Álvaro Dias desiste do Senado no Paraná mesmo liderando pesquisas
Ex-governador cede espaço na chapa de Sandro Alex após resistência de aliados de Ratinho Júnior; vaga pode ficar com Cristina Graeml
📋 Em resumo ▾
- Álvaro Dias (MDB) anunciou nesta segunda-feira (3) desistência da candidatura ao Senado pelo Paraná, apesar de liderar pesquisa Genial/Quaest.
- A decisão ocorre após impasse com Alexandre Curi (Republicanos), já indicado à vaga na chapa de Sandro Alex (PSD), sucessor escolhido por Ratinho Júnior.
- Três dias antes, Rafael Greca (MDB) já havia desistido do governo para assumir a vice na mesma chapa.
- Em maio, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) havia oferecido a Dias a coordenação regional e um ministério para tirá-lo da disputa ao Senado.
- Por que isso importa: o caso expõe as tensões de bastidor na montagem de chapas para 2026 e mostra como lideranças fortes nas urnas podem ser sacrificadas em nome de acordos partidários.
O ex-governador e ex-senador Álvaro Dias (MDB) anunciou nesta segunda-feira (3) que desiste de disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná em 2026, mesmo liderando as pesquisas de intenção de voto no estado. A declaração foi publicada por meio do perfil oficial do ex-senador no Instagram.
"Infelizmente, compreendi que hoje não existem, dentro do grupo político liderado pelo governador, as condições necessárias para construir essa unidade que eu tanto almejei, também em torno do meu nome", escreveu Dias, sem citar nominalmente os aliados do governador Ratinho Júnior (PSD).
A decisão surpreende porque no último levantamento Genial/Quaest (PR-04818/2026), o ex-senador aparecia na liderança de intenções de voto nas sondagens em que foi incluído. Ainda assim, o peso eleitoral não foi suficiente para blindá-lo do jogo de composições dentro da coligação governista.
A disputa pela vaga com Alexandre Curi
O imbróglio nasce da entrada do MDB na base de apoio a Sandro Alex (PSD), escolhido por Ratinho Júnior como candidato à sucessão no governo do Paraná. A desistência de Dias ocorre poucos dias depois de o MDB oficializar apoio à candidatura de Sandro Alex ao governo do estado. O problema é que a vaga ao Senado que Dias buscava já tinha dono: Álvaro Dias pretendia disputar o Senado pela coligação, mas a composição enfrentou resistência do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (Republicanos), que já havia sido anunciado como candidato ao Senado. Curi obteve esse aval ainda em julho, quando o PSD homologou a candidatura de Sandro Alex em convenção no Paraná Clube, em Curitiba."Nenhuma candidatura se sustenta apenas na vontade de um homem ou da opinião pública. Na política atual, prevalecem os arranjos, as composições e a vontade dos políticos"A frase, atribuída a Dias em carta aos apoiadores, resume o diagnóstico do próprio ex-senador sobre o desfecho: a união entre os dois partidos provocou uma disputa interna, visto que o PSD já apoiava a candidatura de Alexandre Curi ao Senado.
Greca também recuou três dias antes
O movimento de Dias não é isolado. A desistência acontece três dias depois de Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e correligionário, anunciar que não vai disputar o governo do Paraná — ele passou para candidato a vice-governador na chapa de Sandro Alex, indicado de Ratinho Júnior para a sucessão no governo paranaense. A movimentação de Greca também havia sido formalizada em ato na sede do MDB: na sexta-feira (31), um evento na sede do partido, em Curitiba, reuniu os dois grupos para oficializar Rafael Greca como vice na chapa de Sandro Alex. A convenção estadual do MDB que selou o acordo ocorreu no domingo (2), véspera do anúncio de Dias. Com Greca já acomodado na vice e Curi blindado no Senado, restava a Álvaro Dias disputar espaço num tabuleiro que já não tinha assento livre à altura de sua pretensão.Quem assume a vaga aberta por Dias
A saída do ex-governador reabre a briga pela segunda cadeira ao Senado na chapa governista. Com a saída de Álvaro Dias da disputa, permanece a expectativa sobre quem ocupará a segunda vaga ao Senado na chapa encabeçada por Sandro Alex — entre os nomes cotados está a jornalista Cristina Graeml (PSD), que disputou a Prefeitura de Curitiba em 2024 e foi derrotada no segundo turno. O nome de Graeml já vinha sendo articulado por Ratinho Júnior havia meses. Ratinho Junior não só trouxe ela para o PSD, depois de ela deixar o União Brasil, como lhe prometeu uma vaga na majoritária — a chapa do PSD deve ter Sandro Alex como candidato ao governo, Greca como vice, e Cristina Graeml e Alexandre Curi para o Senado. Internamente, a indicação é lida como vitória do grupo que cerca a jornalista.Assédio da campanha de Flávio Bolsonaro
Meses antes do desfecho no MDB, Álvaro Dias já era alvo de outra investida — desta vez do campo bolsonarista. Líder nas pesquisas de intenção de voto para o Senado no Paraná, o político era considerado obstáculo para a chapa do PL, e o "convite" para desistir surgiu do senador Flávio Bolsonaro (PL), que ofereceu ao paranaense a coordenação da campanha presidencial na região Sul. A oferta ia além da articulação eleitoral: a possibilidade de chefiar um ministério em um futuro governo Bolsonaro também foi oferecida a Alvaro Dias. Na ocasião, o ex-senador não aceitou trocar a corrida paranaense pela função nacional — mas acabou saindo da disputa meses depois, por outro motivo: a falta de espaço dentro do próprio grupo governista.O precedente do irmão Osmar Dias
O episódio guarda uma coincidência histórica na família Dias. Oito anos depois de Osmar Dias deixar a corrida eleitoral pelo governo do Paraná, também liderando as pesquisas, foi a vez do irmão mais velho abrir mão de uma pré-candidatura na frente das sondagens. A trajetória de Álvaro Dias no cenário paranaense remonta a décadas: o ex-senador deixou o Podemos no início deste ano e retornou ao MDB, partido pelo qual foi eleito governador do Paraná em 1986, além de ter cumprido quatro mandatos como senador, eleito pela primeira vez em 1983, com o último mandato concluído em 2022. Em 2018, tentou o Planalto e obteve 0,8% dos votos válidos. Na carta de despedida da disputa, Dias reforçou que a decisão não nasceu de fraqueza eleitoral, mas de cálculo político: "jamais aceitarei ser motivo de divisão, ainda mais nessa altura da minha história. Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo." Resta ao MDB e ao PSD fechar a engenharia da chapa que buscará suceder Ratinho Júnior, agora sem o nome que, segundo as próprias pesquisas do partido governista, tinha o maior apelo popular ao Senado.Versão em áudio disponível no topo do post.
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