Eleições 2026

Bruno Scheid é denunciado por ataques a Marina Silva; Rede vê crime de gênero

Executiva estadual da Rede quer responsabilizar o candidato ao senado pelo PL por falas sobre a aparência e a vida de Marina Silva em podcast; legenda enquadra o caso na lei de violência política de gênero.

Bruno Scheid é denunciado por ataques a Marina Silva; Rede vê crime de gênero
📋 Em resumo
  • A Executiva Estadual da Rede Sustentabilidade vai denunciar o candidato ao Senado por Rondônia Bruno Scheid (PL) por suposta violência política de gênero contra Marina Silva.
  • Em podcast, Scheid chamou a ex-ministra de "tartaruga que o Acre não quer" e disse que ela estaria "fazendo hora extra na Terra".
  • A Rede enquadra as falas no artigo 326-B do Código Eleitoral, incluído pela Lei 14.192/2021.
  • Na terça (8), o TRE-RO já havia proibido Scheid de usar "Bruno Bolsonaro" como nome de urna, por ele não ter parentesco com o ex-presidente.
  • O caso põe em debate os limites entre crítica política e ataque pessoal com viés de gênero, tema em alta nas últimas eleições.
  • Por que isso importa: o candidato vinha construindo sua campanha como defensor das mulheres contra a violência — o que a acusação vira contra ele
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A Executiva Estadual da Rede Sustentabilidade decidiu denunciar o candidato ao Senado por Rondônia, Bruno Scheid (PL), por suposto crime de violência política de gênero contra a candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora pelo Acre. A decisão veio após declarações de Scheid em uma entrevista a podcast, na qual ele fez ataques pessoais à ex-ministra, com referências à aparência física e à trajetória dela.

O que Scheid disse

Na entrevista, ao comentar o retorno do PT ao cenário político, Scheid chamou Marina de "aquela tartaruga que o Acre não quer mais" e de "jabuti que, de quatro em quatro anos, aparece novamente". Em outro trecho, afirmou que a ex-senadora estaria "fazendo hora extra na Terra" e que Deus deveria "chamá-la" — declaração interpretada pela legenda como uma referência à morte da candidata, de 67 anos.

Marina Silva nasceu no Acre e construiu ali parte de sua trajetória: foi vereadora de Rio Branco, deputada estadual e senadora por 18 anos, antes de se tornar ministra do Meio Ambiente.

Por que a Rede fala em crime

Para a Rede Sustentabilidade, as declarações ultrapassam os limites da crítica política e podem configurar violência política de gênero, tipificada no artigo 326-B do Código Eleitoral, incluído pela Lei nº 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir e combater a violência política contra a mulher. A legislação prevê punição para quem assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato, com menosprezo ou discriminação à condição de mulher, com a finalidade de impedir ou dificultar sua campanha ou atuação política.

A porta-voz da legenda em Rondônia, Carolina Zemuni, confirmou que a Rede considera ter havido crime e anunciou medidas contra o candidato. "A Rede Sustentabilidade repudia as palavras ditas por Bruno Scheid contra a candidata Marina Silva e afirma que sim, considera que ele cometeu crime de violência política de gênero e tomará todas as devidas providências", disse.

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"Considera que ele cometeu crime de violência política de gênero e tomará todas as devidas providências." — Carolina Zemuni, Rede Sustentabilidade

Uma contradição no centro da campanha

Há um elemento que torna o episódio ainda mais delicado para o candidato. Scheid — pecuarista que atuou como arrecadador da campanha de Jair Bolsonaro em 2022 — vinha estruturando sua candidatura ao Senado justamente em torno da defesa das mulheres contra a violência. Em manifestações recentes, apresentou Rondônia como o "segundo estado mais perigoso do país para o público feminino" e afirmou que "violência contra mulheres e crianças não pode ser tratada como algo normal". A acusação de violência política de gênero, portanto, incide sobre alguém que fez da proteção às mulheres uma bandeira eleitoral — contradição que a própria repercussão do caso tende a explorar.

Uma semana difícil na Justiça Eleitoral

A denúncia da Rede não é o único revés recente do candidato. Na terça-feira (8), o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) proibiu que Scheid concorresse usando o nome de urna "Bruno Bolsonaro", sob o argumento de que ele não possui o sobrenome do ex-presidente — nome que o candidato passou a adotar nas redes sociais no fim do ano passado. Em poucos dias, portanto, ele acumulou uma restrição sobre o nome de campanha e a ameaça de uma ação por violência política de gênero.

O que vem a seguir

O caso deverá ser levado pela legenda às autoridades competentes, que avaliarão se as declarações efetivamente configuram o crime previsto na legislação eleitoral. Vale o registro de rigor: trata-se, por ora, de uma denúncia anunciada por um partido adversário — não há decisão da Justiça Eleitoral, e cabe a ela dizer se as falas constituem crime. Scheid tem direito a se defender e a apresentar sua versão.

O episódio recoloca uma discussão que ganhou força nas últimas eleições: a fronteira entre a crítica política legítima e o uso de ataques pessoais, humilhações e referências à condição feminina como instrumento de disputa. Se a Justiça Eleitoral acolher a tese da Rede, o caso pode ter desdobramentos concretos sobre a candidatura de Scheid — e servir de baliza sobre até onde vai o discurso permitido numa campanha.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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