Brasil não aceitará ordens dos EUA em meio a ameaças de tarifas, diz Lula ao NYT
Um embate diplomático: como a tensão entre Brasil e Estados Unidos pode impactar a economia e a soberania nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista exclusiva ao The New York Times nesta terça-feira (30), expressou profunda indignação com as recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, que pode entrar em vigor a partir de sexta-feira, é uma resposta à recusa do Brasil em ceder às exigências de Trump para encerrar um processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar manter-se no poder após perder as eleições de 2022. Lula foi enfático ao afirmar que o Brasil não se curvará a pressões externas, destacando a independência do Judiciário brasileiro e a soberania nacional.
Contexto da tensão entre Brasil e EUA
A relação entre Brasil e Estados Unidos, historicamente marcada por altos e baixos, enfrenta agora um novo capítulo de atritos. Segundo a entrevista publicada pelo The New York Times, Trump considera o processo contra Bolsonaro uma "caça às bruxas" e exige sua interrupção. Lula, no entanto, rebateu que tal decisão não está ao alcance do Executivo brasileiro, já que o Poder Judiciário opera de forma independente. "Talvez ele não saiba que aqui no Brasil o Judiciário é independente", declarou o presidente durante a entrevista no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Além disso, Lula criticou a postura de Trump por ignorar tentativas de diálogo por parte do governo brasileiro. "Estamos tratando isso com a maior seriedade. Mas seriedade não exige subserviência", afirmou. Ele reforçou que o Brasil, com seus 200 milhões de habitantes, não aceitará ser tratado como um país de menor importância. "Em nenhum momento o Brasil vai negociar como se fosse um país pequeno diante de um país grande", completou.
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