Caso Gritzbach: Diretor do Deic e delegado são afastados após delação bomba sobre corrupção
Delação de empresário assassinado expõe esquema milionário envolvendo policiais, PCC e lavagem de dinheiro; deputado estadual também é citado

Em um desdobramento explosivo que abala as estruturas da segurança pública paulista, dois delegados foram afastados de seus cargos após serem mencionados na delação premiada do empresário Vinicius Gritzbach, executado em novembro.
O caso revela uma intrincada rede de corrupção envolvendo policiais civis e membros do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os delegados afastados são Fabio Pinheiro Lopes, conhecido como "Fabio Caipira", que ocupava o cargo de diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), e Murilo Fonseca Roque, que atuava em São Bernardo do Campo. O deputado estadual Antônio Olim (PP), também delegado, foi igualmente citado na delação.

O esquema
Segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, o esquema movimentou cerca de R$ 72 milhões entre 2018 e 2022. O dinheiro, proveniente de propinas e do tráfico de drogas, era lavado através de investimentos imobiliários e empresas de fachada. Gritzbach, que atuava como operador financeiro do esquema, denunciou que policiais chegaram a cobrar R$ 40 milhões em propina para não incriminá-lo em investigações de homicídios.

Linha do tempo do Caso Gritzbach
2021: Gritzbach é investigado pelos assassinatos de dois membros do PCC - Anselmo "Cara Preta" e Antônio "Sem Sangue"
Início de 2024:
Empresário inicia colaboração com a Justiça
Denuncia esquema de corrupção envolvendo policiais e PCC
Revela cobrança de R$ 40 milhões em propina
8 de novembro de 2024:
Gritzbach é executado a tiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos
Um motorista de aplicativo também morre no ataque
Crime é registrado por câmeras de segurança
Dezembro de 2024:
Dia 9: Matheus Augusto de Castro Mota é preso em Praia Grande
Dia 17: Novas revelações sobre apropriação ilegal de propriedades
Dia 20: Afastamento dos delegados é oficializado

Desdobramentos
A força-tarefa criada pelo governo paulista continua as investigações. Até o momento, oito pessoas foram presas, incluindo o delegado Fábio Baena, investigadores policiais e empresários. Um suspeito permanece foragido. Os delegados afastados e o deputado Olim negam as acusações e responderão em liberdade.
O caso expõe as complexas relações entre agentes públicos e o crime organizado em São Paulo, evidenciando a necessidade de uma profunda investigação nas estruturas de segurança do estado.
