Cid disse ter entregue 18 mil dólares a Bolsonaro após vender joias, em delação à PF
Total da venda de itens de luxo soma US$ 86 mil, segundo Cid; Bolsonaro teria reclamado dos custos de processo e multas de trânsito

Em delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), disse ter entregue, ao então chefe do Executivo, US$ 18 mil, após vender as joias de Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo Cid, ele retirou do montante obtido pela venda dos itens apenas o custo das passagens aéreas e repassou os US$ 18 mil, valor incompleto do que havia sido comercializado.
Isso porque, de acordo com a delação, o saque do montante completo seria fracionado para não levantar suspeitas. O valor total, após vender relógios e o kit de joias, era de US$ 86 mil.
Foram vendidos:
Kit de joias em ouro branco, presente da Arábia Saudita
Relógio Rolex, presente da Arábia Saudita
Relógio Patek Philippe, presente recebido em viagem ao Bahrein
Processo e multa
Segundo Cid, no começo de 2022, Bolsonaro estava “reclamando dos pagamentos” do litígio da condenação judicial no caso da deputada federal Maria do Rosário (PT).
Além disso, o então presidente se queixou dos gastos de “mudanças e transporte do acervo que deveria arcar, além de multas de trânsito por não usar o capacete nas motociatas”.
Para o então auxiliar, a ideia de vender os itens teria vindo desse problema financeiro.
Acordo de delação
Mauro Cid assinou acordo de delação em 28 de agosto de 2023 e divulgado, na íntegra, nesta quarta-feira (19), após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, retirar o sigilo de quatro volumes.
Entre os pedidos de Cid, estava a pena máxima de 2 anos, caso seja condenado, além de proteção para a família.
Confira os benefícios a Mauro Cid:
Perdão judicial ou pena privativa de liberdade não superior a 2 anos
Restituição de bens e valores apreendidos
Extensão dos benefícios para pai, esposa e filha maior, no que for compatível
Ação da Polícia Federal visando garantir a segurança do colaborador e respectivos familiares
A delação fechada com a PF foi homologada pelo STF em setembro do mesmo ano.
Em contrapartida, Cid se comprometeu a dizer sempre a verdade e passar informações para ajudar na investigação e entregar todos os documentos, papéis, escritos, fotografias, gravações de sinais de áudio e vídeo que possam contribuir para a elucidação dos crimes, objeto da colaboração.
Com informações da CNN Brasil
