Choque de trens de alta velocidade deixa ao menos 30 mortos na Espanha
Trem da Renfe atingiu por trás uma composição da Iryo perto de Urda, e dois vagões caíram num barranco. A hipótese inicial é erro humano depois de uma pane na sinalização
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- Pelo menos 30 pessoas morreram na colisão entre dois trens de alta velocidade perto de Urda, na província de Toledo, no centro da Espanha, nesta quarta-feira (28/10). O número pode subir.
- O trem AVE 2080, da estatal Renfe, atingiu por trás o trem Iryo 6076, da empresa privada Iryo. Dois vagões caíram por um barranco. Os dois trens levavam mais de 540 pessoas.
- A hipótese inicial, ainda não confirmada, é de erro humano no controle do tráfego, depois de uma pane no sistema de sinalização.
- A linha de alta velocidade Madri–Andaluzia foi suspensa sem previsão de retorno.
- Por que isso importa: é o segundo grande acidente na mesma linha em menos de dez meses. Em janeiro, uma colisão em Adamuz (Córdoba) já tinha deixado dezenas de mortos.
Pelo menos 30 pessoas morreram nesta quarta-feira (28/10) na colisão entre dois trens de alta velocidade perto de Urda, na província de Toledo, no centro da Espanha. O número foi confirmado por fontes do governo regional de Castilla-La Mancha, e as equipes de resgate ainda trabalhavam no local, por isso a contagem pode aumentar. O acidente aconteceu às 8h54 no horário local (4h54 em Brasília), no quilômetro 118 da linha de alta velocidade Madri–Sevilha, entre as localidades de Mora, Orgaz e Urda.
Como foi a colisão
Segundo as primeiras informações do Ministério dos Transportes da Espanha:
- o trem AVE 2080, da Renfe, empresa pública ferroviária, que ia de Madri a Sevilha, atingiu por trás o trem Iryo 6076, da empresa privada Iryo, que estava à frente na mesma via;
- com o impacto, os dois últimos vagões do trem da Iryo descarrilaram e caíram por um barranco.
Segundo a porta-voz do governo regional, Esther Padilla, o Iryo levava 146 passageiros e um bebê, e o AVE, 397 pessoas.
A velocidade dos trens no momento do choque ainda não foi informada.
O que pode ter causado o acidente
As causas ainda estão sob investigação. A hipótese inicial, segundo fontes do Ministério dos Transportes ouvidas pelo jornal Público, é esta:
- uma falha no sistema principal de sinalização obrigou cerca de oito trens a parar na região;
- quando a circulação foi retomada, isso foi feito com controle humano, sem o sistema automático;
- o trem da Iryo continuava parado na via;
- um operador do centro de controle da Adif, a empresa estatal que administra a infraestrutura ferroviária, em Atocha (Madri), teria autorizado por engano o avanço do trem da Renfe, que atingiu a composição da Iryo.
Atenção: essa é uma hipótese de fontes do governo, não uma conclusão oficial. A Adif informou que está analisando todos os seus sistemas e a sequência dos fatos. O funcionário não foi identificado, e ninguém foi responsabilizado até agora. O instituto de meteorologia Meteored descartou que o tempo tenha influenciado.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, foi ao centro de controle da Adif em Atocha. Ele escreveu no X que estava ali “tentando obter toda a informação possível sobre o ocorrido”.
Resgate e hospitais
- A ministra da Saúde, Mónica García, informou que hospitais de Madri e de Castilla-La Mancha estão em alerta. Segundo ela, a gravidade do impacto pode exigir atendimento especializado para vítimas com múltiplos traumatismos.
- O Ministério do Interior acionou a Unidade Militar de Emergências (UME).
- A Guarda Civil enviou equipes de resgate, de investigação criminal e de identificação de vítimas.
- Três helicópteros de atendimento médico foram mobilizados, e um posto médico avançado foi montado perto do local.
- O governo de Castilla-La Mancha ativou o plano regional de emergência.
O número oficial de feridos ainda não foi divulgado.
Linha suspensa
A Adif suspendeu a circulação na linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia “até novo aviso”. O Ministério dos Transportes pediu que passageiros com viagem marcada não vão às estações. A Renfe oferece troca ou cancelamento gratuito das passagens.
Reações
O primeiro-ministro Pedro Sánchez suspendeu a agenda do dia e escreveu no X:
“Meu carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e suas famílias.”
— Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha
O rei Felipe VI conversou com o presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, que foi ao local. O Congresso espanhol cancelou as atividades do dia, e líderes europeus enviaram condolências.
A mesma linha, a segunda tragédia do ano
O acidente aconteceu na mesma linha em que, em 18 de janeiro de 2026, trens da Renfe e da Iryo colidiram em Adamuz, na província de Córdoba. Na época, aquele foi considerado o pior acidente ferroviário da Espanha desde 2013, quando o descarrilamento de um trem em Santiago de Compostela deixou 80 mortos.
Depois do desastre de janeiro, representantes dos trabalhadores ferroviários cobraram mais fiscalização e uma auditoria nas condições da linha Madri–Sevilha.
Dez meses depois de Adamuz, a mesma linha volta a ser cenário de uma tragédia com dezenas de mortos, e de novo com trens da Renfe e da Iryo. Se a hipótese inicial se confirmar, a falha não terá sido só de um funcionário, mas também de um sistema que, ao sair do modo automático, passou a depender de uma única decisão humana para manter separados dois trens de alta velocidade. A investigação deve responder se as cobranças feitas depois de janeiro foram atendidas. A pergunta vai pesar sobre o governo espanhol nos próximos dias.
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