos Deputados — próxima aos 120 deputados citados — e mais de 20 senadores, usando o mesmo sistema de urnas eletrônicas que, no segundo turno, voltou a ser questionado por aliados do candidato derrotado. Flávio Bolsonaro também terminou o primeiro turno à frente de Lula, com uma vantagem relatada em diferentes veículos como superior a 2 milhões de votos, revertida no resultado final do segundo turno. O ponto central da ironia de Alcolumbre — a contradição entre comemorar a eleição no primeiro turno e contestar o mesmo sistema após a derrota no segundo — é, portanto, factualmente sustentado pelos registros da apuração eleitoral.

A reação do PL

Segundo relatos da sessão, o líder do PL, Carlos Portinho, negou ter ofendido Alcolumbre ou questionado as urnas eletrônicas em sua fala anterior, e voltou a cobrar explicações sobre o que considera um acordo descumprido para a pauta de segurança pública. Senadores governistas, por sua vez, saíram em defesa de Alcolumbre durante a sessão.

O pano de fundo: a crise entre Alcolumbre e o bolsonarismo

O episódio se insere em uma disputa mais ampla em curso no Senado: a chamada PEC da Segurança Pública, que incluía a proposta de redução da maioridade penal defendida por Flávio Bolsonaro durante a campanha, foi retirada de pauta por Alcolumbre antes do segundo turno — decisão atribuída por interlocutores à avaliação de que nenhum dos dois campos teria votos suficientes para aprovar suas respectivas emendas, mas também lida pela oposição como uma manobra para evitar que o tema fosse explorado eleitoralmente. Após a eleição, a cobrança pela retomada da pauta tem sido um dos principais pontos de atrito entre a presidência do Senado e a bancada do PL.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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