Bolsonaro, Pedro Castillo e Marcos Rocha fizeram gastos em evento e não fecharam acordos em RO
Via Painel Político

O encontro entre os presidentes do Peru, Pedro Castillo, do Brasil, Jair Bolsonaro, o governador de Rondônia, Marcos Rocha, junto com ministros e parte da bancada federal rondoniense e do Acre, serviu apenas para elevar os gastos públicos e fazer mídia política.
As despesas não reveladas para o evento que aconteceu em Porto Velho, RO, nesta quinta-feira, 03, foram exorbitantes. Entre os custos estavam diárias operacionais de militares, homens da Polícia Federal, servidores dos ministérios, gabinete da presidência, efetivos do governo estadual sem falar de despesas com alimentação, combustível de avião, todo aparato de segurança e comunicação, tudo pago com dinheiro do cidadão.
Nesta semana, o TCU (Tribunal de Contas da União) abriu uma investigação para apurar os gastos com o cartão corporativo do presidente. Entre 2019 e 2021, ou seja, em um período de 3 anos foram gastos, aproximadamente, R$ 30 milhões, um valor 19% superior ao despendido nos 4 anos do governo anterior, considerando as gestões dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer.
Só as despesas de 2021 alcançaram o valor de R$ 11,8 milhões, uma quantia superior ao valor anual gasto nos últimos oito anos.
Ao descer no Aeroporto Internacional Jorge Teixeira, Bolsonaro desfilou em carro aberto, seguido por um grupo pequeno de motoqueiros, acenou e cumprimentou populares, não falou dos objetivos específicos da reunião com o presidente do Peru. Aproveitou o momento com a imprensa para falar apenas para seus apoiadores e atacar seu principal adversário político, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.
O que Marcos Rocha e Bolsonaro fizeram foi antecipar um ato político e eleitoral. Isso porque, os dois são candidatos à reeleição. Os dois presidentes conversaram sobre segurança das fronteiras, exportações e importações. Mas não ficou nenhum contrato, convênio, tratado ou termo de responsabilidades, cooperação entre ambos que fosse de conhecimento público para promover a economia, segurança e o desenvolvimento dos países.
“Tratamos das cooperações das mais variadas possíveis, é o espírito de um bom relacionamento que os dois países têm muito a ganhar com isso”, disse Bolsonaro.
Segundo o governo estadual, entre os assuntos que estiveram na pauta dos dois presidentes foram a “as exportações e importações de tomates, flores, ampliação de exportação de carne suína e queijos do Brasil ao Peru e a abertura de mercado de produção de frutas com foco na agricultura familiar”.
Bolsonaro falou de acordos internacionais, mas não revelou a assinatura deles com Castillo. “Os acordos internacionais são muito proveitosos, somente em janeiro, a entrada de dólares foi maior que o ano todo o passado”, disse o presidente.
Entre os outros temas supostamente debatidos teve a rodovia para o Pacífico, considerada um grande gasto para o país, mas que não trouxe resultados eficientes, principalmente para a economia do Acre.
Marcos Rocha falou sobre uso de inteligência para proteção das fronteiras. Mas o narcotráfico continua atuando de maneira livre na fronteira com a Bolívia. “Recentemente recebemos do presidente Bolsonaro equipamentos para segurança de fronteira e este deve ser o olhar sempre do presidente que conhece as ameaças a um país vindos dos limites nacionais”, falou Rocha.
O Peru é um dos maiores produtores de ouro, cobre, prata e entre 2009 e 2015 a economia do país cresceu apenas 3%. Mesmo assim é um dos países mais pobres da América Latina.
Pedro Castillo teve a oportunidade de conhecer projetos de agropecuária de Rondônia como produção de café, melhoramento genético da castanha do Brasil.
“São novas experiências com a finalidade de estreitar ainda mais as relações entre os dois países, pois não há limites e nem fronteiras para fazer parceria. É mais um compromisso com o Brasil que fazemos, conhecendo as possíveis potencialidades para fortalecer a tecnologia, mão-de-obra e demais serviços em nosso país”, disse o presidente do Peru.
De resto nada ficou firmado, nenhum contrato entre ambos foi assinado e voltaram para seus respectivos gabinetes. Ficou tudo em sigilo. A conta fica para o cidadão pagar.
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