Bolívia: novo procurador-geral cobra Polícia para cumprir prisão de Evo Morales
Procurador-geral interino da Bolívia afirma que as duas ordens de prisão contra o ex-presidente seguem valendo e cobra ação da Polícia
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- O procurador-geral interino da Bolívia, Armando Urioste, afirmou que os dois mandados de prisão contra o ex-presidente Evo Morales continuam em vigor e cobrou da Polícia a execução das ordens
- Morales é alvo de dois processos distintos: um por suposto tráfico de pessoas, ligado a um relacionamento com uma adolescente que teria resultado em filha em 2016; outro por terrorismo e insurreição armada, relacionado aos bloqueios de rodovias de maio e junho de 2026
- Morales nega as acusações e as classifica como perseguição política; ele permanece desde outubro de 2024 na região do Trópico de Cochabamba, protegido por apoiadores
- Urioste assumiu a Procuradoria-Geral interinamente em outubro, após a suspensão do antecessor, Roger Mariaca, preso sob acusação dos EUA de vínculos com narcotráfico
- Por que isso importa: a fala reacende a pressão institucional sobre a execução de uma prisão que, há mais de um ano, não se concretiza por resistência popular organizada em torno do ex-presidente
O procurador-geral interino da Bolívia, Armando Urioste, afirmou que os mandados de prisão contra o ex-presidente Evo Morales continuam válidos e cobrou da Polícia a definição de “a data e a hora de sua execução”. A declaração reforça a posição do Ministério Público boliviano diante da permanência de Morales fora do alcance das autoridades há mais de um ano.
O que disse o procurador
Segundo Urioste, nenhuma das duas ordens foi cancelada. “Elas estão em vigor. Ratificamos os mecanismos e esperamos que a Polícia coordene adequadamente o dia e a hora correspondentes para cumprir o que é exigido por lei”, afirmou o procurador. Ele acrescentou que “nenhum mandado de prisão foi cancelado contra o cidadão Evo Morales” e que o Ministério Público “espera que a força pública aja”.
As duas acusações contra Morales
Primeiro mandado — tráfico de pessoas: emitido por um Tribunal de Sentença em Tarija, no sul da Bolívia. Nesse processo, Morales é acusado de tráfico de seres humanos, pela suposta relação com uma adolescente durante seu mandato como presidente, da qual teria nascido uma filha em 2016. A prisão foi decretada depois de Morales ser declarado em rebeldia, em maio deste ano, por não comparecer ao início do julgamento oral. Morales nega as acusações.
Segundo mandado — terrorismo e insurreição armada: expedido pela Procuradoria Departamental de Santa Cruz, a partir de denúncia apresentada pelo Comitê Cívico de Santa Cruz (entidade de empresários e lideranças civis da região, historicamente oposicionista a Morales). Esse processo imputa a Morales os crimes de terrorismo, levante armado contra a segurança e a soberania do Estado, atentados contra a segurança dos transportes, associação criminosa, incitação ao crime e atentados contra a segurança dos serviços públicos. O caso está relacionado aos bloqueios de rodovias que paralisaram a Bolívia por cerca de 53 dias entre maio e junho de 2026, resultando, segundo registros da época, em 22 mortes e 88 feridos. Morales rejeita as acusações e as descreve como perseguição política do governo de Rodrigo Paz.
Por que as prisões não foram cumpridas
Desde outubro de 2024, Morales permanece na região do Trópico de Cochabamba — seu principal reduto político e sindical — protegido por centenas de apoiadores organizados em um esquema de “segurança coletiva” para impedir a aproximação das forças policiais. A Polícia boliviana já havia declarado anteriormente que aguardava “condições adequadas” para cumprir as ordens, sem detalhar prazos.
Contexto: a crise na Procuradoria-Geral
A fala de Urioste ocorre em meio a uma reorganização recente no Ministério Público boliviano. O antecessor, Roger Mariaca, foi suspenso e preso no início de outubro, após ser apontado pelos Estados Unidos como possível integrante de uma rede de proteção a organizações de narcotráfico. Urioste, magistrado com trajetória no departamento de Beni, foi empossado interinamente pela Assembleia Legislativa para um mandato de 90 dias, com a missão declarada de “recuperar a institucionalidade” e a “credibilidade” do órgão.
A cobrança pública de Urioste à Polícia sinaliza que a nova gestão do Ministério Público pretende dar sequência às ordens já existentes contra Morales, mesmo em meio à instabilidade institucional recente na própria Procuradoria.
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