Allan "Puro Osso" Nascimento, lutador do UFC, morre aos 34 anos
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Allan "Puro Osso" Nascimento, lutador do UFC, morre aos 34 anos

📋 Em resumo
  • Allan Nascimento, o "Puro Osso", foi encontrado morto em sua casa em São Paulo na manhã desta segunda-feira (3), aos 34 anos.
  • UFC informou que o atleta sofreu um aparente ataque cardíaco enquanto dormia e não resistiu apesar do atendimento médico no local.
  • Lutador da equipe Chute Boxe Diego Lima encerra carreira com cartel de 29 combates, 22 vitórias e 7 derrotas, quatro delas dentro do UFC.
  • Charles do Bronx, companheiro de treinos e ex-campeão do UFC, lamentou a morte publicamente nas redes sociais.
  • Por que isso importa: o caso reacende debate sobre triagem cardiológica em atletas de combate e o risco de morte súbita mesmo em desportistas de elite aparentemente saudáveis.
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O lutador brasileiro Allan Nascimento, conhecido no MMA como "Puro Osso", morreu aos 34 anos na manhã desta segunda-feira (3), em sua casa em São Paulo. A causa, segundo o UFC (Ultimate Fighting Championship), foi um aparente ataque cardíaco enquanto o atleta dormia.

Em nota publicada nas redes sociais, a organização informou:

"Na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, nosso amado lutador peso-mosca, Allan Nascimento, foi encontrado irresponsivo após sofrer um aparente ataque cardíaco enquanto dormia. Apesar dos esforços da equipe médica que prestou o atendimento, o óbito foi declarado no local."

O UFC ainda registrou "pensamentos e mais profundas condolências" à família, amigos e companheiros de equipe do lutador. A causa da morte segue sem confirmação oficial por laudo médico, tratando-se, por ora, de hipótese anunciada pela própria organização.

Carreira marcada por finalizações e obstáculos

Natural de São Paulo, Allan fazia parte da academia Chute Boxe, comandada pelo treinador Diego Lima. Seu início no muay-thai ocorreu aos 15 anos, por hobby, mas, por treinar entre profissionais, passou a competir muito cedo.

Ao longo da carreira, Allan deixa um cartel de 29 lutas, com 22 vitórias e 7 derrotas, destacando-se pelas finalizações: foram 15 ao todo. O lutador fechou dois combates por nocaute e cinco por decisão dos juízes.

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Antes de chegar ao Ultimate, Nascimento tentou entrar na organização pelo Dana White's Contender Series em 2018, mas só conseguiu contrato em 2021, após perder na estreia daquela seletiva. Sua estreia oficial no UFC aconteceu em outubro de 2021, no UFC 267, em Abu Dhabi.

No octógono, o brasileiro somou quatro triunfos e duas derrotas. Entre os destaques, está a vitória por finalização (mata-leão) contra Carlos Hernandez em janeiro de 2023, performance que lhe rendeu o bônus de "Performance da Noite". Também recebeu prêmio de Performance da Noite após finalizar Cody Durden no UFC Vegas 110, em 2 de novembro. Sua passagem pela organização, porém, foi marcada por lesões e cancelamentos que impediram sua ascensão plena.

A última luta de Allan aconteceu em 20 de junho deste ano, com derrota para Mitch Raposo, por decisão dividida dos juízes — combate que integrou o card do UFC Vegas 119.

Perda de referência dentro do Chute Boxe

Allan Nascimento era um parceiro de treinos fundamental para grandes nomes do esporte, como Charles do Bronx, na academia Chute Boxe-Diego Lima. O ex-campeão do UFC, um dos maiores nomes do MMA da atualidade, lamentou a perda em publicação nas redes sociais.

"Hoje perdi um irmão que a luta me deu. Obrigado por sempre estar junto, por dividir o tatame. Só tenho gratidão por ter você ao meu lado nos treinos, nos córners e nas resenhas."

A morte também repercutiu fora do Brasil. Veículos internacionais como ESPN e TMZ noticiaram o caso horas após o anúncio do UFC, destacando que o lutador havia competido publicamente em decisão de três rounds no UFC Fight Night de junho, menos de dois meses antes da morte.

Origem no MMA e homenagem ao pai

Segundo apuração da imprensa esportiva, Allan iniciou no MMA com o apoio do pai, cuja memória homenageava nas lutas, já que o genitor faleceu pouco antes de sua estreia no Ultimate. O detalhe biográfico ajuda a explicar a comoção entre atletas e fãs do esporte, que acompanhavam a trajetória do lutador desde a base até o topo da modalidade.

O que se sabe sobre morte súbita cardíaca em atletas

Casos como o de Allan Nascimento reacendem discussão médica sobre morte súbita cardíaca em atletas de alto rendimento. Segundo o Manual MSD, em média, um a três em cada 100 mil atletas jovens considerados saudáveis desenvolvem uma anormalidade do ritmo cardíaco de início súbito e morrem repentinamente durante a prática de exercícios. O mesmo levantamento aponta que homens são atingidos até dez vezes mais frequentemente do que mulheres.

De acordo com recomendações recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as causas de morte súbita em atletas podem ser congênitas ou adquiridas, predominando, em indivíduos com menos de 35 anos, as cardiopatias estruturais genéticas, as canalopatias e as miocardites de origem viral. A entidade destaca que a avaliação pré-participação esportiva constitui a principal ferramenta preventiva da morte súbita no esporte, permitindo identificar indivíduos de risco — protocolo que, em modalidades de combate no Brasil, ainda não é padronizado por lei federal específica.

Estudo publicado na literatura médica brasileira reforça que o esforço físico em atividades esportivas e treinos aumenta de 2,5 a 4,5 vezes o risco de parada cardíaca em relação ao observado em não atletas, o que torna o monitoramento cardiológico regular ainda mais relevante para lutadores profissionais submetidos a corte de peso e cargas intensas de treino, como era o caso de Allan na categoria peso-mosca (57 kg).

Versão em áudio disponível no topo do post.

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