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Banco Master honra R$ 200 milhões em CDBs em meio a crise de liquidez e negociações com o FGC

Com passivos bilionários à vista e vendas de ativos em curso, banco de Daniel Vorcaro corre contra o tempo para evitar intervenção do Banco Central – o que pode impactar o sistema financeiro nacional

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O Banco Master conseguiu honrar o pagamento de aproximadamente R$ 200 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que venceram nesta segunda-feira, 7 de outubro de 2025, conforme apurado pelo jornal Valor Econômico. A notícia, inicialmente destacada pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo, gerou alívio momentâneo entre investidores, mas reforça as preocupações sobre a sustentabilidade da instituição em meio a uma crise de liquidez que se arrasta desde março. Sem novas captações desde então, o banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, depende de manobras emergenciais para manter as operações.

A situação do Banco Master ganhou contornos mais urgentes na semana passada, quando venceu o rolamento de um empréstimo emergencial de quase R$ 4 bilhões concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em maio. Interlocutores do setor financeiro indicam que, desde o anúncio frustrado de um acordo com o Banco de Brasília (BRB) – barrado pelo Banco Central (BC) –, a instituição já quitou cerca de R$ 10 bilhões em dívidas. No balanço de encerramento de 2024, o conglomerado registrava R$ 16,068 bilhões em passivos a vencer em 2025, dos quais R$ 7,665 bilhões concentrados no primeiro semestre. O balanço do primeiro semestre deste ano, cujo prazo de divulgação era 30 de setembro, ainda não foi apresentado ao BC, o que aumenta a opacidade sobre os números atuais.

Na sexta-feira, 3 de outubro, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reuniu-se com a diretoria do FGC em São Paulo – encontro originalmente marcado para o dia 30, mas adiado. O foco da pauta foi exatamente o vencimento da linha de crédito ao Master, em um momento de indefinição sobre o futuro da instituição. Segundo fontes próximas, Vorcaro segue em ofensiva para captar liquidez e afastar o risco de intervenção regulatória. Há duas semanas, ele concretizou a venda da seguradora Kovr, e agora negocia a alienação do Will Bank, com assessoria da firma Laplace, conforme noticiado pelo site Pipeline, do Valor. “Qualquer venda de ativo é uma redução da exposição do FGC ao banco, o que tornaria o fundo mais inclinado a negociar”, avalia uma fonte próxima ao tema.

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