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Ambipar conquista vitória contra Opportunity e preserva controle acionário

Decisão do TJ-RJ suspende vendas de ações dadas em garantia, evitando risco de colapso na empresa de gestão de resíduos em meio à recuperação judicial – um alívio para o controlador Tércio Borlenghi

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Ambipar — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

Em um desdobramento crucial para o setor de gestão ambiental no Brasil, a Ambipar Participações e Empreendimentos S.A. obteve uma importante vitória judicial contra o Grupo Opportunity. A decisão, proferida na segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), proíbe a gestora de realizar novas vendas de ações da companhia que haviam sido dadas em garantia por financiamentos concedidos a Tércio Borlenghi Junior, fundador e controlador da empresa. A medida visa proteger a continuidade operacional da Ambipar, que atravessa um processo de recuperação judicial iniciado em outubro de 2025, em meio a uma crise financeira agravada por disputas contratuais.

A controvérsia ganhou corpo após Tércio Borlenghi Junior acusar o Opportunity de realizar vendas irregulares de suas ações, sem autorização e em descumprimento a uma medida cautelar concedida pelo TJ-RJ em 25 de setembro de 2025. Essa proteção judicial suspendia temporariamente a execução de dívidas e cláusulas contratuais que poderiam agravar o desequilíbrio financeiro da companhia. De acordo com fato relevante divulgado pela Ambipar na semana passada, as operações resultaram em uma redução drástica na participação acionária de Borlenghi, que caiu de aproximadamente 73% para cerca de 53% do capital social total e votante. Essa diluição, segundo a empresa, comprometeu o valor de mercado das ações (AMBP3) e intensificou a volatilidade na B3, com quedas acentuadas observadas desde o início da crise.

O desembargador Mauro Pereira Martins, relator do caso, justificou a proibição destacando os riscos à preservação da empresa. Em sua decisão, ele apontou que as vendas em grandes volumes pelo Fundo de Investimento em Participações (FIP) Everest – veículo controlado pelo Opportunity e acionista da Ambipar – configuravam uma ameaça direta à continuidade da sociedade. “Comprometimento da possibilidade de continuidade da sociedade em crise, com prejuízo ao princípio da preservação da empresa, em razão das operações realizadas pelo fundo de investimento”, escreveu o magistrado, enfatizando a necessidade de equilibrar os interesses dos credores com a viabilidade operacional da companhia.

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