Poder e Bastidores

Clínica de influenciadores adulterava medicamentos e causou deformações em mais de 60 pacientes, em Goiânia

Casal proprietário da Clínica Karine Gouveia tem prisão prorrogada por 30 dias após descoberta de esquema que incluía procedimentos irregulares e uso de produtos industriais em cirurgias estéticas

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Karine Gouveia e Paulo César, casal investigado pela Polícia Civil, Goiás — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em um caso que chocou o setor de estética em Goiás, a Polícia Civil revelou novos detalhes perturbadores sobre as práticas da Clínica Karine Gouveia, em Goiânia. Segundo investigações, os proprietários Karine Gouveia e Paulo César Dias Gonçalves, conhecido como PC Segredo, mantinham um esquema de adulteração de medicamentos para maximizar lucros, colocando em risco a saúde de centenas de pacientes.

Esquema criminoso e preços tentadores

A clínica atraía clientes oferecendo procedimentos estéticos por preços até seis vezes menores que o valor de mercado. Uma rinoplastia, por exemplo, era realizada por R$ 5 mil, enquanto o preço médio no mercado é de R$ 30 mil. Para manter os custos baixos e aumentar a margem de lucro, a clínica adulterava e diluía medicamentos, conforme revelado em depoimentos à polícia.

Profissionais sem qualificação

Um dos aspectos mais alarmantes do caso é que procedimentos complexos eram realizados por profissionais sem a devida qualificação. Um dentista, que atuava como responsável técnico, admitiu em depoimento que aprendeu os procedimentos "na prática" e chegava a realizar até oito cirurgias por dia, com intervalos menores que uma hora entre elas.

Vítimas e sequelas

Mais de 60 pessoas já procuraram a polícia para denunciar sequelas e complicações após procedimentos realizados na clínica. Entre os casos mais graves está:

Uma psicóloga que recebeu aplicação de óleo industrial no rosto ao invés de ácido hialurônico


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Investigação e prisão

O delegado Daniel Oliveira, responsável pelo caso, informou que as investigações começaram em abril de 2024. A operação "Face Oculta", deflagrada em dezembro, resultou na prisão do casal e no bloqueio de:

Irregularidades sanitárias

A Vigilância Sanitária documentou 18 irregularidades nas instalações, incluindo:

Posicionamento da defesa

Os advogados do casal contestam as acusações e afirmam que "Karine Gouveia e Paulo César nunca tiveram a intenção de praticar qualquer crime". A defesa alega que é necessário analisar cada caso individualmente e que alguns problemas podem ter ocorrido por pacientes que não seguiram as recomendações pós-procedimento.

O caso continua em investigação, com a Justiça de Goiás mantendo a prisão preventiva do casal por mais 30 dias para garantir o andamento das investigações e a preservação das provas. A polícia continua recebendo novas denúncias de vítimas, e o número de pessoas afetadas pode aumentar nas próximas semanas.

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Para mais informações sobre procedimentos estéticos seguros, consulte sempre o Conselho Federal de Medicina e verifique a credencial dos profissionais no Conselho Regional de Medicina do seu estado.