Cleitinho desiste do governo de Minas e trava palanque de Flávio
Líder nas pesquisas para o Palácio Tiradentes, senador do Republicanos recua após meses de indecisão e reabre disputa pela direita em Minas Gerais.
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- Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) confirmou nesta segunda-feira, em reunião com a cúpula do partido em Brasília, que não disputará o governo de Minas e ficará no Senado.
- A decisão inverte a expectativa de dias anteriores, quando dirigentes do Republicanos sinalizavam disposição de reverter o veto e confirmar sua candidatura.
- Cleitinho liderava com folga todos os cenários da pesquisa Genial/Quaest, com 35% das intenções de voto contra 12% de Alexandre Kalil (PDT).
- O impasse deixa o PL sem candidato consolidado para liderar o palanque de Flávio Bolsonaro no segundo maior colégio eleitoral do país.
- Por que isso importa: Minas Gerais é decisivo na disputa presidencial e a indefinição prolongada expõe a fragilidade da articulação da direita no estado.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) anunciou nesta segunda-feira (3/8) que desistiu de disputar o governo de Minas Gerais e permanecerá no Senado. A decisão foi comunicada após reunião em Brasília com o presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira, e encerra — pelo menos por ora — um dos capítulos mais instáveis da pré-campanha na direita mineira.
O desfecho surpreende porque contraria o movimento observado nos dias anteriores. Reportagens publicadas no fim de semana indicavam que a cúpula do Republicanos se preparava para reverter o veto e confirmar a candidatura de Cleitinho justamente nesta segunda-feira, sob forte pressão do PL e do próprio Flávio Bolsonaro. O senador, no entanto, decidiu não seguir adiante.
Meses de indecisão até a reviravolta
O impasse já se arrastava havia semanas. Na quarta-feira (29/7), o Republicanos divulgou nota retirando o nome de Cleitinho da disputa e atribuindo a ele a responsabilidade pelo fracasso das negociações, afirmando que a legenda manteve diálogo aberto durante meses e adiou decisões estratégicas à espera de uma definição do senador.
Horas depois da nota, Cleitinho reagiu em coletiva convocada em Divinópolis, sua cidade natal, e afirmou que continuaria buscando viabilizar a candidatura. "Em todos os cenários eu lidero as pesquisas. O que eu falei é que, se até o final eu estiver liderando, eu serei candidato", declarou o senador na ocasião, ao lado do ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, apresentado como pré-candidato a vice.
Na quinta-feira (30/7), Cleitinho e Falcão se reuniram por mais de cinco horas com Marcos Pereira em São José dos Campos (SP), sem chegar a um acordo. Aliados do senador atribuíram parte do atraso na formalização da candidatura ao período de luto pela morte do irmão mais novo do parlamentar, Matheus Azevedo, dias antes.
"A questão não é de infidelidade partidária, mas de condição de elegibilidade. Sem o suporte do partido ao qual está vinculado, ele fica impedido de registrar a candidatura ao Palácio Tiradentes, independentemente de sua vontade pessoal", explicou o advogado eleitoral Lucas Neves sobre o entrave jurídico enfrentado pelo senador.
O obstáculo tinha peso concreto: o prazo legal de filiação partidária para as eleições de 2026 se encerrou em 4 de abril, segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Isso significa que Cleitinho poderia até trocar de legenda e manter o mandato de senador, mas jamais concorrer ao governo por outro partido — a candidatura dependia exclusivamente do aval do Republicanos.
Liderança nas pesquisas não bastou
A resistência interna ao nome de Cleitinho chamava atenção porque contrastava com seu desempenho eleitoral. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada na terça-feira (28/7) e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-03490/2026, mostrou o senador como o nome mais competitivo da disputa pelo governo mineiro em todos os cenários testados (Genial/Quaest).
No principal cenário estimulado, Cleitinho aparecia com 35% das intenções de voto, mais de 20 pontos percentuais à frente do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que registrava 12% (Genial/Quaest). O deputado federal Patrus Ananias (PT) somava 10%, enquanto o atual governador Mateus Simões (PSD) aparecia com apenas 6% (Genial/Quaest). O levantamento ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e 95% de nível de confiança (Genial/Quaest).
Mesmo com a vantagem, dirigentes do Republicanos justificaram o veto inicial citando a "postura errática" do senador ao longo dos últimos meses, incluindo sua ausência na convenção estadual do partido, realizada em 25 de julho — episódio que, segundo a legenda, tornou inevitável buscar uma alternativa.
Pressão de Flávio e Tarcísio pela candidatura
A insistência de setores do Republicanos e do PL em reverter o veto tinha explicação direta: Flávio Bolsonaro apostava em Cleitinho como o nome capaz de liderar seu palanque estadual em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. O próprio senador fluminense entrou pessoalmente nas negociações com a Executiva nacional do Republicanos, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também atuou a favor da candidatura de Cleitinho nos bastidores.
O temor entre aliados de Flávio era que o eleitorado de Cleitinho se voltasse contra os partidos que, em acordo de cúpula, tentassem impor um nome alternativo — o que fragilizaria ainda mais a base presidencial do PL no estado.
A urgência da direita em Minas se soma a um cenário já desgastado para a candidatura de Flávio: pesquisa Datafolha de 22 de maio mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliando a vantagem para nove pontos no primeiro turno, com 40% contra 31% do pré-candidato do PL (Datafolha). O levantamento foi o primeiro feito integralmente depois de vazarem os contatos do banqueiro Daniel Vorcaro, do falido Banco Master, com diversas lideranças políticas — episódio que azedou a relação do PL com potenciais aliados em vários estados.
Cenário aberto na direita mineira
Enquanto o impasse sobre Cleitinho se arrastava, o Republicanos chegou a avaliar apoiar o ex-secretário da Casa Civil de Minas, Marcelo Aro (PP), articulando a candidatura em conjunto com PL, União Brasil e o próprio PP. Aro chegou a se reunir em Brasília com Flávio Bolsonaro e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do PL, no mesmo momento em que Cleitinho publicava um vídeo nas redes sociais afirmando que "aceitava a missão".
"A direita precisa estar unida para tirar o PT do governo", resumiu o presidente do PL mineiro, deputado federal Domingos Sávio, ao tentar minimizar as fissuras entre os partidos aliados.
O quadro paralelo do Republicanos também mostra outras frentes já fechadas: o partido oficializou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição em São Paulo no último sábado (1º/8), decisão que esvaziou a agenda da cúpula nacional e atrasou o encontro decisivo com Cleitinho, adiado justamente para esta segunda-feira. O presidente estadual do Republicanos em Minas, deputado federal Euclydes Pettersen, chegou a afirmar à revista Veja que a candidatura de Cleitinho "era prioridade" para o partido, apesar da insatisfação da legenda com as sucessivas indefinições do senador.
Com a desistência confirmada, o Republicanos e o PL precisarão decidir rapidamente entre relançar a candidatura de Marcelo Aro ou buscar outro nome para sustentar o palanque presidencial de Flávio Bolsonaro em Minas. No campo governista, o presidente Lula também não definiu apoio a nenhum candidato ao Palácio Tiradentes — o que mantém aberta a disputa em um estado historicamente decisivo para o segundo turno da corrida presidencial.
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